10 anos de Chavez
Ontem vi um especial da CNN em espanhol sobre os 10 anos de Chavez no poder. Em ma das partes a reportagem falava sobre o grande número de crimes violentos no país. Acusava o governo de não se pronunciar a respeito disto. Relacionando a violência com atividades de grupos pró-chavistas armados que perseguiam e “aterrorizavam” a oposição ao governo.
Hoje me chega mais uma notícia de assassinatos na Venezuela. Mais dois camaradas revolucionários mortos naquele país. Fui informado que no dia 29 de janeiro, a polícia do estado de Anzoátegui (oriente), sob ordem de Juiza local, cumpriram ordem de desocupar a planta da Mitsubishi usando de extrema violência, abrindo fogo com munição real contra os trabalhadores Assassinaram Pedro Suarez da Mitsubishi e José Marcano, trabalhador da empresa de autopeças Macusa. Os trabalhadores ocuparam a fábrica após demissão de 135 trabalhadores terceirizados.
O movimento de ocupação se deu após uma massiva assembléia, 863 trabalhadores votaram a favor da ocupação e 21 se mantiveram contra. Os trabalhadores também vincularam sua luta com os de outros trabalhadores que ocupam fábricas no país e exigem a nacionalização da empresa com conrole operário.
O Estado de Anzoátegui é governado por Tarek Saab, do PSUV, A polícia deste departamento já esteve em conflito com trabaladores como o ataque a trabalhadores petroleiro em luta por contratação coletiva. O governador não é muito alinhado com as idéias socialistas. Quando na minha estada na Venezuela vi vários escritos nas ruas com dizeres: Chavez SI, Tarek No. Tarek es contra-revolucionário e outras neste sentido. É amplamente sabido que é um político tradicional que se mantem junto ao PSUV para a manutenção do status quo.
Somos chamados a fazer duas reflexões sobre esse episódio na Venezuela. Primeiro que a violência que é propagandeada pela direita latino americana – como a suposta invasão da universidade dos ricos por grupos chavistas para acabar com as mobilizações de estudantes do ano passado – não acontece apenas do lado bolivariano como diz os meios de comunicação. Os assassinatos de dirigentes revolucionários é frequente na Venezuela. Não apenas pelos Estados controlados pela velha burocracia que se abriga no PSUV, mas também por hordas armadas como os que assassinaram três companeiros sindicalistas da UNT (União Nacional dos Trabalhadores) em novembro passado. Trata-se de um extermínio dos revolucionários aos moldes que ocorre na Colômbia.
Outra reflexão é o episódio do governador Tarek (PSUV). Nos mostra como as antigas elites conseguem se equilibrar no poder mesmo com o governo Chavez. Mostrando que o caminho percorrido na Venezuela é capaz de aglutinar vários setores. Esse é o outro ponto importante. A perspectiva eleitoral bolivariano não é capaz de romper com os velhos vícios da burocracia estatal. O que pode desgastar o movimento e traz consequüencias como a derrota de Chavez no último plebiscito. A velha elite que se mantem nos departamentos na Venezuela jogam contra em momentos cruciais da luta de classes, como no que diz respeito a expropriação de terras e empresas e o controle operário nas empresas recuperadas.
Pela punição imediata dos exterminadores venezuelanos. Que Chavez chame um investigação independente do governo de Anzoátegui para averiguar o ocorrido.








