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Plínio segundo Angeli

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Quem Paga a Banda Escolhe a Música Parte II

Posted by Editorial do Outubro | Posted in Criminalização do Movimento, Imperialismo | Posted on 29-08-2008

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Gerdau – Capitalismo selvagem multinacional brasileiro

A Gerdau é uma empresa de capital nacional que iniciou suas atividades no Brasil em 1901 para a fabricação de pregos, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.Atualmente a Gerdau é a 2º. maior produtora de aço bruto no Brasil e é a 13º. produtora de aço bruto no mundo. Seu objetivo é estar entre as 6 maiores produtoras de aço no mundo num prazo de 5 a 7 anos. O BNDES namora há tempos essa empresa para “emprestar” dinheiro para que ela e outras siderúrgicas nacionais se juntem, formando assim uma empresa ainda maior internacionalmente.

Na segunda metade da década de 90 e inicio dessa década, adquiriu unidades no Canadá, EUA, Uruguai e Chile. Do ano passado para esse adquiriu unidades na Guatemala, Republica Dominicana e Índia.

Depois da CVRD, é a empresa mais internacionalizada do país.

Atualmente tem 317 unidades em 14 países e 45 mil trabalhadores.

No primeiro trimestre desse ano teve um lucro líquido de R$2,1 bilhões, um crescimento de 85%!

E de onde vem o dinheiro para esse processo de concentração do capital e ampliação de suas unidades aqui no Brasil?

Dos salários dos trabalhadores, já que a participação da folha de pagamento na receita líquida da empresa vem diminuindo, e por outro lado, aumentando formas flexíveis de remuneração, como a PLR, que não se incorpora aos salários e não incide contribuição para o FGTS, INSS e outros.

Os trabalhadores da Gerdau no Brasil ganham salários diferentes conforme a unidade em que trabalham: enquanto um trabalhador em Outro Branco, MG recebe em média R$ 2.000,00 um trabalhador em Divinópolis recebe em média R$500,00.

As fábricas dessa empresa são as que possuem menores remunerações e as maiores jornadas de trabalho entre os trabalhadores do setor siderúrgico brasileiro. Tem unidade em que os trabalhadores chegam a ganhar 5 vezes menos, (ou seja, varia 80%) do que a CST (Vitória, ES) empresa do setor com os melhores salários. Vale dizer, que o custo de um cesta padrão de produtos e serviços varia apenas, nessas duas cidades, 3%.

Os trabalhadores do setor siderúrgico lutam para fazer valer a legislação aprovada na constituição de 88 que determina uma jornada diária não superior a 6 horas para fábricas com processo ininterrupto de produção. Na Gerdau, não se respeita essa lei.

Do BNDES, banco público, que empresta dinheiro para as empresas com juros de mãe, Vale lembrar que 40% dos recursos do banco vêm do FAT (Fundo de amparo do Trabalhador).

Além disso, para os trabalhadores….

Segundo os sindicalistas da União Obrera Metalúrgica (UOM, Argentina) a empresa camufla os acidentes de trabalho e faz propaganda interna e externa, vangloriando um falso “acidente zero”.

Fruto da sua política de (falta de) segurança no local de trabalho, mais uma das recorrentes tragédias nas fábricas da Gerdau ocorreu em julho desse ano, com a morte do companheiro Jobanee Sanchez, 30 anos, funcionário da empresa Solmeca que prestava serviços à colombiana Diaco.

Os sindicalistas que representam as fábricas da Gerdau formaram comitês nacionais e mundial de trabalhadores. A empresa, no entanto, não reconhece a representação dos trabalhadores e não aceita negociar a pauta de reivindicação do comitê.

Na Sidenor/Espanha, os trabalhadores tinham um acordo de redução da jornada de trabalho firmado em 2003, que reduziria paulatina a jornada até as 35 horas em 2008. Assim que a Gerdau comprou a empresa, se recusou a cumprir o acordo e a resposta dos trabalhadores foram greves em todas as unidades naquele país.

Nos EUA, logo depois que a Gerdau comprou várias siderúrgicas no país, se recusou a negociar a renovação dos acordos coletivos quando a vigência desses terminou. Em 2005 foi o auge da crise, quando a Gerdau promoveu o Lockout * em uma usina no Texas e manteve a fábrica parada por 6 meses, para forçar os trabalhadores a abrir mão dos seus benefícios. A produção foi suspensa e como os trabalhadores não podiam ser simplesmente demitidos, foram mandados para casa e ficaram sem receber seus salários durante todo esse período, vivendo da solidariedade e apoio internacional dos trabalhadores.

Em outra unidade dos EUA que tinha entre seu quadro de trabalhadores muitos imigrantes sem permissão para viver no país, quando houve uma tentativa de organização dos trabalhadores, “alguém denunciou” a presença desses trabalhadores e o departamento de imigração deportou todos os trabalhadores.

Na Colômbia, um dirigente sindical que trabalha na Gerdau precisou ficar quase um ano refugiado na Argentina porque estava sendo ameaçado de morte.

Na Espanha também a Gerdau iniciou a aplicação do seu plano de reestruturação, demitindo trabalhadores que estava em férias, para que não pudessem se mobilizar. Ela também desrespeitou as leis do país que obrigam a empresa a apresentar os motivos da demissão para órgãos do governo que devem aprovar os motivos pelo qual estão sendo demitidos os trabalhadores.

De acordo com a Lei 10.101/2000 (art 2°) a participação nos lucros ou resultados (PLR) será motivo de negociação entre empresa e trabalhadores, mas a Gerdau age de forma ILEGAL e descumpre constantemente a lei. A empresa não negocia PLR com os sindicatos – legítimos representantes dos trabalhadores – e simplesmente impõe uma PLR que representa apenas sua visão e seus interesses com metas impossíveis de serem alcançadas, impondo um ritmo de trabalho que causa problemas à saúde dos trabalhadores e graves acidentes.

A fauna, flora e até vestígios de civilizações pré-históricas estão ameaçados de extinção devido às atividades mineradoras na região da serra da Moeda pela Gerdau, além de risco de contaminação das nascentes próximas à mina que abastecem cerca de 15 mil pessoas que vivem na região. A justiça interditou as minas. A Gerdau está recorrendo.

Sem contar, que para o governo federal, Jorge Gerdau Johannpeter é um dos “Noventa cidadãos brasileiros e respectivos suplentes, maiores de idade, de ilibada conduta e reconhecida liderança e representatividade, designados pelo Presidente da República para mandatos de dois anos, facultada a recondução” para o CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, espaço proposto pelo governo federal para uma grande “concertação nacional”, para um grande “pacto social”.


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Mensagem dos trabalhadores da Flaskô

Posted by Editorial do Outubro | Posted in Criminalização do Movimento | Posted on 27-08-2008

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“Há 5 anos ocupamos a fábrica e produzimos, lutando pela estatização sob controle operário.

Diante da pressão e sabotagem patronal e da constante negativa do Governo Lula em nos apoiar, estamos numa situação administrativa e financeira sem saída e, assim, poderemos ser levados ao fechamento, mais dia, menos dia.

A responsabilidade não é nossa, dos operários, que estamos fazendo de tudo para manter os empregos, os salários e a produção. O responsável é o governo Lula, que comandou o ataque contra os trabalhadores da Cipla e Interfibra (através de uma intervenção federal que já dura mais de um ano) e agora joga a fábrica ocupada Flaskô aos leões do mercado capitalista.

Mas nós não desistiremos e exigimos do Ministério do Trabalho uma posição!”

Ato Público em São Paulo,

2 de Setembro, 11h

Na porta da Superintendência do Ministério do Trabalho
Rua Martins Fontes, 109 (Metrô Anhangabaú)

Ônibus sairá da Flaskô

às 7:30m

Kassab apaga grafite na 23 de maio

Posted by Editorial do Outubro | Posted in Contra ou Cultura!!!, Revitalização do Centro | Posted on 25-08-2008

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Recentemente, o grafite de mais de 700 metros quadrados dos Gêmeos e outros artistas que estava na Av. 23 de maio foi pintado pela prefeitura de São Paulo. É mais uma demonstração da postura elitista do governo KASSAB, que trata tudo que não é expressão cultural típica da elite como objeto de censura e recriminação, é a lógica da expulsão da cultura popular do centro da cidade. Para ele, tudo que possa lembrar outras classes sociais tem que ser retirado da vista da burguesia paulistana. Ironicamente a arte dos Gêmeos tem cada vez maior reconhecimento na Europa, sendo chamados a pintar as paredes externas do castelo de Kelburn, o mais antigo da Escócia, e a fachada da Tate Modern, uma das mais importantes galerias de arte de Londres. Assim se reproduz a lógica da lei cidade limpa, apagaram esse mural e outras centenas de pequenos murais de artistas menos conhecidos que não renderão nem uma crítica em humilde blogues como este.

Montadoras enchem o bolso de dinheiro e cria caos no trânsito

Posted by Editorial do Outubro | Posted in Criminalização do Movimento, Imperialismo | Posted on 22-08-2008

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Os grandes veículos de informação divulgaram ontem, dia 21, que as montadoras instaladas no Brasil foram responsáveis por metade do dinheiro enviado ao exterior. Apenas no mês passado foram mais de R$2,5 bilhões de reais.

Ao mesmo tempo as montadoras foram as principais beneficiárias do programa de subsídios industriais do programa do governo federal. Dos R$6,1 bilhões do novo pacote do Lula as montadoras abocanham 52% do total. Essa mistura de crédito fácil para as gigantescas do setor automobilístico, subsídios e remessa de lucro sem controle transforma o Brasil no país da farra do dinheiro.

Esse incentivo fiscal concedido acontece no mesmo período que as montadoras batem recordes seguidos de vendas de automóveis no Brasil. Quanto mais automóveis vendem mais incentivos ganham. Mais dinheiro possuem e maio o seu poder de barganha junto aos governantes tupiniquim. Ao mesmo tempo as montadoras tercerizam, demitem funcionários e fazem a perversa ciranda – demitem funionários mais antigos (e que ganham mais) e contratam jovens com salários rebaixados, para assim maquiar as estatisticas de emprego no setor. Ou até mesmo como a G.M de São José, que persegue sindicalistas e tenta implementar o banco de hora contra a vontade dos trabalhadores, vinculando notícias na mídia e colocando que os culpado por não se empregar mais na fábrica são os trabalhadores que não aceitam perder seus direitos em nome do “bem comum”.

É preciso deixar bem claro de quem é a culpa do transito em São Paulo: dos incentivos fiscais consedidos as montoras desde o governo FHC, que sempre quando o mercado externo se fecha ganham uma enxurrada de incentivos para vender os carros que não servem mais para a gringa encher as ruas brasileiras. E sempre que entram em dificuldade financeira arrebendam as cordas pro lado dos trabalhadores.

Quem Paga a Banda Escolhe a Música

Posted by Editorial do Outubro | Posted in Imperialismo | Posted on 19-08-2008

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Existe hoje uma campanha importantíssima que busca a anulação da privatização da Vale do Rio Doce que foi entregue ao capital privado a preço do banana pelo governo FHC, e agora, a partir de um parecer de uma juíza federal tornou-se possível pleitear a anulação dessa privatização.

Qual a possibilidade real de revertemos a privatização da Vale? A companhia “elegeu”  sozinha uma bancada de deputados federal igual a do estado do Rio de Janeiro. A Vale financiou a campanha de 46 deputados federais eleitos gastando R$ 5,3 milhões. O mais interessante é verificar a composição partidária desses deputados: 16 do PT, 7 do PSDB, 6 do PMDB, 4 do PFL, 3 do PP, 3 do PTB, 2 do PL, 2 do PPS, 1 do PSB e 1 do PC do B.

A maioria da população brasileira não apenas foi contra a privatização da Vale como ainda é contra a entrega do patrimônio nacional ao capital privado, haja visto que  Lula nas eleições  ganhou muitos votos ao vincular Alckimin às privatizações de FHC. E o acusando de querer privatizar o Banco do Brasil, a Petrobrás e a Caixa Econômica Federal. Outro fato que comprova foi a grande aceitação da população no plebiscito popular da Vale do Rio Doce, e a quantidade expressiva de votos – mais de 3 milhões. Porem essa luta perde quase todos os seus apoiadores no congresso, no momento em que aumenta a criminalização sobre os movimentos que lutam contra as ações da Vale, como o MST e o Movimento dos Garinpeiros.

Outro dado que salta a vista é a quantidade de deputados federais do PT, “eleitos” pela Vale. Hoje em dia para a Vale ou para outras “gigantes” brasileiras não existe diferença entre o partido de Lula ou os tucanos, até mesmo o PCdoB elegeu deputado eleito pela mineradora, ou melhor, Aldo Rebelo (candidato a vice da Marta) recebeu 500.000 mil reais!!! Na atual “polarização” política brasileira a diferença ideológica deixou de existir e mais uma vez “quem paga a banda escolhe a música”.

Ato Pela Vida

Posted by Editorial do Outubro | Posted in Criminalização do Movimento, Revitalização do Centro | Posted on 18-08-2008

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O governo Lula e os Heróis Nacionais.

Posted by Editorial do Outubro | Posted in Imperialismo | Posted on 15-08-2008

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Operação encontra 2.500 trabalhadores em condição degradante e resgata 89 no ES

Operação liberta 126 trabalhadores mantidos em condição degradante em MS

Ministério encontra 270 trabalhadores irregulares em canavial mineiro

Operação liberta 22 trabalhadores mantidos em condição degradante no Maranhão


Essas são apenas algumas manchetes colhidas no jornal da família Frias. Segundo o mesmo jornal apenas nos três primeiros meses desse ano foram resgatados 1.094 pessoas com situação análoga a escravidão no setor sucroalcooleiro. Os usineiros que foram chamados por Lula de heróis nacionais refletem bem a cara do agronegócio do Brasil.

Alçados a categorias de heróis, prometiam um combustivel limpo (sic) e renovavel. Reduziriam nossa dependência externa à gasolina, gerariam empregos (sic) e contribuiriam para a balança externa brasileira. O bio-diesel ou os agro-combustiveis viraram bandeira de campanha do presidente e prometeriam alçar o país a famigerada categoria de primeiro mundo. Novamente os interesses da classe dominante se transpareceram como interesse comum. Mais uma vez aguardavamos na monocultura da cana de açucar a nossa entrada no seleto grupo de paises ricos.

A verdade é que a categoria dos ruralistas retomam a força que tiveram no Brasil pré-Vargas. A “modernização” do país levou a uma modernização do campo, mas só não modernizou as relações de trabalho. Hoje as usinas têm ações na bolsa, terminais de carga, planta genéticamente modificadas e até remédio que excluem a necessidade da enxada. Mas continuamos com a mesma prática dos senhores de engenho.

Os mesmos fazendeiros que são flagrados com mão-de-obra escrava são aqueles que empurram seu trator à Brasilia (ou pagam para seu funcionário levar). Exigindo refinanciamento de dívidas com os bancos públicos. Que fazem looby para a redução das tarifas de exportação de seus bens. Que pressionaram e levaram o Brasil a aceitar os transgênicos a custa da perda da soberania nacional. Hoje os commodites são negociados na Bolsa de Chicago e as multinacionais do ramo de venenos já sabem de ante-mão qual será a safra dos produtos,uma vez que todos para plantar precisam passar pelos seus tentáculos.

E ao mesmo tempo não vemos notícias como preso fazendeiro acusado de ter mão-de-obra escrava. O sequestro não é crime hediondo??? Ou alguma notícia assim, desmantelada quadrilha de pistoleiros, o usineiro Beltrano comandava a morte de pequenos agricultores na cidade. O Bida (que mandou matar a Doroty Stang) continua em liberdade. Pegaram os pistoleiros e não o mandante. É isso aí como a 500 anos atrás quem tem terra tem poder: impunidade ampla geral e irrestrita nesta terra.

Vitória na Bolívia

Posted by Editorial do Outubro | Posted in Imperialismo | Posted on 12-08-2008

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Os números do plebiscito ocorrido na Bolívia demonstra o tamanho real da divisão política que lá existe. Os dados preliminares apontam para uma ampla vitória de Evo Morales (MAS), chegando a 66% de aprovação. Para a permanência do presidente no comando seriam necessário “apenas” 54% dos votos.

Os planos do imperialismo e dos latifundiários de Santa Cruz foram, por hora, por água abaixo. Alem da vitória do lider cocaleiro a oposição perdeu, e de goleada, o comando de 2 importantes departamentos: La Paz e Cochabamba. Mais de 60% da população rechassou José Luis Paredes e Manfred Reyes Villa. Estratégicamente essa vitória foi particularmente muito importante para a nova conjuntura boliviana. La Paz é o departamento mais populoso do país, alem de abrigar a capital. Cochabamba, por sua vez, é o terceiro. Alem do motivo populacional tem também a importância simbólica da derrota da direita Boliviana.

A oposição governava dois dos departamentos onde se viu intensos levantes populacionais, como as mobilizações pela estatização dos hidrocarbonetos em El Alto e La Paz alem da Guerra pela Água e a experiência da comuna em Cochabamba. Desta forma a oposição fica circuscrita apenas aos territórios da chamada meia Lua, longe da grande massa indígena que apoia Evo. Assim perde força também o discurso pela autonomia departamental.

Obviamente este resultado não resolve o problema da polarização política que vive a Bolíva. O departamento mais rico do país também confirma o seu apoio ao projeto pró-imperialista, Evo foi rechaçado por mais de 60% da população. É nesse departamento que se encontra grande parte dos recursos energético alem de ter a maioria das terras agriculturáveis do país. E é neste departamento que a direita comanda sua ofensiva contra os povos do Andes. Os latifundiários da região – dentre eles centenas de brasileiros – armam sua própria milícia e sua juventude fascista União Juvenil Cruzenista (UJC) para combater os socialistas.

Se, por um lado, a vitória de Evo mantem um relativo conforto ao MAS, por outro lado se soma as mobilizações da COB (Central Obrera de Bolivia) por avanço nas reformas e por um projeto claro de ruptura socialista. Justamente em Oruro – com grande influência de operários – é onde a COB tem seu maior reduto. Intensas mobilizações, inclusive com mortes, se somaram junto as vozes contra Evo neste departamento. E justamente neste departamento foi onde houve a única derrota dos governadores da situação. Embora com resultado apertado -51% – ele deflagra também a existência de um amplo setor revolucionário que se opõem ao MAS.

Até o presente momento Evo se mostrou irredutível na manutenção da legalidade do governo, enquanto sofria (ou ainda sofre) um intenso ataque das elites bolivianas. Como sabemos (e como vemos em Santa Cruz) a legalidade burguesa não é o mais importante para a direita do país (nem no mundo) e processos de desestabilização do governo continuarão a caminho. É justamente neste momento que se deve aprofundar as mobilizações. Forjar uma unidade, na luta, entre os partidários do MAS e a COB pela independência de classe e pela afirmação de um projeto socialista e revolucionário no coração da América Latina.

Luta Sindical, Unidade na Luta

Posted by Editorial do Outubro | Posted in Criminalização do Movimento, Imperialismo | Posted on 11-08-2008

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    O neo-liberalismo com a sua política do pensamento único não é mais defendido somente pelos governantes e empresários que se beneficiam com este discurso, onde o individualismo é a única forma de sobrevivência e a realização pessoal à qualquer custo é o que move as pessoas. Grande parte do movimento sindical e da classe trabalhadora também aceitou esse pensamento como inevitável, como reflexo disto o  movimento sindical passou de organização de trabalhadores para intermediador de disputas entre trabalhadores e patrões,  passou de organizações de luta para sindicatos cidadão, defendendo um estado de bem – estar social sem nunca questionar o sistema, transformando os sindicatos de instrumento de enfrentamento com o capital para negociador de melhorias dentro do sistema capitalista.

    Os sindicatos que devem ser entidades para a organização e formação política dos trabalhadores, local de discussão e reivindicação, onde trabalhadores se organizem para defender os seus direitos e conquistar novos, se transformaram em associações para recolhimentos de taxas, sindicatos de fachada sobrevivendo de impostos que são descontados diretamente dos salários dos trabalhadores. Infelizmente o que se vê hoje como sindicalismo é uma burocracia organizada por sindicalistas que à muito se afastaram de suas bases, apegados ao aparelho sindical e a estabilidade que a sua condição de dirigente lhe proporciona, transformando o papel de dirigente sindical em aposentadoria precoce. Os dirigentes tem que voltar paras as bases ao fim de cada mandato, o movimento não pode mais aceitar dirigentes liberados pela vida toda.

    As organizações socialistas estão divididas construindo suas próprias centrais, com essa postura fragmentam ainda mais o movimento e enfraquecem a luta dos trabalhadores.  Não podemos resumir o movimento sindical às suas direções, o problema é muito maior, precisamos abrir o debate com as bases, mobilizar os trabalhadores, demonstrar que dentro do capitalismo não é possível acabar com a exploração, temos que deixar claro que o capital precisa de explorados para gerar lucros e isso nós não faremos construindo sindicatos paralelos ou rachando as categorias. É necessário construir a unidade no movimento,  que passa pelo debate político, mas também pelo interesse de organizações que se preocupam apenas com a sua construção. Muitas organizações não aceitam abrir o debate sobre a unidade a não ser que dirijam o movimento, mesmo sabendo que se a classe trabalhadora continuar fragmentada a exploração do capital sobre os trabalhadores só irá aumentar.

    Precisamos retirar das direções sindicais os dirigentes apegados aos aparelhos e suas benesses.

    Precisamos retomar as organizações de base para os trabalhadores tomarem em sua mãos as decisões do movimento sindical.

    As organizações que se reivindicam socialistas têm que construir a unidade na luta.

    Acabar com o sectarismo e com disputas entre organizações que estão do mesmo lado é vital para os trabalhadores que a cada dia são mais explorados pelo capital.

Atentado Contra os Trabalhadores

Posted by Editorial do Outubro | Posted in Criminalização do Movimento | Posted on 07-08-2008

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A sede da Conlutas Vale do Paraíba, em São José dos Campos, foi alvo de um grave atentado à mão armada no final da tarde desta sexta-feira, 1º de agosto. Por volta das 18 horas, no local estava sendo realizada uma assembléia para fundação de uma Associação de Trabalhadores da Construção Civil.

Na sede da Conlutas, que fica em uma área pertencente ao Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e região, estavam reunidos os trabalhadores terceirizados da Revap, refinaria da Petrobras.

Segundo testemunhas, cerca de 60 homens armados, alguns encapuzados, invadiram o local com gritos, ameaças e tiros. Houve quebra-quebra e as instalações da sede, móveis e três veículos do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, que estavam estacionados no local, foram depredados e alvejados. Um trabalhador foi baleado e levado ao Pronto Socorro da Vila Industrial.

Durante a invasão, nada de valor foi roubado. Apenas documentos relativos à fundação da Associação foram levados, tais como a ata e a lista de presença da assembléia.

Os fatos são de extrema gravidade. É um dos piores exemplos de gangsterismo sindical, em que a violência e o banditismo são utilizados contra os trabalhadores. O objetivo da assembléia era a criação de uma nova organização dos trabalhadores da construção civil, que, de certa forma, seria uma “ameaça” à representatividade do Sindicato da Construção Civil, filiado à CUT, e também às empresas prestadoras de serviço da Petrobras.

O sindicato cutista foi rechaçado pela categoria na recente greve de 31 dias, ocorrida de 16 de maio a 16 de junho. Os trabalhadores rejeitaram este sindicato na condução das negociações e criaram uma Comissão de Negociação, independente da entidade sindical.

Já a Petrobras e as empreiteiras têm feito uma forte perseguição aos trabalhadores. As empresas decretaram locaute e iniciaram um processo de demissão em massa. A repressão atingiu o ponto alto com a invasão da Tropa de Choque na refinaria no dia 10 de julho.

A Conlutas e os trabalhadores terceirizados da Revap exigem o imediato esclarecimento sobre o papel do Sindicato da Construção Civil, filiado à CUT, neste acontecimento. Exigimos o mesmo em relação à Petrobras e ao consórcio de empreiteiras que realizam as obras de ampliação da refinaria.

Estamos diante de um grave crime que deve ser repudiado por toda a sociedade.

Cobramos dos governos Federal, Estadual e Municipal atitudes imediatas no sentido de identificar e punir os responsáveis por esse crime. O direito de organização dos trabalhadores é garantido pela Constituição e é dever do Estado garanti-lo.

Este é mais um episódio lamentável da criminalização da luta e da organização dos trabalhadores, que temos visto crescer em nosso país no último período. São os interditos proibitórios, a interferência do Estado e das empresas na organização dos trabalhadores (como demonstra a tentativa de dividir o Sindicato dos Metalúrgicos de São José com a criação um sindicato na Embraer), a demissão de dirigentes e ativistas sindicais e, agora, a utilização de jagunços armados para impedir uma reunião de trabalhadores.

Vamos dar continuidade e ampliar a campanha contra a criminalização da luta dos trabalhadores e chamamos todos os sindicatos, entidades dos movimentos sociais, partidos e organizações democráticas a repudiar este crime contra a organização sindical e democrática da classe trabalhadora.

Conlutas – Coordenação Nacional de Lutas