ALIANÇA ESTRATÉGICA CONTRA A PM NO MUNDO

Os funcionários da USP em greve ampliam as articulações para seguir resistindo nessa luta que já é histórica, porém ainda não vitoriosa. A avaliação geral da assambléia de trabalhadores é que vivemos um momento de criminalização dos movimentos sociais e da pobreza, com a policia sendo a principal política pública para as questões sociais mais importantes. Assim, os funcionários redigiram o seguinte documento e o distribuiram pelas ruas de Paraisópolis, local que, assim como a USP, também está sitiado pela polícia militar.

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CHAMADO AOS MORADORES DE PARAISÓPOLIS E A POPULAÇÃO PARA O ATO DO DIA 18/06/09

CONCENTRAÇÃO NO MASP ÀS 12HS, COM PASSEATA ATÉ O LARGO SÃO FRANCISCO.

No dia 1º. de junho, entrou a PM na Universidade de São Paulo (USP)
reprimindo os trabalhadores grevistas, cerceando seu direito
constitucional de organização sindical e de greve. A partir dessa
intromissão, estudantes e professores, em apoio aos funcionários e
pela retirada da PM e pela reabertura de negociações com a reitoria,
aderiram à greve. Juntos, fizemos um grande ato pacífico com 2mil
pessoas, pela retirada da PM do campus Butantã. Esse ato foi duramente
reprimido, com balas de borracha, bombas de gás lacrimogêneo.

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Essa repressão pode ser relacionada com o que acontece há tempos em
Paraisópolis, pois a polícia que reprime o movimento dos trabalhadores
da Universidade é a mesma que reprime cotidianamente os trabalhadores
e o povo pobre que vive nas favelas e que ousa se manifestar. Em
recente protesto dos moradores contra a morte de um jovem pela polícia
a resposta do Estado foi mais repressão e mais polícia.

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Essa política repressiva por parte do Estado, está longe de ser algo
isolado e sim faz parte de algo maior, tanto a nível nacional, como
por exemplo, as dezenas de mortos de trabalhadores camponeses sem
terra e a repressão ao MST como a política de isolamento da pobreza,
com a construção de muros que confinam a população pobre em guetos e a
militarização das favelas com assassinatos em massa da juventude negra
e pobre levada a cabo pelo governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral
(PMDB) que disse recentemente numa declaração preconceituosa e
fascista a favor do aborto: “Tem tudo a ver com violência. Você pega o
número de filhos por mãe na Lagoa Rodrigo de Freitas, Tijuca, Méier e
Copacabana, é padrão sueco. Agora, pega na Rocinha. É padrão Zâmbia,
Gabão. Isso é uma fábrica de produzir marginal”.

É preciso perceber que ao mesmo tempo em que vemos em nível nacional
escândalos de corrupção que acabam em pizza e os governos doando 300
bilhões de reais para salvar banqueiros e empresários, em
contrapartida o que vemos para o povo pobre é o aumento do desemprego,
das desigualdades sociais, sucateamento proposital da educação e da
saúde pública para beneficiar planos privados.  Aqueles que ousam
defender seus direitos mais elementares como a vida, educação, saúde,
emprego, enfim condições dignas de vida, são brutalmente reprimidos e
perseguidos, em defesa dos interesses dos capitalistas, para manterem
seus privilégios deixando a grande massa da população explorada.

No estado de São Paulo, essa política, levada a cabo pelo futuro
candidato a presidência, José Serra, PSDB, demonstra a nível estadual
o que pretende fazer a nível nacional: privatização dos serviços
públicos (SABESP, METRÔ, CESP); política de militarização contra
favelas e movimentos sociais, exemplos: Paraisópolis, Favela do
Tiquatira, assassinato por enforcamento de Sérgio dos Santos, de 39
anos, na cadeia da Vila Jacuí, perseguição a líderes combativos como
Dirceu Travesso, do banco Nossa Caixa, Claudionor Brandão, do
sindicato dos trabalhadores da USP e 61 metroviários.

Nós trabalhadores da USP defendemos uma universidade para todos, com a
ampliação de vagas presenciais nas universidades públicas e
estatização das faculdades privadas, pois os brasileiros pagam
impostos suficientes para terem ensino superior gratuito e de
qualidade, que atenda as necessidades e vontades dos trabalhadores e
do povo pobre, que suas pesquisas não sirvam apenas para dar lucro
para empresas privadas, mas que sejam usadas para o benefício da
população em geral que através de impostos sustenta essa universidade,
exemplo: ao invés da pesquisa farmacêutica se dedicar a cosméticos
para empresas privadas, pesquisar novos remédios que possam ter uma
distribuição gratuita. Consideramos que tanto funcionário, estudante
ou professor que se utiliza da Universidade pública, custeada por
todos os cidadãos, em benefício privado, são ladrões e traidores do
bem público.

Somos fortes quando nos mobilizamos, e quando nos unificamos somos
ainda mais fortes. Nossas lutas separadas facilitam que a repressão
cale as nossas vozes. Mas unidos combatemos a repressão e mudamos essa
realidade excludente e violenta.

Chamamos os moradores de Paraisópolis e de todas as comunidades que se
sintam indignadas com essa realidade que participem do ato
supracitado, como um começo de ações unificadas e de uma sólida
aliança entre a comunidade universitária lutadora e combativa com os
trabalhadores e o povo pobre que ainda estão excluídos da universidade
pública.

* FORA PM DA USP!!!
* FORA PM DE PARAISOPOLIS!!!
* CONTRA MILITARIZAÇÃO DAS FAVELAS!!!
* CONTRA CRIMINALIZAÇÃO DOS MOVIMENTOS SOCIAIS!!!
Assembleia dos funcionários da USP / Comando de greve

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