G20 em SP: novos ricos querem entrar na corte

O G20 se reuniu em São Paulo esse fim de semana. Lula e Guido Mantega dirigiram a atividade e pressionaram para que os países que eles consideram “emergentes” sejam os novos protagonistas do mercado mundial. O que pode parecer num primeiro momento um “uau, que avanço!”, não necessariamente o é. O aumento da regulação estatal sobre o mercado financeiro, bandeira de “luta” do governo Lula, não é nenhuma novidade. Para sair da crise de 1929 foi exatamente essa a receita que Keynes desenvolveu e mandou aplicar nas economias desenvolvidas, e foi isso que deu origem aos tais “estados de bem estar social”. A única diferença é que Lula quer que em vez de 7 ou 8 países, sejam 15 ou 20 que atuem como “global palyers” do jogo virtual do capitalismo financeiro, com a esperança de desenterrar o projeto “welfarista” do cemitério dos indigentes da história, fundado por Thatcher e Reagan no começo dos anos 1980.

O que Lula e seus assessores banqueiros não entendem é que não somos nós, países do sul, que somos países em vias de desenvolvimento, mas sim, eles, países do norte, é que são países em vias de subdesenvolvimento. Não será a entrada de 13 países no jogo dos “global players” que reverterá essa tendência e colocará ordem no cassino da economia mundial.

Se se aplica uma política de “empowerment” no G20, se o G20 passa a exercer poder sobre o FMI, o Bird e o Banco Mundial, nós que vivemos no mundo real, longe da realidade virtual financeira, não sentiremos mudança nenhuma. A linha política de ajuda financeira a bancos, isto é, transferência de recursos públicos para a salvação de banqueiros multimilionários será mantida, ainda que entrem no jogo do desvio de recursos, outras empreiteras, megacorporações e multinacionais, apenas se ampliará o número de multimilionários assistidos pelos governos.

Nenhuma ação do G20 será capaz de inverter a lógica da monopolização e oligopolização das atividades econômicas. O contexto de crise nada mais é do que um terreno de infinitas possibilidades para os novos e velhos ricos ganharem dinheiro fácil. É só olhar como no Brasil os milionários estão atuando, a fusão do Itaú com o Unibanco pode ser vista como prisma para entender a lógica do G20 de resposta à crise: potências financeiras intermediárias se juntam para entrar no jogo mundial. Brasil, Índia, Unibanco, Itaú, todos querem ser “global players” nesse jogo onde se ganha dinheiro não fazendo nada.

A nova atitude “combativa” dos países pobres é igual a da burguesia quando ela pressionava para entrar na vida da corte, se naquela ocasião o negócio virou a tragédia do capitalismo, hoje em dia vivemos a farsa de um novo paradigma financeiro.

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Uma resposta a G20 em SP: novos ricos querem entrar na corte

  1. Olavo disse:

    Pois é mais uma vez o tão sonhado e propagandeado Brasil de primeiro mundo fica para depois, bem depois. Uma pequena série histórica de crescimento econômico encheu de euforia os industriais, os bancos e as bolsas esmola que silenciaram a barriga dos que nem força pra gritar tinha. A revolução do biodiesel é deixado de lado pelas bacias de petróleo e alem de lucros astronômicos para os grandes industriais e banqueiros conseguimos um selo, de Investment Grade. Será o selo o passaporte encantado para o reino das nações desenvolvidas???
    Viva o selo

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