Quem ainda tem dúvidas sobre o que ocorreu no bairro do Pinheirinho em São José dos Campos, deve ir até lá fazer uma visita, o cenário é de guerra civil, impossível não se solidarizar com a população que morava ali.
Todas as casas foram demolidas, mesmo as que ainda tinham pertences dentro delas, no meio dos escombros é possível encontrar bonecas, bichos de pelúcia, carrinhos de brinquedo, carrinhos de bebê, pedaços de móveis e eletrodomésticos, fica claro que não existiu a menor preocupação por parte dos invasores (governo, PM e GCM) com a população, todos foram colocados para fora e não tiveram nem a oportunidade de retirar os seus bens. Os animais de estimação também permanecem no bairro, os moradores do bairro voltam lá relembrando todas as cenas de horror que foram obrigados a viver ali, para poderem alimentá-los.
Nos alojamentos a situação permanece digna de uma guerra, as pessoas estão dormindo no chão, ou em arquibancadas em cima de colchonetes, todos dividem o mesmo espaço, não existem banheiros suficientes para todos, os guardas dos locais agem como se todos ali fossem prisioneiros, querendo impor horários de entrada e saída, dizendo o que eles podem e o que não podem fazer. O atendimento médico é precário, uma ambulância em um momento de emergência chega a demorar duas horas para ir até os locais prestar atendimento, além de tudo isso, a comida que chega nos alojamentos enviada pelo governo, muitas vezes vem estragada.
As famílias se organizam para resistir, no alojamento do Morumbi eles não aceitaram a imposição de horário para entrada e saída, não estão aceitando a intervenção dos guardas nos assuntos das famílias e estão exigindo a presença de uma ambulância 24 horas no local, como foi prometido pelo prefeito de São José dos Campos Eduardo Cury – PSDB.
Além de tudo isso, agora surge a denúncia de uma moradora do Pinheirinho de que foi estuprada por policiais durante a invasão da policia ao bairro. O comandante geral da PM, Álvaro Batista Camilo diz “Nós somos uma instituição séria e um dos nossos três pilares é o respeito aos direitos humanos. Não compactuamos com abusos e não há espaço para maus policiais.”. Alguém ainda pode acreditar nisso? Nem o próprio comandante pode acreditar no que diz, basta olhar as imagens para ter certeza de que respeito aos direitos humanos é algo que a PM não conhece.
Ato Nacional
No dia 02/02 o ato nacional em defesa do Pinheirinho teve a presença de mais de 4.000 pessoas de diversas organizações e da população do Pinheirinho, o ato iniciou no centro de São José na praça Afonso Pena e saiu em marcha pela cidade passando pela câmara municipal e terminando na prefeitura, as autoridades locais preferiram mais uma vez se esconder, fechando as entrada tanto da câmara quando da prefeitura.
Os manifestantes vieram de várias regiões do país e trouxeram muitas doações para as famílias do Pinheirinho, por onde o ato passava os trabalhadores do comércio local também demonstravam apoio.
O ato exigiu dos governos municipal, estadual e federal a imediata desapropriação do terreno do Pinheirinho e a construção de moradias populares para as famílias que lá viviam.
























