Somos Tod@s Pinheirinho

 

Os moradores da comunidade do Pinheirinho estão se reorganizando para continuar sua luta por algo que seria dever do estado proporcionar: MORADIA.
Nesta última semana essas pessoas já foram expulsas de suas casas da forma mais covarde e cruel possível, durante a noite, em um final de semana(o que por si só já torna a desocupação inconstitucional), além de estarem desarmados contra uma PM e GCM sádicas e fortemente armadas.
Após esse episódio covarde, essas pessoas se viram obrigadas a aceitar a ida para um “abrigo” da prefeitura de São José dos Campos, ou manter a autonomia do movimento indo se abrigar em uma igreja que não tinha a menor condição estrutural de recebê-los. Mais de 600 pessoas decidiram por ir para a igreja e manter a luta, dormindo em colchonetes dispostos no chão ou em bancos de madeira, e muitos do lado de fora da igreja, já que a mesma estava superlotada. Sem roupas, sem produtos de higiene pessoal, sem os remédios que alguns precisavam tomar e que se encontravam embaixo dos escombros de suas casas destruídas pelo tucanato, mesmo assim eles resistiram. No dia 25/01 não foi mais possível permanecer no local, e as pessoas acabaram em outro suposto “abrigo” disponibilizado pela prefeitura. Um ginásio onde continuam a passar necessidade, pois tudo o que tinham foi destruído pelo governo tucano.
Agora esse mesmo governo diz que irá construir moradias para essas pessoas, que eles terão prioridade nessas novas casas, os tucanos tiveram 8 anos para regularizar a situação do Pinheirinho, por quê não fizeram isso? Precisaram destruir tudo o que foi construído coletivamente por essas pessoas, precisaram matar, humilhar, aterrorizar, para depois dizerem que eles são prioritários. Não nos enganemos, os tucanos só estão fazendo isso porquê a opinião pública se voltou contra eles, porque eles estão perdendo o controle da situação. O prefeito de São José dos Campos Eduardo Cury teve que se esconder durante alguns dias, o governador de São Paulo Geraldo Alckmin não compareceu a missa do aniversário de São Paulo, até para eles o que foi feito excedeu os limites.
Não podemos esquecer que ainda existem desaparecidos, que houveram mortes, que tentaram de todas as formas destruir a dignidade desses lutadores e lutadoras, mas não conseguiram. Mesmo tendo destruído as moradias do Pinheirinho, a comunidade ainda resiste. E, por isso, precisa de todo o apoio.

Agenda de atividades em apoio a comunidade do Pinheirinho:

- 28/01 Festa do Bloco do Saci a partir das 20:00 horas no ECLA: Rua da Abolição, 244 – Bixiga – Tel: 3104 – 7401 com a entrada de R$ 10,00 revertida para a comunidade do Pinheirinho.

- 01/02 Audiência Pública na ALESP às 14:00 horas.

- 02/02 Ato em São José dos Campos à partir das 09:00 horas.

SOMOS TOD@S PINHEIRINHO

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Parte 2 – Fotos da manifestação SP contra a violência policial na Cracolândia e Pinheirinho – 458 anos de São Paulo

PSDB, chefe do genocídio no Pinheirinho

PSDB, chefe do genocídio no Pinheirinho

Manifestantes caminham pela Av. São João em direção à Cracolândia

Perigo: Tucanos violentos soltos na região da Luz

Perigo: tucanos em ataque!

Eureka, tucanos descobrem o que devem fazer com o pobreza!

Cultura na Luz, roda de capoeira na Cracolândia

Capoeira, luta e libertação

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Fotos da manifestação contra a violência policial no Pinheirinho e na Cracolândia – 458 anos de São Paulo

Manifestante enfrente à prefeitura de São Paulo onde Kassab entregava medalhas à Alckmin e Dilma

458 anos de São Paulo é marcado por manifestações enfrente à prefeitura

Ato contra massacre no Pinheirinho

Solidariedade aos moradores do Pinheirinho

Pelo direito à moradia

Quem sabe, sabe. Tira o emprego de KassabManifestantes caminham pela Av. São João em direção à Cracolândia

Manifestantes caminham pela Av. Duque de Caxias em direção à Cracolândia

Manifestação contra a violência policial chega à região da luz conhecida como Cracolândia

 

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Criminosa tentativa de sabotagem no Sintusp – Sindicato dos Trabalhadores da USP

Não há como deixar passar em branco um atentado como este, típico de época ditatoriais ou períodos de exceção. Mas este atentado nos indigna mais ainda por ser contra o SINTUSP, sindicato que sempre se posicionou pela democracia e pela ampliação da universidade pública de qualidade. Por isso, o outubrovermelho soma na luta pela apuração dos fatos e responsabilização dos autores lembrando que a reitoria da USP e a secretaria de segurança pública tem a responsabilidade de apurar o acontecido rapidamente, garantindo, ao menos, o direito de organização sindical na maior universidade do Brasil.

 

Quinta-feira (12) pela manhã, quando dois funcionários adentram a sede do Sindicato para dar inicio a mais um dia de expediente, constatam que havia um forte cheiro de gás, em seguida, surpreendessem quando identificam um enorme vazamento em virtude de todos os botões do fogão industrial, localizado na cozinha, estavam abertos.Atentado SINTUSP

Minutos mais tarde, outro funcionário ao abrir sua sala para também dar inicio ao seu trabalho, nota que pastas e documentos de uso interno estão espalhados no interior da mesma.

Todo o episódio ocorre sem a violação de qualquer dos cadeados de entrada e fechadura de portas que dão acesso a entidade e salas internas!

Ressaltamos que, como de costume, todo o espaço fora vistoriado no dia anterior, antes de seu fechamento e que tudo se encontrava devidamente normal.

Estranhamente (no final da tarde do dia anterior), foi observada por funcionários e estudantes a presença de vigilantes da empresa EVIK e Policiais à paisana, nos arredores do sindicato.

A sabotagem foi registrada em BO – boletim de ocorrência na Central de Segurança da USP e no 93º Distrito Policial, Jaguaré.

A Diretoria do Sintusp encaminhou oficio a reitoria da universidade comunicando os fatos. É importante ressaltar que os cadeados e fechaduras do sindicato não se encontravam arrombados.

Lembramos que tudo isto acontecesse depois de:

Dia 6 – Uma estudante grávida ter sido agredida (por “agentes” da guarda universitária na presença de policiais militares) e depois acompanhada, por diretor do sindicato, ao 91º Distrito Policial para registro de boletim de ocorrência e exame de corpo delito.

Dia 9 – A intervenção de diretores do Sintusp (no caso Nicolas – estudante da USP espancado pelo sargento PM André Ferreira, no espaço do DCE/USP), e acirrada discussão com os policiais e guardas universitários. evitando a continuidade das atrocidades.

Dia 9 – Publicação na Revista Fórum (jan/2012) sobre as espionagem na USP. Com apresentação de documentos que a Revista teve acesso (relatórios de agentes infiltrados em reuniões da diretoria do sindicato, da Associação dos Docentes da USP, reuniões e assembleias de estudantes e funcionários, além do monitoramento de médicos e funcionários do Hospital Universitário e até Diretores de Unidades da Universidade.

Dia 10 – entrevista coletiva do estudante Nicolas a diversas emissoras de TV, falando sobre a agressão e ação policial e de “membros” da guarda universitária. Gravação sugerida e organizada por diretores do Sintusp.

Até o momento não constatamos a perda ou furto de nenhum documento ou objeto de valor, o que evidencia que esta atitude criminosa que colocou em risco a vida dos funcionários do Sintusp, dos diretores e estudantes que freqüentam o espaço só pode ser explicada por motivações políticas.

Este é o último capitulo de uma tragédia anunciada pela assinatura de um convênio que perpetua a PM em nossa universidade, como parte de uma verdadeira ofensiva repressiva feita por parte da reitoria e do governo, que ocorre através de processos administrativos, criminais e ações de espionagem contra os diretores e ativistas do sindicato e a estudantes que lutam em defesa de uma educação pública, gratuita e de qualidade para todos.

Assim, denunciamos esta criminosa atitude de ataque ao Sintusp, e responsabilizamos a reitoria e o governo pela integridade física de todos.

Finalmente, pedimos as entidades sindicais, populares, estudantis, intelectuais e parlamentares a manifestarem repudio a mais essa ação criminosa e a devida apuração dos fatos e conseqüentemente a responsabilização de seus autores, encaminhando esses pedidos para:

 

Secretaria Estadual de Segurança Pública/SP
secretário Antônio Ferreira Pinto
Reitoria da Universidade de São Paulo
reitor João Grandino Rodas
Ministério Público do Estado São Paulo
procurador-geral de justiça Fernando Grella Vieira
Presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo
deputado Barros Munhoz
com cópia para o:
Sintusp – Sindicato dos Trabalhadores da USP

Diretoria Colegiada Plena do Sintusp

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Mostra coordenadas: Relatos de uma cidade em disputa de 29 a 04/12 – Sala Cine Olido.

Coletivo FELCO SP: Mostra Coordenadas: relatos de uma cidade em disputa.
Queremos dizer que desconfiamos.

Desconfiamos quando, de repente, a grande mídia central e seu braço cinematográfico focam seus capitais e lentes sobre as mesmas periferias que até bem pouco tempo atrás só lhes causavam medo. Desconfiamos das novas tomadas, das novas cores e sons que esse foco procura extrair delas, como tam…bém do novo interesse que ele demonstra por tudo aquilo que nelas se fez e se faz em meio às mais duras adversidades, com pouca grana e muito suor, sangue e luta.

Desconfiamos quando essas mesmas lentes centrais selecionam aquilo que consideram mais ou menos “autêntico” dentre o mundo de coisas que hoje se produz pelas periferias. Desconfiamos quando estas são convidadas a fazer as mais diversas coisas “agora por elas mesmas” e, ainda mais, quando as elites centrais aplaudem de pé os resultados.

Desconfiamos, portanto, quando a periferia torna-se, ao mesmo tempo, o nome de um investimento econômico certeiro e de um espetáculo agradável e comovente. Desconfiamos quando sabemos que a grande maioria das lutas travadas e das artes produzidas pelos que vivem e constroem as periferias são constantemente ignoradas por essas mesmas lentes e por esses mesmos interesses econômicos.

De 29 a 04/12 – Sala Cine Olido
Informações: http://felcobrasil.org/


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Globo blinda selecinha do Mr. Teixeira

Cleber Machado e Casagrande evitam críticas à CBF por amistoso com Gabão No esforço de tornar interessante um amistoso sem nenhum atrativo, disputado por uma seleção brasileira desfigurada e o Gabão, 68º no ranking da Fifa, Cleber Machado e Casagrande se desdobraram em comentários, informações e os tradicionais exageros. Só não fizeram uma pergunta essencial: por que o Brasil se sujeitou a um jogo desses?

Para todo mundo que assistiu à partida, esta era a questão essencial: o que a seleção estava fazendo no meio daquele lamaçal? Cleber e Casagrande até constataram e lamentaram o estado do gramado, mas não acharam necessário questionar a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) por aceitar disputar um amistoso nestas condições.

Cleber preferiu desfiar conhecimentos de almanaque (talvez da Wikipédia) sobre o Gabão a perguntar sobre o sentido desta partida. “O presidente do Gabão gosta muito de futebol”, disse. “O país tem minérios”, observou.

É verdade que o narrador até ameaçou uma crítica a respeito da escolha do adversário do Brasil. “A seleção de Gabão não é uma das mais tradicionais da África”, disse. “Uma seleção que não tem tradição mesmo no continente africano”. Mas logo compensou, observando: “O Brasil vai enfrentar um time empolgado, que joga a partida mais importante da história do país”.

Mauro Naves, direto de Libreville, bem que levantou a bola para um assunto polêmico: Mano Menezes chegou neste amistoso a 60 jogadores diferentes. Mas nem Cleber nem Casagrande acharam que era um bom tema e não comentaram nada a respeito.

Ao final da transmissão, quando faltavam dois minutos para o encerramento da pelada, a dupla finalmente deixou escapar uma observação mais contundente, cobrando um time e amistosos contra equipes mais qualificadas. Em resumo,um amistoso absurdo, de baixa qualidade, com uma transmissão que falou muito, mas disse pouco.


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Eu Não Vou me Mover – Curta Metragem – Uma obra prima sobre a Hipocrisia

Nos EUA, o presidente Obama e a secretária de estado Hillary Clinton pedem aos governos árabes que respeitem o direito de manifestação de seu povo mas, dentro de casa, a história é diferente….

 

 

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Santayana e os indignados: a lógica de 99%

Indignados em Santiago de Compostela (Foto: Marília Amorim)

Os reflexos da indignação por Mauro Santayana

A direita mundial se articula para depreciar as manifestações do último sábado. É certo que elas foram menos expressivas nos países emergentes e nos mais pobres. Até mesmo para pensar e agir, é preciso comer antes. A maioria dos povos africanos, acossados pela fome, pelas endemias e pelos genocídios periódicos,  não têm como sair às ruas.  Nos países emergentes, em que as receitas neoliberais são contestadas, o crescimento  econômico alimenta a esperança.

O caso brasileiro é exemplar:  em momento de expansão da economia,  o sistema financeiro está controlado pela supremacia do setor estatal, graças às instituições que escaparam da sanha privatizadora, como o BNDES,o Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. A luta contra a corrupção, que continua  atual e necessária, não conseguiu tampouco levar as multidões que vimos nas ruas, durante a campanha das diretas e no processo popular contra Collor, porque a cidadania teme a sua utilização contra a presidente Dilma Roussef. Há a percepção de  que ela se confronta com dificuldades  conhecidas e atua, dentro de seu limitado espaço de poder, para moralizar a administração e os costumes políticos e defender os interesses brasileiros no mundo.

É um engano achar que o povo brasileiro está alienado das questões mundiais – e isso se verá, no momento  necessário.      Os portavozes da direita, aqui e alhures, expressam seus desejos como constatações sociológicas. É o caso do mais obtuso dos políticos espanhóis contemporâneos, José Maria Aznar que, em entrevista ao jornal  El Universo de Quito,  domingo,  atribui “à extrema esquerda inexpressiva” o que começou na Tunísia, ampliou-se ideologicamente na Porta do Sol, em Madri, e se espalhou pelo mundo. Um dos cartazes exibidos em Nova Iorque é significativo: Wall Street acabou com o sonho americano. E como o sonho americano, graças à manipulação dos meios modernos de comunicação, se tornou o World Dream, o conluio político-militar-financeiro, globalizado transformou a utopia da felicidade individual em pesadelo.

Um dos eixos da história universal, na busca do equilíbrio entre os movimentos opostos, é o do conflito entre estado e sociedade. Estado e sociedade são, em princípio, uma só realidade. Essa idéia, fundada na concepção aristotélica da polis, foi restaurada por Hegel, em seus escritos juvenis. Mas a tensão interna sempre houve, e por uma razão elementar: a sociedade, como um todo, não consegue controlar diretamente o estado, a partir de certas dimensões, quando o número de habitantes se multiplicam  e crescem os conflitos humanos, exigindo legislação sempre mais complexa. O instituto da representação se faz necessário, porque a democracia direta  se torna inviável.

É nesse distanciamento entre o cidadão e o  poder, com a  intermediação dos agentes políticos e econômicos – como é do esquema clássico da filosofia da práxis -   que o Estado deixa de servir à sociedade nacional como um todo, e é apropriado pela classe dominante. Quando essa apropriação se torna intolerável, surge a revolução política. Como disse Vitor Hugo, ocorre, então, le retour du fictif au réel, e o Estado volta a ser absorvido pela sociedade inteira, mesmo que por pouco tempo. A grande utopia política é a de que, em algum momento da História, esse retorno se torne permanente.

O grande resultado dessas manifestações, que poderão, a partir de  certo momento de auge, diminuir de intensidade, é a reflexão dos intelectuais e dos povos. Há um axioma da física, o da inconstância do universo, cujas leis podem ser alteradas em qualquer momento – e a experiência com os neutrinos, se estiver correta, demonstra-o, ao desmentir Einstein-, que pode ser aplicada à inteligência. Os intelectuais, por comodismo ou convicção, são acometidos por certa ociosidade mental. Deixam de analisar a realidade em sua essência e em suas lições históricas, e se contentam em deslizar sobre as ondas superficiais do conhecimento, em adorná-las com recursos adjetivos. São os não-intelectuais, em seu saber feito de sofrimento, que costumam despertá-los para a ação, como está ocorrendo agora.

Por falar nisso, há declarações da Sra. Hillary Clinton que merecem ser cotejadas com o discurso de Lula, em Iowa. Falando de improviso, e com a razão do sentimento, o brasileiro resumiu as suas idéias na constatação de que o primeiro dos direitos do homem é o de comer. Assim, o primeiro dever dos governantes é o de trabalhar pela vida,  não pela morte. A Sra. Clinton disse que o seu país deve agir como agem a Índia e o Brasil, que, na condução de sua política externa,  colocam em primeiro plano a criação de empregos em seus países.

Ela se engana: nós não estamos fazendo nada mais do que imitar os Estados Unidos, que sempre agiam assim. Antes dela, outra secretária de Estado, Madeleine Albright – que, por coincidência,  se encontra no Brasil, dando conselhos a empresários nacionais – disse alto, e em bom som,  quando exercia o cargo, que o objetivo da política externa de Washington era o de garantir o pleno emprego para os cidadãos norte-americanos.

Ainda que o movimento dos indignados contra o neoliberalismo venha a  arrefecer-se por algum tempo,  retornará muito mais poderoso e mais amplo. Contraria a lógica que um por cento da população norte-americana (em outros paises é provável que a relação seja ainda maior) detenha 99% da renda nacional – conforme seus cidadãos indignados denunciam.

No Congresso, como anotou Paul Krugman em recente artigo, os republicanos parecem não ouvir o clamor das ruas, e não se dispõem a repensar seu dogma, mas, ao contrário, adotam uma versão ainda mais grosseira – tornando-se dele mesmo uma caricatura.

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Prioridade dos governos europeus são os bancos, e não as pessoas

Prioridade dos governos europeus são os bancos, e não as pessoas

O acordo Sarkozy-Merkel de domingo passado, garantindo a recapitalização dos bancos europeus afectados pela crise da dívida, ratifica que para eles a prioridade não são as pessoas, mas sim os bancos. Artigo de Orlando Delgado Selley.

Orlando Delgado Selley, La Jornada, via Esquerda.Net

Após a falência do Dexia, um importante banco franco-belga-luxemburguês, os governantes europeus estão prestes a decidir que o projecto social europeu morra para que os bancos vivam.

Há 50 meses a bolha imobiliária rebentou. Os grandes bancos centrais primeiro pensaram que era como os rebentamentos de outras bolhas e que podia resolver-se injectando liquidez nos mercados financeiros. Após as generosas injecções foi ficando claro que desta vez tratava-se de um problema maior, associado ao funcionamento do sector financeiro. Na realidade, o que rebentou foi a forma de funcionamento dos bancos, tanto comerciais como de investimento, juntamente com um novo sistema financeiro, a banca na sombra, que surgiu para operar à margem de uma regulação já por si lassa. Em poucos meses a recessão generalizou-se nas grandes economias, com impacto nas emergentes.

Praticamente, todos os governos do mundo entenderam que era indispensável tomar medidas para deter a recessão. Além disso, entenderam que as intervenções fiscais tinham que ser coordenadas mundialmente. O G-20 concordou com substanciais planos fiscais destinados a reverter o momento recessivo da crise. Houve programas de resgate das empresas bancárias, nos quais se utilizaram recursos públicos para salvar interesses privados. A imperante onda privatizadora neoliberal, vigente apesar da crise, impediu que os governos exigissem que os bancos resgatados passassem para o controlo governamental. Assim, os grandes bancos conseguiram subsistir como negócios privados.

Dois anos depois do Agosto negro de 2007, as economias desenvolvidas superaram a recessão graças aos programas fiscais e monetários aplicados. Pouco a pouco, o resto das economias do mundo foram tendo resultados positivos na produção, sem que se apresentassem problemas significativos nos preços. O FMI advertiu que era preciso manter os estímulos fiscais, enquanto não se consolidasse a recuperação. Apesar destes apelos, os bancos europeus exigiram que os países sobre-endividados garantissem o cumprimento das suas obrigações de crédito. A Grécia, primeiro, e depois a Irlanda e Portugal, tiveram que ser resgatados pela União Europeia para assegurar que garantiam os seus pagamentos aos bancos credores. Em troca, tiveram que reduzir drasticamente as despesas sociais.

Ao longo de 2010 na Europa, foi impondo-se como prioridade reduzir o défice fiscal e a dívida pública. Os mercados, isto é, os grandes investidores globais, ajudados pelas agências de rating, impuseram-se aos governos. Esta decisão política afectou o crescimento económico e a população, que tinha sido protegida dos impactos da crise com a cobertura estatal. A austeridade fiscal e as privatizações procuravam abrir espaço orçamental para cumprir com as exigências dos bancos credores. O projecto social europeu, inclusivo e solidário, foi perdendo a sua definição, convertendo-se em desigual e concentrador.

Protegeram-se os bancos e os seus donos com os recursos que antes se destinavam à população mais atingida. Os bancos europeus, no entanto, fortemente comprometidos com as dívidas soberanas exigiram maiores juros, dificultando o cumprimento dos programas de contenção fiscal. Em Janeiro de 2011, os problemas tinham-se agravado. A recuperação económica não se consolidou, de modo que a nova prioridade reduziu substancialmente o crescimento, complicando o cumprimento das metas fiscais.

Os problemas da zona euro ampliaram-se, abarcando a Espanha e a Itália, o que questionou a viabilidade da moeda única. O eixo franco-alemão foi respondendo com lentidão à crise da dívida soberana, contribuindo com isso para o incremento das dificuldades. A segunda volta do resgate grego, aprovada há meses pelos governos e ainda pendente da aprovação parlamentar em alguns países, demonstrou que as dificuldades não foram resolvidas e que é indispensável reestruturar essa dívida, reconhecendo perdas bancárias. Ainda que seja possível que o projecto social europeu subsista, isso não ocorrerá com estes governantes.

Orlando Delgado Selley é professor de economia da Universidade Autónoma da Cidade do México. Esse artigo foi publicado no jornal mexicano La Jornada, traduzido para português por Carlos Santos para Esquerda.Net

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Serra: morreu politicamente em perfeito estado de saúde

Serra: morreu politicamente em perfeito estado de saúde

Luis Nassif: A matéria abaixo, sobre José Serra, é um primor.

Desde que perdeu as eleições, Serra foi encolhendo dia a dia, semana a semana. Perdeu o PSDB de São Paulo, primeiro o do estado, depois o da capital. Perdeu o PSDB nacional. Mais que isso: viu-se escorraçado de qualquer decisão partidária. Perdeu o PSDB, o DEM, sem ganhar o PSD. Ficou apenas com o PPS. Ou seja, com quase nada.

Conseguiu apenas prêmios de consolação, um cargo sem mando no PSDB nacional, uma Secretaria da Cultura e a Fundação Padre Anchieta, no estadual. Mais nada. Rigorosamente: mais nada!

No plano nacional, está em tal petição de miséria que até seu aliado Roberto Freire ofereceu-lhe o albergue do PPS.

Mas a matéria diz que está ótimo, porque tuita, palestra sobre temas nacionais e “sempre teve mais cabeça estratégica do que tática”. Como assim? Qual a estratégia? Perder todas as batalhas nunca fez de ninguém um estrategista vitorioso. Em futebol existe a figura do “campeão moral”, a que Telê fez jus. Mas Serra, nem isso.

O homem que, mesmo sendo candidato derrotado do partido nas últimas eleições, não logrou juntar mais do que três (!) seguidores com votos – Freire, Aloisio e Jutahi – é apontado como grande estrategista e político que pensa o Brasil.

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