Quem Paga a Banda Escolhe a Música Parte II


Gerdau – Capitalismo selvagem multinacional brasileiro

A Gerdau é uma empresa de capital nacional que iniciou suas atividades no Brasil em 1901 para a fabricação de pregos, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.Atualmente a Gerdau é a 2º. maior produtora de aço bruto no Brasil e é a 13º. produtora de aço bruto no mundo. Seu objetivo é estar entre as 6 maiores produtoras de aço no mundo num prazo de 5 a 7 anos. O BNDES namora há tempos essa empresa para “emprestar” dinheiro para que ela e outras siderúrgicas nacionais se juntem, formando assim uma empresa ainda maior internacionalmente.

Na segunda metade da década de 90 e inicio dessa década, adquiriu unidades no Canadá, EUA, Uruguai e Chile. Do ano passado para esse adquiriu unidades na Guatemala, Republica Dominicana e Índia.

Depois da CVRD, é a empresa mais internacionalizada do país.

Atualmente tem 317 unidades em 14 países e 45 mil trabalhadores.

No primeiro trimestre desse ano teve um lucro líquido de R$2,1 bilhões, um crescimento de 85%!

E de onde vem o dinheiro para esse processo de concentração do capital e ampliação de suas unidades aqui no Brasil?

Dos salários dos trabalhadores, já que a participação da folha de pagamento na receita líquida da empresa vem diminuindo, e por outro lado, aumentando formas flexíveis de remuneração, como a PLR, que não se incorpora aos salários e não incide contribuição para o FGTS, INSS e outros.

Os trabalhadores da Gerdau no Brasil ganham salários diferentes conforme a unidade em que trabalham: enquanto um trabalhador em Outro Branco, MG recebe em média R$ 2.000,00 um trabalhador em Divinópolis recebe em média R$500,00.

As fábricas dessa empresa são as que possuem menores remunerações e as maiores jornadas de trabalho entre os trabalhadores do setor siderúrgico brasileiro. Tem unidade em que os trabalhadores chegam a ganhar 5 vezes menos, (ou seja, varia 80%) do que a CST (Vitória, ES) empresa do setor com os melhores salários. Vale dizer, que o custo de um cesta padrão de produtos e serviços varia apenas, nessas duas cidades, 3%.

Os trabalhadores do setor siderúrgico lutam para fazer valer a legislação aprovada na constituição de 88 que determina uma jornada diária não superior a 6 horas para fábricas com processo ininterrupto de produção. Na Gerdau, não se respeita essa lei.

Do BNDES, banco público, que empresta dinheiro para as empresas com juros de mãe, Vale lembrar que 40% dos recursos do banco vêm do FAT (Fundo de amparo do Trabalhador).

Além disso, para os trabalhadores….

Segundo os sindicalistas da União Obrera Metalúrgica (UOM, Argentina) a empresa camufla os acidentes de trabalho e faz propaganda interna e externa, vangloriando um falso “acidente zero”.

Fruto da sua política de (falta de) segurança no local de trabalho, mais uma das recorrentes tragédias nas fábricas da Gerdau ocorreu em julho desse ano, com a morte do companheiro Jobanee Sanchez, 30 anos, funcionário da empresa Solmeca que prestava serviços à colombiana Diaco.

Os sindicalistas que representam as fábricas da Gerdau formaram comitês nacionais e mundial de trabalhadores. A empresa, no entanto, não reconhece a representação dos trabalhadores e não aceita negociar a pauta de reivindicação do comitê.

Na Sidenor/Espanha, os trabalhadores tinham um acordo de redução da jornada de trabalho firmado em 2003, que reduziria paulatina a jornada até as 35 horas em 2008. Assim que a Gerdau comprou a empresa, se recusou a cumprir o acordo e a resposta dos trabalhadores foram greves em todas as unidades naquele país.

Nos EUA, logo depois que a Gerdau comprou várias siderúrgicas no país, se recusou a negociar a renovação dos acordos coletivos quando a vigência desses terminou. Em 2005 foi o auge da crise, quando a Gerdau promoveu o Lockout * em uma usina no Texas e manteve a fábrica parada por 6 meses, para forçar os trabalhadores a abrir mão dos seus benefícios. A produção foi suspensa e como os trabalhadores não podiam ser simplesmente demitidos, foram mandados para casa e ficaram sem receber seus salários durante todo esse período, vivendo da solidariedade e apoio internacional dos trabalhadores.

Em outra unidade dos EUA que tinha entre seu quadro de trabalhadores muitos imigrantes sem permissão para viver no país, quando houve uma tentativa de organização dos trabalhadores, “alguém denunciou” a presença desses trabalhadores e o departamento de imigração deportou todos os trabalhadores.

Na Colômbia, um dirigente sindical que trabalha na Gerdau precisou ficar quase um ano refugiado na Argentina porque estava sendo ameaçado de morte.

Na Espanha também a Gerdau iniciou a aplicação do seu plano de reestruturação, demitindo trabalhadores que estava em férias, para que não pudessem se mobilizar. Ela também desrespeitou as leis do país que obrigam a empresa a apresentar os motivos da demissão para órgãos do governo que devem aprovar os motivos pelo qual estão sendo demitidos os trabalhadores.

De acordo com a Lei 10.101/2000 (art 2°) a participação nos lucros ou resultados (PLR) será motivo de negociação entre empresa e trabalhadores, mas a Gerdau age de forma ILEGAL e descumpre constantemente a lei. A empresa não negocia PLR com os sindicatos – legítimos representantes dos trabalhadores – e simplesmente impõe uma PLR que representa apenas sua visão e seus interesses com metas impossíveis de serem alcançadas, impondo um ritmo de trabalho que causa problemas à saúde dos trabalhadores e graves acidentes.

A fauna, flora e até vestígios de civilizações pré-históricas estão ameaçados de extinção devido às atividades mineradoras na região da serra da Moeda pela Gerdau, além de risco de contaminação das nascentes próximas à mina que abastecem cerca de 15 mil pessoas que vivem na região. A justiça interditou as minas. A Gerdau está recorrendo.

Sem contar, que para o governo federal, Jorge Gerdau Johannpeter é um dos “Noventa cidadãos brasileiros e respectivos suplentes, maiores de idade, de ilibada conduta e reconhecida liderança e representatividade, designados pelo Presidente da República para mandatos de dois anos, facultada a recondução” para o CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, espaço proposto pelo governo federal para uma grande “concertação nacional”, para um grande “pacto social”.


.

Esta entrada foi publicada em Criminalização do Movimento, Imperialismo e marcada com a tag , , . Adicione o link permanente aos seus favoritos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>