Informe:

COB realiza primeira greve nacional no mandato de Evo Morales

Depois de muito tempo parado, o site outubrovermelho volta a noticiar a luta de classes no Brasil e no mundo. Desta vez é a volta das mobilizações na Bolívia. Assim como no Brasil, durante o governo Evo, os setores mais a esquerda ficaram paralizados diante do governo do primeiro indígena no país....

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Um exercício de anacronismo.

Posted by Editorial do Outubro | Posted in Imperialismo | Posted on 02-10-2008

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Proponho aqui um exercício de anacronismo. A proposta é um tanto grosseira, mas me parece que vale para pensar o nosso mundo e as nossas perspectivas de melhora (ou piora). A idéia é pensar 2 absurdos: pense no início dos anos 70 no Chile; e na atualidade brasileira. Agora cruze os distintos elementos de organização popular que caracterizam cada um dos contextos históricos mencionados. No Chile, uma massa de trabalhadores organizada ocupando e autogerindo fábricas, organizando a produção e distribuição dos reduzidos bens que circulavam apesar do embargo econômico gringo. Uma massa politizada e disposta a abrir caminho ao socialismo chileno pela via do argumento e das eleições democráticas. No Brasil, uma massa de trabalhadores e desempregados desorganizados, competindo para produzir e distribuir os fartos e diversificados bens que as empresas multinacionais despejam no polarizado mercado brasileiro. Uma massa despolitizada e disposta a abrir o caminho ao consumo de luxo pela via da bala. De um lado, uma massa salpicada de lideranças revolucionárias cheias de talentos e argumentos. De outro lado, uma massa salpicada de criminosos cheios de talentos e armas.

Imagine se no Chile de Allende as massas populares estivessem prontas para a guerra como estão as classes “perigosas” do Brasil contemporâneo. Nenhuma tentativa de golpe teria êxito. Os militares não ganhariam tanto espaço antes do bombardeio final, a coisa teria explodido antes, com outra correlação de forças. Um povo politizado e armado, estrategicamente disposto pelo território nacional teria resistido ao golpismo fascista. Nessa ocasião, setores do povo queriam armas para lutar, mas Allende seguia acreditando na via institucional para solucionar o problema, até que veio o golpe e nada mais podia ser feito. Se o povo estivesse armado teria defendido o governo constitucional da Unidade Popular com a própria vida e de uma maneira única, o que colocaria o processo revolucionário chileno em outro patamar.

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Agora o contrário, imagine se no Brasil de Lula as massas populares tivessem a consciência política da classe trabalhadora chilena do início dos anos 70. Nenhuma privatização, nenhum abuso de poder, nenhuma especulação imobiliária, nenhum desmatamento teria êxito. O governo não teria tanta tranqüilidade para conduzir a economia tão subordinada ao imperialismo norte-americano, a coisa explodiria a cada tentativa de um burocrata saquear os cofres públicos com uma canetada. Seria também outra correlação de forças. Um povo politizado e armado, estrategicamente disposto pelo território nacional resistiria a cada ofensiva neoconservadora ou neoliberal do governo. No Brasil contemporâneo o povo vive imerso numa guerra sem sentido, guerreia cada dia por um prato de comida, por um tênis Nike, por um papel de cocaína, por uma boca de fumo. Muitas armas circulam pelas periferias das grandes cidades, mas nenhuma delas é empregada para solucionar os problemas da realidade brasileira. Nesse contexto se vive como se nada mais pudesse ser feito. Se o povo brasileiro estivesse consciente de seu poder e de seu rumo atacaria o governo constitucional do PT com a força da própria vida e de uma maneira única, o que colocaria o processo revolucionário brasileiro em outro patamar.

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Desse exercício especulativo é possível sacar algumas conclusões dialéticas. Primeiro, que a institucionalidade democrática burguesa não pode ser um princípio inquestionável. Os próprios opressores internacionais que exaltam o bem comportado governo constitucional brasileiro são os que arquitetaram o Golpe de Estado chileno (e o nosso também). Por outro lado, a institucionalidade democrática não pode ser um princípio descartável. Os avanços da classe trabalhadora chilena no período da disputa eleitoral superam de longe as condições de trabalho e vida já atingidas até hoje no Brasil.

Em segundo lugar, a violência nunca pode ser descartada como um instrumento político. Os mesmos chilenos revolucionários que atuavam dentro da institucionalidade burguesa foram perseguidos, torturados e mortos na ditadura de Pinochet. Se não tivessem sido tão inocentes talvez tivessem alguma chance de vencer essa guerra. Por outro lado, nem toda violência pode ser vista como revolucionária. Roubar o relógio do apresentador playboy não é uma expropriação revolucionária. Seqüestrar, roubar ou mesmo encher um burguês de bala não contribui em nada para o avanço da classe oprimida em suas condições de vida e trabalho.

Agora o delírio final, um outro exercício anacrônico, mas não mais entre o passado e o presente, mas sim entre o presente e o futuro. Pense na atualidade brasileira, e no nosso continente daqui 32 anos. Agora cruze os distintos elementos de organização popular que caracterizariam cada um dos contextos históricos mencionados. O que você vê?

Nosso 11 de setembro III

Posted by Editorial do Outubro | Posted in Contra ou Cultura!!!, Imperialismo | Posted on 11-09-2008

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Há exatos 35 anos a direita fascista, em nome do império norte-americano, destruiu o sonho do povo chileno de se libertar. Impediu o povo chileno de escolher o seu próprio caminho. E, como sabemos, a burguesia quando não consegue o que quer utiliza os mais brutais métodos.

Para relembrar e saudar o legado da luta deste povo colocamos no ar no dia de hoje a canção Venceremos, de VIctor Jara. Está música se tornou o hino da Unidade Popular. Em 1970 os socialistas triunfavam nas eleições presidenciais, e a multidão invadia as ruas de Santiago para comemorar a vitória de Salvador Allende. Víctor, que havia participado intensamente da campanha, viu sua canção “Venceremos” transformar-se em hino de esperança na garganta de operários e camponeses. A partir dali, ele se tornaria o embaixador cultural do governo socialista, adquirindo prestígio internacional.

Plegaria a un labrador

Era uma quarta-feira de cinzas na América Latina, e cerca de 5 mil presos já lotavam as dependências do Estadio Nacional quando Víctor foi reconhecido por El Príncipe, um violento oficial de cabelos ruivos encarregado da triagem. (“¡Che tu madre! Vos sois el cantor de pura mierda!”) Do outro lado do portão, na tentativa de salvar o amigo, alguns colegas ainda tentaram confundir o militar, gritando “eu é que sou Víctor Jara!”, “eu é que sou!”, “eu é que sou!”

Mas o compositor, num gesto extremo de coragem e dignidade, levantou o braço, e cantou os primeiros versos de “Plegaria a un labrador” – a canção que anos atrás, naquele mesmo estádio, o transformava no maior expoente do movimento folk em seu país.
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¿Es tuya la guitarra, cabrón?

Víctor então é empurrado da fila por um soldado, e cai aos pés do oficial ruivo. Recebe coronhadas nos testículos, nos rins, e chutes no rosto. Sob a mira das metralhadoras, seus companheiros contemplam em pânico o caldo de sangue que começa a cobrir os olhos e os cabelos do cantor.

(Mas Víctor não se queixa. E a cada golpe, brilha um sorriso em seu rosto – o mesmo sorriso com o qual nunca deixou de cantar o amor pelo povo, e a esperança de revolucionar o mundo.)

Depois de algumas horas de tortura inenarrável, El Príncipe ordena que as mãos de Víctor sejam amarradas com arame farpado. Bastante ferido no rosto, e com várias costelas quebradas, ele é atirado num dos corredores do estádio, onde é obrigado a permanecer, sem comida nem água, até a tarde de quinta-feira, 13 de setembro de 1973.

(De repente, surge um soldado com um violão destroçado entre os braços: “¿Es tuya la guitarra, cabrón?”)
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¡Venceremos!

Víctor está sentado ao lado de um companheiro, que limpa as feridas de seu rosto dilacerado pelos golpes de fuzil. Seu nome é Boris Navia. (De súbito, Víctor pede lápis e papel.) O amigo então lhe oferece um caderno, e o cantor começa a escrever – mas é rapidamente interceptado por El Príncipe, que, indignado com a audácia do “poeta”, começa a insultá-lo: “¡Yo te enseñaré ahora, hijo de puta, a escribir canciones chilenas y no comunistas!”

(Víctor então é arrastado até o centro do estádio, onde está localizado um grande palco de madeira. Todos estão em pânico – “Traigan la guitarra”, ordena o oficial.)

Silêncio. El Príncipe sorri. Ao sinal do militar, dois soldados começam a golpear as mãos de Víctor Jara – uma, duas, cem vezes – esmagando com cuidado todas as falanges de seus dedos indefesos. (Aquelas mãos, que outrora tangiam os últimos acordes de esperança ao sofrido povo do Chile, agora, pouco a pouco, eram esfaceladas pela histeria fascista daquele oficial ruivo – até estarem completamente separadas do corpo.)

Um dos soldados sai para vomitar. O outro, agarrado ao fuzil, ainda golpeia a nuca de Víctor. El Príncipe acende um cigarro: “¡No estoy escuchando, hijo de puta! ¿No vas a cantar, carajo?” – e depois, com muita força, joga o violão sobre o corpo do compositor, para então soltar uma gorda baforada de divertimento.

(No entanto, em meio à fumaça, Víctor levanta os braços – e deixando as duas mãos dilaceradas sobre o palco, convida a multidão a transformar em música o sangue da sua tragédia: “¡Venceremos! ¡Venceremos! ¡La miseria sabremos vencer!”, ele canta… canta… canta… E o povo, entre lágrimas de terror e revolta, começa a acompanhá-lo.)

E esta foi a última vez que “el cantor” Víctor Jara foi visto com vida.

Texto original

http://www.navevazia.com/chimiageral/2007/11/el-estadio-vcto.html

Nosso 11 de Setembro II

Posted by Editorial do Outubro | Posted in Imperialismo | Posted on 10-09-2008

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CHILE

Trecho do Artigo de James Petras A autogestão dos trabalhadores em perspectiva histórica.

No Chile, sob o governo de Allende (1970-73) mais de 125 fábricas estavam sob o sistema AGT (autogestão dos trabalhadores). Perto da metade controlada por funcionários públicos, o outro cinqüenta por cento por comissões de trabalhadores nas fábricas. Estudos demonstraram que as fábricas baixo AGT eram muito mais produtivas, eficientes e com menos ausentismo que as fábricas estatais sob gerência centralizada. O movimento AGT criou “cordões industriais” que coordenavam a produção e a auto-defensa contra os ataques capitalistas. Nas fábricas exitosas controladas desde abaixo, as disputas entre o partido e o sindicato estavam subordinadas ao poder das assembléias populares nas quais todos os trabalhadores da fábrica participavam. A AGT defendia às fábricas do fechamento, protegia o emprego dos trabalhadores e melhorava consideravelmente as condições sociais de trabalho. Mais importante, propulsava a consciência política dos trabalhadores. Desafortunadamente, as AGT tiveram lugar sob um regime socialista parlamentar e um estado capitalista. A AGT criava uma situaçom de poder dual entre o poder dos trabalhadores materializado nas fábricas e os cordões e, por outro lado, o aparelho de estado militar-burguês. O governo de Allende tratou de manter o equilíbrio entre os dous centros de poder, rejeitando fortalecer ou reprimir os trabalhadores. O resultado foi o golpe militar de 1973 que levou à queda de Allende e a destruiçom do movimento das AGT. A lição foi clara: segundo o sucesso das AGT avançava e se expandia por todo o país, a deslocada classe capitalista e terratenente recorria à violência e à repressom para recuperar o controle sobre os meios de produção. Os capitalistas primeiro tentaram sabotar a distribuição e produção mediante greves de caminhoneiros, despois tentaram bloquear o financiamento e, finalmente, recorreram ao exército e a ditadura. As AGT tentaram pressionar a Allende para que atuasse decisivamente frente à ameaça iminente, mais ele estava cegamente comprometido com os procedimentos parlamentares e as AGT foram vencidas. Se as AGT no Chile tanto como na Iugoslávia se tivessem movido desde a fábrica ou bases setoriais a perspectivas de tomar o poder estatal, os trabalhadores teriam estado numa posição melhor para defender o sistema das AGT.


Nosso 11 de setembro

Posted by Editorial do Outubro | Posted in Contra ou Cultura!!!, Criminalização do Movimento, Imperialismo | Posted on 09-09-2008

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Começamos a relembrar o nosso 11 de setembro. Quase esquecido pelos grandes meios de comunicação. Quase esquecido por aqueles que não conhecem a nossa história. Quase esquecido por aqueles que praticaram um banho de sangue no coração da “democracia”, ou um banho de sangue em nome da “democracia”?

Não nos mataram, seguimos persistente na caminhada. Não começou conosco, e nem terminará. Nossa caminhada é dura e não somos nós que morremos lentamente.

Quem morre.

Morre lentamente
quem destroi seu amor próprio
quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente
quem passa o dia queixando-se da má sorte
ou da chuva incessante.

Morre lentamente,
quem abandona um projeto antes de inicia-lo,
não pergunta sobre um assunto que desconhece,
ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.

Evitemos a morte em dose suave,
recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior
que o simples fato de respirar.
Somente a perseverância fará com que conquistemos
um estágio esplêndido de felicidade.

Pablo Neruda