Há exatamente 3 anos, o chamado “crime organizado” dos presídios se levantou na rua e na cadeia contra as forças do chamado “Estado”. A reação “estatal” foi dar a seus oficiais uma “licença para matar”, além de ativar os grupos de extermínio de caráter para-militar. O resultado: 493 mortos em uma semana, cerca de 50 creditados ao “crime organizado” dos presídios, e cerca de 440 creditados ao “crime organizado” da polícia e do Estado. Ontem uma manifestação em frente à prefeitura lembrou as vítimas dessa guerra particular. Segue manifesto dos organizadores do protesto. Como dizem as mães guerreiras da Argentina: Ni olvido, ni perdón!

Manifesto da Juventude da Periferia da Capital Paulistana
A juventude, através desta carta aberta, vem alertar ao poder púbico e a sociedade paulistana que na periferia de nossa cidade se prolifera uma guerra sem precedentes. Os jovens estão morrendo, cada dia mais cedo, e os que sobrevivem estão sendo treinados como “kamikazes” a serviço do Estado paralelo – filho do Estado mínimo. Para que este cenário não culmine num “constante maio de 2006”, exigimos subsídios que nos propiciem exercer a cidadania na plenitude. Neste mês maio, estamos nos colocando em frente à prefeitura, apresentando, além de nosso manifesto, um ato simbólico, representando todos aqueles que não caminham mais conosco. Morreram vítimas da guerra ocorrida entre os dia 12 e 20 de maio de 2006. Para nós a luz de suas vidas nos motivam a lutar por suas memórias e pelos ainda vivos. Portanto, nossos anseios, concretos, são:
Que a prefeitura insira no seu plano de metas o capítulo
CIDADE DE FUTURO
Que este tópico contenha medidas que visem reduzir o IVJ (Indicie de Vulnerabilidade Juvenil)na cidade de São Paulo.
O indicie é composto por indicadores de homicidio juvenil masculino, gravidez na adolescência, evasão escolar e rendimento médio do chefe de família.
O IVJ é medido numa escala de 0 a 100, sendo que quanto mais próximo do zero melhor.
O melhor IVJ da cidade está no distrito do Jardins que é de 6. E o pior no distrito do Marsilac que é de 92.
Uma disparidade que precisa ser resolvida urgentemente.
E que nele também contenha:
1. Adaptação das estruturas dos CEU´s para ensino profissionalizante nos momentos de ociosidade – período noturno.
2. Construção de Escolas Técnicas – como pólos de desenvolvimento sustentável – nas periferias. Na região do Grajaú temos até uma área disponível.
3. Repúdio a redução da maioridade penal
4. Elaboração – URGENTE – de um plano municipal de políticas públicas para a juventude.
5. Criação de um grupo de trabalho composto por membros de diversas secretarias, coordenadoria da juventude e representantes de grupos de juventude para a elaboração deste plano.
6. Articulação, por parte do poder público municipal, da câmara dos vereadores, com as esferas estadual e federal e membros da sociedade civil para votação de todos os projetos de políticas públicas para juventude engavetados e fomento para criação de novos projetos.
7. Que a parcela da sociedade que se manifesta de maneira enfática a favor da redução da maioridade penal, possa contribuir conosco, manifestando-se, com a mesma ênfase, pelo absurdo da falta de escola, creche, hospitais e tantas outras necessidades básicas do cidadão em nossas periferias.
8. Que as famílias das vítimas dos crimes de maio de 2006 possam obter respostas convincentes sobre as mortes de seu familiares e que todos os culpados sejam punidos.
9. Que possamos ter um cronograma de ações e de respostas, e que a prioridade-juventude seja refletida no orçamento.
10. Que seja dado um passo, concreto, rumo ao futuro de nossa cidade: a prioridade em salvar e educar nossa juventude – futuro da cidade de São Paulo.