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ATO-SHOW SOMOS TODOS PINHEIRINHO

Comemoração de 8 anos de ocupação

sábado 3 de março, das 15 às 22h.

no Campão do Campo dos Alemães

São José dos Campos

às 18:30h

acontece o lançamento nacional do documentário:


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Trecho do Filme Malcolm x

“Malcolm X”, com Denzel Washington no papel principal. O diretor – negro – é Spike Lee: De 1992, onde Malcolm responde a questões sobre ódio ao branco num programa de TV.

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Refazendo a história – a compreensã da onda revolucionária de 2011

Revolução Árabe
Refazendo a história – a compreensão da onda revolucionária de 2011

No primeiro aniversário da Revolução Egípcia, Alex Callinicos procura entender a onda revolucionária e seu potencial para ir muito mais longe

As revoluções árabes mostraram uma tenacidade impressionante. Derrubaram alguns ditadores e abalaram o poder de outros. Acima de tudo, elas estão em pleno desenvolvimento.

A luta pela democratização da sociedade egípcia continua. E revolucionários na Síria têm demonstrado surpreendente coragem e determinação apesar de mais de cinco mil mortes a mando do Estado.

Mas como podemos obter uma medida da importância das revoluções? É tentador fazer comparações históricas.

A comparação mais freqüente vem sendo feita em relação às revoluções de 1848, que começou com a derrubada da monarquia francesa e passou a agitar o antigo regime por toda a Europa.

Isso não é necessariamente a comparação mais reconfortante, porque o antigo regime conseguiu se manter e esmagar as revoluções.

Cerca de 20 anos mais tarde, um líder da extrema-esquerda na Revolução de 1848, o alemão Frederick Engels, refletia em seu exílio, em Manchester.

Ele escreveu a outro líder revolucionário exilado, seu amigo e camarada Karl Marx: “O esquecimento completo sobre a causalidade entre revolução e contra-revolução é um resultado necessário de cada vitória da reação. Na Alemanha, a geração mais jovem não conhece absolutamente nada sobre 1848 …; a história sofreu uma parada abrupta lá no final de 1847″.

Engels estava descrevendo como a memória da dinâmica da revolução e da contra-revolução se perde em um período de reação.

Um efeito disso é que, no retorno de períodos revolucionários, eles são vistos através de uma lente de distorção criada durante os anos em que a contra-revolução foi vitoriosa.

Alcance global

Isto é ainda mais verdadeiro hoje, depois que as revoluções árabes e a crise econômica global feriram gravemente a era neoliberal, durante a qual o capitalismo imperou sem freios e revoluções foram consideradas coisa do passado.

Assim, as tentativas de entender as revoluções são moldadas pelos mitos deste período de reação do mercado livre.

Um desses mitos é relativamente fácil de demolir. É a idéia de que a derrubada de Zine el-Abidine Ben Ali, na Tunísia, e Hosni Mubarak, no Egito, são os últimos de uma sucessão de “revoluções coloridas” que estão se espalhando capitalismo de estilo ocidental liberal em todo o mundo.

A dificuldade óbvia com esta visão é que as revoluções na Tunísia e no Egito derrubaram governantes estreitamente alinhados com o imperialismo ocidental.

Além disso, seus governos foram sempre foram extremamente elogiados pelo Banco Mundial pela determinação e sucesso com o que implementavam políticas econômicas neoliberais.

Aliás, foram precisamente os efeitos do neoliberalismo, ao polarizar e empobrecer as sociedades egípcias e tunisianas e o enriquecer uma elite minúscula intimamente ligada aos regimes, que levaram aos levantes populares.

Podemos ver esta mesma dinâmica, na Síria. Mesmo em conflito com Israel e o Ocidente, Bashar al-Assad implementou “reformas” econômicas que beneficiaram um punhado de parceiros de negócios.

Mas há outros mitos que se desenvolveram sob o reinado do neoliberalismo. Alguns deles, entre seus críticos. Um dos mais influentes surgiu a partir do livro “Império” de Michael Hardt e Toni Negri, segundo o qual a oposição ao capitalismo atual é impulsionada por uma “multidão” amorfa que procura flanquear em vez de confrontar as cidadelas do poder econômico e político.

Este mito foi popularizado no novo livro de Paul Mason, “Why Kicking Off Everywhere”. Nele, Mason apresenta muitos pontos interessantes. Por exemplo, destaca o papel desempenhado por uma geração de graduados desempregados, não apenas nas revoluções árabes, mas também nos movimentos do sul da Europa contra a austeridade e no chamado “Ocuppy”. Um setor formado por aqueles a quem a crise econômica nega um futuro.

Mas a validade da análise de Mason é prejudicada por um entusiasmo um tanto ingênuo em relação às tecnologias de comunicação e mídias sociais.

Assim, ele escreve: “Uma vez que as redes de informação tornam-se sociais, as implicações são enormes: a verdade agora pode viajar mais rápido do que as mentiras e toda a propaganda torna-se instantaneamente inflamável.”

As mídias sociais

Mason deveria dar uma olhada no contexto geral e na forma como as mídias sociais têm sido usadas ​​para construir a campanha presidencial de Ron Paul, voltada para defender as loucuras do mercado livre e dos direitos de propriedade. Em geral, a direita republicana tem sido muito bem sucedida no uso de tecnologias de informação para enfraquecer a presidência de Barack Obama e na divulgação de todo o lixo criado pelos candidatos nas eleições primárias republicanas.

Facebook, Twitter e afins, sem dúvida, desempenharam um papel importante ao permitir que ativistas se comunicassem e organizassem. Mas, depois que Mubarak desligou a internet e as redes móveis, antigas tecnologias como telefones fixos e TV (sobretudo Al Jazeera) foram muito mais decisivas durante as lutas que o derrubaram.

Agora, a Revolução Egípcia desenvolve uma luta contra o regime que já foi presidido por Mubarak e que sobreviveu a sua queda na forma do Conselho Supremo da Forças Armadas (SCAF).

Um processo que vem sendo marcado pelo confronto entre jovens revolucionários da classe trabalhadora e as forças do poder do Estado: exército e polícia de choque.

Os jovens revolucionários podem se comunicar pelo Twitter, mas, ao contrário de Mason ou Negri, eles entendem que o poder do Estado tem que ser derrubado, e não ignorado.

Ao traçar o rumo futuro das revoluções, no entanto, temos de enfrentar um dos mitos mais fortemente arraigados da era neoliberal: a islamofobia.

Muitas pessoas, mesmo da esquerda radical e revolucionária, acreditam que os principais beneficiários da derrubada de Ben Ali e Mubarak foram os islâmicos.

Principalmente, depois que venceram as recentes eleições parlamentares, organizados no Nahda, na Tunísia, e na Irmandade Muçulmana e seu Partido da Justiça e da Liberdade, no Egito.

Subjacente a este tipo de avaliação pessimista há dois erros. O primeiro trata os islâmicos como um monólito reacionário. Na verdade, a Irmandade Muçulmana é uma formação política complexa, com uma história longa e complicada. Foi beneficiada por sua oposição consistente a Mubarak durante décadas, quando as forças seculares-nacionalistas e comunistas estavam fracas e desacreditadas.

Como resultado de seu sucesso e esforços, como o desenvolvimento de programas de bem-estar para os pobres, a Irmandade engloba no seu seio as forças de muito diversos e contraditórios empresários respeitáveis ​​e socialmente conservadora para jovens ativistas que foram baluartes da luta nas ruas.

Isto significa que, ao participar do poder junto com a Junta Militar, o FJP estará sob uma enorme pressão. Algo que irá puxar a organização em diferentes direções. Uma das pressões mais importantes virá da crise econômica.

Como os socialistas revolucionários egípcios apontam em um comunicado recente, “as reservas cambiais estão rapidamente se esvaindo (caíram de US$ 36 bilhões para US$ 15 bilhões durante o primeiro ano da revolução). A inflação aumenta na ausência de qualquer mecanismo para controlar a alta dos preços. O desemprego cresce continuamente.

“E tudo isso está acontecendo no contexto de uma grave crise do capitalismo global, o quel, por sua vez, reduz a renda para do capitalismo egípcio que vinha de fontes como o turismo, o Canal de Suez e o investimento estrangeiro.”

O segundo erro é tomar um instantâneo do processo revolucionário em um determinado momento e apresentá-lo como ponto de chegada. No Egito, como nas revoluções anteriores, a consciência muda de acordo com ritmos variados.

O inimigo

Uma grande minoria da juventude revolucionária enxerga agora a Junta como o principal inimigo a ser destruído. Mas amplas camadas de trabalhadores, camponeses e pobres urbanos estão dispostos a dar à junta e à Irmandade a chance de reformar a sociedade egípcia, ainda que continuem simpáticos aos revolucionários.

Em que direção estas camadas se moverem irá determinar o resultado da Revolução Egípcia. Será que eles vão se juntar à minoria revolucionária na luta contra a Junta? Ou será que se moverão para a direita, talvez voltando-se para os islamitas salafistas ultra-puritanos, que também se saíram bem nas eleições?

A resposta a esta pergunta dependerá, acima de tudo, da capacidade do movimento dos trabalhadores egípcios. De sua capacidade de oferecer um caminho com base na luta coletiva tanto contra os generais como contra os patrões.

Até agora, vimos novos sindicatos e greves muito combativas. Mas é essencial que os trabalhadores encontrem sua própria voz e sua independência política.

Apesar dos mitos projetados sobre as revoluções árabes, seu futuro permanece em aberto. No turbilhão das lutas, toda a nossa história pode ser refeita.

Fonte: REVOLUTAS – 03/02/2012, www.revolutas.com.br

 

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A Grécia como um modelo em escala para a Europa


A Grécia não tem peso suficiente para desequilibrar financeiramente a Europa, pois representa apenas algo como 2% da eurozona, mas o que acontece nela é uma espécie de modelo em escala reduzida do cenário europeu e norte-americano que inevitavelmente seguirá o curso que ela tomar. Os neoliberais incrustados no Banco Central Europeu, na Comissão Europeia e no FMI tentam proteger de perda total a finança privada inflada pela maior especulação da história do capitalismo. Dificilmente serão bem sucedidos. O artigo é de J. Carlos de Assis.

J. Carlos de Assis (*)

A Grécia não tem peso suficiente para desequilibrar financeiramente a Europa, pois representa apenas algo como 2% da eurozona, mas o que acontece nela é uma espécie de modelo em escala reduzida do cenário europeu e norte-americano que inevitavelmente seguirá o curso que ela tomar. Sob o nome um tanto pomposo de consolidação da dívida pública grega, os neoliberais incrustados no Banco Central Europeu, na Comissão Europeia e no FMI tentam proteger de perda total a finança privada inflada pela maior especulação da história do capitalismo. Dificilmente serão bem sucedidos.

No meio de múltiplos dados e estatísticas bilionárias e trilionárias divulgadas diariamente pela imprensa cobrindo praticamente o mundo todo, é muito fácil para o homem comum perder a perspectiva do que de fato está acontecendo na economia planetária. Contudo, em termos conceituais, tudo é muito simples. Especulou-se demais a partir do mercado imobiliário americano e de alguns países da Europa (Espanha, por exemplo). Essa especulação vazou para o mundo todo através dos sistemas financeiros globalmente conectados. Uma enorme bolha financeira, formada por lucros fictícios, descolou-se da economia real. Seu valor efetivo era uma fração do valor de face.

Toda bolha financeira um dia estoura. Às vezes, no mercado acionário. Outras vezes, quando se exagera nos financiamentos externos (crise dos juros no Terceiro Mundo no início dos 80). Em geral, para que a esfera financeira especulativa se reconcilie com a economia real, os detentores dos créditos se defrontam com perdas certas. Isso, contudo, pode ser atenuado no mercado de títulos onde parte das perdas são patrimoniais e recuperáveis: se a pessoa não precisar de vender as ações no curto prazo, pode esperar melhores condições de mercado mesmo que isso leve anos. Já no mercado de dívida bancária a situação é diferente.

A especificidade da crise atual é que ela resultou de especulação no coração do sistema bancário americano e mundial. Os bancos ofereceram créditos, embrulharam os créditos em títulos arriscados, embaralharam títulos com outros títulos, venderam para seguradoras e fundos, recompraram de seguradoras e fundos, e sancionaram a especulação imobiliária na base oferecendo empréstimos para quem não podia pagar. A partir de 2007, os mais espertos já sabiam que isso não ia durar muito. Com efeito, em 2008, a crise estourou quando o Lehman Brothers, o quinto maior banco de investimento dos Estados Unidos, simplesmente quebrou com bilhões de títulos podres em carteira.

Nos Estados Unidos, as autoridades do Tesouro e do Fed imaginaram inicialmente poder deixar que o mercado “liberal” resolvesse a crise. Logo verificaram que, sem interferência oficial, todo o sistema capitalista, a partir do núcleo bancário, colapsaria. O Bank America e o Citigroup, os dois maiores, estavam em pior situação: o Governo teve que estatizá-los parcialmente. Em seguida, foi feito um teste de stress em relação aos outros 17 maiores conglomerados bancários comerciais, constatando-se que o Fed teria que manter suas torneiras de crédito subsiado abertas para garantir o sistema funcionando.

Nos Estados Unidos, porém, depois do custo inicial de US$ 800 bilhões ainda no governo Bush, a sustentação do sistema ficou em sua maior parte a cargo do Fed, sem que isso caracterizasse um subsídio irrecuperável. De qualquer forma, o sistema se beneficiou largamente de condições financeiras que permitiram, e ainda permitem, excelentes condições de arbitragem: os bancos tomam dinheiro a um custo de quase zero por cento do Fed e o aplicam, sem risco, nos títulos do Tesouro rendendo 3,5%. É uma simples operação eletrônica, sem qualquer custo. Com isso, facilitou-se o processo de financiamento requerido pelo pacote fiscal – este, sim, à conta do Tesouro e do cidadão – de US$ 787 bilhões do governo Obama, lançado no início de 2009.

Entretanto, a salvação bancária americana é um fato que está longe de ter sido superado. Giram no mercado cerca de US$ 6 trilhões em hipotecas, estimando-se que algo como US$ 1,5 a US$ 2 trilhões sejam de perda certa quando chegar seu vencimento. Os bancos terão de renegociá-las e, principalmente, fazer lucro a curto prazo ou captar no mercado os recursos necessários para cobrir essas perdas pois, caso contrário, quebram. Como são grandes demais para quebrar, eventualmente terão de ser salvos pelo governo, a despeito do risco moral e da indignação dos cidadãos que se verão espoliados pela especulação privada em mais essa rodada.

Na Europa o comprometimento estatal foi mais longe. Os governos tiveram que salvar seus bancos injetando bilhões de dólares em seus caixas. Alguns, como os ingleses Royal Scotland Bank e o Barclays tiveram de ser estatizados. O mesmo destino tiveram os bancos irlandeses. Neste caso, para evitar sua quebra efetiva, foi o Estado que virtualmente quebrou. Na pequenina Islândia, o governo, pressionado por plebiscitos, foi mais sábio: deixou quebrarem três bancos que, em comparação a seu PIB, eram gigantescos. Até na Alemanha o segundo maior banco, o Commenzbank, teve que ser parcialmente estatizado. Note-se que, na zona do euro, a salvação dos bancos ficou quase totalmente a cargo dos tesouros – portanto, dos cidadãos -, já que o BCE limitou a compra de títulos públicos dos governos.

O circuito da crise financeira é, pois, o seguinte: especulação exagerada no mercado de hipotecas, inadimplência, quebra ou ameaça de quebra dos bancos mais expostos e mais ambiciosos, intervenção dos governos para impedir a quebra dos muito grandes (oito centenas de médios e pequenos foram deixados ir à garra só nos Estados Unidos), programas de ajuste fiscal para reduzir o consequente déficit e a dívida pública dos governos a pretexto de tranquilizar os mercados quanto a seu pagamento, destruição do estado de bem-estar social. Isso funcionará? Claro que não, bastando ver a situação de Irlanda, Portugal e Grécia, todas vítimas dos programas de ajuste, e todas sem saída. E não é preciso esperar muito para surgirem as consequências do desastre não só nas ruas de Atenas; é que se verá, no resto da Europa, que de te fabula narratur.

(*) Economista e professor, coautor, com o matemático Francisco Antônio Doria, de “O universo neoliberal em desencanto”, Ed. Civilização Brasileira. Esta coluna sai às terças também no site Rumos do Brasil e no jornal “Monitor Mercantil”, RJ.

Fonte: Carta Maior, http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=19608

 

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Ato dos juristas em defesa das familias do Pinheirinho, SP, 16/02, 19H

Ato dos juristas em defesa das familias do Pinheirinho – SP – 16/02 – 19H

Entre as diversas barbáries ocorridas no caso da desocupação do Pinheirinho, se incluem muitas inclusive do ponto de vista jurídico. É esse o foco da publicação especial da Comissão de Direitos Humanos do Sindicato dos Advogados de São Paulo intitulada“Pinheirinho: uma barbárie inclusive jurídica”.

O SASP, em parceria com a Comissão de DH da OAB de São José dos Campos, está organizando ainda o ATO DOS JURISTAS EM DEFESA DAS FAMÍLIAS DO PINHEIRINHO, no dia 16/02, às 19hs, na Sala dos Estudantes, Faculdade de Direito da USP.
Divulgue e compareça!
Saiba mais em: www.sasp.org.br
Já confirmaram participação no ato:
- Carlos Duarte, Presidente do Sindicato dos Advogados de São Paulo
- Aristeu César Pinto Neto, da Comissão de Direitos Humanos da OAB Subseção São José dos Campos
- Toninho Ferreira, Advogado dos moradores do Pinheirinho
- Marcio Sotelo, Procurador do Estado e articulador do manifesto dos juristas sobre o caso Pinheirinho
- Jorge Luiz Souto Maior – Juiz de Direito e Professor da Faculdade de Direito da USP
- Raquel Rolnik, Relatora Especial da ONU para o direito à moradia adequada
- Representantes das famílias

 

Aguardamos confirmação de:
- Jairo Salvador, Defensor Público em São José dos Campos
- Representante da Associação Juízes para a Democracia
- OAB Nacional

 

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SOMOS TOD@S PINHEIRINHO

Quem ainda tem dúvidas sobre o que ocorreu no bairro do Pinheirinho em São José dos Campos, deve ir até lá fazer uma visita, o cenário é de guerra civil, impossível não se solidarizar com a população que morava ali.
Todas as casas foram demolidas, mesmo as que ainda tinham pertences dentro delas, no meio dos escombros é possível encontrar bonecas, bichos de pelúcia, carrinhos de brinquedo, carrinhos de bebê, pedaços de móveis e eletrodomésticos, fica claro que não existiu a menor preocupação por parte dos invasores (governo, PM e GCM) com a população, todos foram colocados para fora e não tiveram nem a oportunidade de retirar os seus bens. Os animais de estimação também permanecem no bairro, os moradores do bairro voltam lá relembrando todas as cenas de horror que foram obrigados a viver ali, para poderem alimentá-los.
Nos alojamentos a situação permanece digna de uma guerra, as pessoas estão dormindo no chão, ou em arquibancadas em cima de colchonetes, todos dividem o mesmo espaço, não existem banheiros suficientes para todos, os guardas dos locais agem como se todos ali fossem prisioneiros, querendo impor horários de entrada e saída, dizendo o que eles podem e o que não podem fazer. O atendimento médico é precário, uma ambulância em um momento de emergência chega a demorar duas horas para ir até os locais prestar atendimento, além de tudo isso, a comida que chega nos alojamentos enviada pelo governo, muitas vezes vem estragada.
As famílias se organizam para resistir, no alojamento do Morumbi eles não aceitaram a imposição de horário para entrada e saída, não estão aceitando a intervenção dos guardas nos assuntos das famílias e estão exigindo a presença de uma ambulância 24 horas no local, como foi prometido pelo prefeito de São José dos Campos Eduardo Cury – PSDB.
Além de tudo isso, agora surge a denúncia de uma moradora do Pinheirinho de que foi estuprada por policiais durante a invasão da policia ao bairro. O comandante geral da PM, Álvaro Batista Camilo diz “Nós somos uma instituição séria e um dos nossos três pilares é o respeito aos direitos humanos. Não compactuamos com abusos e não há espaço para maus policiais.”. Alguém ainda pode acreditar nisso? Nem o próprio comandante pode acreditar no que diz, basta olhar as imagens para ter certeza de que respeito aos direitos humanos é algo que a PM não conhece.

Ato Nacional
No dia 02/02 o ato nacional em defesa do Pinheirinho teve a presença de mais de 4.000 pessoas de diversas organizações e da população do Pinheirinho, o ato iniciou no centro de São José na praça Afonso Pena e saiu em marcha pela cidade passando pela câmara municipal e terminando na prefeitura, as autoridades locais preferiram mais uma vez se esconder, fechando as entrada tanto da câmara quando da prefeitura.
Os manifestantes vieram de várias regiões do país e trouxeram muitas doações para as famílias do Pinheirinho, por onde o ato passava os trabalhadores do comércio local também demonstravam apoio.
O ato exigiu dos governos municipal, estadual e federal a imediata desapropriação do terreno do Pinheirinho e a construção de moradias populares para as famílias que lá viviam.

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Parte 2 – Luta por moradia no centro de São Paulo

Apartir de hoje mais 250 famílias estão morando nas ruas de São Paulo. É que a tradicional esquina da Av. Ipiranga com a Av. São João eternizada pela música de Caetano Veloso, Sampa, foi palco triste reintegração de posse. O prédio, um antigo bingo, fechado há mais de 20 anos servia de moradia para ratos e baratas quando, em novembro, foi ocupado pelo movimento de moradia (FLM). O governo KASSAB cumpriu a reintegração e não fez nenhuma proposta para que essas pessoas não ficassem desamparadas, até o cadastramento das famílias a prefeitura se negou a fazer. As famílias, sem alternativa, montaram acampamento nas calçadas da Av. São João e o prédio voltará a dar abrigo a ratos e alvo da especulação imobiliária.

Moradia popular

Moradores na rua após desocupação
Moradia no centro de São Paulo

Moradores saindo do prédio

Barracos na Av São João

Desalojados constroem seus barracos na Av São João

Famílias nas ruas de São Paulo

Desalojados constroem barracos nas ruas de São Paulo

Desalojados no centro de São Paulo

Desalojados no centro de São Paulo transformam a calçada em abrigo

Dasalojados na Av São João

Desalojados pela prefeitura não têm para onde ir e ficam nas calçadas da Av São João

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Luta por moradia no centro de São Paulo

Apartir de hoje mais 250 famílias estão morando nas ruas de São Paulo. É que a tradicional esquina da Av. Ipiranga com a Av. São João eternizada pela música de Caetano Veloso, Sampa, foi palco triste reintegração de posse. O prédio, um antigo bingo, fechado há mais de 20 anos servia de moradia para ratos e baratas quando, em novembro, foi ocupado pelo movimento de moradia (FLM). O governo KASSAB cumpriu a reintegração e não fez nenhuma proposta para que essas pessoas não ficassem desamparadas, até o cadastramento das famílias a prefeitura se negou a fazer. As famílias, sem alternativa, montaram acampamento nas calçadas da Av. São João e o prédio voltará a dar abrigo a ratos e alvo da especulação imobiliária.

Luta por moradia

02 fevereiro, 6 da manhã - Moradores do Prédio da Av Ipiranga com Av São João se manifestam contra a reintegração de posse

Ocupação São João com Ipiranga

Moradores tirando suas coisas do prédio

Prédio Ipiranga com São João

Esvaziando os barracos

Invasão Ipiranga com São João

Uns barracos já no chão

Av Ipiranga com a Av São João

Direito a moradia

Roupas e eletrodomésticos amontoados para serem levados

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O conluio entre os poderes econômico e político

Até quando os noticiários dos jornais e da televisão mostrarão as cenas degradantes dos despejos de famílias sem-teto?

A mais recente delas, realizada em uma área de São José dos Santos, expulsou famílias que ocupavam, há oito anos, uma área periférica da cidade.

Oito mil policiais foram desviados das suas funções de manutenção da segurança da população para essa inglória tarefa.

Agindo com violência, esses policiais feriram as pessoas, destruíram as casas e os objetos dessa pobre gente, atingindo até as crianças. Foi uma barbaridade.

O promotor público, obrigado por lei a presenciar essas operações, brilhou pela ausência.

Chama a atenção igualmente a ausência de parlamentares, especialmente daqueles pertencentes aos partidos de esquerda.

Com a exceção honrosa do senador Eduardo Suplicy, é muito raro ver parlamentares presentes nesses eventos com a finalidade de prevenir excessos da força policial.

O mais incrível é que o mesmo Estado que realizou o despejo estava negociando com o proprietário do terreno a aquisição da área, para vender aos ocupantes.

Os advogados dessas famílias fizeram um grande esforço para demonstrar à juíza do processo que a solução do problema era uma questão de dias.

Indiferente ao drama humano que sua decisão causaria, a juíza aplicou mecanicamente a lei e determinou o despejo.

Não contente, um juiz de direito acompanhou o despejo e indeferiu de plano, em pleno local, todas as petições que foram apresentadas pelos advogados com o proposito de evitar a execução do mandado.

Só se justificaria a presença de um magistrado em eventos desse tipo se fosse para prevenir excessos da força policial.

No entanto, a presença de um juiz de direito no Pinheirinho não causou nenhuma inibição nos soldados, em uma evidente demonstração do conluio entre o poder econômico e o poder político nos Estados hegemonizados pela burguesia.

Nesses Estados, a prioridade primeiríssima é sempre a defesa do sacrossanto direito de propriedade. Todo o resto -os direitos humanos, a integridade física, os pequenos pertences das pessoas- fica subordinado ao direito maior.

Por isso, o direito à propriedade de um milionário relapso, que deve milhões de tributos não pagos ao Estado brasileiro, justifica o espancamento de pessoas e a destruição de seus bens.

E agora? Como ficam as famílias despejadas? Quem cuidará delas?

Elas obviamente irão ocupar outra área. Serão novamente expulsas e voltarão a sofrer os mesmos vexames e as mesmas violências.

Isso acontece e continuará acontecendo enquanto não houver uma legislação que coíba a especulação imobiliária, porque é ela que causa o aumento extorsivo do preço dos terrenos e, desse modo, exclui as famílias pobres do mercado.

Pacífica, despolitizada e sem organização, essa população tem aceitado a situação intolerável sem recorrer à violência. Até quando?

Isso vai continuar acontecendo enquanto os partidos de esquerda deixarem de cumprir seu papel de conscientizar e organizar essa massa, para que ela resista a esses ataques de armas na mão.

Na hora em que isto for uma realidade, não haverá violência, porque a consciência dessa realidade será suficiente para manter os cassetetes na cintura.

PLÍNIO DE ARRUDA SAMPAIO, 81, advogado, foi deputado federal pelo PT-SP (1985-1991), consultor da FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação) e candidato a presidente pelo PSOL (Partido Socialismo e Liberdade)

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Somos Tod@s Pinheirinho

 

Os moradores da comunidade do Pinheirinho estão se reorganizando para continuar sua luta por algo que seria dever do estado proporcionar: MORADIA.
Nesta última semana essas pessoas já foram expulsas de suas casas da forma mais covarde e cruel possível, durante a noite, em um final de semana(o que por si só já torna a desocupação inconstitucional), além de estarem desarmados contra uma PM e GCM sádicas e fortemente armadas.
Após esse episódio covarde, essas pessoas se viram obrigadas a aceitar a ida para um “abrigo” da prefeitura de São José dos Campos, ou manter a autonomia do movimento indo se abrigar em uma igreja que não tinha a menor condição estrutural de recebê-los. Mais de 600 pessoas decidiram por ir para a igreja e manter a luta, dormindo em colchonetes dispostos no chão ou em bancos de madeira, e muitos do lado de fora da igreja, já que a mesma estava superlotada. Sem roupas, sem produtos de higiene pessoal, sem os remédios que alguns precisavam tomar e que se encontravam embaixo dos escombros de suas casas destruídas pelo tucanato, mesmo assim eles resistiram. No dia 25/01 não foi mais possível permanecer no local, e as pessoas acabaram em outro suposto “abrigo” disponibilizado pela prefeitura. Um ginásio onde continuam a passar necessidade, pois tudo o que tinham foi destruído pelo governo tucano.
Agora esse mesmo governo diz que irá construir moradias para essas pessoas, que eles terão prioridade nessas novas casas, os tucanos tiveram 8 anos para regularizar a situação do Pinheirinho, por quê não fizeram isso? Precisaram destruir tudo o que foi construído coletivamente por essas pessoas, precisaram matar, humilhar, aterrorizar, para depois dizerem que eles são prioritários. Não nos enganemos, os tucanos só estão fazendo isso porquê a opinião pública se voltou contra eles, porque eles estão perdendo o controle da situação. O prefeito de São José dos Campos Eduardo Cury teve que se esconder durante alguns dias, o governador de São Paulo Geraldo Alckmin não compareceu a missa do aniversário de São Paulo, até para eles o que foi feito excedeu os limites.
Não podemos esquecer que ainda existem desaparecidos, que houveram mortes, que tentaram de todas as formas destruir a dignidade desses lutadores e lutadoras, mas não conseguiram. Mesmo tendo destruído as moradias do Pinheirinho, a comunidade ainda resiste. E, por isso, precisa de todo o apoio.

Agenda de atividades em apoio a comunidade do Pinheirinho:

- 28/01 Festa do Bloco do Saci a partir das 20:00 horas no ECLA: Rua da Abolição, 244 – Bixiga – Tel: 3104 – 7401 com a entrada de R$ 10,00 revertida para a comunidade do Pinheirinho.

- 01/02 Audiência Pública na ALESP às 14:00 horas.

- 02/02 Ato em São José dos Campos à partir das 09:00 horas.

SOMOS TOD@S PINHEIRINHO

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