Entre os dias 31\10 e 02\11 ocorreram em São Paulo, o III Encontro da Intersindical e o Seminário Nacional de Reorganização, que tinham basicamente o mesmo tema, a unificação da esquerda socialista nos movimentos.
A grande divergência colocada era a aceitação ou não de estudantes na nova central, o que inclusive travou o debate de temas tão ou mais importantes para a reorganização. De um lado estavam Intersindical, FOS, Unidos e MTST que defendiam uma central do mundo do trabalho, incluindo além do movimento sindical os movimentos populares de trabalhadores, e do outro estavam dois setores da Conlutas (PSTU e LSR) que defendiam a participação de estudantes na central, além dessas posições havia a Refundação Comunista que defendia que a central deveria ser sindical.
Diante deste impasse todos os debates giraram em cima desse tema, o que impediu que se discutisse outros temas como, frentes de ação unitária, plano de lutas, composição de direção, instâncias da central, mecanismos de participação da base, fazendo com que saíssemos deste encontro com a sensação de que falta muito para ser debatido e organizado. Precisamos colocar esses temas na pauta do dia, precisamos de fóruns onde os trabalhadores possam realizar os debates de forma fraterna independentemente da corrente ou organização que participe. Infelizmente não conseguimos organizar esse encontro de uma forma que os debates fossem feitos pela base e depois levados a plenário, onde os temas para debate fossem livres e não pautados pelas direções, precisamos caminhar muito para que essa nova organização seja, de fato, unitária e socialista.
Por outro lado, tivemos avanços, conseguimos estabelecer uma proposta que vai tirar do debate a questão dos estudantes, o que fará com que daqui para frente possamos avançar em outros debates. A marcação do Congresso de fundação para junho do ano que vem, já definindo que lá será votado se a Central será sindical e popular ou sindical, popular e estudantil, sem a participações dos estudantes, foi importante, mas deixar para a comissão de reorganização os critérios de participação desse congresso foi um erro, os critérios de participação deveriam ter sido definidos neste encontro, com debate na base, votação em plenário, impedindo com isso, que passemos do debate dos estudantes para o debate dos critérios para o congresso, e dessa forma, travemos de novo o debate da reorganização.
Temos todas as condições para construir um instrumento de organização dos trabalhadores, agora, para isso, precisamos perder velhos hábitos burocráticos da esquerda socialista. O importante não é quem será maioria, e que assim dirigirá a Central, o que importa é de que forma estabeleceremos formas de funcionamento onde a base dessa organização apontará os rumos dela, tornando secundário qual corrente será majoritária. Deixando caminhos livres para as intervenções que realmente importam aos trabalhadores.
