Tribunal Popular, evento que irá julgar o Estado brasileiro, realizará manifestação e terá atividades culturais

Na próxima quinta-feira terá início o Tribunal Popular: o Estado brasileiro no banco dos réus, evento organizado por dezenas de entidades ligadas à luta pelo Direitos Humanos e movimentos sociais. Entre os dias 04 e 06 de dezembro, o Tribunal Popular irá julgar violações de direitos cometidas no Brasil em diversas vertentes: violência estatal sob pretexto de segurança pública em comunidades urbanas pobres; violência estatal no sistema prisional; violência estatal contra a juventude pobre, em sua maioria negra e a violência estatal contra movimentos sociais e a criminalização da luta sindical, pela terra e pelo meio-ambiente.

Entre os acusadores e jurados estão os juristas Plínio de Arruda Sampaio, Hélio Bicudo e Nilo Batista. Além de familiares e associações de vítimas da violência estatal, participarão do Tribunal Wagner Santos, sobrevivente da chacina da candelária, a psicanalista Maria Rita Kehl, o filósofo Paulo Arantes, o coordenador do fórum de ex-presos políticos Ivan Seixas, o músico Marcelo Yuka, Ferréz, escritor e MC e o sindicalista Valdemar Rossi.

Durante o evento, no dia 04 de dezembro, às 13hs serão lançados os livros Criminalização do Protesto e dos Movimentos Sociais de Kathrin Buhl e Claudia Korol (organizadoras), editado pelo Instituto Rosa Luxemburgo e o Relatório Anual da Rede Social de Justiça e Direitos Humanos. O Relatório da Rede Social de Justiça e Direitos Humanos destaca a violência no campo e a política agrária do atual governo ao privilegiar a expansão do agronegócio. No meio urbano, as violações contra crianças e adolescentes e a repressão à atividade sindical são destaques no relatório que tem o prefácio de Kenarik Boujikian, juíza de direito em São Paulo, que presidirá a sessão final de julgamento do Tribunal Popular.

Ainda no dia 04, no início da noite, às 18hs, está programada a Vigília: Direito à memória e à verdade ontem e hoje. Os manifestantes portando velas e imagens caminharão até o Tribunal de Justiça em homenagem às vítimas do Estado brasileiro desde a Ditadura Civil Militar até os dias atuais. À noite, às 20hs, será realizada uma oficina sobre a forma de manifestação popular conhecida como escrache. Esta modalidade de protesto visa denunciar os violadores dos Direitos Humanos. A Rede de Comunidades e Movimentos Contra a Violência (RJ) organizará a atividade.

Na sexta-feira, dia 05 de dezembro, às 13hs, haverá uma oficina sobre a música Funk carioca organizada pelo grupo Funk do Acari. À noite, a partir das 20hs, haverá apresentação musical com os grupos de Rap e Hip Hop Amandla de Santo André (SP), Força Ativa e Fantasma Vermelho ambos da Zona Leste de São Paulo (SP) e Levante Hip Hop (RJ).

O Tribunal Popular e as atividades socioculturais ocorrerão na Faculdade de Direito da USP do Largo São Francisco em São Paulo.

www.tribunalpopular.org

Contatos: (11) 9769 9960 com Paula e (11) 91427283 com Erika

PROGRAMAÇÃO COMPLETA DO TRIBUNAL POPULAR

04 de dezembro de 2008

1ª sessão – 9 horas

Violência estatal sob pretexto de segurança

pública em comunidades urbanas pobres:

dentre outros, o caso do Complexo do Alemão

no Rio de Janeiro

Presidente: João Pinaud, membro da Comissão Nacional de Direitos

Humanos da OAB.

Promotores: Nilo Batista, jurista e fundador do Instituto Carioca de

Criminologia e João Tancredo, Presidente do Instituto de Defensores

de Direitos Humanos – IDDH e ex-Presidente da Comissão de Direitos

Humanos da OAB-RJ.

Defesa: representante do Estado

Participação especial: Companhia de Teatro Marginal da Maré

2ª sessão- 14 horas

Violência estatal no sistema prisional: a

situação do sistema carcerário e as execuções

sumárias da juventude negra pobre na Bahia

Presidente: Nilo Batista, advogado, jurista e fundador do Instituto

Carioca de Criminologia

Promotor: Lio N’Zumbi, representante da Associação de Amigos e Familiares de Presos e Presas da Bahia (ASFAP)

Defesa: representante do Estado

05 de dezembro de 2008

3ª sessão- 9 horas

Violência estatal contra a juventude pobre, em

sua maioria negra: os crimes de maio/2006

em São Paulo e o histórico genocida de

execuções sumárias sistemáticas

Presidente: Sergio Sérvulo, jurista, ex-Procurador do Estado

Promotor: Hélio Bicudo, promotor aposentado, presidente da

Fundação Interamericana de Defesa dos Direitos Humanos

Defesa: representante do Estado

Participação especial: Grupo Folias D’Arte

4ª sessão- 14 horas

Violência estatal contra movimentos sociais e

a criminalização da luta sindical, pela terra e

pelo meio ambiente

Presidente: Ricardo Gebrim, advogado, coordenador da Consulta

Popular e Maria Luisa Mendonça, coordenadora da Rede Social de

Justiça e Direitos Humanos

Promotores: Onir Araújo Filho, advogado, membro do Movimento

Negro Unificado

Defesa: representante do Estado

Participação especial: Aton Fon Filho, advogado do MST

Dia 06 de dezembro – 9 horas

SESSÃO FINAL: O Estado Brasileiro no Banco dos Réus

Presidentes: Hamilton Borges – Membro da Associação de Familiares e

Amigos de Presos e Presas da Bahia e militante do Movimento Negro Unificado;

Valdênia Paulino, coordenadora do Centro de Direitos Humanos de

Sapopemba (SP); e Kenarik Boujikian, juíza e diretora da Associação de

Juízes para a Democracia

Promotor: Plínio de Arruda Sampaio, presidente da Abra (Associação

Brasileira de Reforma Agrária) e diretor do “Correio da Cidadania”.

Defesa: representante do Estado

Jurados: Adriana Fernandes, integrante da Associação de Familiares e

Amigos de Presos e Presas da Bahia Cecília Coimbra, presidente GrupoTortura

Nunca Mais -RJ, Dom Tomás Balduíno, Bispo Emérito da cidade de Goiás Velho

e conselheiro permanente da Comissão Pastoral da Terra, Ferréz, escritor e MC,

Índio Guajajara – Militante de movimento indígena, membro do Centro de Étnico

Conhecimento Sócio-Ambiental Cauieré, Ivan Seixas, diretor do Fórum Permanente

de Ex Presos e Perseguidos Políticos de São Paulo, José Arbex Jr., jornalista e escritor,

Marcelo Freixo, deputado estadual PSOL-RJ, Marcelo Yuka, músico e compositor,

Maria Rita Kehl, psicanalista e escritora, Paulo Arantes, filosofo, professor aposentado

USP, Wagner Santos, músico, sobrevivente da chacina da Candelária, Waldemar Rossi,

metalúrgico aposentado e coord. da Pastoral Operáriada Arquidiocese de São Paulo

Participação Especial: Kali Akuno, coordenador do Black Panthers e Grass Roots Mouvement (EUA)

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