Katrina e Jardin Romano, duas tragédias a mesma história

Nova Orleans, Katrina

Nova Orleans, Katrina

Depois de 32 anos a cidade de Nova Orleans, nos EUA, voltou a eleger um prefeito branco. Do mesmo partido do famoso presidente negro do país, os democratas. A eleição de Landrieu reflete a política de exclusão que se acentuou na cidade após o furacão Katrina, há 5 anos atrás. Segundo reportagem deste domingo, no jornal da família Frias, após a cidade ser devastada pelas águas de uma barragem que cedeu após o Katrina, a reconstrução da cidade foi parcial. As áreas ricas do município, ás áreas de interesse turístico e as áreas de negócios já foram recuperadas. Os bairros negros (cerca de 60% da população de Nova Orleans é negra) segue com escombros e pouca coisa da sua infra-estrutura foi recuperada.

A população negra e pobre, com suas casas alagadas, foram obrigados a se retirarem da cidade até que houvesse condições de retornar ao local. Porem os bairros do Baixo Distrito 9 segue destruída, com terrenos abandonados e cheio de mato. A elite branca se aproveitou da tragédia para retornar o poder político pela expulsão e exclusão do povo pobre. Segundo a reportagem entre 30% e 40% dos pobres nunca voltaram e a elite branca volta ao poder pelo mesmo partido que a elite negra governava a cidade, que por sinal é o memso do presidente Obama.

Longe de ser um problema especifico de Nova Orleans esse descaso é fruto da política de segregação capitalista. No final do ano passado as chuvas de verão, e a preferencia da prefeitura em alagar o bairro do Pantanal e Jardim Romano ao invés de causar uma enchente na marginal Tietê (através da liberação e contenção de água pelas barragens do rio),  encheu as casas e expulsou muitas famílias do seu lar. Detalhe que a maioria dessas casas não era uma auto-construção ou uma área de ocupação “irregular”, trata-se de uma área construída pelos governos estaduais e municipais a bastante tempo. Assim como na cidade estadunidense o povo pobre da capital paulista ficou desalojada. E assim como na cidade estadunidense a grande maioria delas até hoje não retornaram a suas casas, ou melhor a maior parte dela nunca retornará, como na cidade estadunidense.

Jardin Romano

Jardin Romano

Segundo frase propagandeada nos comerciais tucano “a política é feito de escolha” Escolher qual comporta você abre. Qual parte da cidade que você vai alagar: a que afeta o trânsito dos veículos ou o que afeta a casa dos pobres. Depois vem outra escolha: o que você vai fazer com essa população. Pode-se mante-las nas áreas com mais infra-estrutura urbana e próximo ao centro econômico da cidade ou longe, onde se possa esconder essa população aos olhos do capital e dos turistas estrangeiros que vistoriarão nossa cidade na Copa do Mundo. A terceira escolha que os governantes tem que fazer é: ou construímos conjuntos habitacionais pelos nossos financiadores de campanha (construtoras) ou enfrentamos outro financiador de nossa campanha (as imobiliárias). Obviamente o tucanato histórico ficará com as construtoras. Obviamente o neo-tucanato (PT) também  ficará com as construtoras. Por isso defendemos que só existe uma saída para o apartheid social da cidade de São Paulo, e das outras grandes cidades, a expropriação dos imóveis abandonados da nossa cidade. A expropriação dos imóveis daqueles que colocam o lucro antes da vida.

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