
Os números do plebiscito ocorrido na Bolívia demonstra o tamanho real da divisão política que lá existe. Os dados preliminares apontam para uma ampla vitória de Evo Morales (MAS), chegando a 66% de aprovação. Para a permanência do presidente no comando seriam necessário “apenas” 54% dos votos.
Os planos do imperialismo e dos latifundiários de Santa Cruz foram, por hora, por água abaixo. Alem da vitória do lider cocaleiro a oposição perdeu, e de goleada, o comando de 2 importantes departamentos: La Paz e Cochabamba. Mais de 60% da população rechassou José Luis Paredes e Manfred Reyes Villa. Estratégicamente essa vitória foi particularmente muito importante para a nova conjuntura boliviana. La Paz é o departamento mais populoso do país, alem de abrigar a capital. Cochabamba, por sua vez, é o terceiro. Alem do motivo populacional tem também a importância simbólica da derrota da direita Boliviana.
A oposição governava dois dos departamentos onde se viu intensos levantes populacionais, como as mobilizações pela estatização dos hidrocarbonetos em El Alto e La Paz alem da Guerra pela Água e a experiência da comuna em Cochabamba. Desta forma a oposição fica circuscrita apenas aos territórios da chamada meia Lua, longe da grande massa indígena que apoia Evo. Assim perde força também o discurso pela autonomia departamental.
Obviamente este resultado não resolve o problema da polarização política que vive a Bolíva. O departamento mais rico do país também confirma o seu apoio ao projeto pró-imperialista, Evo foi rechaçado por mais de 60% da população. É nesse departamento que se encontra grande parte dos recursos energético alem de ter a maioria das terras agriculturáveis do país. E é neste departamento que a direita comanda sua ofensiva contra os povos do Andes. Os latifundiários da região – dentre eles centenas de brasileiros – armam sua própria milícia e sua juventude fascista União Juvenil Cruzenista (UJC) para combater os socialistas.
Se, por um lado, a vitória de Evo mantem um relativo conforto ao MAS, por outro lado se soma as mobilizações da COB (Central Obrera de Bolivia) por avanço nas reformas e por um projeto claro de ruptura socialista. Justamente em Oruro – com grande influência de operários – é onde a COB tem seu maior reduto. Intensas mobilizações, inclusive com mortes, se somaram junto as vozes contra Evo neste departamento. E justamente neste departamento foi onde houve a única derrota dos governadores da situação. Embora com resultado apertado -51% – ele deflagra também a existência de um amplo setor revolucionário que se opõem ao MAS.
Até o presente momento Evo se mostrou irredutível na manutenção da legalidade do governo, enquanto sofria (ou ainda sofre) um intenso ataque das elites bolivianas. Como sabemos (e como vemos em Santa Cruz) a legalidade burguesa não é o mais importante para a direita do país (nem no mundo) e processos de desestabilização do governo continuarão a caminho. É justamente neste momento que se deve aprofundar as mobilizações. Forjar uma unidade, na luta, entre os partidários do MAS e a COB pela independência de classe e pela afirmação de um projeto socialista e revolucionário no coração da América Latina.


