
No sábado à tarde uma notícia dominou a imprensa: o helicóptero abatido no Rio de Janeiro, que resultou em 2 policiais mortos. No fim da tarde, o secretário de segurança, José Mariano Beltrame, acompanhado do chefão da Polícia Militar e do chefão da Polícia Civil foram à público numa entrevista coletiva que só faltou ser encerrada com uma unânime saudação nazista.
Os policiais começaram dizendo que haviam morrido 2 do lado deles, mas que eles já haviam matado 10 do outro lado, e que haveria mais, mais mortes, mais represálias. O policial militar dividia os envolvidos na questão entre policiais, marginais e moradores: como ele define esses limites? Quem morre é marginal. Quem vive para provar o contrário é morador.
Particularmente constrangedor e revoltante foi todo um debate que se abriu sobre a blindagem do helicóptero da Polícia Civil, e não blindagem do helicóptero da Polícia Militar, o preço de um helicóptero blindado, e o processo de licitação e tal. O chefão da PM reclamava do governo ali do lado do secretário, o próprio secretário parecia reclamar da morosidade do próprio governo. Mas ninguém, nem um jornalista sequer, teve a ousadia de questionar a pertinência estratégica de se utilizar um helicóptero como plataforma de tiro sobre uma favela densamente povoada, cujas vielas e casas oferecem péssimas condições de visibilidade para o atirador e de proteção para aqueles que estão ao lado dos alvos. Lá de cima quem é marginal e quem é morador?
Mais rídiculo e revoltante ainda foi o mestre maior da política do genocídio, o governador Sérgio Cabral, falando que essa questão estaria resolvida antes dos jogos olímpicos de 2016. Pois nos preparemos para um massacre.