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Sobre a necessidade e urgência de um debate pós-eleitoral

Posted by Editorial do Outubro | Posted in Imperialismo | Posted on 16-10-2008

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Uma vez passada as eleições necessitamos fazer um debate sério sobre esse processo eleitoral. Nós da esquerda radical precisamos debater 3 pontos essenciais: 1 – analisar nosso desempenho e o de nossos aliados; 2 – estudar a conjuntura política que vai se desenhando nos municípios grandes e pequenos de nosso país, isto é, analisar o desempenho de nossos principais inimigos; e sobretudo 3 – refletir sobre o processo eleitoral em si, sobre como as eleições se encaixam (ou não) na estratégia revolucionária de construção do socialismo do século XXI.

Esses três pontos estão superconectados, é impossível falar de uma coisa sem remeter às outras, mas é importante demarcar o fato de que se trata de 3 níveis diferentes de reflexão. O primeiro nível é o da autocrítica, uma reflexão nossa sobre nós mesmos, nossa atuação fragmentada e fraca nessas eleições, nosso sectarismo, nossa pouca capacidade de adesão e nossos desvios de curso. Também de reter nossos avanços organizativos e identificar os pontos fortes a serem mais desenvolvidos nos próximos anos. O segundo nível de discussão é o nível da análise de conjuntura, ou seja, de socialização de informações e avaliação conjunta do cenário político nacional, discutir a força do PSDB, do DEMO, do PT e dos outros partidos nos diferentes recantos do Brasil, mas também analisar e compreender o funcionamento conjunto desses aparatos partidários de poder. Entender a lógica organizativa da burguesia no sistema representativo eleitoral do Brasil, e conhecer suas estratégias e sua dinâmica interna é fundamental para orientarmos a nossa atuação na direção exatamente oposta, e as eleições municipais, com suas proliferantes e promíscuas alianças interpartidárias é uma boa ocasião para visualizar esses esquemas de atuação conjunta das burguesias locais e (inter)nacionais. O terceiro nível é o mais importante. É o nível de discussão e análise do sistema democrático eleitoral em si, das eleições como foco de mobilização ou desmobilização das classes populares. Precisamos compreender e avaliar as conseqüências da introdução do marketing empresarial na política, a virtualização das campanhas, a desaparição (terceirização) de militantes, as inovações nas leis eleitorais, e todas as outras novas dinâmicas que mudam o posicionamento estratégico das eleições dentro de um programa de (des)construção do Estado.

Articular esses temas e debatê-los para então redefinir nossas práticas pós-eleitorais é urgente e necessário.

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