Ontem, dia 23, se encerrou o 2 congresso nacional do PSoL. Após 3 dias de debates chega-se ao final do congresso com algumas mudanças que podem significar alterações importantes na condução do nosso partido para os próximos dois anos. Mesmo que não possamos fazer o giro necessário para se tornar uma referência socialista para a classe trabalhadora, ao menos o risco do retrocesso parece mais distante.
Porem nem tudo são flores. Longe disso nos apresentamos muito mais como a última da velha experiência partidária do que os primeiros de uma nova experiência. Para começar a análise devemos destacar primeiro que este congresso contou com míseros 380 delegados, ao passo que o último congresso (realizado no Rio de Janeiro em 2007) tiveram presentes 730. Não porque o partido encolheu, ao contrário, mas porque a lógica de construção deixou de ser a construção partidária e se transformou numa construção de pequenos grupos de influência (tendências, mandatos, coletivos…). Primeiro se mudou a forma para tirar os delegados que participariam do congresso. Em 2007 era necessário a participação dos militantes em 3 reuniões pré-congressuais em núcleos de base. E a cada 10 presentes um delegado era eleito. Neste ano mudou, era necessário a participação em apenas uma atividade municipal, onde o militante provavelemente apenas ouvia algumas falas. Deixando o papel estratégico do partido de transformar sujeitos passivos em ativos. E para afunilar a participação os delegados eram eleitos a cada 40 filiados presentes.
Isto leva ao afastamento dos militantes de base das decisões partidárias. Fruto da direção majoritária do partido que esperava pela filiação em massa da população a partir de experiência indireta com a nossa organização. De referência em determinadas figuras, e não em um debate franco sobre a nossa tarefa. Esta concepção se refletiu no 2 congresso. Os debates ainda foram mais enxugados do que no primeiro, onde prevaleceu a guerra de músicas, palavras de ordem e a divinização e personificação de dirigentes e chantagem dos grupos que perderam a maioria do partido.
Questões fundamentais para balizar um marco de conduta do partido em seu processo de participação da democrácia burguesa deixaram de ser votado. A retirada momentânea de duas tendências do partido (MES, MTL) e o processo de chantagem para esvaziar o debate político do partido em troca da permanência da vereadora Heloisa Helena como presidente da legenda. Desta forma arco de alianças, frente de esquerda, financiamento de campanha e a negação explícita de que o partido não apoiaria Marina e lançaria candidatura própria deixaram de ser votado para garantir a participação do congresso destas duas alas. E em mais um grande acordo, enxugando ainda mais a participação da base partidária, essas questões foram jogada para uma conferência eleitoral esvaziada daqui a 60 dias.
Questões que balizaram os debates nas direções partidárias e que são de fundamental importância não foram deliberadas. Como será a condução e organização da população para enfrentar os lucros astronômicos das empresas, que assusta os trabalhadores com demissões e com a palavra crise. Como será nosso enfretamento com José Sarney e o resto das oligarquias que se escondem atrás do senado. Não nos preparamos para ir as ruas, porem reduzimos o poder de chantagem daqueles que acreditam que o papel do partido é eleger parlamentares e construir figuras míticas. Reduzimos o poder daqueles que pensam que é justo receber dinheiro de grandes empresas para aumentar o poder de fogo do partido nas eleições.
Ao final do congresso Heloisa Helena foi reeleita presidente do partido, fruto de chantagem contra a nova maioria. Porem a maioria das estruturas partidárias tem o seu centro de gravidade transferido, não por entendimentos estratégicos desta nova maioria, mas pela necessidade de manter vivo o espaço de crítica e auto-crítica dentro de nossas instâncias. Pela necessidade de sobrevivência do PSoL como uma referencia para aqueles que querem lutar contra a ordem capitalista e os ditames das grandes corporações.