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Em tempos de crise econômica

Posted by Editorial do Outubro | Posted in Criminalização do Movimento, crise econômica, reforma agrária | Posted on 07-10-2009

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Em tempos de crise econômica as grandes empresas usam dinheiro público para se sustentar sob o argumento que sem essa verba terão que demitir os trabalhadores. Em tempos de crise econômica os latifundiários usam dinheiro público para financiar suas atividades sob o argumento que as exportações ajudarão a equilibrar a balança comercial do país. Em tempos de crise econômica os empreiteiros constroem obras públicas sob o argumento que é preciso investir em infra-estrutura para reduzir os gargalos na infra-estrutura. Em tempos de crise econômica se investe ao máximo para a manutenção em patamares mais elevados a exploração do homem. Em tempo de crise econômica massacram sem-terras no Pará e os grileiros ganham status de herói nacional. Em tempos de crise econômica são massacrados, criminalizados e perseguidos os trabalhadores. Como se não houvesse crise nenhuma, afinal de contas, a quanto tempo vive em crise o povo brasileiro?

ocupação de terra grilada pelo latifúndio

ocupação de terra grilada pelo latifúndio

Cutrale usa terras griladas em São Paulo

6 de outubro de 2009

Cerca de 250 famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) permanecem acampadas desde a semana passada (28/09), na fazenda Capim, que abrange os municípios de Iaras, Lençóis Paulista e Borebi, região central do Estado de São Paulo. A área possui mais de 2,7 mil hectares, utilizadas ilegalmente pela Sucocítrico Cutrale para a monocultura de laranja – o que demonstra o aumento da concentração de terras no país, como apontou recentemente o censo agropecuário do IBGE.

A área da fazenda Capim faz parte do chamado Núcleo Monções, um complexo de 30 mil hectares divididos em várias fazendas e de posse legal da União. É nessa região que está localizada a fazenda da Cutrale, e onde estão localizadas cerca de 10 mil hectares de terras públicas reconhecidas oficialmente como devolutas, além de 15 mil hectares de terras improdutivas.

A ocupação tem como objetivo denunciar que a empresa está sediada em terras do governo federal, ou seja, são terras da União utilizadas de forma irregular pela produtora de sucos. Além disso, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) já teria se manifestado em relação ao conhecimento de que as terras são realmente da União, de acordo com representantes dos Sem Terra em Iaras.

Como forma de legitimar a grilagem, a Cutrale realizou irregularmente o plantio de laranja em terras da União. A produtividade da área não pode esconder que a Cutrale grilou terras públicas, que estão sendo utilizadas de forma ilegal, sendo que, neste caso, a laranja é o símbolo da irregularidade. A derrubada dos pés de laranja pretende questionar a grilagem de terras públicas, uma prática comum feita por grandes empresas monocultoras em terras brasileiras como a Aracruz (ES), Stora Enzo (RS), entre outras.

assembléia no latifúndio da Cutrale

assembléia no latifúndio da Cutrale

O local já foi ocupado diversas vezes, no intuito de denunciar a ação ilegal de grilagem da Cutrale. Além da utilização indevida das terras, a empresa está sendo investigada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo pela formação de cartel no ramo da produção de sucos, prejudicando assim os pequenos produtores. A empresa também já foi autuada inúmeras vezes por causar impactos ao ecossistema, poluindo o meio ambiente ao despejar esgoto sem tratamento em diversos rios. No entanto, nenhuma atitude foi tomada em relação a esta questão.

Há um pedido de reintegração de posse, no entanto as famílias deverão permanecer na fazenda até que seja marcada uma reunião com o superintendente do Incra, assim exigindo que as terras griladas sejam destinadas para a Reforma Agrária. Com isso, cerca de 400 famílias acampadas seriam assentadas na região. Há hoje, em todo o estado de São
Paulo, 1,6 mil famílias acampadas lutando pela terra. No Brasil, são 90 mil famílias vivendo embaixo de lonas pretas.

Direção Estadual do MST-SP

latifúndio

Sem Terra morto em emboscada é sepultado – 02/10/2009

fonte: diário do Pará

Foi sepultado no final da tarde de anteontem Saturnino Pereira Silva, membro do grupo do Movimento de Sem Terra, que estava ocupando da fazenda Pau Ferro no município de Dom Eliseu. Ele foi morto em uma emboscada no último dia 29. O enterro foi feito em meio a grande comoção, com a presença de personalidades da cidade, pois “Satu”, como era conhecido, era muito querido por boa parte da população do município onde residia há mais de 30 anos.

Segundo informações levantada pela reportagem, junto as pessoas que estavam acampadas no local, a situação na fazenda Pau Ferro estava calma até uns 10 dias atrás, inclusive o proprietário da área invadida confraternizou com os sem-terra matando um boi e fazendo um churrasco.

Mas, há um pouco mais de uma semana, chegou ao local um veículo tipo caminhonete com 11 homens que portavam armas de grosso calibre e, a partir daí, se iniciou uma série de intimidações aos invasores. Segundo os sem-terra, os milicianos, conduzindo motocicletas, rondavam a área em volta do acampamento. Foi em uma ação dessas que teria culminado na morte de “Satu”.

Inclusive, após este assassinato, atearam fogo na pastagem do local, incêndio criminoso que queimou também os barracos dos sem-terra.

Os homens que seriam seguranças da fazenda evadiram o local na manhã de quarta-feira e levaram o arsenal.

Na madrugada do dia 1º (quinta-feira) o grupo de 115 famílias que estava na área conflituosa iniciou a retirada como forma de evitar mais problemas, já que uma equipe do Deca (Delegacia Especializa em Conflitos Agrários) esteve no local efetuando o levantamento da situação.

Ao chegar, os agentes da Deca encontraram apenas o vaqueiro Bernardo Carvalho Souza informou aos policiais que quando a equipe do Deca chegou, o gerente da fazenda, conhecido como Damião, e outro indivíduo de pré-nome Davi, que o vaqueiro disse ser o coordenador da milícia, fugiram embrenhando-se pelo meio da mata.

Os policiais fizeram um busca minuciosa pela redondeza, sem no entanto conseguirem localizar os fugitivos. A partir de agora está aberto um inquérito através do qual serão iniciadas investigações sobre a morte de Saturnino, no sentido de apurar a responsabilidade do ato.

Após a morte de Saturnino, o superintendente adjunto do Incra em Belém, Rodson Souza, esteve em Dom Eliseu para uma reunião com as lideranças do Sintraf (Sindicato dos Trabalhadores em Agricultura Familiar, do Strde (Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Dom Eliseu).

“O doutor Rodson garantiu que serão tomadas todas as providências, o mais rápido possível, para a desapropriação da fazenda Pau Ferro, já que a área em questão não cumpre com a sua função social, conforme manda Constituição Brasileira”, disse o coordenador do Sintraf, conhecido pelo apelido de “Sorriso” que lidera os sem-terra na região.

A fazenda Pau Ferro está localizada em uma área de 7.500 hectares, sendo que parte deste pertence ao complexo de latifúndio da fazenda Capaz e outra parte são de terras pertencentes à União, na região do rio Bananal.

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