A “Festa dos 2 Vinténs” que promoveremos amanhã no Espaço Cultural Calango (ver post a baixo) leva o nome que leva numa analogia à peça de Bertold Brecht de 1928 “A Ópera dos 3 Vinténs” . É uma maneira de homenagear o gênio do teatro popular e classista do século XX, padroeiro de todos os artistas que tentam fazer da arte um instrumento de luta. Também é uma maneira de afirmar nossa condição e consciência de classe trabalhadora, já que ainda que soframos derrotas e passemos por dificuldades, da nossa alegria compartilhada surge a força para seguir lutando. Segue uma crítica da peça para que saibam do que estamos falando.

1928: Estréia a “Ópera dos Três Vinténs”
Em 1927, o autor dramático, poeta lírico e narrador alemão Bertolt Brecht propôs a Kurt Weill escrever a música para o libreto de Die Dreigroschenoper (A Ópera dos Três Vinténs). Brecht baseou-se numa tradução da Bagger’s Opera (Ópera do Mendigo), feita pela alemã Elisabeth Hauptmann, na qual John Gray, em 1728, havia feito um retrato satírico da classe dominante inglesa.
Inspirado nos gêneros opereta e comédia musical, Brecht e o até então desconhecido Weil contaram a história de Mac Navalha e de seu amor por Polly, a filha de J. J. Peachum, seu inimigo. Este, mais conhecido por Rei dos Mendigos, vestia sua gangue como deficientes ou mendigos e os mandava pedir esmolas. Mac, por seu lado, defendia uma linha mais dura, explorando assaltos e prostituição.
Sucesso até 1933
Nem libreto, nem música estavam prontos na véspera da estréia, de forma que todos apostavam no seu fracasso. O nome da obra foi decidido poucos minutos antes de abrir a cortina para a estréiada peça. O texto definitivo só ficou pronto em 1931. Apesar disso, o sucesso foi estrondoso, tanto na Alemanha como no exterior, até 1933, quando os nazistas tiraram a peça de cartaz.
Músicas como a Balada da Boa Vida, que Mac canta na prisão, ou a Canção da Dependência Sexual, da senhorita Peachum, em pouco tempo adquiriram caráter popular. Além disso, Brecht conseguiu mexer com o público, levando-o a refletir.
No final do segundo ato, por exemplo, o elenco discute a condição humana (“num mundo como este, o homem, para sobreviver, tem de suprimir a sua humanidade e explorar o seu semelhante”).
Brecht criticava as disparidades sociais da sua época: “Quero fazer um teatro com funções sociais bem definidas. O palco deve refletir a vida real. O público deve ser confrontado com o que se passa lá fora para refletir como administrar melhor sua vida”, dizia o autor dramático, poeta lírico e narrador alemão.
