Muito celebrada a Copa do Mundo na África do Sul, a oportunidade única para mostrar ao mundo o “desenvolvimento” da maior economia do continente, e para mostrar ao mundo que acabou o Apartheid e o racismo.
O fato é que as grandes tensões entre ricos e pobres segue latente no país, e é verdadeiro dizer que esta tensão tambem é uma relacação entre negros e brancos. É fato que com a chagada da CNA (partido negro) ao governo uma pequena parcela de negros ascenderam economicamente. Porem nenhum privilégio da elite branca foi quebrado, a não ser a figura do presidente. E nenhum branco foi punido pelos episódios na época do Apartheid.
Nas arquibancadas a maioria branca está com tapadores de ouvido para não
escutar o barulho que os negros fazem com a vuvuzela. E nas ruas a polícia reprime os suláfricanos que trabalharam nos jogos e não receberam o salário. As construtoras da elite do país ganharam rios de dinheiro com a construção dos modernos estádios de futebol no país ao passo que os trabalhadores da construção civil faziam greve por salários dignos, uma vez que acabado a copa não haverá mais espaço para contratos mais vantajosos para os trabalhadores.
Na outra ponta da Copa do Mundo está os paises do velho continente. Abalados pela crise econômica e pelo baixo crescimento neste século XXI assistem um recrudescer do racismo. Zidane, filho de argelinos, quando acerta a cabeçada em Materazzi afirma ter recebido insultos racistas e machistas dirigido a sua irmã. Thuram, jogador francês da colônia de Guadalupe, é hoje um dos lideres da campanha anti-racista no futebol europeu. O jogador italiano Balotelli, de 19 anos, ironicamente aplaudiu os torcedores do Chievo, após manifestações racistas no jogo em Verona, pelo Campeonato Italiano. Por causa do gesto, o atleta foi multado pela Justiça esportiva da Itália. Balotelli é descendente de ganeses. Abdeslam Ouaddou, jogador marroquino que atua na França, quando vítima de racismo por parte da torcida do Metz avisou o árbitro, que o puniu com um cartão amarelo.
A relação de racismo da metrópole com os imigrantes é antiga. As legiões francesas incentivavam a adesão dos africanos das colônias com a promessa do passaporte definitivo para o país das luzes. E esse excedênte de mão de obra barata na época de crescimento econômico europeu era interessante. Hoje a seleção africana tem mais negros que o escrete canarinho. Nem todos eles são migrantes de primeira geração, mas isso incomoda os franceses neste início de século.
Após o fracasso da seleção francesa na Copa do Mundo, o líder ultra-direitista Le Penn diz que o vexame de sua seleção é merecida, pois “O fato de haver dois brancos na equipe da França nos deixa claro que há uma vontade política de impor uma imagem da França que não é esta, pelo menos por enquanto”. Em momento de crise econômica, o racismo que por hora estava velado se torna latente, primeiro os denunciou os imigrantes com as queimas de carros. Agora a crise no futebol europeu recai sobre os jogadores negros.
