65,45% dos eleitores participaram das eleições regionais na Venezuela e consagraram o PSUV vitorioso em 17 das 23 “gobernaciones”. A Unidad Opositora ganhou em Zulia e Táchira (estados fronteiriços com a Colômbia), Carabobo (pólo industrial), Miranda e Nueva Esparta.
No cômputo geral das eleições municipais o PSUV também foi bem, mas perdeu onde não podia, ou não devia: em Caracas. A Unidad Opositora passa a ser poder no centro do poder venezuelano, e isso terá conseqüências.
Do ponto de vista estratégico, os conspiradores e golpistas estarão ao lado do Miraflores, controlando um dos maiores orçamentos da Venezuela e conspirando em gabinetes, com cobertura da oficialidade municipal. Do ponto de vista tático, a municipalidade terá poder para controlar e disciplinar, inclusive com o uso da força, as manifestações de massas que tomam Caracas e caracterizam a revolução bolivariana, poderá sabotar cada iniciativa do poder central nos “barrios” populares, impedirá qualquer iniciativa mais ousada de reforma urbana e poderá projetar uma candidatura alternativa para a presidência, entre outras coisas.
Mas uma questão importante deve ser levantada nesse momento de vitórias e derrotas localizadas: se os venezuelanos tivessem aprovado a Reforma Constitucional no ano passado nada disso estaria acontecendo hoje. As “gobernaciones” e “alcadias” teriam sido dissolvidas e substituídas por conselhos comunais, espaços menores de democracia direta, onde a classe média conservadora e os golpistas teriam que discutir suas propostas com o restante da população cara a cara. Nesse novo espaço político, se reduziria o poder dos meios de comunicação de massa e caminharíamos para o aprofundamento do processo revolucionário e para a criação de uma nova ordem institucional não burguesa.
Só que a Reforma Constitucional não passou, a proposta foi rechaçada por pouco mais de 50% dos eleitores que compareceram ao referendo. E o nível de abstenção no referendo foi o maior de todas os muitos pleitos pelos quais a Venezuela passou nesses últimos 9 anos: 45% dos eleitores não compareceram às urnas em dezembro de 2007.
Portanto 1: o grau de participação foi 10% menor do que o das atuais eleições regionais. Portanto 2: o avanço do processo revolucionário não perdeu para os 4,5 milhões de eleitores que votaram contra as emendas, e que no geral sempre votam contra as propostas de Chaves, mas sim para esses 10% que não se mobilizam para as mudanças radicais, mas que se mobilizam para a disputa de cargos institucionais.
Portanto final: os problemas graves e atuais para os revolucionários bolivarianos não são apenas o avanço da Unidad Opositora em Caracas, a sua consolidação em Zulia, a sua vitória em Miranda; mas sim os políticos profissionais da própria base governista que rechaçam as mudanças institucionais radicais enquanto adoram sair ao lado do Chaves nos panfletos eleitorais.


