LIBERTEM CESARE BATTISTI!
Posted by Editorial do Outubro | Posted in Contra ou Cultura!!!, Criminalização do Movimento, Imperialismo, política institucional | Posted on 18-11-2009
Tags:battisti, execução, fascismo, justiça
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Hoje divulgamos a “carta aberta” de Cesare Battisti ao presidente Lula e ao povo brasileiro, declarando sua entrada em greve de fome contra a sua entrega aos leões do fascismo italiano. A vida desse ex-guerrilheiro está agora nas mão do “coronézão” matogrossense e dono da justiça no Brasil, o presidente do STF, Gilmar Mendes, que seguramente vai mandá-lo direto para o Coliseu.
Acrescentamos também matéria de vermelho.org sobre o pedido da filha de Luis Carlos Prestes e Olga Benário feito ao governo brasileiro para que não entregue Battisti a Berlusconi. Na década de 40, Getúlio, o pai dos pobres, mandou Olga para a Alemanha nazista, onde ela morreu numa câmara de gás. Será que no século XXI, Lula o novo pai dos pobres vai fazer o mesmo? Eu acho que sim, pois quem manda mesmo no país é o Gilmar, aquele em quem ninguém votou, e que não precisa se preocupar com índices de popularidade.

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A minha história pessoal é notoriamente bastante conhecida para voltar de novo sobre as relações da escolha que me levou à luta armada. Apenas sei que éramos milhares, e que alguns morreram, outros estão presos, e muito exilados.
Sabíamos que podia acabar assim. Quantos foram os exemplos de revolução que faliram e que a história já nos havia revelado? Ainda assim, recomeçamos, erramos e até perdemos. Não tudo! Os sonhos continuam!
Muitas conquistas sociais que hoje os italianos estão usufruindo foram conquistadas graças ao sangue derramado por esses companheiros da utopia. Eu sou fruto desses anos 70, assim como muitos outros aqui no Brasil, inclusive muitos companheiros que hoje são responsáveis pelos destinos do povo brasileiro. Eu na verdade não perdi nada, porque não lutei por algo que podia levar comigo. Mas agora, detido aqui no Brasil não posso aceitar a humilhação de ser tratado de criminoso comum.
Por isso, frente à surpreendente obstinação de alguns ministros do STF que não querem ver o que era realmente a Itália dos anos 70, que me negam a intenção de meus atos; que fecharam os olhos frente à total falta de provas técnicas de minha culpabilidade referente aos quatro homicídios a mim atribuídos; não reconhecem a revelia do meu julgamento; a prescrição e quem sabem qual outro impedimento à extradição.
Além de tudo, é surpreendente e absurdo, que a Itália tenha me condenado por ativismo político e no Brasil alguns poucos teimam em me extraditar com base em envolvimento em crime comum. É um absurdo, principalmente por ter recebido do Governo Brasileiro a condição de refugiado, decisão à qual serei eternamente grato.
E frente ao fato das enormes dificuldades de ganhar essa batalha contra o poderoso governo italiano, o qual usou de todos os argumentos, ferramentas e armas, não me resta outra alternativa a não ser desde agora entrar em “GREVE DE FOME TOTAL”, com o objetivo de que me sejam concedidos os direitos estabelecidos no estatuto do refugiado e preso político. Espero com isso impedir, num último ato de desespero, esta extradição, que para mim equivale a uma pena de morte.
Sempre lutei pela vida, mas se é para morrer, eu estou pronto, mas, nunca pela mão dos meus carrascos. Aqui neste país, no Brasil, continuarei minha luta até o fim, e, embora cansado, jamais vou desistir de lutar pela verdade. A verdade que alguns insistem em não querer ver, e este é o pior dos cegos, aquele que não quer ver.
Findo esta carta, agradecendo aos companheiros que desde o início da minha luta jamais me abandonaram e da mesma forma agradeço àqueles que chegaram de última hora, mas, que têm a mesma importância daqueles que estão ao meu lado desde o princípio de tudo. A vocês os meus sinceros agradecimentos. E como última sugestão eu recomendo que vocês continuem lutando pelos seus ideais, pelas suas convicções. Vale a pena!
Espero que o legado daqueles que tombaram no front da batalha não fique em vão. Podemos até perder uma batalha, mas tenho convicção de que a vitória nesta guerra está reservada aos que lutam pela generosa causa da justiça e da liberdade.

http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_secao=1&id_noticia=119563 17 DE NOVEMBRO DE 2009 – 18H13
Filha de Olga Benário pede a Lula que não entregue Battisti
Anita Leocádio Prestes, filha de Olga Benário com Luís Carlos Prestes, subscreveu carta pedindo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que ele mantenha no país Cesare Battisti. Nesta quarta (18), o Supremo Tribunal Federal (STF) retoma o julgamento do processo que pede a extradição do italiano. Na última sessão, a votação ficou empatada (4 a 4) e o presidente da Corte, Gilmar Mendes, dará o voto de minerva. Battisti foi condenado pela Justiça italiana à prisão perpétua acusado pelo assassinato de quatro pessoas. Preso no Brasil em 2007, ele obteve a condição de refugiado político por decisão do ministro da Justiça, Tarso Genro. O governo italiano recorreu ao STF. “Na qualidade de filha de Olga Benário Prestes, extraditada pelo Governo Vargas para a Alemanha nazista, para ser sacrificada numa câmara de gás, sinto-me no dever de subscrever a carta escrita pelo senhor Carlos Lungarzo da Anistia Internacional, na certeza de que seu compromisso com a defesa dos direitos humanos não permitirá que seja cometido pelo Brasil o crime de entregar Cesare Battisti a um destino semelhante ao vivido por minha mãe e minha família”, escreveu Anita ao presidente. Provas a favor de Battisti Na carta, o integrante da anistia ressaltou que o ministro do STF, Marco Aurélio, enumerou 34 provas de que Battisti foi tratado como autor de crime político e acusado diretamente de subversivo. “Não posso pensar que Vossa excelência acredite realmente que esses crimes foram comuns”, diz a carta a Lula. Ainda sobre o parecer de Marco Aurélio, a carta destacou o comentário do ministro sobre o cinismo do governo italiano e seus “xenófobos e racistas partidários, aos descreves as 12 maiores injúrias que os mais altos políticos fizeram da cultura e do povo brasileiro e até dos seus magistrados”. “Ele fez isso, olhando olho no olho no embaixador Italiano, que naquele momento abandonou a empáfia e fechou o rosto”, diz o documento. Segundo Carlos Lungarzo, o ministro desmascarou os interesses políticos e psicológicos (ressentimento, vingança, propaganda, revanchismo) que nada têm de jurídico e se escondem atrás de um julgamento feito com todas as violações possíveis aos direitos humanos e ao devido processo. “E que ele também ressaltou o idealismo das gerações que lutaram contra a barbárie na década de 70, sem se importar que os vândalos usassem farda ou se vestissem à paisana”, diz. Da Sucursal de Brasília, Iram Alfaia





