Sobre o desatre chamado PM

Essa foi uma semana agitada para uma das duas corporações que nasceram na ditadura e sobreviveram sob o regime “democrático” (falo da PM e da Rede Globo). A PM essa semana deu mostras evidentes de sua incapacidade e desqualificação para lidar com situações delicadas. Na quinta feira, os policiais mau pagos da PM entraram em confronto aberto com os grevistas da Polícia Civil que lutavam por melhores salários. Sob uma estrutura militar e impossibilitados de reivindicar melhoras nos vergonhosos salários que recebem, os soldados da PM deram mostras da cegueira política que caracteriza nossas instituições militares entrando em confronto com centenas de civis altamente armados. Talvez pela primeira vez na história de São Paulo os PMs se enfrentaram com uma manifestação em “pé de igualdade”, mas para além do sarcasmo que tal situação pode suscitar, o importante é reter o fato de que é a violência que nasce da polícia e não a polícia que nasce da violência. O uso de viaturas, bombas e armas de fogo deixou explícita a cisão que existe entre as forças policiais do Estado. As duas corporações nunca foram unidas e nunca serão. O povo civil de São Paulo pode ficar preocupadíssimo com essa situação. Do jeito que está nunca haverá justiça em nossas terras.

O confronto deixou profundas marcas no governo Serra, na PM e na Polícia Civil. Os fascistas da mídia corporativa brasileira que sempre defenderam a repressão das manifestações políticas ficaram sem saber o que dizer diante desse confronto armado entre as duas principais forças que garantem a segurança dos ricos e os pesadelos dos pobres. Lhes restava somente exibir as imagens de guerra e das autoridades civis e militares perdidas e acuadas. Depois de tão vergonhoso desempenho militar, a corporação se viu obrigada a restaurar a sua imagem pública. E aí sobrou para as reféns do Lindemberg, a ex-namorada e a amiga, em Santo André.

Depois de inexplicavelmente devolver uma refém ao sequestrador, 24 horas depois dos confrontos com a Polícia Civil e 5 dias depois do início do seqüestro, a PM resolveu “mostrar serviço” e invadiu o cativeiro. O saldo todos já sabem, Lindemberg saiu praticamente ileso, a sua ex saiu em coma, com um tiro na cabeça e outro na virilha, e a refém devolvida saiu com ferimentos mais “leves”. Como pode tanta irresponsabilidade concentrada numa só instituição pública? Como podem devolver uma refém? Como podem decidir invadir depois de 5 dias de negociação? Como podem desprezar tanto a vida humana em nome de sua imagem pública?

A única saída para o desastre chamado PM é dissolvição. É necessário virar a página da história, remover os entulhos autoritários da ditadura militar e começar um novo projeto de segurança pública do zero.

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Uma resposta a Sobre o desatre chamado PM

  1. douglas disse:

    Boa Balta, mas cabe lembrar alguams falsidades divulgadas pela imprensa:
    Em primeiro lugar, não é o primeiro confronto entre polícias civis e militares em são São Paulo.
    Houveram dois outros conflitos, um, no governo Montoro quando cogitou-se tornar civil a polícia militar(como pode-se acompanhar em “Tiras, Gansos e Trutas” de Guaracy Mingardi) , que é criação do Regime militar, pois é a fusão de uma unidade policial civil e outra militar, a Força Pública e a Guarda Civil, como pode-se aocmpanhar em “Política e Segurança” de Heloisa Fernandes e “O Pequeno Exército Paulista” de Dalmo de Abreu Dallari.
    O segundo conflito foi nos anos 80 em torno de disputas por propina de pontos de tráfico.
    Este conflito atual é o terceiro. Quando o PT era outro, esta questão era pautada por Eloi Pietá.
    PM’s já entraram em greve em outros estados resultando em intervenção do exército, prisões e torturas pouco divulgadas, mas onde a direita aparece na hora dizendo que é insuflada pela esquerda e depois que a esquerda só pensa na torutra dos bandidos e não quando é o policial, como agora acusam a esquerda de insulflar o conflito.
    Os delegados dificilmente entram em greve, pois tem curso superior e outra forma de carreira, mas se entram, é sinal de que a coisa é grave e que investigaram a gravidade.
    Outro elemento é onde é investida a grana quando aparecem os candidatos e falam em investir na polícia. sabemos que não é em salário, em carreira, e muito menos em treinamento, mas no que chama a atenção de todos: Arsenal.
    Funciona como um fetiche como se as armas lutassem entre si sem quem as usasse, mostram-se carros novos, armas, como se fossem opcionais de comandos em ação.
    No mais são cada vez mais impulsionados a formas de assalariamento fora do trabalho, onde fazer segurança privada seria a pior opção.

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