São Vito e Mercúrio na mira da especulação
Posted by Editorial do Outubro | Posted in Revitalização do Centro | Posted on 05-07-2008
Tags:Revitalização do Centro
4
A intervenção urbana da prefeitura de São Paulo segue a lógica da expulsão da população de baixa renda do centro da cidade. No domingo, dia 29 de junho, o caderno Cidade do Estadão traz ampla reportagem sobre a proposta de demolição de dois prédios da região o edifício Mercúrio e São Vito.
São mais 768 moradias que desaparecerão do centro da cidade. Somado a ampla estatística de migração da população do centro para as áreas periféricas – sem condições urbanas suficientes e longe dos serviços públicos e das ofertas de emprego na nossa cidade. Mais cruel que a expulsão é a proposta de indenização da prefeitura, que varia de R$20 mil à R$30 mil. Não precisa ser nenhum especialista no ramo imobiliário para saber que não se pode comprar uma moradia digna com esse dinheiro na cidade de São Paulo.
Enquanto prédios inteiros ficam abandonados servindo para a especulação imobiliária no centro a prefeitura quer expropriar justamente aqueles prédios ocupados. Construir praças justamente para a valorização imobiliária dos parceiros do Kassab, que abandonam os edifícios esperando a melhora do seu valor de mercado.
Segundo cálculos da própria prefeitura seriam necessário 11 milhões para a reforma destes prédios. Muito menos do que os R$300 milhões para a construção da ponte estaiada, ligando duas regiões de alta renda da cidade. Se está ponte significará a redução do tempo de viagem para aqueles que utilizam a região da Berrini, Morumbi e Águas Espraiadas a intervenção no edifício Mercúrio e São Vito significará que mais de 2 mil pessoas começarão a se espremer nos já superlotados meios de transporte da cidade. Passando intermináveis horas no transito tudo em nome do bem comum: A especulação imobiliária.








Esta é a lógica do capitalismo,isto já sabemos, que a ganância assim se manifesta,transvestida de palavras que confundem o cidadão como “revitalização” em nome do “bem comum”.Em nome destas palavras atrocidades são feitas ao bem maior que é o homem.
Expulsar pessoas de baixa renda do centro, local que abrange a maior oportunidade de empregos da cidade para os que não possuem um nível de instrução bastante elevado? E mais, deslocar tal contingente para as periferias, onde a disponibilidade de transportes públicos é caótica? Depois dizem – os governos – que querem dinamizar o fluxo de veículos na cidade; não é o que parece com medidas como esta em andamento: a desocupação de dois prédios para construção de uma praça, em vez de revitalizá-los e proporcionar moradias. É uma piada. Infelizmente.
O capitalismo tornou-se inviável, a destruição do meio-ambiente e, em conseqüencia, do homem são iminentes. A busca por mercados, que foi instaurada desde a metade do século XIX, mostra suas complicações: conflitos civis ou por mercados, emancipação das empresas perante as políticas regionais, entre outras. Não concordo com o socialismo, pois ele idealiza a ditadura do proletariado, mas sim uma comunidade que lute cooperativamente e tenha o bom-senso como fundamento; mas somente uma sociedade muito evoluída é capaz de viver tal experiência.
Fernando
Concordo com você quando fala da falência do capitalismo. Na lógica de depredação do meio-ambiente, da guerra imperialista e na exploração do homem para a reprodução da ordem.
Porem não concordo quando diz que o socialismo idealiza a ditadura do proletariado. Pois quando Marx usa esse termo ele não tinha conotação moderna. Pois quando isso foi escrito a maioria dos países do mundo vivia no regime monarquista. Acredito sim que o socialismo é a busca da liberdade e emancipação humana. Livre das garras do mercado e também dos burocratas, como a experiência soviética criou. Para nós é fundamental nos diferenciarmos da experiência do leste europeu.
Saudações
Baltazar