
Aqui é o fetiche da mercadoria quem manda; e lá na feira da USP?
A editora Expressão Popular foi barrada, esta semana, de participar na Feira do Livro da USP, por não cumprir a nova regra de 50% de desconto sobre seus livros. A Feira do livro da USP promove a reunião de editoras nacionais, públicas e privadas, e a oferta de livros com descontos consideráveis para o público. Uma nova regra da comissão organizadora estabelece o desconto mínimo de 50% no valor dos livros para participação na Feira, entretanto, a editora Expressão Popular é notoriamente uma instituição sem fins lucrativos, que distribui seus livros a preços muito inferiores aos do mercado, e que não poderia adicionar a este “desconto militante” o descontão das editoras careiras! É revoltante que uma editora compromissada com a difusão do conhecimento para além da lógica econômica seja barrada numa feira que deveria promover exatamente isto. Leia a carta da editora em resposta à comissão organizadora:

Caros companheiros Márcio e Plínio Martins,
Hoje pela manhã, por telefone, recebi a confirmação de que a Editora Expressão Popular NÃO poderá participar da XI FESTA DO LIVRO DA USP. Um evento que acontece todo final de ano. O MOTIVO alegado é que NÃO PODEMOS DAR 50% DE DESCONTO – critério utilizado para participação. Uma confirmação da decisão anterior, conforme abaixo, em destaque:
Prezados Expositores e Interessados,
Após reunião com a Comissão Organizadora da XI Festa do Livro da USP, presidida pela Prof. Plinio Martins Filho, ficou determinado que não será permitida a participação de editoras que não cumprirem o desconto mínino de 50%, critério essencial e obrigatório conforme consta no regulamento vigente do evento. Salientamos que não será aceita qualquer proposta que não seja a de promover o referido desconto.
Atenciosamente,
Márcio Pelozio / Carla Pereira
Comissão Organizadora da XI Festa do Livro da USP
Diante de tal decisão, no dever de informar nossos colaboradores, CONSIDERAMOS:
1. Todos os anos a USP realiza a Festa do Livro. Uma iniciativa merecedora de louvor e que deve ser “copiada” por todos os espaços universitários no Brasil.
2. Somos favoráveis à UNIVERSALIZAÇÃO DA CULTURA. Muitas, ou quase a totalidade das editoras existentes no Brasil, são integrantes da CULTURA DO MERCADO. Embora acatem o critério dos 50% de desconto, já é PRÁTICA USUAL, POLÍTICA E ECONÔMICA destas editoras junto à distribuidoras (inclusive, algumas, já repassam mais que 50% de desconto para distribuidoras e livrarias).
3. Somos, talvez, a ÚNICA EDITORA que produz livros e que NÃO VISA LUCRO no Brasil. Nossos preços representam, em média, 60 e/ou até 70% menos que os praticados no MERCADO. Nos últimos 3 anos, participamos da Festa do Livro. No último ano, como Editora CONVIDADA.
Para este ano, pela quantidade de títulos e grande circulação de nossos livros, INFORMAMOS que DARÍAMOS 20% DE DESCONTO sobre nossos preços de catálogo. A diferença disso é custo de produção e administrativos.
QUESTÕES POLÍTICAS QUE NÃO SÃO RESPONDIDAS:
1. O ACESSO AO LIVRO e à CULTURA somente se constrói a partir de relações monetárias, comerciais? Por que somente a Expressão Popular DEVE PAGAR com o suor de seus mais de 300 autores que liberam os direitos autorais sem qualquer ônus, de seus mais de 200 colaboradores, de seus militantes, professores e alunos que LÊEM nossas publicações, para PARTICIPAR de iniciativas que são sua fundamentação econômica e política?
2. A USP, ao adotar o CRITÉRIO DO MERCADO (50%) explicita sua PRIVATIZAÇÃO DO CONHECIMENTO, DA CULTURA E DA POLÍTICA. Já somos conhecedores de alguns convênios excusos que a USP tem com empresas privadas, como a MONSANTO, por exemplo.
3. A EXCLUSÃO da Expressão Popular POR SER DIFERENTE significa DISCRIMINAÇÃO ECONÔMICA E POLÍTICA, práticas típicas de regimes de segregacionais que se perpetuam, desde o regime militar, em alguns espaços públicos com responsabilidade de FORMAR o ser humano e social de uma ou várias nações.
4. Estaria restabelecida a CENSURA aos autores e colaboradores da Expressão Popular que são dos quadros formadores da USP?
Sabemos que, se o critério e a política para as próximas “Festas” forem mantidos, a EXPRESSÃO POPULAR estará automaticamente excluída. Assim funciona a LEI DO MERCADO FORMAL DOS LIVROS NO BRASIL. Mas, não ficaremos calados. A luta pode ser árdua e difícil. Lutaremos sempre e em todos os espaços pela UNIVERSALIZAÇÃO DA CULTURA, DA POLÍTICA E DA ECONOMIA!
Pedimos desculpas aos autores e colaboradores. Aos estudantes e leitores informamos que buscaremos novas alternativas de possibilitar o acesso à nossa produção editorial.
Atenciosamente,
Editora Expressão Popular.
Salve!
É por essas e outras que não vou a essa feira!
Dias atrás rolou uma feira de Editoras Independente no Centro Cultural de São Paulo, os preços não estavam altos, mas não tinham nenhum tipo de desconto, mas tinha bom títulos.
Outra, feira de livro tem que ser no final de semana, tem pessoas que não podem de dirigir até a USP no meio da semana….
Provos Brasil sempre passando…..
A Expressão Popular é convidada especial na Feira de Livro com 50% de desconto da USP campus Leste. Se em Outubro não deu certo, abril é mês de luta no campus Leste!
Nesse ano, o evento será nos dias 13, 14 e 15 de abril das 9h às 21h. Mais de 70 editoras participam oferecendo 50% de desconto.
Haverá homenagem aos 10 anos do FSM com a realização de palestras, exibições de filmes e sorteio de livros. Ainda foi organizada uma Feira de Economia Solidária. CASO ALGUM PRODUTOR DE MEL, SUCO, VINHO, PRODUÇÃO ORGÂNICA QUEIRA PARTICIPAR ENTRE EM CONTATO: bethseno@yahoo.com.br
Ofereceremos mesa, almoço e lanche aos participantes.
Escola de Artes, Ciências e Humanidades (USP Leste)
Rua Arlindo Béttio, 1000 – Ermelino Matarazzo
Marginal Tietê sentido Penha, seguir até a Ayrton Senna e antes do acesso ao aeroporto de Guarulhos – entrar à direita. Há placas indicativas para a USP Leste.