A participação da FOS nas eleições gerais em 2010

Abaixo reproduzimos o Manifesto de apoio à candidatura do Baltazar e do Cabral dos valorosos companheiros da FOS, que sempre estiveram conosco nas lutas sindicais e nas lutas do bairro de Santa Cecília.


Os trabalhadores do mundo todo vivem a atmosfera de uma das maiores crises econômicas que o mundo capitalista já viveu. Vivem, sobretudo, os efeitos dessa crise: desemprego, arrochos salariais, repasse de verba pública para empresas privadas e seus efeitos, diminuição de verbas para a saúde, educação, moradia, saneamento básico, moradia etc.

Enquanto isso, o presidente dos EUA, anuncia que a saída para essa crise estrutural, não é o socialismo, numa alusão clara do receio da burguesia imperialista que a experiência dos trabalhadores com essa crise, possa potencializar o debate acerca da necessidade, para a classe operária, do socialismo, único sistema que poderá construir uma sociedade onde a exploração do homem pelo homem, possa ser banida da história.

Aqui no Brasil os efeitos da crise são visíveis, o governo federal já destinou mais de 250 bilhões de reais para “segurá-la”, sendo a maior parte desse valor, repasse às empresas privadas (de forma direta ou através de projetos do BNDES), e as demissões em todos os segmentos, com a conivência das burocracias sindicais que negociaram até a diminuição de salários (e nem assim foram garantidos os empregos).

É sobre essa conjuntura que teremos, no Brasil, a eleição geral em outubro. A burguesia brasileira, dividida em diferentes frações, aposta em mais de um candidato (a). A candidata da Frente Popular, que polariza pra si a popularidade do “lulismo”, caracterizando-se numa nova direita consolidada no país, baseada na fraude eleitoral que é o bolsa família e no acatamento de todas as orientações do imperialismo, a direita clássica aposta no projeto tucano das privatizações e do Estado mínimo e o “novo” projeto burguês (na verdade um genérico dos dois anteriores) com forte apelo ecológico.

Ao mesmo tempo, a esquerda no Brasil continua fragmentada, não constituindo um pólo aglutinador e organizador das lutas, que reúna todos os trabalhadores e trabalhadoras que não se renderam às traições da burocracia cutista e que querem organizar as mobilizações contra a retirada de direitos por parte dos patrões e dos seus governos.

A tentativa de organizar a classe trabalhadora, dentro dessa lógica da luta, em junho de 2010 em Santos, o CONCLAT, infelizmente não cumpriu esse papel. O que prevaleceu foi o hegemonismo auto proclamatório do setor majoritário, o que impediu a construção dessa importante ferramenta de luta, que seria uma nova central independente e da nossa classe. Mais do que nunca se faz necessário que a esquerda organize esse pólo de resistência, constituindo uma referência para os lutadores de todo país. Nesse sentido, continuaremos dando a batalha para que se materialize essa central e que ela cumpra o papel fundamental na luta de classes no Brasil.

No campo eleitoral essa fragmentação também se expressou, com vários projetos dos partidos de esquerda. Sabemos bem que as eleições gerais são o campo da burguesia para se perpetuar no poder, nesse sentido, as formas como esses projetos se apresentam podem até variar, mas o conteúdo é sempre o mesmo: manter o sistema de exploração, atacando direitos dos trabalhadores.

Nas últimas eleições a posição da FOS foi o voto nulo programático, à época dizíamos que os programas dos partidos da esquerda para as eleições não atendiam as necessidades dos trabalhadores.

Entendemos que a conjuntura em 2010 apresenta-se de outra forma, a consolidação da frente popular e das reformas neoliberais, o projeto tucano de avanço dessas reformas e o aparecimento de um projeto pretensamente novo, mas que de conteúdo, afirma também tais reformas, aliado à fragmentação da esquerda no campo sindical, nos preocupa sobremaneira.

Diante dessa conjuntura, entendemos que a opção pelo voto nulo programático dialoga pouco com os trabalhadores. O caráter quase plebiscitário dessa eleição diminui a possibilidade desse diálogo.

Como entendemos que a participação dos socialistas e revolucionários nas eleições burguesas é tática (portanto deve adequar-se a cada realidade apresentada) optamos em apresentar um apoio crítico a duas candidaturas do PSOL: a do companheiro Cabral dirigente do sindicato dos químicos de São José dos Campos e a do companheiro Baltazar, professor da rede pública estadual e militante da APEOESP, mas não nas candidaturas majoritárias do partido.

Dois companheiros que representam um setor do CONCLAT que trava uma intensa luta no seio da classe para que a nova central expresse a democracia operária, a independência dos governos dos patrões e dos partidos políticos e sem qualquer atrelamento partidário desta nova ferramenta. Nossa central não deverá repetir erros do passado recente!

Mesmo caracterizando que o programa do PSOL, não apresenta, em sua totalidade, as propostas e bandeiras que consideremos importantes para a classe, a nossa opção tática é pela construção de um pólo aglutinador de luta. Achamos que ao indicar a votação nesses dois companheiros, construímos melhor esse diálogo.

Não temos nenhuma ilusão nas eleições burguesas, e bem sabemos que ela nunca mudará (pra melhor) a vida do trabalhador. Nosso movimento tem relação direta com a disputa da consciência dos trabalhadores, na necessidade da luta e no fortalecimento dos organismos da classe, porque entendemos que o período pós-eleição tende a ser mais difícil para todos que são explorados pelo sistema, visto que os efeitos da crise serão, muito provavelmente, agudizados.

São Paulo, agosto de 2010

FOS – Frente de Oposição Socialista

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