Por uma prática nuclear

Este texto foi escrito por um conjunto de militantes do P-SoL para o Encontro Estadual de núcleos de base. O ponto central do texto trata da necessidade de se criar organismos autônomos, de base, para intervir na realidade da classe trabalhadora.

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POR UMA PRÁTICA NUCLEAR

O núcleo de Santa Cecília vem funcionando regularmente desde 2005 e tem uma atuação voltada para uma intervenção socialista no bairro, isto é, nosso foco é o trabalho de base e a disputa com a direita, não a disputa interna.

Boa parte do núcleo é de militantes independentes que não participam organicamente de tendências e que por isso dificilmente tem poder de influenciar as deliberações dos fóruns decisórios do partido.

Isso acontece não por que não participamos de tendências, mas pela forma em que vêm se desenvolvendo as instancias e fóruns do partido.

Que forma é essa? Como sabemos o embrião do partido emerge no parlamento e se desenvolve através de acordos de tendências pré-existentes.

Apesar do projeto originário, de ampliar as bases sociais do partido, para promover uma real alternativa de transformação da sociedade, as energias de nossos militantes vem se esvaindo no jogo de disputas internas.

Acreditamos que a tarefa de todos os militantes é lutar por aprofundar o enraizamento do partido na sociedade.

Só assim superamos a configuração inicial de frente parlamentar de oposição de esquerda ao governo Lula para constituir uma nova frente de oposição ao capitalismo.

Não estamos satisfeitos em simplesmente construir o partido como uma frente de tendências.

Tampouco somos contra a organização dos militantes por tendências ou campos, porém acreditamos que as tendências devem se articular no cotidiano da prática revolucionária, compartilhando e construindo conjuntamente os espaços de militância e luta concreta contra a direita e o capitalismo.

Acreditamos que tais espaços de militância conjunta são os núcleos de base, seja de bairros, temáticos (como as setoriais) ou de categorias de trabalhadores.

Por isso defendemos que a eleição de delegados para as instâncias deliberativas do partido sejam feitas a partir dos núcleos.

Mas, mais do que isso, defendemos uma concepção de núcleo que implica uma nova pratica da militância, avessa ao sectarismo e pautada pela solidariedade dos socialistas e na construção conjunta de uma real alternativa de atuação política socialista.

Por tudo isso, adotamos em nosso núcleo a prática do rodízio de delegados, não por uma ingenuidade política, mas por acreditar que os processos deliberativos constituem um espaço de formação dos militantes.

Representam o núcleo aqueles que dele participam, e levam sempre uma posição coletiva. Acreditamos que quando delegamos a uma pessoa essa tarefa (de ser nosso porta-voz) é para que interfira no processo, não como massa de manobra, mas como sujeito fundamental daquela instância.

Acreditamos que não adianta termos o programa mais avançado se nossa pratica não condiz com nossos ideais. Não podemos seguir com uma prática que se mostrou historicamente derrotada e derrotável.

A prática é o critério da verdade.

Assinamos:

Anderson Cassio; Andreia Marques; Baltazar Sena; Diogo Portugal; Eduardo Barbosa; Moyses Ribeiro; Rafael Godoi; Tatiane Pieroni

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