Quando Serra decidiu disputar com Marta a prefeitura de São Paulo a sua campanha sobre transporte se resumia a dizer que ia unificar o metro e o ônibus, estendendo o bilhete único para o metro. Falava que seria mais fácil com o PSDB dominando o Estado e a cidade de São Paulo. O povo acreditou e entregou todo o poder nas mãos dos tucanos. Aí começaram os piores ataques, os preços do ônibus e do metro aumentaram muito, o limite de viagens foi reduzido, os terminais desativados, os bilhetes promocionais de 2 e 10 viagens foram extintos, e a integração nunca se efetivou. Os aumentos se sucederam já sem a necessidade de pressão dos empresários dos transportes, mas igualmente sem repercussões positivas para a classe trabalhadora.
Então Serra, que tinha dito que não sairia da prefeitura para disputar o governo, saiu e deixou São Paulo nas mãos do secretário de planejamento do Pitta, o Kassab (DEMO). Sem dificuldades Serra ganhou o governo de São Paulo e logo depois de assumir deu início a um programa de privatização do metro por baixo, vinculando a expansão das linhas a uma parceria mafiosa com uma empresa espanhola. A farsa da linha amarela começa com a concessão fraudulenta da linha para a empresa espanhola, mas não é só isso, a linha prioritária do governo Serra corta a região mais rica e bem servida de transporte público de São Paulo, o vetor sudoeste, ou seja, Serra chove no molhado. As conseqüências maléficas da privatização já surgem antes mesmo de a linha amarela começar a funcionar, os materiais de péssima qualidade utilizados pela empresa espanhola foram provocando deslizamentos e buracos por onde o tatuzão passava até o absurdo de abrir uma imensa cratera na Marginal Pinheiros, “acidente” provocado pelo Estado tucano que cobrou a vida de uns tantos cidadãos paulistanos. Vale dizer que onde essa empresa opera em parceria com o Estado deixa a sua marca, ou melhor, os seus buracos. Em Barcelona, sob um mesmo sistema de Parceria Público Privada, mais ou menos na mesma época, um buraco enorme inutilizou a malha ferroviária metropolitana por meses. Outro adendo, essa mesma empresa foi a que comprou a concessão das principais rodovias federais privatizadas pelo governo Lula.

