www.outubrovermelho.com.br divulga a última das contribuições do núcleo de base da Santa Cecília para o segundo Congresso Estadual do PSOL. O tema é a reorganização do movimento sindical.


Pensando a reorganização sindical
Após a cooptação de setores tradicionais do movimento sindical brasileiro pelo governo Lula, o sindicalismo independente, que manteve erguida as bandeiras da classe trabalhadora caminha para consolidação de um novo bloco agregando setores da Conlutas e da Intersindical.
Nesse processo de formação de uma nova central sindical a democracia operária tem que ser o seu pilar. É necessário a criação de mecanismos de discussão e organização onde as bases tenham real poder de influência e formulação. Os rumos dessa nova central devem ser definidos pelos trabalhadores. As direções dos movimentos não podem substituir a própria classe, assim, não se justifica fazermos seminários para discutir a nova central onde existam restrições de participação dos trabalhadores. Devemos organizar encontros nas bases sindicais, com ampla participação, onde os trabalhadores possam decidir os rumos desse movimento. São necessários encontros setoriais que vão discutir os problemas enfrentados no dia a dia de cada categoria e como organizar a resistência. Esses encontros dariam vida à formação da nova central e serviriam para inseri-la na classe trabalhadora, dessa forma estaríamos invertendo a lógica burocrática que vem imperando no movimento sindical construindo esse instrumento de baixo para cima.
O debate que se coloca neste momento é o de qual será caráter dessa Nova Central, se ela será apenas sindical, ou, se será sindical e popular, ou ainda, se será sindical, popular e estudantil. Acreditamos que o mundo do trabalho tem características próprias, que necessitam de um instrumento de organização exclusivamente sindical, para que consiga elaborar e responder politicamente aos anseios da classe trabalhadora. Aparentemente a união de todos o setores numa mesma central causam a impressão de uma organização com mais força para lutar, mas isso é uma falsa impressão, quando juntamos movimentos com características tão diferentes podemos engessar a ação com debates que forçariam uma falsa homogeneização e não dariam respostas para as demandas dos diferentes movimentos. Por isso, defendemos uma Central exclusivamente sindical, construída a partir das bases e com democracia operária, mas sempre pensando na necessidade de unificação do conjunto dos movimentos em luta. Para isso, já temos uma experiências interessante que podemos retomar como a Assembléia Popular e a proposta de um Fórum de Unidade de Lutas.