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Plebiscito Limite da Terra

No dia 01/09 começa o plebiscito pelo limite da propriedade da terra, pela reforma agrária e contra o latifúndio. O comitê Centro/Santa Cecília irá manter uma urna aberta no Largo de Santa Cecília entre os dias 01/09 e 06/09. Trata-se de uma atividade militante e de fundamental importância...

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Presente de grego para os capitalistas

Posted by Baltazar | Posted in Imperialismo, O povo sai as ruas, crise econômica | Posted on 24-05-2010

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Desde agosto do ano passado temos publicado notícias vindas da Grécia, porém as séries de acontecimentos de grande envergadura na Grécia vem sendo preparada desde 2006, quando estudantes ocuparam mais de 350 faculdades no país.

No último dia 15 de maio foi a vez do Partido Comunista Grego dar provas da sua capacidade de mobilização e convocar um comício próprio para expor suas teses de abril. Teses no qual o partido chama os trabalhadores a formarem um governo popular e começar a organizar o poder e a economia grega desde baixo, até uma planificação nacional. Segundo nota do KKE “Os setores socializados, assim como os cooperativos – de produção e consumo – deverão ser incluídos num sistema económico de planificação e de administração centralizada e nacional, a fim de que todos os meios de produção e toda mão de obra possa ser mobilizados”. Agindo desta forma o partido comunista grego joga todas as fichas nas mobilizações populares e na derrota do governo e da União Européia na tentativa de salvar o capitalismo neste país.

No mesmo passo de derrotar o governo, no último dia 20 de maio os trabalhadores, junto a suas centrais sindicais, decretaram a quinta greve geral desde fevereiro. A série de greves gerais na Grécia mostra que os trabalhadores não topam tudo para salvar o capitalismo de suas crises. Isso de certa forma apavora os “senhores do universo”, uma vez que a dívida pública que deu origem ao colapso grego não se limita ao país helênico, outras nações européias (Portugal e Espanha) já estão em alerta para o FMI e UE. E em terras tupiniquins vêm-se insistentemente aumentando a dívida pública. As mobilizações gregas vêm ganhando adesão desde as primeiras greves setorizadas, quando o governo social-democrata vinha fatiando as reformas para evitar que se chegasse ao nível do arrocho que se tem hoje. E o grande medo dos capitalistas é que o exemplo da Grécia (em todos os sentidos) não se alastre para outros países europeus.

Esse exemplo seria o cavalo de tróia dos “mercados” em superar o mais rápido possível a atual crise de estruturação do capital. E o aumento das mobilizações seria o presente de grego dos trabalhadores aos patrões.



As propostas do KKE

Frente anti-imperialista, anti-monopolista e democrática – Poder e economia popular

O povo grego deve optar entre duas vias de desenvolvimento para a sua sociedade: a que é seguida actualmente e aquela pela qual deve lutar.
Sustentamos, com factos e provas a apoiar, que a Grécia, apesar dos desgastes sérios e arrasadores que atingiram certos sectores e que são devidos à dominação do capital e à concorrência entre monopólios, tem as condições prévias para constituir e desenvolver uma economia popular autónoma.
Os acontecimentos negativos dos últimos 20 anos em certos ramos da produção industrial e na economia agrícola podem ser revertidos sob condições políticas, económicas e sociais diferentes. Não é demasiado tarde.
A Grécia tem um nível satisfatório de concentração da produção, meios de produção, uma rede comercial densa e um nível bastante elevado de desenvolvimento nas tecnologias modernas. Tem uma mão-de-obra consequente, experimentada, com um nível de educação e uma especialização avançadas em relação às gerações anteriores, e uma mão-de-obra importante no domínio científico.
Ela tem recursos naturais valiosos produtores de riquezas, importantes reservas de riquezas minerais, que são um trunfo na produção industrial e na produção de bens de consumo.
Ela tem a grande vantagem de poder assegurar uma produção alimentar suficiente tanto para responder às necessidades do povo como para exportar. Tem capacidades para produzir produtos modernos, máquinas, ferramentas e aparelhos.
A fim de que uma economia popular possa existir para todos, devemos encontrar uma solução para o problema da propriedade, para satisfazer as necessidades do povo e não as necessidades do lucro.
Não há senão uma única escolha: uma mudança nas relações sociais de propriedade historicamente ultrapassadas que determinam igualmente o sistema político e referem-se aos meios de produção fundamentais e concentrados nos seguintes domínios: energia, telecomunicações, riquezas minerais, minas, indústria, distribuição da água, transportes.
A socialização do sistema bancário, do sistema de extracção, de transporte e de gestão dos recursos naturais; o comércio exterior e uma rede centralizada para o comércio interno; habitações para o povo, a investigação assim como a difusão democrática da informação junto ao povo.
Um sistema de educação, de saúde e de segurança social exclusivamente público, universal e gratuito.
Consideramos que pode haver domínios que não serão incluídos numa socialização completa, nacional e universal. Em complemento do sector socializado, poderia ser formado um sector das cooperativas de produção pelas pequenas explorações agrícolas, os pequenos comércios nos ramos em que a concentração é fraca. A sua participação nas cooperativas deverá ser compreendida como uma escolha vantajosa, baseada na experiência vivida na arena dos monopólios.
Os sectores socializados assim como os cooperativos – de produção e de consumo – deverão ser incluídos num sistema económico de planificação e de administração centralizada e nacional a fim de que todos os meios de produção e toda mão-de-obra possa ser mobilizados, a fim de que toda forma possível de cooperação económica internacional possa ser utilizada na base de intercâmbios mutuamente vantajosos. A produção nacional e os interesses dos trabalhadores serão protegidos de toda repercussão possível que emergisse das necessidades do comércio exterior.
A planificação central é necessária a fim de formular objectivos e opções estratégicas, determinar das prioridades entre ramos e sectores, determinar onde os meios e as forças deverão ser concentrados. A execução desta planificação necessita uma distribuição por ramo e por sector e, antes de tudo, o controle da gestão pelos trabalhadores em cada unidade e serviço de produção, em cada órgão administrativo.
O governo, enquanto órgão do poder popular, será obrigado a assegurar a participação do povo nesta tarefa completamente nova e totalmente desconhecida que é apoiar o movimento popular, apoiá-lo e ser por ele fiscalizado no seio das novas instituições de controle social dos trabalhadores.

O desenvolvimento da sociedade por planificação centralizada é uma necessidade que emerge das exigências do nosso tempo, acima de tudo das exigências da humanidade que é a primeira força produtiva. A necessidade de satisfazer os consumos modernos diversificados dos trabalhadores, a necessidade de desenvolver os meios de produção, de desenvolver a ciência e a tecnologia nos interesses do povo fazem da planificação centralizada uma necessidade vital.
O poder popular encoraja os acordos e intercâmbios comerciais inter-estatais, os acordos para a utilização do conhecimento e das tecnologias baseados nos interesses mútuos.
A dívida pública será reexaminada, sob o poder popular, tendo como principal critério os interesses do povo. Logo no princípio, o poder popular deverá enfrentar uma reacção organizada, interna e internacional. A UE e a NATO, os acordos com os Estados Unidos, não deixam muita margem de manobra aos Estados membros da UE.
Resolver este problema retirando-se da UE é inevitável tendo como objectivo um desenvolvimento autónomo, popular e uma cooperação nos interesses do povo.
É necessário intensificar a nossa actividade na base da luta contra estes problemas.
Lutamos sem tréguas por avanços imediatos em favor dos trabalhadores e continuaremos a lutar para que medidas possam ser impostas pela potência do movimento, medidas que diminuiriam a gravidade destes problemas e aliviariam o povo.
Temos desenvolvido posições e reivindicações para cada problema e questões isoladas que têm surgido. Contudo, doravante isto não é suficiente. Uma proposta alternativa de progresso é necessária a fim de que a luta tenha uma finalidade, um objectivo, um sentido e finalmente possa exercer pressões suplementares em todas a fases da mesma. [*]

Secretária-geral do Partido Comunista Grego (KKE)


COB realiza primeira greve nacional no mandato de Evo Morales

Posted by Baltazar | Posted in O povo sai as ruas, crise econômica, movimento sindical | Posted on 11-05-2010

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Depois de muito tempo parado, o site outubrovermelho volta a noticiar a luta de classes no Brasil e no mundo. Desta vez é a volta das mobilizações na Bolívia. Assim como no Brasil, durante o governo Evo, os setores mais a esquerda ficaram paralizados diante do governo do primeiro indígena no país. Porem, ao contrário da CUT, a classe trabalhadora boliviana tem um instrumento histórico e de luta. Que mantem a independência de classes e o horizonte socialista. Assim, embora acossados pela conjuntura do início do governo Evo, reassume a frente da luta de classes no país.

Vinicius Mansur

La Paz, Bolívia 

As mobilizações em busca de um maior aumento salarial se intensificaram na Bolívia. Após os atos do 1º de maio e a paralisação na última terça-feira (4), ambas em rechaço aos 5% de aumento anunciado pelo governo, a Central Obreira Boliviana (COB) convocou nesta quinta-feira (6) uma greve geral indefinida visando 12% de incremento salarial. 

De acordo com o presidente da COB, Pedro Montes, na segunda-feira (10), sairá uma marcha de Caracollo, no departamento de Oruru, até a sede do governo em La Paz. As duas cidades estão distantes cerca de 140 quilômetros uma da outra. 

A ala mais radical da COB, liderada pelos trabalhadores de fábrica anunciaram que vão intensificar a greve de fome com os dirigentes dos 70 sindicatos filiados. De acordo com o dirigente fabril, Hugo Torres, a greve já leva 11 dias com 55 operários. 

O prefeito recém-eleito de El Alto, membro do partido de Evo Morales, o Movimento ao Socialismo – Instrumento pela Soberania dos Povos (MAS-IPSP), Edgar Patana, apoiou a mobilização. “É muito pouco. Antes de lançar isso deveriam chamar ao diálogo”, disse Patana, que ainda é secretário da Central Obreira Regional da cidade. 

Diálogo e acusações

 Em resposta, o governo convocou as organizações de trabalhadores para desenhar as próximas políticas salariais. 

“Sobre as questões salariais, como todos sabem, nosso ponto de vista está fechado. Entretanto, para frente, no médio prazo, junto com os trabalhadores de base, estamos convencidos que temos que desenhar uma política econômica e salarial”, afirmou o ministro de Obras Públicas, Serviços e Moradia, Wálter Delgadillo.

 O ministro enfatizou que “este é um governo de trabalhadores” e que o intuito é estreitar os laços com suas organizações “não só para o tema de salários, mas também na elaboração de leis”. Segundo Delgadillo, os projetos para as novas Lei de Pensão e Lei Geral Trabalho estão sendo negociadas desde o princípio com os trabalhadores. 

O porta-voz presidencial, Ivan Canelas, chamou de injustas as reivindicações da COB, uma vez que o governo Morales aumentou os salários em 45% entre 2006 e 2010, enquanto de 2002 a 2005, o aumento foi de apenas 9,6%. Canelas ainda ressaltou a política de bônus (rendas oferecidas pelo governo, como o Bolsa Família no Brasil): 

“Essas políticas sociais também apóiam a economia familiar, por isso nos parece injusta a atitude dos dirigentes que assumem medidas de pressão como se o governo nunca os tivesse atendido. Que trabalhador não tem um filho que recebe o bônus Juancito Pinto? Que trabalhador não tem um pai ou avô que recebe a Renda Dignidade? Que trabalhador não tem uma mulher e filhos que recebem o bônus Juana Azurduy?”, ponderou Canelas.

 O vice-presidente e presidente em exercício, Álvaro Garcia Linera, foi mais duro e classificou a mobilização de contra-revolucionária. Recordando seu passado sindicalista, Linera afirmou que “uma greve geral é uma medida política que se toma para derrubar um governo”, mas “não terão êxito”.

 “Essas mesmas pessoas de 20 anos atrás são as mesmas que hoje reivindicam, com o mesmo critério, preparar o terreno para a direita facista (…). Usam uma linguagem de esquerda, mas seu objetivo é de direita. São as mesmas pessoas que em 2007 propuseram a mesma medida em consonância com a estratégia de derrubada do governo do presidente Evo”, disse Linera. 

O vice-presidente ainda levantou suspeitas sobre a participação estadunidense no caso: “Não duvidaria que atrás disso esteja a Embaixada norte-americana. Como não puderam com o golpe de Estado, com o referendo revogatório, com o assassinato, agora, desde dentro, tentam debilitar e utilizar uma justa demanda trabalhadora para obter crédito político, contra-revolucionário e de direita.”

 Por fim, Linera chamou os trabalhadores a reflexão e ao diálogo. “Este é um governo que trabalha para melhorar suas condições de vida, que está mostrando que um dirigente sindical, um trabalhador, um indígena, é capaz de governar a Bolívia em benefício de todos”, concluiu.

 Organizações sociais contra a greve

 A Central Obreira Departamental (COD) de Santa Cruz anunciou que realizará uma marcha para defender o aumento de 5% anunciado pelo governo. Por sua vez, a Confederação Sindical Única de Trabalhadores Camponeses da Bolívia (CSUTCB), a Confederação nacional de Mulheres Camponesas Indígenas Originárias da Bolívia “Bartolina Sisa” (CNMCIOB-BS) e as seis federações de cocaleiros do trópico de Cochabamba anunciaram que não vão acatar a convocatória da COB e apoiarão o diálogo convocado pelo governo.

 Outros setores mobilizados

 Ao mesmo tempo que a COB chama à greve geral, outros setores da sociedade boliviana também se encontram mobilizados. Nesta quinta-feira (6), os trabalhadores do transporte marcharam em La Paz pedindo que o governo desbloqueie as estradas que levam a Caravani, no norte de La Paz. O bloqueio realizado por moradores desta cidade acontece como forma de reivindicar a instalação de uma planta industrial para processamento de cítricos, que tem a instalação prevista inicialmente para a cidade de Alto Beni. 

No mesmo dia, docentes, funcionários e estudantes da Universidade Mayor de San Andrés (UMSA) realizaram outra mobilização pelas ruas de La Paz pedindo respeito a autonomia universitária, maior orçamento e rechaçando a sua inclusão no Estatuto do Funcionário Público.

 Já as esposas de trabalhadores da Polícia entraram no quarto dia de greve de fome, em protesto ao aumento salarial proposto pelo governo, que, para os policiais, é de 3%.

Greve geral paralisa a Grécia

Posted by Baltazar | Posted in O povo sai as ruas, crise econômica, movimento sindical | Posted on 04-03-2010

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Mais uma vez a Grécia é palco de grandes mobilizações. A greve geral que mobilizou o país é mais uma prova concreta que o capital não consegue solucionar os seus problemas. Para solucionar a crise econômica aprofundam a exploração do trabalho e agudizando a crise social. A mobilização dos trabalhadores gregos é prova que não chegamos ao fim da história e estamos pronto para a luta. Segue um relato sobre a situação no país e como a classe trabalhadora está se organizando.


Matthew Cookson, de Atenas

As ruas sempre cheias de gente do centro de Atenas estão quase desertas hoje. Mais de 2 milhões dos 5 milhões de trabalhadores gregos cruzaram os braçoa. A greve geral de 24 horas uniu trabalhadores do setor público e privado contra as medidas de austeridade adotadas pelo governo.

Todos os vôos chegando ou saindo do país foram cancelados. Escolas e repartições públicas estão fechadas. Poucos ônibus e linhas de trem funcionam, assim mesmo sua circulação foi permitida pelos grevistas para que pudessem levar os trabalhadores às manifestações.

Mais de 30 mil pessoas participaram de duas passeatas diferentes. Seus participantes quebraram a calma do centro de Atenas com seus cantos e palavras-de-ordem enquanto rumavam ao parlamento. Os trabalhadores estão furiosos com o governo Pasok, de centro-esquerda e que venceu as eleições gerais com promessas de manter o valor dos salários. Os manifestantes gritavam: “Nada de sacrifícios! Que os ricos paguem pela crise!”

Yiannis Anastakis, que trabalha no Estádio Olímpico, me disse: “Antes das eleições, o governo disse coisas completamente diferentes do que está fazendo. Agora, está baixando salários que já eram muito baixos. A maioria das pessoas recebe muito menos do que o suficiente para sobreviver com dignidade”.

“Quem tem dinheiro na Grécia não paga impostos. Mas, o governo não vai tirar dinheiro dos ricos. Prefere arrancar mais de quem ganha pouco”, disse ele.

Trabalhadores dos correios e telecomunicações, engenheiros, eletricitários, estudantes, desempregados, funcionários públicos e muitos outros estão juntos na luta. Um grande grupo de imigrantes africanos e de Bangladesh juntaram-se ao movimento, exigindo plenos direitos de cidadania e fim das perseguições policiais.

A polícia usou bombas de gás e cassetetes contra os manifestantes que chegavam às proximidades do parlamento. Um grupo de manifestantes jogou tinta vermelha nos batalhões de choque. A polícia dividiu a manifestação em dois, mas os participantes conseguiram se reorganizar e continuar a passeata.

Trabalhadores do setor público e privado cruzaram os braços contra a intenção do governo de fazer pesados cortes salariais que irão atingir gravemente seu nível de vida. O déficit orçamentário do governo atualmente é de 12,7% do PIB anual da Grécia. O governo quer baixá-lo para 2,8%.

Nesta manhã, juntei-me a um piquete de sindicalistas e estudantes nos escritórios da fábrica metalúrgica Metika, em Atenas. Panos, um dos sindicalistas disse que “o governo fala que está agindo contra a crise, mas na realidade está atacando os direitos dos trabalhadores”. “Nós também estamos aqui, porque a Matika demitiu três trabalhadores que eram militantes sindicais”, esclareceu.

Faixas penduradas nos portões da empresa diziam: “Parem o programa de estabilidade. Chega de demissões” e “Nenhum sacrifício pelos lucros deles”.

Yannis disse que “a União Européia afirma que a Grécia tem padrões de vida elevados em comparação com outros paises. Isto não é verdade. Muitos de nós temos dois empregos para sobreviver. Olhe para essas pessoas. Me diga se elas são ricas”.

A greve geral não é o objetivo final da luta na Grécia. Vários setores estão planejando suas próprias greves e estão em preparação mais dias nacionais de luta para breve.

RELATÓRIO DE DIREITOS HUMANOS 2009

Posted by Editorial do Outubro | Posted in Contra ou Cultura!!!, Criminalização do Movimento, Imperialismo, Movimento Negro, crise econômica, política institucional, reforma agrária | Posted on 09-12-2009

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Divulgamos hoje o lançamento da décima edição do relatório anual de direitos humanos organizado pela Rede Social de Justiça e Direitos Humanos. Importantes militantes e pensadores participam dessa edição debatendo temas como a violência no campo, o genocídio no Rio de Janeiro e os campos de concetração paulistas.

Vale a pena conferir.

joão Ripper_trabalho infantil vs direitos humanos

Relatório faz balanço sobre direitos humanos no Brasil nos últimos 10 anos

A publicação será lançada nesta quarta-feira, 9 de dezembro, em São Paulo

Resultado do trabalho de pesquisa de 26 organizações ligadas à defesa dos direitos humanos, o Relatório Direitos Humanos no Brasil 2009 é organizado pela Rede Social de Justiça e Direitos Humanos e traz um panorama sobre as violações de direitos humanos no Brasil na última década. O lançamento acontece no dia 9 de dezembro, a partir das 18h, no Sesc Avenida Paulista, em São Paulo , com uma homenagem às 117 entidades que têm contribuído com esse trabalho ao longo dos últimos 10 anos.

Estão confirmadas as participações de dom Tomás Balduíno, da Comissão Pastoral da Terra, João Paulo Rodrigues, da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, João Xerri, do Grupo Solidário São Domingos, as atrizes Letícia Sabatella e Dira Paes, do Movimento Humanos Direitos, Carlita da Costa, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Cosmópolis, e Josilene Brandão, da Coordenação Nacional das Associações Quilombolas.

O primeiro capítulo, intitulado “Direitos Humanos no Meio Rural”, contém dados sobre a violência no campo e um balanço sobre a política agrária no Governo Lula. Também trata do agronegócio e sua ligação com a violação dos direitos humanos, além de trazer uma análise sobre o trabalho escravo no país, a situação dos atingidos por barragens, das comunidades quuilombolas no Brasil, as violências contra os povos indígenas, entre outras informações.

A segunda parte tem como tema “Direitos Humanos no Meio Urbano”. Os textos abordam problemas como a segurança pública e a violência no estado do Rio de Janeiro, uma análise sobre os últimos 10 anos do sistema prisional no Brasil, as violações contra crianças e adolescentes, e dados sobre moradia no país.

O relatório enfoca, em seu terceiro capítulo, dados sobre o direito à educação e o direito ao trabalho; a desigualdade social; a dimensão da mortalidade materna no Brasil; e a situação da saúde nesse período.

As políticas internacionais e os direitos humanos são os destaques do último capítulo do Relatório Direitos Humanos no Brasil 2009. Estão ali análises sobre o clima; sobre migração; uma análise acerca do conceito de pobreza difundido pelo Banco Mundial; e sobre a militarização na América Latina.  

Com prefácio da Subprocuradora-Geral da República, Ela Wiecko, fotos de João Ripper, e organizada pelas jornalistas Evanize Sydow e Maria Luisa Mendonça, a obra é publicada em português e inglês, e composta por artigos de:

- Ana Esther Ceceña – Diretora do Observatório Latino-americano de Geopolítica no Instituto de Pesquisas Econômicas, Universidade Nacional Autônoma do México

- Antonio Canuto – Secretário da Coordenação Nacional da CPT

- Ariovaldo Umbelino de Oliveira – Professor Titular Geografia Agrária – FFLCH – USP

- Beatriz Galli – membro do CLADEM Brasil, Comitê Latino Americano e do Caribe pelos Direitos da Mulher, assessora de direitos humanos do Ipas Brasil

- Clemente Ganz Lúcio – Sociólogo, Diretor Técnico do DIEESE, membro do CDES – Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, do Observatório da Equidade e do Conselho de Administração do CGEE – Centro de Gestão e Estudos Estratégicos
- Felipe Rangel de Souza Machado – Professor-pesquisador da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio, da Fundação Oswaldo Cruz (EPSJV/Fiocruz)

- Francisco Adjacy – Sociólogo e membro do grupo de pesquisa Observatório das Nacionalidades

- Guilherme C. Delgado – Pesquisador do IPEA (aposentado), Doutor em Economia pela Universidade de Campinas e Profesor Visitante da Universidade Federal de Uberlândia, MG, membro do Conselho Consultivo da Rede Social

- Humberto Miranda – Membro do Grupo de Trabalho Hegemonias e Emancipações da CLACSO. Integrante do Observatório Latino-americano de Geopolítica

- Jailson de Souza e Silva – Professor da Universidade Federal Fluminense; Fundador do Observatório de Favelas do Rio de Janeiro e Secretário Municipal de Educação de Nova Iguaçu – RJ

- José de Jesus Filho - missionário oblato de Maria Imaculada e Assessor Jurídico da Pastoral Carcerária Nacional

- José Juliano de Carvalho Filho – economista, Professor da FEA-USP e Diretor da ABRA (Associação Brasileira de Reforma Agrária), membro do Conselho Consultivo da Rede Social

- Kenarik Boujikian Felippe - juíza de direito da 16ª Vara Criminal de São Paulo, co-fundadora, ex-presidente e secretária do conselho executivo da Associação Juízes para a democracia, membro do Conselho Consultivo da Rede Social

- Luiz Bassegio e Luciane Udovic – Coordenação Continental do Grito dos Excluídos

- Luis Fernando Novoa Garzon – membro da Rede Brasil sobre IFMs e da REBRIP. É professor da Universidade Federal de Rondônia-UNIR
- Maria Helena Zamora – Professora doutora da PUC-Rio
- Maria Luisa Mendonça – coordenadora da Rede Social de Justiça e Direitos Humanos, cursa o doutorado em Geografia na Universidade de São Paulo (USP)

- Mariana Fix - arquiteta e urbanista formada pela FAU-USP, mestre em sociologia pela FFLCH-USP e doutoranda no Instituto de Economia da UNICAMP

- Mariângela Graciano - coordenadora do Observatório da Educação da Ação Educativa

- Mônica Dias Martins - professora da Universidade Estadual do Ceará, coordenadora do Observatório das Nacionalidades e editora da revista Tensões Mundiais, membro do Conselho Consultivo da Rede Social

- Patrícia Lino Costa – Economista e assessora da Direção Técnica do DIEESE

- Pedro Fiori Arantes - arquiteto e urbanista, mestre e doutorando pela FAU-USP. É coordenador da Usina, assessoria técnica de movimentos populares em políticas urbanas e habitacionais, e assessor do curso “Realidade Brasileira”, da via Campesina

- Ricardo Resende Figueira – Presidente do Conselho Deliberativo da Rede Social, padre e antropólogo, professor da Escola de Serviço Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro e Coordenador do Grupo de Pesquisa Trabalho Escravo Contemporâneo do Núcleo de Políticas Públicas em Direitos Humanos da mesma Universidade

- Roberto Malvezzi – Membro da Coordenação Nacional da CPT e membro da FIAN Brasil

- Rogério Tomaz Jr - jornalista, integrante do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social

- Rosane Lacerda – Advogada, especialista em direitos indígenas e Professora Assistente de Direito Público do Curso de Direito do Campus Jataí da Universidade Federal de Goiás (UFG)

- Sandro Silva – professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal do Espírito Santo e doutorando em Antropologia no Programa de Pós Graduação em Antropologia da Universidade Federal Fluminense

- Sérgio Dialetachi – consultor para energia e mudanças climáticas da Fundação Heinrich Böll

- Sérgio Haddad - coordenador geral da Ação Educativa

Lançamento “Relatório Direitos Humanos no Brasil 2009
9 de dezembro, a partir de 18h.
Sesc Avenida Paulista – Av. Paulista, 119, Paraíso, São Paulo

O Bella, Ciao!

Posted by Editorial do Outubro | Posted in Contra ou Cultura!!!, crise econômica | Posted on 01-12-2009

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Quando parece que a crise mundial havia ficado para trás, e haviamos perdido o tempo histórico das lutas vem sempre boas novas. Desta vez as notícias vem da Itália, luta, ocupação e gravando.

o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!

 

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 Na periferia industrial de Roma, na Tiburtina, a fábrica Eutelia, uma das mais importantes da área de informática da Itália, foi fechada pelos seus donos, demitindo 1200 trabalhadores. Faz mais de um més, a fábrica foi ocupada pelos operários, e posta para produzir. A 10 de novembro, os trabalhadores repeliram um ataque de bandas para-policiais (“vigilantes”). A 25 de novembro, um ato-festival foi realizado na fábrica, com oradores e grupos musicais, para receber solidariedade e divulgar a luta. Lá fui eu, levar meu apoio e saber o que rolava.
 
O ato era bastante pequeno, pouco numeroso. Os oradores sindicais (FIOM-CGIL) apelavam para a sensibilidade das autoridades, fustigavam os donos pela sua “má gestão da empresa”, crticavam a mídia. Até que um orador, bem mais velho, tomou a palavra e, falando com energia, responsabilizou o capitalismo, e chamou à unidade dos ocupantes da Eutelia com os outros trabalhadores da Itália que lutam pelos mesmos motivos, em especial os sardos e venetos da Alcoa (que dois depois enfrentaram a polícia, em manifestação nas ruas de Roma) (ver em baixo).
 
Quem era ele? Ninguém menos que Mario Monicelli, o diretor e roteirista de “L’ Armata Brancaleone”, “I Compagni”, “I Soliti Ignoti”, “Brancaleone nelle Crociate”, “Romanzo Popolare”, “Amici Miei”, “Parenti Serpenti”, e tantos outros filmes, que já não são só parte dos clássicos do cinema italiano, mas da própria cultura universal (viraram até expressòes usadas na linguagem corrente). O ùnico “regista” italiano que conseguiu reunir, num só filme, Albertone Sordi e Totò, os dois maiores comediantes do cinema italiano em todos os tempos.

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Lá estava ele, com seus 95 anos (sim, noventa e cinco), falando com a energia de um garoto, chamando à unidade dos trabalhadores, sublinhando e encorajando o papel das mulheres na luta de classes, ele que o filmou como ninguém no fantástico “I Compagni”, de 1961 (Mario Monicelli, Marcello Mastroianni, Renato Salvatori, Annie Girardot: muito tempo passará até outro filme reunir quatro génios como esses…), quando os movimentos feministas, na Europa e no mundo, apenas engatinhavam.
 
Fui falar com ele, ele sentado no meio dos operários, o vencedor dos Festivais de Veneza e Berlim, bebendo seu cafezinho. A conversa não foi fácil, ele está começando a ter problemas auditivos (embora se negue a usar aparelho de ouvido), mas foi o suficiente para me dizer que continua “mais comunista do que nunca”. E falava com qualquer um que quisesse falar com ele, eu inclusive.
 
Pensei: não sou da geração da Internet e do celular, do hi-phone e do skype, do sei lá mais o que (não consigo nem acompanhar), das viagens fáceis para qualquer lugar, e não me considero sortudo por isso (bem ao contrário); mas sou da geração à qual Monicelli (e os poucos que estavam à sua altura) ensinou, depois de passar pelo fascismo e pela guerra, coisas que, hoje, nos fazem sorrir quando vemos (ou lemos, ou assistimos) “deconstruçòes” dos “ocidentalismos” (e dos “orientalismos” ad hoc), defesas dos “multiculturalismos”, ou “re-inclusòes” dos “excluídos da história” – num festival de populismos intelectuais paternalistas de terceira categoria, que passa por “novidade”. Sem falar em algumas “criacionices” cinematográficas, hollywoodianas ou não, que, perto dos filmes de Monicelli parecem obras de estudantes desorientados de cinema do primeiro ano da ECA-USP…
 
Monicelli nos fez viver o sublime e o ridículo dos desempregados/ladròes amadores do capitalismo hodierno (em “I Soliti Ignoti”), nos mostrou como os “excluídos” se “incluiam” sozinhos (em “I Compagni”) e se fusionavam, no partido operário, com a intelectualidade revolucionária… e também ingénua (Mastroianni!), justamente porque revolucionária. E os dois “Brancaleone” são muito mais que “comédias italianas”: décadas antes que isso virasse “moda”, Monicelli explodiu, a tiros de gargalhada, todos os euro/cristiano-centrismos – Monicelli/Gassman, encontros como esse só acontecem dois ou très por século (outro génio do século XX, este lamentavelmente morto – prematuramente -, Bernard-Marie Koltès, acabou com todo o racismo anti-árabe que grassa na Europa, com uma só frase: “Se na França não houvesse árabes, ela seria igual à Suíça”).

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Monicelli, o ùnico intelectual italiano na ocupação da fábrica, com seus 95 anos, um dos maiores diretores de cinema do século XX, e também do século XXI (quem duvidar, que assista “Lettere della Palestina”, de 2002, ou “Le Rose del Deserto”, de 2007), um jovem quase centenário, porque artista e comunista.
 
Vão ai algumas fotos, da ocupação da Eutélia, da luta contra a polícia dos operários da Alcoa, e uma de Monicelli comigo no ato-festival, lamentavelmente pouco clara, porque tirada com um celular chinès (mas não comunista).
 
Ciao, grande Mario, nos vemos na próxima ocupação de fábrica, para falarmos de internacionalismo e comunismo. Monicelli ficou até o final do ato, depois o acompanhamos até o ponto onde tomou, sozinho, o táxi que o levou à casa; eu fui andando até meu ponto de ónibus que, afinal, sou um adolescente.

Ricardo Antunes: admirável mundo novo?

Posted by Editorial do Outubro | Posted in Imperialismo, crise econômica | Posted on 14-10-2009

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Colocamos a disposição dos leitores do Outubro Vermelho uma entrevista com o professor de sociologia do trabalho da UNICAMP e militante comunista Ricardo Antunes. Embora publicado originalmente no jornal da família Mesquita, acredito na importância do texto para contextualizar algumas questões importantes sobre a juventude trabalhadora no Brasil.

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O Estado de S.Paulo

Christian Carvalho Cruz

 

 

ENTREVISTA / RICARDO ANTUNES

 

 

A não ser em seus livros, em que analisa com acidez marxista as transformações do trabalho e suas implicações na vida cotidiana, o sociólogo Ricardo Antunes, da Unicamp, tem dificuldade de contar a dura verdade a um trabalhador. Certo dia lhe telefonou uma funcionária do banco querendo saber por que ele não pagava contas pela internet. “Porque eu não lido bem com tecnologia”, Antunes disfarçou. A moça insistiu dias depois. “Porque eu não confio na internet”, foi a segunda resposta que ela ouviu. Só no terceiro contato o sociólogo abriu o jogo: “Porque eu não quero que você perca seu emprego.”

 

É justamente do trabalho no admirável mundo imaginado pelos entusiastas da era digital que trata seu novo livro, a coletânea de ensaiosInfoproletários – Degradação real do trabalho virtual (lançado pela Boitempo). Organizada em parceria com o também sociólogo Ruy Braga e com lançamento previsto para o dia 26 de outubro, a obra faz um recorte preferencial pelos operadores de telemarketing e trabalhadores de call center, expressões máximas da atual precarização do trabalho, segundo Antunes. Contudo, na entrevista a seguir, o sociólogo envereda também por outros desdobramentos da nova realidade, na qual ele vê poucos motivos de celebração. “Não é possível que o século 21 transcorra com essa destruição do trabalho em escala monumental sem que algumas `placas tectônicas´ se movimentem – e eu não estou falando de geofísica, obviamente”, ironiza. “A história está aberta para qualquer tipo de saída.”

 

Eis o infoproletário

 

“O proletariado não acabou, ao contrário do que muitos previram e desejaram. Ele se transformou. O livro é uma tentativa de compreender essa transformação. Infoproletariado, ou ciberproletariado, são termos que compreendem uma ampla gama de trabalhadores que floresceu nas últimas três décadas e meia a partir do aumento do uso da tecnologia da informação, da globalização e da degradação das condições de trabalho. Esse triplo processo originou um tipo de proletário contraditório. Ele é de ponta, moderno, porque usa tecnologia avançada, mas é atrasado, porque herdou condições de trabalho vigentes no início do século 20. Analisar esse fenômeno é ir além do invólucro místico de certa sociologia segundo a qual a tecnologia traria para o trabalho o admirável mundo novo. Talvez fosse mais correto falar em abominável mundo novo.”

 

Mais completa tradução

 

“O operador de telemarketing é a expressão mais completa de infoproletário. Um trabalhador sob controle absoluto. Ele fica isolado em baias de modo que não converse com o colega do lado, tem tempo contado para ir ao banheiro, é punido se não cumpre metas e, como na indústria fordista, faz um trabalho prescrito e repetitivo levado ao limite. Um quadro de sofrimento e sujeição totalitária. Em franca expansão mundial, os call centers são, obviamente, importantes empregadores de jovens. Mas até eles percebem a tragédia em que se encontram. Em poucos meses não suportam o emprego, mas não podem sair, pois lá fora a opção é o desemprego. Sintomático que antes do início da jornada diária os teleoperadores se reúnam em um momento de concentração, com música agitada, palavras de ordem, etc. É o seu momento catártico para enfrentar a barbárie que virá.”

 

E aí, parceiro…

 

“O infoproletário não se rebela. Afinal, ele não é um trabalhador, ele é um `colaborador´. Eis uma engenharia ideopolítica das empresas, nascida nesse novo mundo do trabalho. Elas precisam da aquiescência e do envolvimento dos trabalhadores para tê-los só pensando nelas. No seu jogo de palavras, um colaborador não é parte da classe operária, não se sindicaliza, não pensa em política. Colaborador é parceiro, quase sócio. Por isso até almoça no mesmo restaurante dos gestores. Como, por definição parceria implica ajuda mútua, na bonança ou na tragédia, eu pergunto a essas empresas: por que o seu colaborador é o primeiro a ser penalizado em tempos de crise? Estamos diante de uma falácia, logicamente.”

 

Voluntário não, obrigado

 

“É o caso também da chamada web 2.0, em que os indivíduos são `convidados´ a colaborar com empresas de internet. Há uma utilidade social clara nisso, não nego: o cidadão pode dividir com outros cidadãos quaisquer informações que julgue importantes. Porém, há um segundo elemento, que é o capital se aproveitando de mais uma brecha para gerar valor. Como no trabalho voluntário, mais uma forma de mascarar a autoexploração. Ao procurar emprego hoje você estará em desvantagem se não mostrar no currículo que fez ou faz trabalho voluntário. As empresas valorizam isso. Mas se você tem que fazer trabalho voluntário para conseguir um emprego, então ele se tornou trabalho compulsório. No Brasil existem perto de 20 milhões de trabalhadores voluntários. É evidente que eles substituem 20 milhões de assalariados que estariam recebendo para realizar um trabalho agora feito por voluntários que são obrigados a sê-lo. Que coisa…”

 

Home office

 

“Outro desdobramento do cibertrabalho é o trabalho à distância, o melhor dos mundos para o capital. Você trabalha em sua casa, onde o público e o privado se embaralham: como não há definição do que é trabalho e do que é descanso, a jornada se estende. Você fica sempre disponível e pode ser incomodado a qualquer hora por questões de trabalho, afinal você não está só em casa, está também no escritório. A noção de tempo desmorona com a vida privada. É uma nova modalidade de precarização permitida pela tecnologia. O pior é que virou tendência, essa é a nossa tragédia. Sou capaz de compreender o lado positivo do trabalho a distância para certo tipo e trabalhador que dispõe de `capital cultural´ e acha bom ter controle sobre o próprio tempo. Mas o inverso disso é a individualização, o isolamento, o fim do trabalho coletivo e a quebra dos laços sociais.”

 

Terremoto social

 

“O avanço tecnológico atual é tamanho que poderíamos trabalhar tranquilamente três horas por dia durante três ou quatro dias por semana. Todos produziríamos e viveríamos bem. Mas como realizar isso nesses tempos de sociedade que vive em plena superfluidade? As pessoas precisam ir ao shopping, consumir sem parar, mesmo sem saber o quê nem pra quê, não é mesmo? Alguma coisa está fora de ordem. E não é possível que o século 21 transcorra com essa destruição do trabalho em escala monumental sem que algumas `placas tectônicas´ se movimentem – e eu não estou falando de geofísica, obviamente. Cinco anos atrás quem diria que os Estados Unidos tomaria medidas estatizantes para impedir a falência de seu sistema financeiro? Quem diria que no modelo imaginado peloamerican way of life o essencial automóvel se tornaria também moradia da classe média? A história está aberta, inclusive para saídas ainda mais à direita.”

Em tempos de crise econômica

Posted by Editorial do Outubro | Posted in Criminalização do Movimento, crise econômica, reforma agrária | Posted on 07-10-2009

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mst

Em tempos de crise econômica as grandes empresas usam dinheiro público para se sustentar sob o argumento que sem essa verba terão que demitir os trabalhadores. Em tempos de crise econômica os latifundiários usam dinheiro público para financiar suas atividades sob o argumento que as exportações ajudarão a equilibrar a balança comercial do país. Em tempos de crise econômica os empreiteiros constroem obras públicas sob o argumento que é preciso investir em infra-estrutura para reduzir os gargalos na infra-estrutura. Em tempos de crise econômica se investe ao máximo para a manutenção em patamares mais elevados a exploração do homem. Em tempo de crise econômica massacram sem-terras no Pará e os grileiros ganham status de herói nacional. Em tempos de crise econômica são massacrados, criminalizados e perseguidos os trabalhadores. Como se não houvesse crise nenhuma, afinal de contas, a quanto tempo vive em crise o povo brasileiro?

ocupação de terra grilada pelo latifúndio

ocupação de terra grilada pelo latifúndio

Cutrale usa terras griladas em São Paulo

6 de outubro de 2009

Cerca de 250 famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) permanecem acampadas desde a semana passada (28/09), na fazenda Capim, que abrange os municípios de Iaras, Lençóis Paulista e Borebi, região central do Estado de São Paulo. A área possui mais de 2,7 mil hectares, utilizadas ilegalmente pela Sucocítrico Cutrale para a monocultura de laranja – o que demonstra o aumento da concentração de terras no país, como apontou recentemente o censo agropecuário do IBGE.

A área da fazenda Capim faz parte do chamado Núcleo Monções, um complexo de 30 mil hectares divididos em várias fazendas e de posse legal da União. É nessa região que está localizada a fazenda da Cutrale, e onde estão localizadas cerca de 10 mil hectares de terras públicas reconhecidas oficialmente como devolutas, além de 15 mil hectares de terras improdutivas.

A ocupação tem como objetivo denunciar que a empresa está sediada em terras do governo federal, ou seja, são terras da União utilizadas de forma irregular pela produtora de sucos. Além disso, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) já teria se manifestado em relação ao conhecimento de que as terras são realmente da União, de acordo com representantes dos Sem Terra em Iaras.

Como forma de legitimar a grilagem, a Cutrale realizou irregularmente o plantio de laranja em terras da União. A produtividade da área não pode esconder que a Cutrale grilou terras públicas, que estão sendo utilizadas de forma ilegal, sendo que, neste caso, a laranja é o símbolo da irregularidade. A derrubada dos pés de laranja pretende questionar a grilagem de terras públicas, uma prática comum feita por grandes empresas monocultoras em terras brasileiras como a Aracruz (ES), Stora Enzo (RS), entre outras.

assembléia no latifúndio da Cutrale

assembléia no latifúndio da Cutrale

O local já foi ocupado diversas vezes, no intuito de denunciar a ação ilegal de grilagem da Cutrale. Além da utilização indevida das terras, a empresa está sendo investigada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo pela formação de cartel no ramo da produção de sucos, prejudicando assim os pequenos produtores. A empresa também já foi autuada inúmeras vezes por causar impactos ao ecossistema, poluindo o meio ambiente ao despejar esgoto sem tratamento em diversos rios. No entanto, nenhuma atitude foi tomada em relação a esta questão.

Há um pedido de reintegração de posse, no entanto as famílias deverão permanecer na fazenda até que seja marcada uma reunião com o superintendente do Incra, assim exigindo que as terras griladas sejam destinadas para a Reforma Agrária. Com isso, cerca de 400 famílias acampadas seriam assentadas na região. Há hoje, em todo o estado de São
Paulo, 1,6 mil famílias acampadas lutando pela terra. No Brasil, são 90 mil famílias vivendo embaixo de lonas pretas.

Direção Estadual do MST-SP

latifúndio

Sem Terra morto em emboscada é sepultado – 02/10/2009

fonte: diário do Pará

Foi sepultado no final da tarde de anteontem Saturnino Pereira Silva, membro do grupo do Movimento de Sem Terra, que estava ocupando da fazenda Pau Ferro no município de Dom Eliseu. Ele foi morto em uma emboscada no último dia 29. O enterro foi feito em meio a grande comoção, com a presença de personalidades da cidade, pois “Satu”, como era conhecido, era muito querido por boa parte da população do município onde residia há mais de 30 anos.

Segundo informações levantada pela reportagem, junto as pessoas que estavam acampadas no local, a situação na fazenda Pau Ferro estava calma até uns 10 dias atrás, inclusive o proprietário da área invadida confraternizou com os sem-terra matando um boi e fazendo um churrasco.

Mas, há um pouco mais de uma semana, chegou ao local um veículo tipo caminhonete com 11 homens que portavam armas de grosso calibre e, a partir daí, se iniciou uma série de intimidações aos invasores. Segundo os sem-terra, os milicianos, conduzindo motocicletas, rondavam a área em volta do acampamento. Foi em uma ação dessas que teria culminado na morte de “Satu”.

Inclusive, após este assassinato, atearam fogo na pastagem do local, incêndio criminoso que queimou também os barracos dos sem-terra.

Os homens que seriam seguranças da fazenda evadiram o local na manhã de quarta-feira e levaram o arsenal.

Na madrugada do dia 1º (quinta-feira) o grupo de 115 famílias que estava na área conflituosa iniciou a retirada como forma de evitar mais problemas, já que uma equipe do Deca (Delegacia Especializa em Conflitos Agrários) esteve no local efetuando o levantamento da situação.

Ao chegar, os agentes da Deca encontraram apenas o vaqueiro Bernardo Carvalho Souza informou aos policiais que quando a equipe do Deca chegou, o gerente da fazenda, conhecido como Damião, e outro indivíduo de pré-nome Davi, que o vaqueiro disse ser o coordenador da milícia, fugiram embrenhando-se pelo meio da mata.

Os policiais fizeram um busca minuciosa pela redondeza, sem no entanto conseguirem localizar os fugitivos. A partir de agora está aberto um inquérito através do qual serão iniciadas investigações sobre a morte de Saturnino, no sentido de apurar a responsabilidade do ato.

Após a morte de Saturnino, o superintendente adjunto do Incra em Belém, Rodson Souza, esteve em Dom Eliseu para uma reunião com as lideranças do Sintraf (Sindicato dos Trabalhadores em Agricultura Familiar, do Strde (Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Dom Eliseu).

“O doutor Rodson garantiu que serão tomadas todas as providências, o mais rápido possível, para a desapropriação da fazenda Pau Ferro, já que a área em questão não cumpre com a sua função social, conforme manda Constituição Brasileira”, disse o coordenador do Sintraf, conhecido pelo apelido de “Sorriso” que lidera os sem-terra na região.

A fazenda Pau Ferro está localizada em uma área de 7.500 hectares, sendo que parte deste pertence ao complexo de latifúndio da fazenda Capaz e outra parte são de terras pertencentes à União, na região do rio Bananal.

GREVE DOS BANCÁRIOS AVANÇA

Posted by Editorial do Outubro | Posted in crise econômica, política institucional | Posted on 29-09-2009

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Divulgamos informe do Sindicato dos Bancários sobre a greve da categoria no começo dessa semana. www.outubrovermelho.com.br apoia integralmente essa luta contra a precarização do trabalho e conclamamos aos trabalhadores da base a pressionarem suas direções para que as negociações não se restrinjam a migalhas, mas que abarquem o âmago mesmo da precarização: as tercerizações, os bônus de produtividade, as demissões, etc…

Greve cresce em seu quinto dia e continua na terça-feira
Plenárias organizativas por bancos estão marcadas para a mesma terça-feira e na quarta tem assembleia na Quadra, às 17h

São Paulo – A greve dos bancários cresceu na segunda-feira 28 com mais de 39 mil trabalhadores de braços cruzados e 805 locais de trabalho parados em São Paulo, Osasco e região. Sem qualquer novidade na proposta dos bancos, os funcionários decidiram em assembléia manter a greve por tempo indeterminado na terça 29.

> Fotos: galeria geral, das zonas norte, sul, leste e oeste, Osasco

Na mesma terça, sexto dia de greve, o Sindicato realiza plenárias organizativas por bancos com início às 17h. Os bancários de bancos privados reúnem-se no Auditório Verde da Quadra e os trabalhadores da Caixa na Quadra (Rua Tabatinguera, 192, Sé). Os funcionários do Banco do Brasil fazem plenária no Centro Trasmontano (Rua Tabatinguera, 294, Sé) e os empregados da Nossa Caixa no Auditório Azul do Sindicato (Rua São Bento, 413, Centro). Na quarta-feira 30, os trabalhadores voltam a se reunir em assembleia na Quadra a partir das 17h para definir os rumos do movimento.

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O presidente do Sindicato, Luiz Cláudio Marcolino, explica que o Comando Nacional dos Bancários tentou um novo contato com a Fenaban no sábado 26 para retomar as negociações. A federação dos bancos (Fenaban), em resposta ao oficio, comprometeu-se a marcar uma nova rodada de negociação. “Os bancários querem muito mais do que um compromisso, exigem que a Fenaban marque definitivamente uma negociação e apresente uma proposta que corresponda ás reivindicações dos trabalhadores”, diz Marcolino. “Os bancários não abrem mão de aumento real de salários, PLR maior, proteção ao emprego em caso de fusões, fim do assédio moral e metas abusivas”, acrescenta.

Concentrações – Além das agências, permaneceram fechados os prédios administrativos da Nossa Caixa (Rua do Tesouro, XV de Novembro, Líbero e Álvares Penteado), Unibanco (Patriarca, Boa Vista e CAU, onde funciona parte da tecnologia do banco), Banco do Brasil (Complexo São João, Verbo Divino e Ipiranga), banco Real (Call Center SP1 e SP2) e as terceirizadas Tivit e Fidelity. No Bradesco Alphaville, onde funciona a área de sistemas do banco, novamente houve paralisação até 10h30.

Superação – No quinto dia de greve, os bancários tiveram de superar a pressão e as ameaças dos bancos para manter o movimento forte. O assédio moral para desmobilizar os trabalhadores foi usado por praticamente todos os bancos que, sem sucesso, passaram a chamar a polícia para reabrir as agências. Na maioria das ocorrências, os bancários resistiram à coação dos bancos e mantiveram a paralisação.

Leia mais
> Bancários superam pressão dos bancos no 5º dia de greve

Redação – 28/09/2009

fonte: http://www.spbancarios.com.br/noticia.asp?c=12608

Ato contra a crise reúne 10 mil em SP

Posted by Editorial do Outubro | Posted in crise econômica, reforma agrária | Posted on 17-08-2009

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Mais de 20 entidades sindicais, estudantis e populares reuniram 10 mil pessoas em ato em defesa da redução da jornada de trabalho e dos direitos dos trabalhadores, no contexto da crise econômica mundial, na Avenida Paulista, em São Paulo, na manhã desta sexta-feira (14/8). O ato começou por volta das 10h e terminou às 14h.

Os mil integrantes do MST, que estavam alojados no Estádio do Pacaembu, participaram da manifestação, que também defendeu a realização da Reforma Agrária. No começo da tarde, os Sem Terra começaram a voltar para o interior do estado de São Paulo, depois de nove dias de mobilização.

Jornada Nacional de Lutas

Posted by Editorial do Outubro | Posted in crise econômica | Posted on 13-08-2009

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DIA 14 DE AGOSTO | 10h | AV. PAULISTA (PRAÇA OSWALDO CRUZ)

NÃO ÀS DEMISSÕES.  PELA REDUÇÃO DA JORNADA DE TRABALHO SEM REDUÇÃO DE SALÁRIOS. EM DEFESA DOS DIREITOS SOCIAIS.

O Brasil vai às ruas no dia 14 de agosto. Os trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade unidos contra a crise e as demissões, por emprego e melhores salários, pela manutenção dos direitos e pela sua ampliação, pela redução das taxas de juros, na luta pela redução da jornada de trabalho sem redução de salários, pela reforma agrária e urbana e em defesa dos investimentos em políticas sociais.

A crise da especulação e dos monopólios estourou no centro do sistema capitalista mundial, os Estados Unidos da América, e atinge todas as economias.

Lá fora – e também no Brasil -, trilhões de dólares estão sendo torrados para cobrir o rombo nas multinacionais, em um poço sem fim. Mesmo assim, o desemprego se alastra, podendo atingir mais de 50 milhões de trabalhadores.

No Brasil, a ação nefasta e oportunista das multinacionais do setor automotivo e de empresas como a Vale do Rio Doce, CSN e Embraer, levou à demissão centenas de milhares de trabalhadores e trabalhadoras.

O Governo Federal, que injetou bilhões de reais na economia para salvar os bancos, as montadoras e as empresas de eletrodomésticos (linha branca), tem a obrigação de exigir a garantia de emprego para a Classe Trabalhadora como contrapartida à ajuda concedida.

O povo não é o culpado pela crise. Ela é resultado de um sistema que entra em crise periodicamente e transforma o planeta em uma imensa ciranda financeira, com regras ditadas pelo mercado. Diante do fracasso desta lógica excludente, querem que a Classe Trabalhadora pague pela crise.

A precarização, o arrocho salarial, o arrocho salarial e o desemprego prejudicam os mais pobres. Nas favelas e periferias. É preciso cortar drasticamente os juros, reduzir a jornada de trabalho sem reduzir salários, acelerar a reforma agrária e urbana, ampliar as políticas em habitação, saneamento, educação e saúde, e medidas concretas dos governos para impedir as demissões, garantir o emprego e a renda dos trabalhadores.

Com este espírito de unidade e luta, vamos realizar, em todo o país, grandes mobilizações.

NÃO ÀS DEMISSÕES!

PELA RATIFICAÇÃO DAS CONVENÇÕES 151 E 158 DA OIT!

REDUÇÃO DOS JUROS! FIM DO SUPERÁVIT PRIMÁRIO! REDUÇÃO DA JORNADA SEM REDUÇÃO DE SALÁRIOS E DIREITOS!

REFORMA AGRÁRIA E URBANA, JÁ

FIM DO FATOR PREVIDENCIÁRIO!

EM DEFESA DA PETROBRÁS E DAS RIQUEZAS DO PRÉ-SAL!

POR SAÚDE, EDUCAÇÃO E MORADIA!

POR UMA LEGISLAÇÃO QUE PROÍBA AS DEMISSÕES EM MASSA!

PELA CONTINUIDADE DA VALORIZAÇÃO DO SALÁRIO-MÍNIMO E PELA SOLIDARIEDADE INTERNACIONAL AOS POVOS!

ORGANIZADORES:

CGTB, CTB, CUT, FORÇA SINDICAL, NCST, UGT, INTERSINDICAL, ASSEMBLÉIA POPULAR, CEBRAPAZ, CMB, CMP, CMS, CONAM, FDIM, MARCHA MUNDIAL DAS MULHERES, MST, MTL, MTST, MTD, OCLAE, UBES, UBM, UNE, UNEGRO/CONEN, VIA CAMPESINA, CNTE, CIRCULO PALMARINO.