O que fazer?

“Não estamos perdidos. Ao contrário, venceremos se não tivermos desaprendido a aprender.” Rosa Luxemburgo

arquimedes

Não sei se corremos sem saber onde queremos chegar, ou se damos voltas em torno do nosso próprio eixo esperando que nos ocorra o mesmo que com Arquimedes. O fato é que muito pouco sobra se analizarmos o nosso discurso e a nossa prática. Digo isso pelo incessante debate interno que fazemos dentro das nossas organizações e partidos. Nas conversas de bar e nos fóruns que nos encontramos para pensarmos os caminhos a seguir. O fato concreto é que estamos perdidos.

Na última edição do jornal Brasil de Fato há uma reportagem sobre os 10 anos da marcha popular pelo Brasil. Muito boa e pertinente quando analisa a conjuntura na qual ela foi construída  e na perspectiva de transformação existente naquele momento histórico, o PT. Todas as forças sociais caminhava para uma vitória de Lula e tudo se transformaria inevitavelmente.  ”Pautada pelo imediatismo eleitoral, a esquerda vivia uma crise que se estende até o momento.” Alem de, em diversos trechos da matéria, conclamar que o intuito da marcha era a construção de um projeto estratégico para o Brasil. E que no seu grande teor rechaça a opção eleitoralesca.

Porem nossa falta de projeto estratégico chega a tal ponto que no mesmo jornal, em seu editorial, soam as trombetas à eleição de Mujica, para presidente do Uruguai, soa o instalar de uma manhã socialista em nosso país vizinho e em toda América Latina. Talvez por ser ex-guerrilheiro. Mas será que se esquece que ele pertence ao atual governo de Tabaré Vasquez? Onde está o socialismo aflorando no Uruguai? O fato de ser ex-guerrilheiro já traz embutido a santificação socialista? E como fica Ariel Ortega, ex-guerrilheiro nicaraguense cujo seu vice é um ex-guerrilheiro da contra-revolução? Durante edições o jornal, única referencia impressa para amplos setores da esquerda, traz como grande foco as eleições. Seja pelo caso Honduras – condenamos o golpe, mas me digam uma, ao menos uma, iniciativa socialista que se tomou Zelaya?- seja pelo caso Venezuela, Bolívia, Equador, Paraguai, Brasil, Chile…

Nossa crise estratégica chega a tal grau de cegueira que quando não sabemos o que propor, quando os nosso “governos” aliados, sem saber quais medidas tomar na prática, chama uma reforma constitucional cujo o primeiro ponto é a possibilidade de reeleição. Defendemos cegamente, pois se não conseguimos superar o baque do fim da URSS para o nosso projeto estratégico, pelo menos precisamos de tempo para que ele surja. Talvez um novo Arquimedes esteja conosco e nos traga a luz. Pegaremos nossa bandeira e gritaremos EUREKA.

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