O raio X das milícias

CPI aponta 1.113 envolvidos com paramilitares e revela contaminação das forças de segurança.

João Antônio Barros
Rio – Criada para apurar a ação das milícias no Rio de Janeiro, a Comissão Parlamentar de Inquérito da Alerj produziu em cinco meses de trabalho um calhamaço de provas e documentos e uma lista com o nome de 1.113 pessoas suspeitas de ligações com os grupos paramilitares — quantidade que corresponde ao efetivo de três batalhões da PM.

Não foi só: o relatório final divulgado ontem traz evidências e o indiciamento de 226 acusados — entre políticos, policiais, bombeiros, comerciantes e empresários. Eles seriam os responsáveis pelo domínio econômico e político de 171 comunidades controladas pelos milicianos.
O relatório apresenta histórias de torturas, mortes e explorações. A luta dos deputados, agora, é para levar os investigados ao banco dos réus. E os políticos acusados de ligação com as milícias podem perder o assento nas Câmaras Municipais e na Alerj.

Não será fácil: dos 226 indiciados, cinco são vereadores e um é deputado estadual, além de
outros eleitos em outubro para a Câmara do Rio. No relatório, os deputados pedem a cassação dos políticos por quebra de decoro e que os recém-eleitos Cristiano Girão (PMN) e Carminha Jerominho (PTdoB) sejam impedidos pelo Tribunal Regional Eleitoral de tomar posse em janeiro.
“A gente espera que haja tempo da Justiça Eleitoral em impedir a diplomação. Se não der, esperamos que as câmaras possam investigá-los”, acredita Marcelo Freixo, presidente da CPI, para quem
há provas de que Girão e Carminha foram eleitos com votos conquistados por meio de coação e abuso de poder nas comunidades em que atuam.
“Isto caracteriza curral eleitoral”, assegura Freixo. Os mesmos crimes são atribuídos aos também eleitos Geiso Turques (São Gonçalo) e Chiquinho Grandão (Duque de Caxias).

Retrato do tamanho das milícias no Rio, o relatório da CPI mostra ainda o grande envolvimento de policiais e homens da área de segurança com os paramilitares. Dos 226 que terão os os nomes enviados ao
Ministério Público com pedido de abertura de ação penal e prisão, 87 são de agentes ou ex-policiais (38,4% do total). Se levados em conta apenas os homens da PM, este porcentual fica em 29,2% (66 pessoas).
“Tenho a percepção de que as milícias são mais perigosas e danosas para o estado democrático. São mais organizadas do que o tráfico, pois contam com honmens treinados e articulados”, constata Marcelo Freixo.

Esta entrada foi publicada em Imperialismo e marcada com a tag , . Adicione o link permanente aos seus favoritos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>