
Voltando ao assunto da fusão da Perdigão e da Sadia me relembro do que dizia Caio Prado Júnior sobre a formação do Brasil. “Todo povo tem na sua evolução, vista à distância um certo “sentido”. Este se percebe não nos pormenores de sua história, mas no conjunto de fatos e acontecimentos essenciais que a constituem num largo período de tempo”. A afirmação traz algumas questões para se pensar sobre a conjuntura brasileira neste período de crise da economia mundial.
O que mais se propagandeia nas terras tupiniquins é que “criaríamos” a terceira maior exportadora do país. Que “entraríamos” mais competitivo no mercado mundial globalizado. E para que tal evento pudesse ser concretizado uma grande gama de agentes entraram em cena para alavancar o nosso “sentido” exportador. Fala-se de um Brasil moderno, que rompeu a barreira do terceiro mundo, do sub-desenvolvimento. Somos um emergente, país em desenvolvimento, investment grade. Nosso presidente é saudado como “o cara” pelo Obama.
Reforçamos neste país moderno dois laços fundamentais da nossa história e da nossa “evolução” enquanto nação. A primeira é a nossa essência colonial, construída historicamente servindo de suporte, sempre, ao país hegemônico. O segundo ponto é que o nosso “sentido” enquanto país é a sua vocação agrária, agro-exportadora – e por apresentar uma grande quantidade de minérios – exportadores de matéria prima para a industrialização dos países centrais.
A união entre essas duas empresas muda o seu “sentido” para a sua inserção no capitalismo. Na fundação ambas tinham a orientação de atuar na economia doméstica, para abastecer o mercado interno brasileiro. De concorrentes no mercado nacional – ambas produzem presunto, lingüiça, pizza, óleo, peru de natal … – passam a ser uma exportadora por vocação. Com o mesmo compromisso de uma empresa colonial: exportar o máximo e fazer superavit para a balança comercial. Basta olhar o nome da nova corporação: “Brasil Foods”.

Outro fator importante para pensar este projeto de país são os atores que entram nesta arquitetura. A perdigão com um “valor de mercado” mais elevado e a Sadia que conta como trunfo o seu presidente, da família fundacional da empresa, ter sido ministro do governo Lula. Quanto a vocação agro-exportadora do presidente todos sabem, se não, basta perguntar a ele quem são os heróis nacionais. E também pode-se comprovar pelas recentes declarações de participação do BNDES para ajudar no processo de “liquidez” da nova empresa. Outro agente importante neste processo é o Previ, fundo de previdência dos trabalhadores do Banco do Brasil, que participa ativamente nas ações da Perdigão, sendo o braço direito da família Fontana. O PREVI é administrado a muito tempo por partidários do presidente Lula e tem atuado intensamente nas indústrias privatizadas do país, como a Vale, a CSN, telefonia e energia.
A nova corporação “Brasil Foods” ocuparia o terceiro lugar da Embraer nas exportações brasileira, ficando atrás da Petrobrás e da Vale do Rio Doce. As duas primeiras empresas são especialistas na exportação de commodities – novo nome para o que sempre exportamos – e agora uma novidade uma empresa de produtos processados, porem completamente de acordo com o nosso “sentido” agro-exportador. Agora somado a soja, a exportação de carne – e nossa história junto à cana-de açucar, o café, o algodão, a borracha -.entra os embutidos agrícolas.
Pois é. Superaremos a crise, será menso intensa no Brasil que nas atuais potências hegemônicas – EUA e Europa – e seguiremos firmes nosso destino colonial. Com ou sem a “Brasil Foods” – que aliás ganhou um grande propagandeador mundial da nova empresa: O Ronaldo, levando na barriga o nome da nova corporação verde-amarela.
q merda de foto… fora curintia… fora ronaldo… fora perdigão…