CINEMA E DEBATE NO CALANGO: PÃO E ROSAS

No próximo sábado, dia 14/3/09, a partir das 16 horas, o Espaço Cultural Calango  se transformará num cinema popular. Em uma atividade conjunta com o Coletivo de Mulheres Comunistas Carla Maria, exibiremos e debateremos o filme “Pão e Rosas” de Ken Loach. O filme retrata a luta de uma mulher imigrante mexicana na cidade de holywood. Segue cartaz e uma crítica do filme.

Espaço Cultural Calango. Rua Frederico Abranches, 118, São Paulo (ao lado do metro Santa Cecília).

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Pão e Rosas

por: Luciana Rodrigues

Quem está lendo este artigo, provavel e infelizmente só terá oportunidade de assistir “PÃO E ROSAS” (Bread and Roses) de direção do britânico Ken Loach, em vídeo, tendo em vista as poucas salas que ele estreiou. É possível, também, que tenha lido alguma crítica positiva sobre ele. Aliás, as críticas foram “positivas”, mas um tanto quanto irônicas, na linha clássica de que “a luta de classes acabou”, como se tudo não passasse de uma fábula, mais uma, deste diretor “politizado”.

De fato, este filho de um eletricista, nascido na Inglaterra Central em 1936, nunca deixou de denunciar a exploração e de demonstrar sua confiança na capacidade de redenção. Fez filmes sobre a Nicarágua, sobre a Alemanha, a Espanha, a França e, evidentemente, sobre seu país.

Todavia, apesar de dirigir para cinema desde o final dos anos 60, Ken Loach, sempre será lembrado no Brasil por um filme que realizou em 1995, premiado pela crítica internacional em Cannes: “Terra e Liberdade” (Land and Freedom), um belo exemplo da complexidade poética, temática e estética deste cineasta. O filme, que fala sobre a Guerra Civil Espanhola, mescla magnificamente temas como fraternidade, as relações amorosas, ação e política, com uma dura crítica aos PCs e suas disputas com as esquerdas revolucionárias.

PÃO E ROSAS, possui diversas qualidades e nos remete a atualidade das discussões realizadas no Fórum Social Mundial.

Desta vez, Kenneth Loach ambienta ação do filme nos Estados Unidos, mais precisamente em Los Angeles. É lá, na terra das estrelas de cinema, de Beverly Hills, que vamos ver a luta de classes em sua forma mais crua, na exploração dos imigrantes, na deterioração das relações familiares e, finalmente na opressão à classe trabalhadora, e sua luta por melhores condições de vida e pelo direito à organização.

A trama principal se desenvolve com a mexicana Maya e o ativista Sam. Maya é firme, inteligente e extremamente alegre, seu tratamento, como personagem, difere completamente do dado a latinos ou a “mocinhas”.

Os dramas apresentados também diferem bastante dos costumeiros blockbusters e até mesmo de filmes brasileiros atuais, sempre assépticos, distantes da realidade dos trabalhadores, neste caso a ação e os conflitos giram em torno dos riscos, de extradições, de violência policial, de demissão, os gestos extremos de solidariedade, ao ponto do roubo e da prostituição. Para interpretar personagens tão profundos, em seus medos, em suas hesitações, em suas forças, grandes atores, que parecem estar interpretando a si mesmos, no improviso.

Como Ken Loach consegue mostrar tudo isto e nos dar o prazer de muitos momentos de emoção, seja de choro, seja de riso é algo que só assistindo você poderá saber, mas garanto que valerá a pena.

fonte: http://www.mnemocine.com.br/cinema/crit/paoerosas.htm


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