Seguimos divulgando as reflexões críticas do Núcleo de Base do PSOL de Santa Cecília. Dessa vez o tema é cultura.

CULTURA E POLÍTICA
No debate interno do partido, a cultura aparece sempre como uma questão secundária. Todos falam em sua importância, mas não se vê em nenhum lugar uma iniciativa concreta do partido, nem ao menos um debate sério a respeito. O partido não tem uma formulação sobre a que entende por uma política cultural socialista. O que nossos parlamentares estão fazendo para promover a cultura socialista? O que os militantes do partido estão fazendo pela cultura socialista em sua militância?
Como uma resposta a esse cenário, nós, militantes do núcleo Santa Cecília, estamos realizando diversas ações culturais de base com o objetivo de proporcionar espaços críticos e reflexivos aos moradores do bairro. No fim do ano passado, alguns militantes do núcleo de Santa Cecília desenvolveram um trabalho junto aos camelôs do bairro, no intuito de resistir à ofensiva de Kassab (DEMO) que vinha removendo os ambulantes legalizados para a Armênia, sem nenhuma possibilidade de negociação, e pressionando, através da Guarda Civil Metropolitana, os trabalhadores ilegalizados. Tentamos barrar legalmente a remoção, fomentar a construção de uma associação de camelôs e estruturamos uma campanha eleitoral para vereador com as principais bandeiras desses trabalhadores: “Liberdade para trabalhar!”, “Contra a perseguição dos camelôs!”.
Depois de um necessário exercício de autocrítica, chegamos ao entendimento de que a cultura deveria ser nosso principal eixo de trabalho militante em 2009. Por isso nos aproximamos do Grupo Calango de Teatro, que mantinha o Espaço Cultural Toca do Calango há 6 anos, e que, naquele momento, passava por uma crise, estando prestes a fechar as portas. Articulamos uma aliança estratégica com Grupo Calango de Teatro, com militantes do PCB do centro da cidade.
Uma festa organizada conjuntamente entre as 3 forças políticas foi nossa primeira atividade. Mais de 300 pessoas compareceram, comeram, beberam e assistiram a apresentações de música ao vivo. Em seguida, cada grupo teve a missão de propor atividades culturais para o espaço, tendo sido organizada mais uma festa, uma peça de Plínio Marcos e apresentações de grupos de Teatro do Oprimido. No presente momento, estamos desenvolvendo o projeto CineKaos, uma proposta de cine-clube diferenciado. Nos primeiros e terceiros sábados do mês, da meia noite às cinco da manhã, mantemos a porta do Espaço Cultural Calango aberta e transmitimos num telão uma série de filmes curtos. Buscamos ter uma programação dinâmica e protagonizada pelo público. A proposta vem surtindo efeito, e a cada seção mais pessoas comparecem.
Através do trabalho de base do núcleo, promovemos a integração no bairro, conhecemos novas pessoas, debatemos política e cultura. Misturamos elementos da cultura popular da sociedade da informação com conteúdos politizados que esclarecem e incentivam a luta. Acreditamos que essas intervenções culturais sejam passos iniciais, e ao mesmo tempo fundamentais para caminharmos em direção a uma maior consciência crítica e transformadora que venha aos poucos ampliar o quadro daqueles que lutam por valores socialistas radicais.