Na época de Marx, a luta pelo sufrágio universal era uma das principais lutas da classe trabalhadora. Votar era um privilégio de poucos e sua extensão às camadas mais pobres da população era uma condição necessária, ainda que não suficiente, para a transformação da correlação de forças na luta de classes.
No século XX o direito ao voto foi se extendendo com muita luta encarniçada. Muita gente morreu defendendo o seu direito de votar. As mulheres foram conquistando país a país o seu direito de participar. Os pobres também, já que na maioria das vezes a possibilidade de votar estava condicionada pela propriedade acumulada pelo “cidadão”.
No Brasil, o processo eleitoral começa como uma atualização do poder dos coronéis, e o poder exercido por esses para direcionar o voto dos mais pobres foi o que deu origem ao nosso tradicional (e atual) coronelismo. Os períodos de democracia no Brasil foram sempre curtos e interrompidos por golpes, e nos períodos ditatoriais o direito ao voto era um dos primeiros direitos atacados pelos governantes. As estratégias de uso político do voto foram variando conforme o tempo, na ditadura militar sobreviveu por algum tempo o voto indireto, na democratização o voto vira obrigatório, pouco mais tarde se extende aos analfabetos, aos jovens de 16 anos, etc. Cada mudança dessas tem seus significados e consequências, alterando substancialmente o papel das eleições no jogo do poder.
Votar hoje não tem mais o mesmo significado de votar na época de Marx. Os diferentes modelos de democracia mudaram muito, e o poder do voto se alterou bastante, significando outras variações na correlação de forças da luta de classes. Por exemplo, o marketing tomou conta da política, os candidatos se transformaram, de defensores de idéias e programas a fantoches de um marqueteiro. O tempo de televisão virou variável fundamental nos rumos da democracia e os partidos políticos passam a recrutar celebridades televisivas para a composição de suas chapas.
Outra coisa: o dinheiro gasto (investido?) em campanhas eleitorais vem aumentando a cada eleição, a participação de multinacionais no financiamento de diversas campanhas (às vezes de partidos adversários) amarra os participantes a interesses privados e faz do caixa 2 um expediente normal quase obrigatório para um político bem sucedido.
A população não fica alheia a esse processo e a apatia com relação à política institucional cresce de uma forma sem precedentes. Para o povo, no mais das vezes, a política e as eleições são sinônimos de safadeza e bandidagem. Pior que não dispomos de elementos nem argumentos para contrariar tal visão.
Por isso é fundamental que discutamos o papel das eleições na produção e reprodução das relações de poder em nossa sociedade. Por isso convidamos a todos a discutir conosco o papel das eleições na luta social contemporânea:
Para uma crítica das Eleições 2008



