Informe:

Plebiscito Limite da Terra – Comitê Centro

O Comitê Centro/SP do Plebiscito pelo Limite  da propriedade da Terra já vem se reunindo. No dia 30/08/2010 fará, como parte do dia nacional de divulgação do plebiscito, um grande panfletagem de esclarecimento à população no Largo de Santa Cecília apartir das 16h. No mesmo dia, faremos uma...

Leia Mais

1º de maio: Todos/as à Praça da Sé!

Posted by Editorial do Outubro | Posted in Imperialismo | Posted on 30-04-2009

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1-maio.jpgNa próxima sexta-feira, dia 1º de maio, manifestações no mundo inteiro acontecerão para celebrar o dia internacional da classe trabalhadora. Dia marcado pelos 123 anos do massacre de Chicago, quando milhares de trabalhadores foram barbaramente reprimidos por lutar pelos seus direitos nos Estados Unidos.

A GLOBO MENTIU MAIS UMA VEZ

Posted by Editorial do Outubro | Posted in Criminalização do Movimento | Posted on 28-04-2009

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A TV Globo mentiu sobre o caso do conflito entre capangas de Daniel Dantas e o MST no sul do Pará. O cárcere privado não existiu, conforme explicou o jornalista em depoimento à polícia do Estado. Segue matéria que trata da questão.

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Repórter da Globo desmente versão de cárcere privado
27/04/2009
Por Max Costa*

Vitor Haor, repórter da TV Liberal – afiliada da TV Globo -, depôs ao
delegado de Polícia de Interior do Estado do Pará e, em seu
depoimento, negou que os profissionais do jornalismo tenham sido
usados como “escudo humano” pelos Sem Terra, bem como desmentiu a
versão – propagada pela Liberal, Globo e outras emissoras – de que
teriam ficado em cárcere privado, durante conflito na fazenda Santa
Bárbara, em Xinguara.

Está de parabéns o repórter – um trabalhador que foi obrigado a
cumprir uma pauta recomendada, mas que não aceitou mais compactuar com
essa farsa. Talvez tenha lhe voltado a mente o horror presenciado pela
repórter Marisa Romão, que em 1996 foi testemunha ocular do Massacre
de Eldorado dos Carajás e não aceitou participar da farsa montada
pelos latifundiários e por Almir Gabriel, vivendo desde então sob
ameaças de morte.

A consciência deve ter pesado, ou o peso de um falso testemunho deva
ter influenciado. O certo é que Haor não aceitou participar até o fim
de uma pauta encomendada, tal quais os milhares de crimes que são
encomendados no interior do Pará. Uma pauta que mostra a pistolagem
eletrônica praticada por alguns veículos de comunicação e que temos o
dever de denunciar.

Desde o início, a história estava mal contada. Um novo conflito
agrário no interior do Pará, em que profissionais do jornalismo teriam
sido usados como escudo humano pelo MST e mantidos em cárcere privado
pelo movimento, em uma propriedade rural, cujo dono dificilmente tinha
seu nome revelado. Quem conhecia e acompanhava um pouco da história
desse conflito sabia que isso se tratava de uma farsa. A população,
por sua vez, apesar de aceitar a criminalização do MST pela mídia e
criticar a ação do movimento, via que a história estava mal contada.

As perguntas principais eram: como o cinegrafista, utilizado como
“escudo humano” – considero aqui a expressão em seu real sentido e
significados -, teria conseguido filmar todas as imagens? Como
aconteceu essa troca de tiros, se as imagens mostravam apenas os
“capangas” de Daniel Dantas atirando? Como as equipes de reportagem
tiveram acesso à fazenda se a via principal estava bloqueada pelo MST?
Por que o nome de Daniel Dantas dificilmente era citado como dono da
fazenda e por que as matérias não faziam uma associação entre o
proprietário da fazenda e suas rapinagens?

Para completar, o que não explicavam e escondiam da população: as
equipes de reportagem foram para a fazenda a convite dos proprietários
e com alguns custos bancados – inclusive tendo sido transportados em
uma aeronave de Daniel Dantas – como se fossem fazer aquelas típicas
matérias recomendadas, tão comum em revistas de turismo, decoração,
moda e Cia (isso sem falar na Veja e congêneres).

Além disso, por que a mídia considerava cárcere privado, o bloqueio de
uma via? E por que o bloqueio dessa via não foi impedimento para a
entrada dos jornalistas e agora teria passado a ser para a saída dos
mesmos? Quer dizer então que, quando bloqueamos uma via em protesto,
estamos colocando em cárcere privado, os milhares de transeuntes que
teriam que passar pela mesma e que ficam horas nos engarrafamentos que
causamos com nossos legítimos protestos?

Pois bem, as dúvidas eram muitas. Não apenas para quem tem contato com
a militância social, mas para a população em geral, que embora alguns
concordassem nas críticas da mídia ao MST, viam que a história estava
mal contada. Agora, porém, essa história mal contada começa a ruir e a
farsa começa a aparecer.

* Max Costa é jornalista de Belém e também membro da secretaria geral do PSOL

TEATRO DO OPRIMIDO NO ESPAÇO CULTURAL CALANGO DIAS 25 E 26 DE ABRIL

Posted by Editorial do Outubro | Posted in Contra ou Cultura!!! | Posted on 24-04-2009

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revolucao-teatral1

GRUPO REVOLUÇÃO TEATRAL E O TEATRO FÓRUM DE AUGUSTO BOAL NESTE FIM DE SEMANA

veja em www.gtorevolucaoteatral.blogspot.com

Grupo independente formado por jovens da periferia
(COMUNIDADES?FAVELAS?) de Santo André, que se utilizam das técnicas do
Teatro do Oprimido, apresenta 3 peças de seu repertório.

Homossexualidade
e violência, racismo, machismo, e relações familiares, são os
temas. A cada dia 2, espetáculos na mesma sessão.

Programação:

Sábado, 25 às 21h.

“Onde foi que eu errei?” e

“Pedras, Sonhos e Nuvens.”

Domingo, 26 às 17h.

“Onde foi que eu errei?” e

“Pedras, Sonhos e Nuvens.”

Domingo, 26 às 19 h.

“Onde foi que eu errei?” e

“Relatos de Origem”

Ingressos para cada apresentação (2 espetáculos):

R$ 12,00 (inteira)

R$ 6,00 (estudantes e professores)


O
Teatro do Oprimido de Augusto Boal está em mais de 70 países. É uma
ferramenta pedagógica que trabalha a transformação pessoal e
social, a partir da apropriação dos meios de se produzir teatro, ampliando as possibilidades de expressão dos praticantes.

A partir das dinâmicas, muito além de adquirir um
repertório artístico, a pessoa vê a si­ própria, se reconhece e passa a reconhecer o outro de outra forma.


Empoderamento, senso
crí­tico, protagonismo juvenil, luta contra o racismo e qualquer forma
de discriminação, são atributos trazidos com o decorrer do trabalho.


O
Grupo Revolução Teatral já abriu dezenas de encontros de pedagogia,
cidadania e participação popular, educação popular, e já se
apresentou na Argentina, Uruguai, Pernambuco, Paraíba. Venha conhecer o grupo, debater, conversar.


Sobre os espetáculos:

Onde foi que eu errei?

O
conflito entre jovens e seus pais, quando aqueles assumem sua
homossexualidade e a violência e o preconceito que sofrem da sociedade.
Construído a partir de relatos de componentes do grupo a peça se
desenrola a partir do teatro-dança, sem texto.


Pedras, Sonhos, Nuvens

A
partir das histórias pessoais e familiares o grupo construiu este
espetáculo que mostra o conflito gerado entre os sonhos dos jovens e
aquilo que os pais querem para seus filhos. A saga dos pais vindos do
nordeste, os casamentos precoces, os sonhos dos jovens da periferia em
contraponto com o lhes projetam os pais, são mostrados, sempre com
musica e movimento, sem texto.


Relatos de Origem

Fala
do racismo nas escolas e a dificuldade dos professores em lidar com
isso, eles mesmos as vezes carregados de preconceitos. Inicialmente o
grupo com imagens corporais mostra a história da população negra que
veio escravizada da África, passando pelos navios negreiros, Palmares,
chegando à Candelária e Carandiru (111 presos mortos) quando a cena vai
para a sala de aula mostrando cenas da realidade.

Local: Espaço Cultural Toca do Calango

Rua Frederico Abranches, 118, SP (ao lado do metrô Sta. Cecília)

Contatos:

8311-4824 / 8737-4184

www.gtorevolucaoteatral.blogspot.com

revolucaoteatral@gmail.com
PATROCINIO: NINGUÉM
COLABORAÇÃO: ESPAÇO CULTURAL TOCA DO CALANGO

A luta pela terra no Pará

Posted by Editorial do Outubro | Posted in Criminalização do Movimento, Imperialismo | Posted on 24-04-2009

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A investida da grande mídia, e da burguesia brasileira, para manchar a imagem do MST segue a todo vapor. Depois de Gilmar Mendes e da Justiça do Rio Grande do Sul, agora os olhos – e as armas – estão voltados para o Pará. Justamente na região onde ocorreu o massacre de Eldorado dos Carajás, e onde foi assassinada Dorothy Stang se arma um novo cerco.

Estamos usando o espaço deste site/blog para divulgar a versão do MST sobre os fatos. Boa leitura.

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INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES À NOTA DE ESCLARECIMENTO DO MST.

  1. A Fazenda que foi palco da tragédia no ultimo dia 18.04.09, é a Fazenda Espírito Santo, Municipio de Xiinguara, que pertence ao Grupo Santa Bárbara do banqueiro Daniel Dantas.
  2. Esta Fazenda teve determinado o bloqueio das matriculas de seus títulos, na data de 30.01.09, pelo Juiz da Vara Agrária de Redenção, nos Autos da Ação Civil Pública n. 2008.1.002166-4, na qual o Estado do Pará reivindica para si a legitima propriedade da área.
  3. Até a presente data não existe nenhuma liminar de reintegração de posse da Fazenda Espírito Santo.Segue a nota do MST.
Comissão Pastoral da Terra de Xinguara
Segue a nota do MST.
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Esclarecimentos sobre acontecimentos no Pará
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Em relação ao episódio na região de Xinguara e Eldorado de Carajás, no sul do Pará, o MST esclarece que os trabalhadores rurais acampados foram vítimas da violência da segurança da Agropecuária Santa Bárbara. Os sem-terra não pretendiam fazer a ocupação da sede da fazenda nem fizeram reféns. Nenhum jornalista nem a advogada do grupo foram feitos reféns pelos acampados, que apenas fecharam a PA-150 em protestos pela liberação de três trabalhadores rurais detidos pelos seguranças. Os jornalistas permaneceram dentro da sede fazenda por vontade própria, como sustenta a Polícia Militar. Esclarecemos também que:


1- No sábado pela manhã, 20 trabalhadores sem-terra entraram na mata para pegar lenha e palha para reforçar os barracos do acampamento em parte da Fazenda Espírito Santo, que estão danificados por conta das chuvas que assolam a região. A fazenda, que pertence à Agropecuária Santa Bárbara, do Banco Opportunity, está ocupada desde fevereiro, em protesto que denuncia que a área é devoluta. Depois de recolherem os materiais, passou um funcionário da fazenda com um caminhão. Os sem-terra o pararam na entrada da fazenda e falaram que precisavam buscar as palhas. O motorista disse que poderia dar uma carona e mandou a turma subir, se disponibilizando a levar a palha e a lenha até o acampamento.

2- O motorista avisou os seguranças da fazenda, que chegaram quando os trabalhadores rurais estavam carregando o caminhão. Os seguranças chegaram armados e passaram a ameaçar os sem-terra. O trabalhador rural Djalme Ferreira Silva foi obrigado a deitar no chão, enquanto os outros conseguiram fugir. O sem-terra foi preso, humilhado e espancado pelos seguranças da fazenda de Daniel Dantas.

3- Os trabalhadores sem-terra que conseguiram fugir voltaram para o acampamento, que tem 120 famílias, sem o companheiro Djalme. Avisaram os companheiros do acampamento, que resolveram ir até o local da guarita dos seguranças para resgatar o trabalhador rural detido. Logo depois, receberam a informação de que o companheiro tinha sido liberado. No período em que ficou detido, os seguranças mostraram uma lista de militantes do MST e mandaram-no indicar onde estavam. Depois, os seguranças mandaram uma ameaça por Djalme: vão matar todas as lideranças do acampamento.

4- Sem a palha e a lenha, os trabalhadores sem-terra precisavam voltar à outra parte da fazenda para pegar os materiais que já estavam separados. Por isso, organizaram uma marcha e voltaram para retirar a palha e lenha, para demonstrar que não iam aceitar as ameaças. Os jornalistas, que estavam na sede da Agropecuária Santa Bárbara, acompanharam o final da caminhada dos marchantes, que pediram para eles ficarem à frente para não atrapalhar a marcha. Não havia a intenção de fazer os jornalistas de ?escudo humano?, até porque os trabalhadores não sabiam como seriam recebidos pelos seguranças. Aliás, os jornalistas que estavam no local foram levados de avião pela Agropecuária Santa Bárbara, o que demonstra que tinham tramado uma emboscada.

5- Os trabalhadores do MST não estavam armados e levavam apenas instrumentos de trabalho e bandeiras do movimento. Apenas um posseiro, que vive em outro acampamento na região, estava com uma espingarda. Quando a marcha chegou à guarita dos seguranças, os trabalhadores sem-terra foram recebidos a bala e saíram correndo ? como mostram as imagens veiculadas pela TV Globo. Não houve um tiroteio, mas uma tentativa de massacre dos sem-terra pelos seguranças da Agropecuária Santa Bárbara.

6- Nove trabalhadores rurais ficaram feridos pelos seguranças da Agropecuária Santa Bárbara. O sem-terra Valdecir Nunes Castro, conhecido como Índio, está em estado grave. Ele levou quatro tiros, no estômago, pulmão, intestino e tem uma bala alojada no coração. Depois de atirar contra os sem-terra, os seguranças fizeram três reféns. Foram presos José Leal da Luz, Jerônimo Ribeiro e Índio.

7- Sem ter informações dos três companheiros que estavam sob o poder dos seguranças, os trabalhadores acampados informaram a Polícia Militar. Em torno das 19h30, os acampados fecharam a rodovia PA 150, na frente do acampamento, em protesto pela liberação dos três companheiros que foram feitos reféns. Repetimos: nenhum jornalista nem a advogada do grupo foram feitos reféns pelos acampados, mas permaneceram dentro da sede fazenda por vontade própria. Os sem-terra apenas fecharam a rodovia em protesto pela liberação dos três trabalhadores rurais feridos, como sustenta a Polícia Militar.

MOVIMENTOS DOS TRABALHADORES RURAIS SEM TERRA – PARÁ

Chega de chacina, polícia assassina!

Posted by edutiao | Posted in política institucional | Posted on 22-04-2009

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Janeiro, 2009
Por Ali Rocha e José Andery, pelo Tribunal Popular

tribunal-popular_logoEm pleno processo de Fórum Social Mundial (FSM) a violência estatal contra jovens pobres e negros da região metropolitana de Belém (PA), só fez crescer. Conversamos com a ouvidora do Sistema de Segurança Pública do Estado do Pará, Cibele Kuss, que está à frente do órgão desde meados de 2007, e vem notando um aumento expressivo na letalidade policial desde o início deste ano. Entre as causas do problema ela aponta a política de enfrentamento defendida abertamente pelas autoridades de segurança do estado, a apologia a essa prática feita pela grande imprensa e o apoio da sociedade ao uso da violência no combate à criminalidade.

A ouvidoria está acompanhando em torno de 13 homicídios ocorridos nas primeiras seis semanas de 2009 e 90% dos casos apresentam características de execuções sumárias. Cibele vê uma verdadeira criminalização da pobreza já que todas as vítimas executadas moram em bairros de periferia. Ela defende que os órgãos de controle, a sociedade civil e os movimentos sociais trabalhem em conjunto para que um outro mundo seja, de fato, possível.

Você disse que o número de denúncias teve um aumento expressivo desde que assumiu o cargo na ouvidoria?

Sim, tivemos um aumento de 300% nas denúncias, mas o que mais nos assusta é o aumento dos casos de letalidade. Você tem gerações inteiras de policiais militares e civis formados nessa perspectiva de que bandido bom é bandido morto. Aí vem os secretários de segurança pública, os comandantes, os delegados gerais, falando abertamente que a nossa política é repressiva e de tolerância zero. Imagine o que um praça com uma arma na mão, recém saído de seu treinamento, vai fazer com essas armas. Ele está ouvindo tolerância zero, repressão ao crime, imagina… a primeira oportunidade que ele tiver, por uma questão até mesmo de falta de preparo, ele vai acabar cometendo homicídios. Então essa é uma preocupação muito grande.”

Qual o caso recente que você considera mais emblemático?

“Um deles é a Chacina de Curuçambá. A poucos dias do início do FSM um cabo da policia militar foi assassinado durante um assalto em Ananindeua, bairro da periferia de Belém. A PM montou uma operação na área para encontrar os assassinos do policial. Cinco pessoas acabaram mortas na operação, que recebeu o nome de “Reação”. Eles não conseguiram nem mascarar o propósito dessa operação”.

Como a imprensa se posiciona em relação a essas mortes?

“Aqui no nosso estado esses jornais aqui cujas páginas policiais são um derramamento de sangue extremamente sensacionalistas, fazem uma apologia diária à letalidade porque as manchetes são sempre positivas no que diz respeito a letalidade, dizendo coisas como “Mais um bandido fora de circulação”. Então dá a entender que a única forma de acabar com o crime é através da letalidade. E a imprensa acaba reforçando essa tese de que quando um policial mata uma pessoa, se ela for assaltante ou se ela tiver antecedentes criminais, está legitimado.

Esses criminosos, na verdade, deveriam ser presos e julgados…

Sim, isso só aumenta a violência, pois se alguém que tem envolvimento com o crime sabe que não vai passar por um processo jurídico normal, que não vai ser preso, que não vai responder um processo, é óbvio que a letalidade deles também vai aumentar. Você tem um fogo cruzado com um tentando matar o outro. O bandido querendo matar o policial e o policial tentando matar o bandido. E no meio estão todas as outras pessoas.”

E como é a investigação desses casos?

Esses confrontos que aparecem diariamente nos jornais, que nós muitas vezes suspeitamos que aja envolvimento de policiais, raramente são investigados, porque os inquéritos quando saem das delegacias colocam normalmente um auto de resistência seguida de morte, então quando chega no judiciário o judiciário arquiva, porque o réu está morto. Não sai como homicídio… deveria sair como homicídio! Auto de resistência é uma coisa, tem um embasamento legal, mas auto de resistência seguida de morte é uma invenção da policia para realmente mascarar as execuções ocorridas e isso é realmente muito comum. Para impossibilitar a perícia e dificultar ainda mais as investigações os policiais violam a cena do crime, retirando o corpo mesmo quando a pessoa já está morta, colocam dentro da viatura e levam para o hospital e desaparecem com as armas e balas.”

E qual o papel da sociedade civil nisso tudo?

“Primeiro nós temos que conscientizar a sociedade em geral de como funciona esse jogo das execuções sumárias, e de como nós somos coagidos também e de como nós somos levados a acreditar que aquilo realmente foi um confronto porque como aparece muitas vezes na imprensa é que foi um confronto, mas, as pessoas em geral não sabem como funciona isso. O outro grande desafio está nesse processo de monitoramento dos casos de letalidade. Esse monitoramento é responsabilidade da sociedade civil também. Ela deve se organizar e dizer pros corregedores, pro judiciário, “Olha, nós estamos aqui acompanhando estes casos e nós queremos que essa investigação seja feita com transparência”.

E as vítimas dessa letalidade policial são em geral homens pobres e negros…

E muito jovens, na adolescência ou início da fase adulta. E é realmente esse extermínio da população negra que é impressionante, esse eixo da cor é taxativo. Você identifica que são essas pessoas que estão mais distantes das políticas públicas de inclusão social. Elas são realmente as maiores vitimas. E são as mulheres que ficam viúvas, que ficam órfãs de filho, que vem procurar a ouvidoria. Na maioria das vezes são as mães que já tiveram outros filhos também assassinados pela policia ou mortos em algum outro tipo de crime, mas que é consecutivo, a historia dessas famílias é marcada por essa violência, por essas tragédias. É impressionante.”

Você acredita que o mesmo aconteceria se as vitimas fossem da classe média?

“Quando houve o assassinato agora recente de algumas pessoas cujas referências profissionais eram publicas – médico, procurador, você teve um apelo e um direcionamento muito grande da classe média – imprensa chamava para caminhadas, para passeatas pela paz, havia realmente uma pressão eu diria até financeira sobre o governo para que tomasse providências porque pessoas de bem morreram. Enquanto que todas as mobilizações que nós fazemos, quando há casos de violência contra crianças e adolescentes ou assassinatos de jovens da periferia, você tem realmente um abandono total. Aí a sociedade se manifesta mesmo com indiferença ou publicamente dizendo que estão ai defendendo os bandidos novamente.”

A nossa sociedade então está dividida em cidadãos de 1a e 2a classe?

“Isso ficou muito explicito. Muito explicito o quanto a classe média é hipócrita, e como as elites ainda tem o poder de conduzir os comandos da segurança publica no nosso estado. Devemos falar mais abertamente sobre essa hipocrisia de poder dizer que esses mandos e desmandos estão ligados a uma classe social muito branca, muito rica, muito detentora dessas cotas na política e que isso tem um reflexo muito grande mesmo na sociedade, a estigmatização de grupos, de pessoas, da juventude, principalmente da juventude negra e trabalhar mesmo em processos de formação, de capacitação da juventude”.

Como funciona o corporativismo na policia?

É uma situação muito difícil também para os próprios policiais militares e civis que ainda possuem um pouco de dignidade e amor a farda, porque manter-se digno e fiel a essa profissão é um exercício diário de resistência, e nós temos que dar todo apoio para aqueles policiais que tem um envolvimento nesse compromisso. Nós tivemos casos aqui de policiais que nos procuraram dizendo que estavam sendo ameaçados pelos próprios colegas. Teve um policial militar cujo afilhado de 16 anos foi morto por policiais. Ele foi até o local do crime e por ter se recusado a cumprimentar os policiais que ali estavam, imediatamente depois passou a sofrer ameaças. Ele confessou que hoje tem mais medo da policia do que de bandidos e isso me chocou muito. Em outro caso, policiais foram acionados para impedir um linchamento de dois assaltantes por moradores da comunidade. Quando foram atender a ocorrência, descobriram que os dois rapazes haviam assaltado uma mercearia onde seus colegas de farda faziam bico de segurança e que teriam sido os próprios policiais a incitar o linchamento. Depois disso, passaram a ser perseguidos por esses colegas.”

O judiciário também contribui para a impunidade dos policiais?

“Os inquéritos já saem das delegacias com muita fragilidade e o judiciário não se manifesta em relação a isso, então obviamente nós vamos ter um resultado muito ruim. Muitas vezes a gente encontra promotores que solicitam no processo já de investigação que mude delegado, que fazem algumas articulações para que se coloque lá um delegado ou uma delegada que possa presidir esse inquérito, que seja uma pessoa menos comprometida, que tenha mais autonomia. Mas aí depende muito do comprometimento do promotor que está acompanhando aquele caso. E a isso a gente precisa dar valor. Mas na maioria dos casos não tem, o judiciário está completamente absorvido com a quantidade de processos que tem e devolve esses inquéritos para que aja uma melhor investigação. Muitas vezes nem identifica as falhas no inquérito. E acaba absolvendo os policiais.”

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E como o que a ouvidoria pode fazer sobre isso?

“A ouvidoria tem que ter um papel mais ativo no monitoramento da investigação dos casos. Em muitos casos que estamos acompanhando, estamos em diálogo direto com o promotor justamente pra fazer um trabalho em conjunto, para verificar como foi construído esse inquérito, quais foram as falhas encontradas e o que a gente ainda pode voltar atrás para verificar. Acho que esse é um trabalho fundamental da ouvidoria, se nós conseguirmos sistematicamente fazer esse tipo de coisa pelo menos nos casos mais emblemáticos, teremos um avanço.”

O que dizer de uma ouvidoria que recebe uma denúncia e simplesmente a encaminha para a corregedoria, sem fazer nenhum acompanhamento?

Aí vamos fechar as portas! Se a ouvidoria se reduzir a mandar um documento para a corregedoria, pode fechar a porta porque, para isso não precisa ter ouvidoria, pra isso qualquer pessoa pode fazer, se é só pra mandar um oficio solicitando, não tem função nenhuma. Nós temos que realmente monitorar. Isso significa sentar com o corregedor, isso significa ir até a delegacia, conversar às vezes com o delegado, perguntar que tipo de investigação é essa, porque muitas vezes a gente vai até a corregedoria e a pessoa encarregada pelo casos diz, “Não, mas eu fui lá, eu investiguei, eu fui lá, eu verifiquei”. Mas como é que as outras quatro pessoas viram coisas diferentes? Aí você fazendo contato com as pessoas envolvidas, vai tendo intuições e vai descobrindo coisas no decorrer dessa aproximação. A ouvidoria tem que ter proximidade das pessoas, dos casos, para conseguir contribuir.”

Muitas pessoas não fazem denúncias por receio de que nada será feito.

“É que essa situação se parece tão institucionalizada que as pessoas se vêem desestimuladas a denunciar, ou desistem no meio do processo, por acreditar que será uma perda de tempo. Mas um bom monitoramento dos órgãos de controle é essencial para trazer bons resultados. Temos que acreditar que é possível mudar esse quadro e apontar os erros e manipulações. É fundamental que a gente consiga identificar ao final do processo todo, que aquilo aconteceu porque essa ainda é uma prática, por esse ou aquele motivo. Se nós não dermos pelo menos visibilidade a isso, de que aconteceu esse resultado porque houve uma série de comprometimentos no decorrer, aí nós estaremos totalmente omissos”.

Você acha que uma polícia comunitária ajudaria a resolver o problema?

“Sim, eu acredito que esse programa de formação de segurança comunitária, de segurança cidadã, de policia comunitária tem um eixo temático muito interessante, eu acho que é realmente fundamental. Você inverte realmente a lógica daquele policial frenético, enlouquecido, com armas na mão dentro de um carro enlouquecidamente, sem se relacionar com ninguém, para um policial que realmente caminha, para tal da policia de proximidade. Mas pra que isso realmente aconteça você tem que ter uma conjuntura, um contexto preparado para isso, porque nas periferias e em algumas áreas as pessoas não querem essa policia. A classe média não quer essa policia, a elite não quer essa policia. A elite quer a policia que afaste as pessoas de perto delas, que afaste os pobres, que afaste aquele que chega para pedir alguma coisa, porque ela morre de medo de que alguém que bate no vidro do seu carro, vai assassiná-lo.

Os policiais continuam matando porque sabem que continuarão impunes?

“Temos que fazer uma série histórica de punições aos policiais violadores de direitos humanos. As punições exemplares são fundamentais porque repercutem internamente dentro das corporações. Elas tem uma força enorme de criar novos referenciais, de realmente instaurar uma política pautada na ética. Na maioria das vezes policiais infratores não são punidos nem administrativamente. Quando o são, uma semana depois já estão soltos e duas semanas depois já estarão divididos em outros lugares. Acho que esse é um grande desafio nosso, verificar que tipo de punição exemplar eles estão realmente fazendo.

O que se verifica aqui e acolá é alguma punição noticiada por algum órgão de imprensa, para afirmar que a o estado está punindo seus filhos. Mas e depois? Essas manchetes não tem fundamentação, são apenas manchetes para aquietar a sociedade civil organizada e para nos enganar.”

Alguma consideração final?

A classe média, a elite, tem medo das crianças nos faróis, nas paradas por ai pedindo. Acho que a gente tem que ter coragem de falar mais abertamente sobre isso. E de trabalhar mais pra autonomia dos nossos órgãos, para que eles realmente possam trabalhar mais numa perspectiva de que a política de segurança publica tem que ter equidade. Uma política de segurança publica que não tiver equidade, sempre vai matar mais juventude negra e fazer cada vez mais segurança privada e segurança nos bairros ricos.

SOBRE A FARSA DA CONFERÊNCIA DO “ANTI-RACISMO” DA ONU

Posted by Editorial do Outubro | Posted in Imperialismo, Movimento Negro, política institucional | Posted on 22-04-2009

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Nos últimos dias, a ONU promoveu em Genebra uma “progressista” conferência para formular um grande pacto internacional anti-racista. Porém, países dos mais racistas do mundo decidiram boicotar o evento: EUA, Itália, Israel, Alemanha, Canadá, Holanda e Polônia decidiram não comparecer alegando que  já no texto de convocação estavam implicitas considerações anti-semitas, uma vez que pontuava o desrespeito e violações dos direitos humanos na Palestina. Que o fascista Berlusconi boicote uma conferência anti-rascista até se pode entender, mas e o primeiro presidente negro dos EUA?

Interessante é pensar que os EUA se furtem a esse debate meses depois da grande festa da democracia eleitoral, com a nomeação do primeiro presidente negro norte-americano, que, todos diziam, prometia uma nova era das relações raciais e de igualdade de direitos. Os EUA de Obama, em vez de ser o carro chefe do anti-racismo na ONU, é o carro chefe do boicote à conferência.

Tamanha contradição entre tudo o que foi alardeado sobre o “fim” do racismo nos EUA, e a prática efetiva desse país, que nem no mero âmbito formal aceita relativizar suas formulações de racismo, e a sua concepção da atuação do estado de Israel na ocupação da Palestina, poderia ser vista como um verdadeiro escândalo, que descredenciaria o presidente Obama e todas a suas promessas de salvação em tempos de crise.

Por isso era necessária uma manobra que ocultasse o escândalo, e transferisse a responsabilidade do fracasso da conferência para algum dos países do “eixo do mal”. E a bola da vez foi o Irã. O presidente do Irã começou a falar sobre as mesmas coisas de sempre, que todos sabiam que ele falaria, que ele já falou 500 vezes, que o Estado de Israel utiliza o holocausto do povo judeu na Alemanha nazista como uma espécie de justificativa para o genocídio que impõe ao povo palestino há décadas. Como funciona esse “complexo” sistema? Assim: “ah, você discorda do que nós Israel estamos fazendo com o povo e as terras palestinas? Pois, isso porque você é antisemita, logo nazista e nega o holocausto.” Simples assim, o agressor vira agredido.

Pois quando o presidente do Irã começou a falar, os diplomatas da União Européia que estavam na conferência, “puxados” pelo presidente francês Sarkosy (que também tem seu histórico de racismo) se retiraram e esvaziaram a reunião, em pretensa solidariedade ao povo judeu.

Manobra concluída, reunião esvaziada, o culpado na cruz, e o racismo segue vivo na era Obama.

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Campanha pela reestatizão da Embraer fará ato no dia 15.

Posted by Editorial do Outubro | Posted in Imperialismo | Posted on 15-04-2009

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Temos insistido que uma saída para a crise econômica é a reestatização de fábricas  sob controle dos trabalhadores. Neste sentido a campanha pela retomada da Embraer pelo povo brasileiro deve tomar a frente. Desde sua privatização na era Fernando II que o Estado despeja caminhões de dinheiro nesta empresa, e quando a “marolinha” bate na bunda ela tem duas medidas para sair da “crise”. Primeiro pedir mais dinheiro ao benemérito Estado brasileiro. E segundo demitir trabalhadores.

Vamos a luta!!!

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A Embraer, considerada patrimônio nacional e que já foi motivo de orgulho dos brasileiros, está hoje nas mãos de acionistas estrangeiros. Por maiores que sejam os lucros da empresa, boa parte do dinheiro vai para fora do Brasil. Os fundos de investimentos internacionais já controlam mais de 70% das ações da empresa. Suas ações são vendidas livremente na bolsa de valores de Nova York. Aos brasileiros, sobram as demissões.
No dia 19 de fevereiro, a Embraer anunciou a demissão de 4.270 trabalhadores e culpou a crise econômica mundial pela arbitrariedade. Essa justificativa, entretanto, não demorou a ser desmentida. A verdade é que a Embraer continua lucrando muito, mas perdeu parte desse dinheiro em especulações financeiras. Seus diretores se autopremiaram com uma bonificação de R$ 50 milhões. Agora, esses mesmos executivos querem jogar a responsabilidade nas costas dos trabalhadores.

A demissão em massa e os desmandos que vêm sendo cometidos pela direção privada mostram que é preciso colocar em debate o controle estatal da Embraer – uma empresa estratégica para a soberania do país. Desde a sua privatização, em 1994, a Embraer já recebeu mais de US$ 8 bilhões em financiamentos do BNDES. Isso significa que depende do dinheiro público para sobreviver. Só para lembrar: a Embraer foi vendida pelo valor irrisório de R$ 154,1 milhões. Não é exagero dizer que a privatização foi, portanto, um assalto aos cofres públicos.

Se a iniciativa privada é incapaz de manter o patrimônio nacional, deve sair de cena e deixar o controle da empresa para o Estado e seus trabalhadores. Exigimos de Lula que reestatize a empresa e faça um plano de recuperação da Embraer a serviço do Brasil e sob controle dos trabalhadores.

Por tudo isso, vamos lançar no dia 15, na Assembleia Legislativa, o comitê nacional pela reestatização da Embraer. Participe dessa luta!

No próximo dia 15, quarta-feira, às 17h, acontece o importante ato político na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) que marcará o lançamento estadual do comitê nacional pela reestatização da Embraer e pela readmissão dos demitidos.

Convocam o lançamento :Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, Conlutas, Intersindical, CTB, Nova Central Sindical, MTST, PSOL, PSTU, PC do B entre outras importantes entidades dos movimentos sociais brasileiros.

SÃO VITO E MERCÚRIO NA GALERIA OLIDO

Posted by Editorial do Outubro | Posted in Revitalização do Centro | Posted on 14-04-2009

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A Galeria Olido recebe a partir do dia 15 de abril uma exposição de fotos dos edifícios Mercúrio e São Vito. Esses edifĩcios são duas das muitas residências coletivas e populares do centro de São Paulo que foram postas na mira da especulação imobiliária patrocinada por Serra (Partido do SocialDarwinismo Brasileiro) e Kassab (DEMO). Que a memória das batalhas perdidas sirva para aprimorar as formas de luta. Segue material de divulgação da exposição.

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VITÓRIA DO MOVIMENTO

Posted by Editorial do Outubro | Posted in Criminalização do Movimento | Posted on 13-04-2009

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O procurador de “justiça” que tentava jogar as escolas itinerantes do MST na clandestinidade jogou a toalha e saiu de cena. Disse que estava sofrendo muito pressão e que não sabia que o MST tinha tanta força e tanto apoio nacional e internacional. Um batalhão de sem-terrinhas jogou o procurador na lona quando, em encontro na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, as crianças lhe presentearam com um exemplar do Estatuto da Criança e do Adolescente. Vitória do movimento, mas a luta a continua. Pátria livre, venceremos!!!

Segue matéria do Zero Hora que relata a saída e trás trechos de entrevista com o procurador derrotado.

sem-terrinha

Fonte: http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a2470321.xml&template=3898.dwt&edition=12071&section=1015

MP X SEM-TERRA

A desistência do homem que enfrentava o MST

Pressões levam procurador Gilberto Thums a desistir de embate contra o movimento

Isolado no Ministério Público, criticado pela Igreja, questionado pelo Conselho Nacional do Ministério Público e pelo governo federal, pressionado pelos movimentos sociais, o procurador Gilberto Thums jogou a toalha em sua cruzada contra o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Oprocurador anunciou a saída de cena após ser constrangido, na terça-feira, em uma audiência pública na Assembleia Legislativa com a presença de 200 filhos de sem-terra. Os estudantes estavam no parlamento gaúcho para tentar reverter o fechamento das escolas itinerantes em acampamentos do movimento – uma das vitórias que Thums havia obtido contra o MST.

Ao abraçar a causa contra o movimento, há nove meses, Thums não sabia, mas liderava o exército de um homem só. Abandonado, não resistiu às pressões de aliados de um movimento que ao longo das últimas três décadas arregimentou parceiros e amigos em diferentes setores da sociedade civil e do Estado brasileiro. Depois do encontro na Assembleia, Thums anunciou que se afasta de embates contra o movimento e admitiu que há possibilidade de rever o acordo que resultou na extinção das escolas.

Desde o ano passado, o Ministério Público gaúcho é pressionado por entidades ligadas à área de Direitos Humanos, sob a acusação de “criminalizar os movimentos sociais”. Uma comissão especial, formada no âmbito da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, do governo federal, considerou “preocupante” e “grave” o tratamento dado ao MST no Estado.

Thums recebeu críticas de companheiros do MP

De Brasília, também partiram ataques da ouvidoria agrária nacional, vinculada ao Ministério do Desenvolvimento Agrário, que apresentou ao Conselho Nacional do Ministério Público um pedido de providências sobre a política de autuação do MP gaúcho em conflitos no campo. A justificativa do pedido calou fundo nos promotores e procuradores: o MP estaria afrontando os direitos fundamentais, em especial o princípio da dignidade da pessoa humana.

Na introdução da defesa, a procuradora de Justiça Irene Soares Quadros, que esteve em Brasília representando a instituição, disse que lamentava as circunstâncias da sua primeira oportunidade de comparecer ao órgão representando a procuradora- geral de Justiça, Simone Mariano da Rocha.

– O Ministério Público está sofrendo um desgaste porque os outros Estados não compreendem essa posição – diz Thums.

Entre os seus pares, as mais duras críticas partiram de promotores ligados às áreas dos Direitos Humanos e da Infância e da Juventude. Desde o início das ações contra o MST, em 2008, promotores das duas áreas temiam a contaminação ideológica em assuntos técnicos. O desconforto tornou-se insustentável após a assinatura do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o governo do Estado, em fevereiro de 2009, sepultando as escolas itinerantes em acampamentos do MST.

– Não podiam ter feito um TAC sobre este assunto sem consultar os promotores da área da Infância e da Juventude. Não conversaram com os promotores, com os conselhos tutelares, com os integrantes dos acampamentos. Nada – diz um promotor ligado aos assuntos da infância.

Manifestações técnicas ajudaram a mudar posição

Há uma semana, o então coordenador do Centro de Apoio Operacional da Infância e da Juventude procurador Miguel Velasquez, e a promotora da Infância e da Juventude Synara Jacques Butelli enviaram um ofício para a procuradora- geral Simone Mariano da Rocha devolvendo o TAC. Na prática, a devolução indicava para a procuradora que, ao não participar da confecção do termo, os promotores não se sentiam confortáveis em executá-lo.

A pressão prosseguiu na Assembleia, na última terça-feira, em uma reunião da Comissão de Educação, presidida por Mano Changes – parlamentar do PP, sigla historicamente contrária ao MST. Em sua primeira manifestação no encontro, Thums condenou as escolas itinerantes e os sem-terra, definido por ele como um movimento “guerrilheiro”. Ao final, após ouvir manifestações de deputados e de técnicos, reconheceu que o TAC poderia ser revisado. Ao receber uma cópia do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) das mãos de uma criança, o sempre sério Thums esboçou um sorriso.

– Parecia que ele havia tirado um peso das costas. A sensação que fiquei é que ele percebeu a saia-justa que havia sido colocada para o MP e, ao aceitar que o TAC fosse revisto por uma comissão neutra, encontrou um jeito de sair de cena. Ele encontrou uma saída honrosa – relata a deputada Stela Farias (PT).

MP X SEM-TERRA

“Se estou sozinho, estou errado”

Entrevista: Gilberto Thums, PROCURADOR DE JUSTIÇA

Um dia depois de admitir a possibilidade de mudar a sua opinião a respeito do funcionamento das escolas itinerantes, o procurador Gilberto Thums conversou com Zero Hora e com a Rádio Gaúcha. A seguir, a síntese das entrevistas:

Pergunta – O que fez o senhor mudar de ideia em relação ao fechamento das escolas itinerantes?

Gilberto Thums – O problema é que no momento há um caldeirão fervendo. Existe pressão de todos os lados. Inclusive da área técnica do MEC dizendo que as escolas têm uma função importante e que existe a possibilidade de um ensino diferenciado. Dizendo que a visão do MP é radical e que estamos em conluio com o governo estadual. Achei de bom senso que uma comissão de promotores que são neutros, ligados à Infância e Juventude para que esse termo fosse revisto.

Pergunta – O que fez o senhor se sensibilizar e concordar em buscar um meio-termo?

Thums – Ouvi a fala da professora do Conselho Estadual de Educação, os discursos das deputadas (ambas do PT) Stela Farias e Marisa Formolo. A deputada Mariza disse que mais triste do que não ter educação de qualidade é não ter direito à educação. Essa frase para mim foi impactante. Fiquei bastante tempo pensando nela. Então, ninguém pode ser tão radical. Todo radicalismo extremado leva à irracionalidade.

Pergunta – Não é pior as crianças não frequentarem nenhuma escola?

Thums – Frequentar escola do MST e não frequentar nenhuma dá na mesma. Igual não há controle. Ninguém sabe quantos dias as crianças frequentam a escola, ninguém conhece o programa mínimo que ela recebe na escola. Honestamente, vai mudar muito pouco.

Pergunta – Por que o senhor está tirando o time de campo?

Thums – É uma posição suicida. É de extrema antipatia. Sou demonizado em todos os sites do mundo relacionados com o MST. Não tenho apoio do Ministério Público em geral no país inteiro. Então, se eu estou sozinho, estou chegando à conclusão de que estou errado. A pressão é muito forte.

Pergunta – Inclusive no Ministério Público?

Thums – Não, aqui eu tenho plena liberdade. O problema é que a minha posição é antipática, de grande desgaste da instituição.

Pergunta – Que pressões há sobre o Ministério Público?

Thums – O que mais me chocou foi, no final do ano, uma moção de repúdio pelo grupo de promotores ligados aos direitos humanos, afirmando que a atuação do MP estaria violando direitos. É claro que eles não sabem o que está se tratando.

Pergunta – O senhor decidiu se afastar por pedido da nova procuradora- geral?

Thums – Não, ela não me pediu nada. Mas meu comportamento tem a ver com o discurso da Simone, no sentido de apaziguamento. Estou sensibilizado pelo momento da administração do Ministério Público porque já são muitos os problemas.

Pergunta – Que pressões o senhor recebe de outras instituições?

Thums – Estou sendo minado por todos os lados. Sofro pressão até nas universidades, até dos intelectuais. Estou sendo demonizado em todos os sites da rede mundial, inclusive internacionais. Tenho de rever essas coisas. Uma pessoa não pode achar que só ela está certa e o mundo errado. De repente, então, estou errado. Coloquei meu nome no google e tem mais de 150 mil ocorrências, inclusive em sites religiosos. A minha fotografia é colocada ao lado de Hitler. São coisas que só me desgastam.

Pergunta – O senhor se sente ameaçado?

Thums – Estou recebendo muitos sinais fortes. Tudo que falo com as pessoas em off pelo telefone está sendo gravado. Recebo mensagens de voz com as gravações da minha própria conversa. Recebi cinco mensagens. Aconteceu também de uma pessoa jogar o carro contra mim enquanto estava fazendo as minhas corridas. Na hora, achei que fosse um louco. Depois que passou o susto, fiquei pensando a que se deve isso. Talvez eu esteja com paranoia, mas muitas coisas estão mudando na minha rotina diária.

Pergunta – O senhor imaginou que a sua sugestão de fechar as escolas traria tanto problema?

Thums – Eu imaginei que os pais matriculariam seus filhos em escolas públicas. A gente não avaliou o poder do movimento. O movimento é mais forte do que qualquer instituição. Eu não imaginaria que eles iriam mesmo enfrentar essa decisão. Tenho a impressão de que, no futuro, vão me dar razão, vão reconhecer que eu não era tão louco assim.

TEATRO DO OPRIMIDO NO CALANGO

Posted by Editorial do Outubro | Posted in Contra ou Cultura!!!, Criminalização do Movimento | Posted on 08-04-2009

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Nos dias 25 e 26 de abril, o Espaço Cultural Calango receberá o Grupo de Teatro do Oprimido Revolução Teatral, de Santo André. O grupo é formado por jovens da periferia que encontraram na arte uma forma de expressão e uma alternativa de luta. Serão apresentadas 2 peças por sessão a preços populares. Segue material de divulgação.

REVOLUÇÃO

TEATRAL

apresenta:

“Onde foi

que eu errei?”

onde-foi-que-eu-errei

O conflito entre jovens e seus pais, quando aqueles assumem sua homossexualidade. A violência, o distanciamento, a pressão das igrejas, dos familiares e escola. Como em todos os espetáculos, este é baseado na realidade de componentes do grupo.

PROGRAMAÇÃO:

ABRIL

25 às 21h.

“Onde foi que eu errei?”

e

“Pedras, Sonhos e Nuvens.”

26 às 17h.

“Onde foi que eu errei?”

e

“Pedras, Sonhos e Nuvens.”

às 19 h.

“Onde foi que eu errei?”

e

“Relatos de Origem”

LOCAL:

Espaço Cultural Toca do Calango

Um espaço para a cultura livre, de luta e popular no bairro de Santa Cecília.

Rua Frederico Abranches, 118

Santa Cecília – SP

Contato: 7174-1011 / 9546-0181

REALIZAÇÃO:

www.outubrovermelho.com.br

e

Revolução Teatral

Contatos:

8311-4824 / 8737-4184

www.gtorevolucaoteatral.blogspot.com

revolucaoteatral@gmail.com

“O espectador se transforma em “espectator” e ao entrar em cena para transformá-la, prepara-se para transformá-la na vida real” Augusto Boal