A análise sobre o 2º turno das eleições em São Paulo deve ir além de quem vai construir mais Céus ou quem estava aliado com quem em anos anteriores. É importante pensar no projeto político dos partidos das duas candidaturas, PT e DEMO. Um ex-partido dos trabalhadores, hoje controlado por patrões, o outro, o partido da ditadura e do coronelismo nordestino.
Muitos setores da esquerda defendem o voto no PT, acreditando que é o mal menor nesta disputa. Existem ainda aqueles defendem o voto no PT porque acreditam que o ele ainda é um partido de trabalhadores. Vejamos bem, o governo petista na presidência do Brasil classifica usineiros como heróis nacionais, os mesmos que matam trabalhadores por exaustão. Libera 160 bilhões de reais para salvar os banqueiros com a desculpa de aumentar o crédito, e estes utilizam o dinheiro para comprar títulos e lucrarem com o dinheiro público sem disponibilizar crédito algum, mas se recusa a atender as reivindicações dos trabalhadores bancários que já entram no 14º dia de greve. Sem nenhuma proposta do governo e dos banqueiros, e ainda demite trabalhadores grevistas do Banco do Brasil.
No âmbito municipal quando tivemos um governo petista, a grande diferença em relação a outros governos foi a forma de tratamento dado as reivindicações dos setores organizados. Em outros governos eles não eram recebidas, no governo petista eles foram recebidas com promessas de atendimento, mas não havia encaminhamento algum. O PT, na verdade, fazia o mesmo que os outros governos, só disponibilizava alguns minutos a mais para ouvir as reclamações. E ainda resolveu, no final do governo adotar a linha malufista de obras eleitoreiras que torram milhões do dinheiro público e não resolvem os problemas da população. Diante disso não é mais possível acreditar que o PT ainda represente os trabalhadores.
Por outro lado muitos movimentos sociais ainda são ligados ao PT, em São Paulo principalmente os movimentos de moradia. Vimos o que aconteceu com a eleição do PT para a presidência, uma paralisação dos movimentos, acreditando que dali por diante os problemas seriam resolvidos pelo governo, que o papel dos movimentos era dar apoio ao presidente para que ele pudesse avançar rumo a um Estado igualitário. Essa paralisia deu força para que o governo apoiasse a burguesia contra os trabalhadores, com as reformas da previdência, trabalhista, sindical e universitária, isto também pode acontecer aqui em São Paulo com uma nova vitória do PT.
Disputando com o PT temos o DEMO, partido da ditadura militar, do coronelismo nordestino. Com a eleição do DEMO teremos o aumento da repressão aos ambulantes e aos movimentos sociais, a perseguição às pessoas em situação de rua, principalmente as da região central da cidade, que atrapalham a proposta do DEMO/PSDB de elitização do centro. Não são necessários muitos exemplos para demonstrar para quem governa o DEMO/PSDB, estes são sabidamente os partidos da burguesia nacional. Mas, com eles no governo, talvez, o nível de organização dos trabalhadores seja ampliado pela consciência de que nada virá gratuitamente.
O 2º turno de São Paulo nos coloca diante de dois projetos políticos iguais com roupagens diferentes, dois projetos de administração do capital para o capital. Não podemos nos iludir com nenhuma das duas candidaturas, nenhuma delas estará ao lado dos trabalhadores, portanto, nos resta à decisão de qual das duas preferimos combater nos próximos quatro anos.