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NO CENTRO DO IMPÉRIO

Posted by Editorial do Outubro | Posted in Imperialismo | Posted on 05-07-2008

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O Brasil hoje não é simplesmente um país periférico, o Brasil é hoje um país que exporta capital para o conjunto da América Latina, e um dos nossos desafios centrais, que não podemos esquecer, é a defesa da classe trabalhadora latino-americana contra as tentativas desse grande capital brasileiro, que procura silenciar “sua” classe trabalhadora internamente para impedir que ela proteste contra as barbaridades que ele comete fora.”
Virgínia Fontes, em entrevista ao Correio da Cidadania www.correiocidadania.com.br
No dia 10 de junho, ativistas da cidade junto ao MST ocuparam o prédio da gigante brasileira Votorantin, no centro de São Paulo. Tal ato fez parte de uma jornada de lutas que ocorreu em vários pontos do país, e, no caso da ocupação em São Paulo, o protesto foi para que recursos naturais como a água não sejam transformados em mercadoria, invertendo o monopólio de Estado em monopólio do Capital.
O que ocorre atualmente com a água no Brasil, como no caso da transposição do Rio São Francisco, expulsando populações ribeirinhas e pequenos agricultores, para gozo e lucro de grandes proprietários de terras, coloca o governo Lula no centro de uma expropriação que se multiplica pela iniciativa dos capitalistas nacionais – como no caso da barragem em São Paulo, para uso das empresas de Antonio Ermírio de Moraes – e até de capitalistas de outros países, como no caso das barragens ilegais na Amazônia.
O caráter assustador desta privatização de um recurso natural – e, portanto, pertencente a todo o povo brasileiro – como a água, é que os governos, não apenas o central, mas também o governo Serra e seu coadjuvante Kassab na prefeitura – são os mandantes de uma repressão aos movimentos de contestação que não deixam nada a dever à repressão da Ditadura Militar, como no caso da invasão policial ao prédio ocupado no centro da cidade. A grande mídia quase não mostrou, mas o vídeo esteve por algum tempo no Youtube.
A polícia usou bombas de efeito moral, gás de pimenta e balas de borracha para desocupar o prédio, contra manifestantes que se encontravam dentro de um saguão. A quem interessa tanta truculência? Será que a democracia semi-imperial brasileira não permite nenhuma contestação às suas ordens? Seria isto Democracia?
Apenas a expropriação dos expropriadores, pode recolocar todos os nossos recursos naturais – inclusive o gás natural e o petróleo – em uso construtivo para o atendimentos das necessidades básicas de produção e consumo dos trabalhadores e do povo pobre da cidade e do campo. A luta dos povos originários na Bolívia, contra as transnacionais do gás e do petróleo – incluindo a PETROBRÁS – nos coloca o desafio de ultrapassarmos fronteiras para construir uma unidade pela socialização da terra e de todos os recursos nela contidos.
Rita Mendes- 16/06/08

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