Informe:

SOBRE O CENTRO DE SÃO PAULO

Chegou a hora das eleições. Todos os poderosos apostam suas fichas (e muito dinheiro) nas campanhas eleitorais. Dentre os principais doadores aos políticos estão as construtoras e as associações imobiliárias. Nas últimas eleições, dos sete maiores doadores, seis eram do ramo imobiliário....

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Sábado 27/03 tem Espetáculo “Meninas, Corram!” na Santa Cecília!

Posted by edutiao | Posted in Contra ou Cultura!!! | Posted on 24-03-2010

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Neste sábado, dia 27 de março, o Núcleo de base de Santa Cecília do PSOL promove a apresentação do espetáculo “Meninas, Corram!”. Realização do grupo NuMiollo de teatro, a peça trata da condição feminina na nossa sociedade, vista pelos olhos de uma mulher dividida entre os afazeres domésticos, o sucesso profissional, os ideais de beleza e a criação dos filhos.

MARCHA MUNDIAL DAS MULHERES CHEGA A SÃO PAULO

Posted by rafah | Posted in O povo sai as ruas | Posted on 18-03-2010

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Segue informe da Marcha Mundial das Mulheres que chega hoje a São Paulo depois de muita caminhada e luta!

Marcha Mundial das Mulheres completa dez dias na estrada

As duas mil militantes chegaram a Osasco, onde debaterão a integração dos povos e o papel do Estado na transformação da vida das mulheres (e, em última instância, do mundo).

Esta quarta-feira (dia 17) é o décimo dia da 3ª Ação Internacional da Marcha Mundial das Mulheres no Brasil, véspera da chegada a São Paulo e do encerramento com ato público na Praça Charles Miller. Hoje, chegaram a Osasco as duas mil militantes que no dia 8 de março iniciaram em Campinas a grande caminhada de luta e formação. Elas saíram às 6h da manhã do Centro Santa Fé, em Perus, no quilômetro 26 da rodovia Anhanguera, e durante quase cinco horas marcharam 14 quilômetros.

Nos dez dias de caminhada, as militantes já percorreram um total de 108 quilômetros. Desta vez, quem puxou a Marcha foi a delegação de Minas Gerais, que inovou na mística de mobilização. Funcionando como comissão de frente, o grupo de teatro mineiro Obscenas fez uma performance em memória das mulheres brasileiras violentadas e assassinadas.

À medida que a Marcha vai se aproximando da capital paulista, centro do capitalismo brasileiro, cresce a interação crítica com seu entorno. De Perus a Osasco, as duas mil militantes, vindas de todos os estados brasileiros, passaram na frente do Sistema Brasileiro de Televisão (SBT) e do Centro de Distribuição do Grupo Pão de Açúcar. No primeiro, entoaram palavras e cantos de protesto contra a mercantilização do corpo das mulheres e a criminalização dos movimentos sociais, promovida pela mídia comercial brasileira. No segundo, as vaias contra o empresário Antônio Ermírio de Moraes (dono do Grupo Pão de Açúcar) tiveram como pano de fundo a luta por soberania alimentar e pelo fortalecimento da agricultura camponesa e familiar.

Nesta tarde, no Sindicato dos Metalúrgicos, local do alojamento em Osasco, a Marcha fará um debate aberto sobre “integração dos povos como alternativa e o papel do Estado”. Em pauta, uma avaliação dos avanços, limites e desafios para as políticas públicas no Brasil e em nível regional. Amanhã, às 13h, as caminhantes partem com destino ao estádio do Pacaembu, em São Paulo, na frente do qual acontecerá um grande ato público de encerramento desta Ação 2010.

Paz e desmilitarização

Ainda no Centro Santa Fé, ontem à tarde, a Marcha Mundial das Mulheres debateu paz e desmilitarização. A presença da médica cubana Aleida Guevara, filha do revolucionário cubano Che Guevara, emocionou as militantes, algumas das quais incorporaram o papel de verdadeiras tietes. “É bom estar aqui e conhecer pessoas bem preparadas para a luta, que buscam soluções para os seus problemas”, declarou a militante cubana, agradecendo a acolhida calorosa.

A maioria dos intelectuais cubanos é composta por mulheres. Elas representam, por exemplo, 63,8% dos médicos gerais e 65% dos graduados em nível superior. Em Cuba, o aborto é legalizado e a licença maternidade dura 12 meses, podendo ser dividida entre a mãe e o pai.  “Eu nasci em um país socialista, onde a mulher é tratada com respeito e igualdade de direitos”, comemorou Aleida. “Não podemos dar receitas, nem dizer o que vocês precisam fazer. Mas podemos mostrar nossa realidade e dizer que, se um país pequeno e pobre como o nosso conseguiu, o Brasil também consegue”, incentivou a cubana.

Um dos itens da plataforma de reivindicações da Marcha Mundial das Mulheres é a retirada das missões militares da Organização das Nações Unidas (ONU) do Haiti e da República Democrática do Congo. “A presença militar da ONU deve ser emergencial e rápida. No Congo, as tropas já estão há dez anos, provocando inflação com os salários em dólares dos soldados. O caminho para a paz passa necessariamente pela autodeterminação das mulheres e pela soberania dos povos”, defendeu Miriam Nobre, coordenadora internacional da Marcha.

Marcha-SP mailing list
Marcha-SP@listes.marchemondiale.org
http://listes.marchemondiale.org/listinfo/marcha-sp

MENINAS, CORRAM! NO ESPAÇO CULTURAL SANTA CECÍLIA

Posted by rafah | Posted in Contra ou Cultura!!!, Educação | Posted on 17-03-2010

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No próximo dia 27 de março, às 20hs, o Espaço Cultural Santa Cecília recebe o espetáculo Meninas, Corram! do grupo  de teatro NuMiollo. A atividade será realizada em parceria com o Núcleo de Base do PSOL Santa Cecília, no contexto das jornadas feministas organizadas pelo PSOL em celebração do centenário do dia das mulheres. Haverá debate depois da apresentação.

O endereço do ECSC é R. Frederico Abranches, 118, ao lado do metro Santa Cecília.

Entrada a preços populares.

Espetáculo

Meninas, Corram!

cena do espetáculo Meninas, Corram

RELEASE DO ESPETÁCULO

Inserido no panorama de produção cênica contemporânea, o NuMiollo – Núcleo de Investigação da Cena destaca-se por ser um  coletivo de artistas vindos de diversas regiões do país. Fundado em Salvador na Bahia, o grupo que realiza pesquisa teatral continuada há mais de 6 anos tem como característica de trabalho o teatro experimental, o discurso autobiográfico e a arte da performance.

As apresentações deste espetáculo têm como intuito promover a discussão sobre as representações do feminino e as implicações desta discussão no combate à intolerância e à violência física e simbólica contra a mulher.

Meninas, Corram! surge após um processo de análise clínica e psico-terápica pelo qual a atriz foi submetida em decorrência de transtornos alimetares. Este espetáculo emerge de um processo de investigação da cena contendo em si a função poética de desdobrar as elaborações inconscientes em universos cênicos, já que está pautado na expressão do artista que verticaliza sua criatividade, dando a sua leitura de mundo ao espetáculo, criando seu próprio texto, seu roteiro de ações e sua forma de atuação. Ao criar este espaço para a afirmação das singularidades criativas e do discurso performático autoral, Meninas, Corram! localiza a mulher em sua intimidade cotidiana, para ressignificar no micro universo  privado as estruturas homogeinizadoras dos comportamentos humanos existentes no macro universo da esfera pública.

O espetáculo é criado com base numa pulsão corporal de resistência, onde este corpo criativo está posto para figurar uma linguagem que não encontra expressão na fala, assim como o corpo anoréxico. O corpo sem forma feminina que funciona como “protesto”.

O espetáculo questiona  através da cena os problemas de gênero e da violência, física e psíquica, que recai sobre o  corpo feminino; corpo este que é concebido pela atriz como um campo de enunciação e anunciação da produção de subjetividade contemporânea.

SINOPSE DO ESPETÁCULO

Meninas, Corram!, uma criação coletiva, surge da necessidade de se colocar em questão a formulação da imagem corporal das adolescentes e mulheres jovens, que se tornou um processo complexo na contemporaneidade, devido à idealização de corpo feminino específico. A insatisfação, insegurança e ansiedade em relação à aparência corporal revelam estados de fragilidade egóica, onde a preocupação com o peso é entendida como resultado da internalização de padrões irreais de beleza e, muitas vezes, pré-dispõe as jovens à depressão e/ou distúrbios alimentares.

Esta produção teatral dialoga com um dos problemas e questionamentos sócio-culturais da sociedade atual, explorando um tema urgente e específico, que traz consigo grandes dificuldades de discussão e enfrentamento: as representações do feminino e como se promove o controle e a repressão sobre esse mesmo corpo.

O texto criado coletivamente é bastante reduzido para dar voz ao corpo da mulher em sua intimidade cotidiana. O espetáculo toma como substrato a mescla dos valores ditados pela sociedade contemporânea e o medo de despregar-se do mundo lúdico e imaginativo da infância.

Em Meninas, Corram!, uma mulher consumida pelos seus afazeres domésticos, sua carreira profissional e os cuidados com a família percebe-se inapta a realizar todas essas funções, dialogando de forma comicamente atrapalhada com seu corpo, a comida que ingere e os utensílios de sua casa. Escravizada por um modelo de mulher magra, atlética, consumista e bem-sucedida, suas ações provocam um caos doméstico e revelam o que está por trás daquela “histeria”.*

Duração: 50 min.

Faixa Etária: 14 anos

CONTATOS

E-MAIL: aldamariaabreu@gmail.com

TELEFONE: 11 8151-0389

WEB SITE: http://numiollo.blogspot.com/

MULHER E POLÍTICA

Posted by rafah | Posted in Contra ou Cultura!!! | Posted on 15-03-2010

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Divulgamos texto de Gabriela Moncau, que saiu na Caros Amigos de março, sobre a história e a conjuntura atual do movimento feminista. Boa leitura.

Lugar de mulher é na política

Por Gabriela Moncau

Dia Internacional da Mulher completa cem anos com grandes conquistas e muitos desafios.

Lutamos por uma sociedade de brasileiras que compreendam que a mulher não deve viver parasitariamente do seu sexo, aproveitando os instintos animais do homem, mas que deve ser útil, instruir-se e a seus filhos e tornar-se capaz de cumprir os deveres políticos que o futuro não pode deixar de repartir com ela”. A frase parece representar uma demanda atual do  movimento feminista, mas foi pronunciada pela zoóloga Bertha Lutz, em 1918, oito anos depois da definição do 8 de março como Dia Internacional da Mulher. Ao alcançar o centenário, a data traz à tona reflexões sobre o que representou esse período de luta pela igualdade de gênero.

No entanto, as batalhas feministas vêm de bem antes de 1910 e, entre as mudanças ao longo de séculos de luta, o próprio conceito do que é mulher tem tomado outras formas. A ideia de que elas são definidas por sua capacidade reprodutora é algo que paulatinamente tem sido quebrado.

“Há os que ainda pensam que, por termos essa capacidade biológica, somos obrigadas a cumpri-la, como animais reprodutores. Mas somos seres humanos com capacidade de decidir se, quando, como e com quem queremos ou não ter filhos ou filhas. O que humaniza e qualifica a maternidade”, afirma Maria José Rosado, uma das fundadoras e coordenadora da organização Católicas pelo Direito de Decidir. “Há décadas, uma mulher era associada estritamente à ideia de cumprir a função de boa esposa e mãe. Hoje, essas características permanecem, mas são mais sutis ou disfarçadas e somam-se a outros elementos, como a função de boa profissional”, completa Nalu Faria, da Marcha Mundial das Mulheres.

Sujeito político

Já para a uruguaia Lilian Celiberti, da Articulación Feminista Marcosur, “a principal transformação a se comemorar depois de cem anos da data é a constituição das mulheres como sujeitos políticos, com capacidade de questionar e disputar sentidos teóricos e práticos que impactam a organização da sociedade”, analisa. Por mais que as mulheres estivessem presentes em todas as lutas históricas da humanidade, é o feminismo que traz a ideia da mulher enquanto sujeito político próprio, denunciando a existência da opressão específica de gênero, o patriarcalismo, que perpassa todas as classes e etnias. Nalu acredita que o feminismo trouxe mudanças no entendimento do que é cada área da organização social: “Na economia, por exemplo, o trabalho doméstico tem um papel na reprodução do capitalismo que é importantíssimo”.

Portanto, apesar da comemoração das vitórias alcançadas ao longo desses anos de batalhas, o horizonte das lutas ainda não foi alcançado: caso contrário, apontam as feministas, o padrão das relações sociais e culturais da sociedade teria sido radicalmente alterado. O diagnóstico é de que o machismo, assim como o capitalismo, tem uma afiada capacidade de se redefinir e se adequar a cada momento histórico.

Parte do movimento feminista visa construir um projeto de sociedade em conjunto com os outros setores anticapitalistas. “A compreensão de que a pauta não é específica das mulheres, mas faz parte de uma crítica global ao modelo e, portanto, exige o entendimento da sociedade dividida por gênero, classe, raça e etnia é fundamental para a união de diversas lutas que têm o mesmo fim”, sintetiza Nalu Faria. “As lutas das trabalhadoras domésticas, das pescadoras, das camponesas contra o agronegócio, articulam-se com o combate à violência de gênero e com a bandeira pelo aborto legal”, aponta Lílian Celiberti.

Questionada sobre a superação do machismo dentro das próprias organizações antissistêmicas, Celiberti reforça: “as mulheres têm que disputar o poder, questionando as formas de política que as excluem e questionando a legitimidade das propostas de esquerda que não contemplem horizontes de emancipação para homens e mulheres”.

O movimento feminista vive atualmente um momento importante, pois construiu uma plataforma unificada em torno das reivindicações latentes e baseada no acúmulo de experiências das lutas anteriores. Segundo Maria Amélia de Almeida Teles, da Articulação de Mulheres de São Paulo, “hoje existe uma construção de propostas unificadas no mundo inteiro, com mais articulação na América Latina”. As principais bandeiras, além da disputa nos espaços políticos – institucionais e no interior das próprias organizações – são contra a violência às mulheres e pela legalização do aborto. Nesses dois pontos, avaliam as feministas, ainda há muito a avançar.

Violência doméstica

As violências físicas praticadas contra as mulheres escancaram uma das formas mais perversas da desigualdade entre os gêneros. Exemplos de agressões não faltam e evidenciam a naturalização das agressões. Em junho de 2007, o espancamento da trabalhadora doméstica Sirlei Dias de Carvalho Pinto, abordada num ponto de ônibus por jovens de classe média do Rio de Janeiro, e a justificativa mais preconceituosa ainda – “achávamos que era uma prostituta” –, demonstrou, segundo as feministas, que a misoginia e a negação da humanidade da mulher ainda estão arraigadas em nossa sociedade.

Além disso, a violência dentro do âmbito doméstico atinge índices assustadores. De acordo com dados divulgados pelo Conselho Nacional de Justiça em 2009, a quantidade de processos em tramitação no Brasil relacionados à agressão doméstica chegou a 150.532. No entanto, como consequência de muita luta do movimento de mulheres, a questão deixou de ser tratada como parte do fórum íntimo para ser vista como um problema público, social e cultural.

A conquista, em 2006, da Lei Maria da Penha (n° 11.340/06), que responsabiliza família, Estado e sociedade por “toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão” contra as mulheres, foi comemorada por todos os setores feministas.

Gabriela Moncau é estudante de jornalismo

Para ler a reportagem completa e outras matérias confira a edição de março da revista Caros Amigos, já nas bancas, ou clique aqui e compre a versão digital da Caros Amigos.

Mulheres ocupam ruas de São Paulo no centenário do 8 de março

Posted by Baltazar | Posted in Contra ou Cultura!!!, Criminalização do Movimento | Posted on 09-03-2010

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Em ato-caminhada que reuniu cerca de mil pessoas no centro da capital paulista, feministas de todo o estado homenagearam as mulheres socialistas que estiveram na origem da luta por igualdade, autonomia e liberdade cem anos atrás. Militantes do PSOL, da Secretaria de Mulheres do partido e o deputado federal Ivan Valente também marcaram presença. Texto original http://www.ivanvalente.com.br/?p=6070

Paulina Rosa de Souza Jacinto tem 50 anos e é motorista de ônibus e de caminhão. Herdou a profissão do pai e conta que ainda sofre muito preconceito entre os colegas de trabalho, que não aceitam uma mulher entre eles. “Já usei muito banheiro masculino nas garagens, porque simplesmente não há feminino”, conta. Nesta segunda, Paulina se juntou a suas companheiras do Sindicato dos Condutores e participou, ao lado de cerca de mil mulheres, da manifestação do 8 de Março em São Paulo. Este ano, a data é marcada por um simbolismo especial: em 2010, comemora-se o centenário do Dia Internacional da Mulher.

Em fevereiro de 1910, a socialista alemã Clara Zetkin propôs, na 2a Conferência Internacional das Mulheres Socialistas, a criação do Dia Internacional da Mulher. A ação das operárias russas no dia 8 de março de 1917, precipitando o início das ações da Revolução Russa, é a razão mais provável para a fixação desta data como o Dia Internacional da Mulher.

“A ação das mulheres socialistas no processo da revolução colocou as feministas em outro patamar de luta organizativa”, avalia Luka Franca, da Secretaria Estadual de Mulheres do PSOL. “Desde então, apesar de tantas conquistas, as mulheres têm mostrado que ainda é preciso resistência”, completa Laura Cymbalista, também integrante da secretaria e membro da comissão organizadora do 8 de Março em SP.

Caminhando pelas ruas do centro de São Paulo, foram muitas as bandeiras de luta reafirmadas pelas feministas, da luta pela legalização do aborto ao combate à violência e a todas as formas de opressão.

“Vivemos em um país onde as mulheres são discriminadas e as mulheres negrais, ainda mais. A mulher negra ganha sempre o menor salário, e muitas vezes não tem acesso à escola porque precisa começar a trabalhar cedo”, explica Rosa Anacleto, da Unegro. “A maioria dos pobres também são as mulheres negras. É só olhar pra quem foram as principais vítimas das enchentes em São Paulo: as mulheres que vivem na periferia da cidade”, disse.

E nesta luta pelo combate à opressão e às desigualdades, a busca pela construção de uma sociedade socialista foi reafirmada em diversas falas.  “Muitas mulheres morreram para estarmos aqui. Então hoje não é dia do comércio nos oferecer flores. É dia de luta e de guerra para construir um mundo melhor, e este mundo será socialista”, concluiu Berna  Menezes, da Intersindical.

O deputado federal Ivan Valente participou da manifestação do 8  de Março, que também marcou o início das atividades da Jornada de formação feminista, organizada pela Secretaria de Mulheres do PSOL. A jornada contará com atividades como cine-debate sobre religião e violência contra a mulher, debate sobre o Programa Nacional de Direitos Humanos, sarau em homenagem a Iara Iavelberg, uma oficina sobre a imagem da mulher na mídia e o planejamento dos eixos de luta da Secretaria Estadual de Mulheres do PSOL. Para saber mais, visite a página do PSOL-SP. http://psolsp.org.br/?p=4742

NA SEMANA DAS MULHERES, NOSSO POSICIONAMENTO SOBRE O ABORTO

Posted by rafah | Posted in Contra ou Cultura!!!, política institucional | Posted on 07-03-2010

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Aproveitamos a semana do dia internacional da mulher para explicitar nossa posição sobre o aborto, reiterando o posicionamento de nosso candidato a presidente, Plinio de Arruda Sampaio. Ainda que www.outubrovermelho.com.br, diferentemente de Plínio, sejamos ateus, estamos convencidos de que a saída proposta é a que mais avança contra a dominação masculina.

Descriminalizar e estatizar o aborto!

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RELATÓRIO DE DIREITOS HUMANOS 2009

Posted by Editorial do Outubro | Posted in Contra ou Cultura!!!, Criminalização do Movimento, Imperialismo, Movimento Negro, crise econômica, política institucional, reforma agrária | Posted on 09-12-2009

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Divulgamos hoje o lançamento da décima edição do relatório anual de direitos humanos organizado pela Rede Social de Justiça e Direitos Humanos. Importantes militantes e pensadores participam dessa edição debatendo temas como a violência no campo, o genocídio no Rio de Janeiro e os campos de concetração paulistas.

Vale a pena conferir.

joão Ripper_trabalho infantil vs direitos humanos

Relatório faz balanço sobre direitos humanos no Brasil nos últimos 10 anos

A publicação será lançada nesta quarta-feira, 9 de dezembro, em São Paulo

Resultado do trabalho de pesquisa de 26 organizações ligadas à defesa dos direitos humanos, o Relatório Direitos Humanos no Brasil 2009 é organizado pela Rede Social de Justiça e Direitos Humanos e traz um panorama sobre as violações de direitos humanos no Brasil na última década. O lançamento acontece no dia 9 de dezembro, a partir das 18h, no Sesc Avenida Paulista, em São Paulo , com uma homenagem às 117 entidades que têm contribuído com esse trabalho ao longo dos últimos 10 anos.

Estão confirmadas as participações de dom Tomás Balduíno, da Comissão Pastoral da Terra, João Paulo Rodrigues, da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, João Xerri, do Grupo Solidário São Domingos, as atrizes Letícia Sabatella e Dira Paes, do Movimento Humanos Direitos, Carlita da Costa, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Cosmópolis, e Josilene Brandão, da Coordenação Nacional das Associações Quilombolas.

O primeiro capítulo, intitulado “Direitos Humanos no Meio Rural”, contém dados sobre a violência no campo e um balanço sobre a política agrária no Governo Lula. Também trata do agronegócio e sua ligação com a violação dos direitos humanos, além de trazer uma análise sobre o trabalho escravo no país, a situação dos atingidos por barragens, das comunidades quuilombolas no Brasil, as violências contra os povos indígenas, entre outras informações.

A segunda parte tem como tema “Direitos Humanos no Meio Urbano”. Os textos abordam problemas como a segurança pública e a violência no estado do Rio de Janeiro, uma análise sobre os últimos 10 anos do sistema prisional no Brasil, as violações contra crianças e adolescentes, e dados sobre moradia no país.

O relatório enfoca, em seu terceiro capítulo, dados sobre o direito à educação e o direito ao trabalho; a desigualdade social; a dimensão da mortalidade materna no Brasil; e a situação da saúde nesse período.

As políticas internacionais e os direitos humanos são os destaques do último capítulo do Relatório Direitos Humanos no Brasil 2009. Estão ali análises sobre o clima; sobre migração; uma análise acerca do conceito de pobreza difundido pelo Banco Mundial; e sobre a militarização na América Latina.  

Com prefácio da Subprocuradora-Geral da República, Ela Wiecko, fotos de João Ripper, e organizada pelas jornalistas Evanize Sydow e Maria Luisa Mendonça, a obra é publicada em português e inglês, e composta por artigos de:

- Ana Esther Ceceña – Diretora do Observatório Latino-americano de Geopolítica no Instituto de Pesquisas Econômicas, Universidade Nacional Autônoma do México

- Antonio Canuto – Secretário da Coordenação Nacional da CPT

- Ariovaldo Umbelino de Oliveira – Professor Titular Geografia Agrária – FFLCH – USP

- Beatriz Galli – membro do CLADEM Brasil, Comitê Latino Americano e do Caribe pelos Direitos da Mulher, assessora de direitos humanos do Ipas Brasil

- Clemente Ganz Lúcio – Sociólogo, Diretor Técnico do DIEESE, membro do CDES – Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, do Observatório da Equidade e do Conselho de Administração do CGEE – Centro de Gestão e Estudos Estratégicos
- Felipe Rangel de Souza Machado – Professor-pesquisador da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio, da Fundação Oswaldo Cruz (EPSJV/Fiocruz)

- Francisco Adjacy – Sociólogo e membro do grupo de pesquisa Observatório das Nacionalidades

- Guilherme C. Delgado – Pesquisador do IPEA (aposentado), Doutor em Economia pela Universidade de Campinas e Profesor Visitante da Universidade Federal de Uberlândia, MG, membro do Conselho Consultivo da Rede Social

- Humberto Miranda – Membro do Grupo de Trabalho Hegemonias e Emancipações da CLACSO. Integrante do Observatório Latino-americano de Geopolítica

- Jailson de Souza e Silva – Professor da Universidade Federal Fluminense; Fundador do Observatório de Favelas do Rio de Janeiro e Secretário Municipal de Educação de Nova Iguaçu – RJ

- José de Jesus Filho - missionário oblato de Maria Imaculada e Assessor Jurídico da Pastoral Carcerária Nacional

- José Juliano de Carvalho Filho – economista, Professor da FEA-USP e Diretor da ABRA (Associação Brasileira de Reforma Agrária), membro do Conselho Consultivo da Rede Social

- Kenarik Boujikian Felippe - juíza de direito da 16ª Vara Criminal de São Paulo, co-fundadora, ex-presidente e secretária do conselho executivo da Associação Juízes para a democracia, membro do Conselho Consultivo da Rede Social

- Luiz Bassegio e Luciane Udovic – Coordenação Continental do Grito dos Excluídos

- Luis Fernando Novoa Garzon – membro da Rede Brasil sobre IFMs e da REBRIP. É professor da Universidade Federal de Rondônia-UNIR
- Maria Helena Zamora – Professora doutora da PUC-Rio
- Maria Luisa Mendonça – coordenadora da Rede Social de Justiça e Direitos Humanos, cursa o doutorado em Geografia na Universidade de São Paulo (USP)

- Mariana Fix - arquiteta e urbanista formada pela FAU-USP, mestre em sociologia pela FFLCH-USP e doutoranda no Instituto de Economia da UNICAMP

- Mariângela Graciano - coordenadora do Observatório da Educação da Ação Educativa

- Mônica Dias Martins - professora da Universidade Estadual do Ceará, coordenadora do Observatório das Nacionalidades e editora da revista Tensões Mundiais, membro do Conselho Consultivo da Rede Social

- Patrícia Lino Costa – Economista e assessora da Direção Técnica do DIEESE

- Pedro Fiori Arantes - arquiteto e urbanista, mestre e doutorando pela FAU-USP. É coordenador da Usina, assessoria técnica de movimentos populares em políticas urbanas e habitacionais, e assessor do curso “Realidade Brasileira”, da via Campesina

- Ricardo Resende Figueira – Presidente do Conselho Deliberativo da Rede Social, padre e antropólogo, professor da Escola de Serviço Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro e Coordenador do Grupo de Pesquisa Trabalho Escravo Contemporâneo do Núcleo de Políticas Públicas em Direitos Humanos da mesma Universidade

- Roberto Malvezzi – Membro da Coordenação Nacional da CPT e membro da FIAN Brasil

- Rogério Tomaz Jr - jornalista, integrante do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social

- Rosane Lacerda – Advogada, especialista em direitos indígenas e Professora Assistente de Direito Público do Curso de Direito do Campus Jataí da Universidade Federal de Goiás (UFG)

- Sandro Silva – professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal do Espírito Santo e doutorando em Antropologia no Programa de Pós Graduação em Antropologia da Universidade Federal Fluminense

- Sérgio Dialetachi – consultor para energia e mudanças climáticas da Fundação Heinrich Böll

- Sérgio Haddad - coordenador geral da Ação Educativa

Lançamento “Relatório Direitos Humanos no Brasil 2009
9 de dezembro, a partir de 18h.
Sesc Avenida Paulista – Av. Paulista, 119, Paraíso, São Paulo

PELA DESCRIMINALIZAÇÃO DO ABORTO

Posted by Editorial do Outubro | Posted in Contra ou Cultura!!!, Criminalização do Movimento, política institucional | Posted on 08-12-2009

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Divulgamos hoje declaração da Frente Nacional pela Legalização do Aborto. O aborto é uma opção da mulher autônoma e não deve ser criminalizado pelo Estado. Quem é contra que não faça, mas por quê condenar aquelas que o fazem por opção ou por necessidade? A criminalização só promove um recorte de classe na prática do aborto, quem tem dinheiro aborta em caríssimas clínicas clandestinas ou no estrangeiro; quem não tem dinheiro aborta em clínicas precárias, ou em casa, ou tomando remédios e outras fórmulas caseiras que representam graves riscos para a saúde da mulher.

Aborto livre e gratuíto.

aborto um direito descriminalizaçao

DECLARAÇÃO FINAL DA ASSEMBLEIA DA FRENTE NACIONAL PELO FIM DA CRIMINALIZAÇÃO DAS MULHERES E PELA LEGALIZAÇAO DO ABORTO.

Recrudesce no Brasil um processo de criminalização dos movimentos sociais, organizações e militantes. Isto para bloquear o avanço das lutas por direitos e transformação social. No caso da luta das mulheres não é diferente.

Forças patriarcais tradicionais, constituídas pelas oligarquias, a ultra direita fascista e setores fundamentalistas das igrejas cristãs, nos últimos anos deslancharam um processo de perseguição e criminalização da luta das mulheres por autonomia e autodeterminação reprodutiva atingindo em primeiro lugar as mulheres que recorreram a prática do aborto e aqueles/as que as apóiam.

Numa perversa aliança entre neoliberais e conservadores, vivemos uma conjuntura de cerceamento do direito ao debate democrático sobre a problemática do aborto, ao mesmo tempo em que cresce no Estado o poder e influência destas forças. Ocupam o parlamento, os espaços de controle social e avançam no controle da gestão da rede pública de educação e de saúde, e nesse caso, ameaçando os princípios do SUS com impacto negativo na qualidade do atendimento às mulheres. Dados de estudos e pesquisas sobre a mortalidade de mulheres comprovam que, pela magnitude da proporção de mulheres negras mortas nos serviços de saúde, configura-se num verdadeiro genocídio perpetrado pelo Estado brasileiro contra esta população.

As forças patriarcais, religiosas ou não, atuam também na base dos partidos políticos e movimentos sociais, disputando ideologicamente o debate de projeto de sociedade junto à juventude e à ampla parcela cristã dos/as militantes e dirigentes. Por este estratagema tentam impor sua doutrina religiosa, visão de mundo e visão sobre as mulheres, a sexualidade e a reprodução humana.

A adesão ao ideário conservador no campo da sexualidade e reprodução construiu as contradições que hoje enfrentamos nos partidos de esquerda e nos movimentos do campo democrático popular, que, construindo um projeto libertador, recuam em propostas libertárias quanto à autonomia das mulheres.

Hoje no Brasil, parte dos algozes da inquisição com suas vestes e capuzes tem uma nova face: o paletó, o jaleco branco, a toga, que no legislativo, nos tribunais, serviços de saúde, delegacias se arvoram a prender, julgar, punir e condenar as mulheres que, em situação limites de sua vida, optaram pela prática do aborto como ultimo recurso diante de uma gravidez indesejada.

Temos hoje uma das piores e mais reacionária legislatura no Congresso Nacional desde a ditadura, que ataca os movimentos sociais pela via das CPIs, entre elas a CPI do Aborto, ao mesmo tempo em que aprova a concordata entre o Brasil e o Vaticano, uma ameaça ao princípio da laicidade do Estado brasileiro.

Nesta conjuntura, nós integrantes da Frente Nacional pelo Fim da Criminalização das Mulheres e pela Legalização do Aborto reafirmamos:

- nosso compromisso com a construção da Frente formada por movimentos sociais e setores democráticos brasileiros;

- nosso compromisso com a defesa radical das mulheres e movimentos sociais engajados nas lutas sociais;

- nosso compromisso de não abandonar e prestar solidariedade a todas as mulheres que precisaram recorrer ao aborto,

- nosso compromisso com a construção de um Brasil justo e democrático.

Convocamos todas as mulheres a mobilizarem sua inquietude, rebeldia e indignação na luta feminista em defesa das mulheres;

Convocamos os setores democráticos a somarem-se em aliança contra a criminalização das mulheres e dos movimentos sociais;

Não aceitamos qualquer proposta de plebiscito sobre o tema do aborto. Esta prática não pode ser transformada em questão plebiscitária. Esta é uma questão de foro íntimo de cada uma de nós mulheres. As mulheres devem ter garantida a sua capacidade moral e soberana de tomar decisões sobre suas vidas.

Exigimos dos poderes da República a observância dos Tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário e observância das resoluções das Conferências de Políticas para Mulheres, cumprindo a revisão, coordenada pela SPM em 2005, da legislação que pune o aborto e avançando na sua legalização nos termos da proposta consensuada no âmbito da Comissão Tripartite formada pela sociedade civil, executivo e legislativo.

Nenhuma mulher deve ser presa, punida, maltratada ou morrer pela prática do aborto.

Pela autonomia e cidadania de todas as mulheres! Pelo fim da criminalização das mulheres!

Pela legalização do aborto!

São Paulo, 07 de Dezembro de 2009

RIR PARA NÃO CHORAR

Posted by Editorial do Outubro | Posted in Contra ou Cultura!!! | Posted on 19-11-2009

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Para não chorar a extradição do italiano Battisti… rir com um cordel bem brasileiro…

uniban_taleban_geyse de uniforme

UMA BURCA PARA GEISEY
Miguezim de Princesa

I
Quando Geisy apareceu
Balançando o mucumbu
Na Faculdade Uniban,
Foi o maior sururu:
Teve reza e ladainha;
Não sabia que uma calcinha
Causava tanto rebu.

II
Trajava um mini-vestido,
Arrochado e cor de rosa;
Perfumada de extrato,
Toda ancha e toda prosa,
Pensou que estava abafando
E ia ter rapaz gritando:
“Arrocha a tampa, gostosa!”

III
Mas Geisy se enganou,
O paulista é acanhado:
Quando vê lance de perna,
Fica logo indignado.
Os motivos eu não sei,
Mas pra passeata gay
Vai todo mundo animado!

IV
Ainda na escadaria,
Só se ouvia a estudantada
Dando urros, dando gritos,
Colérica e indignada
Como quem vai para a luta,
Chamando-a de prostituta
E de mulherzinha safada.

V
Geisy ficou acuada,
Num canto, triste a chorar,
Procurou um agasalho
Para cobrir o lugar,
Quando um rapaz inocente
Disse: “oh troço mais indecente,
Acho que vou desmaiar!”

VI
A Faculdade Uniban,
Que está em último lugar
Nas provas que o MEC faz,
Quis logo se destacar:
Decidiu no mesmo instante
Expulsar a estudante
Do seu quadro regular.

VII
Totalmente escorraçada,
Sem ter mais onde estudar,
Geisy precisa de ajuda
Para a vida retomar,
Mas na novela das oito
É um tal de molhar biscoito
E ninguém pra reclamar.

VIII
O fato repercutiu
De Paris até Omã.
Soube que Ahmadinejad
Festejou lá no Irã,
Foi uma festa de arromba
Com direito a carro-bomba
Da milícia Talibã.

IX
E o rico Osama Bin Laden,
Agradecendo a Alá,
Nas montanhas cazaquistãs
Onde foi se homiziar
Com uma cigana turca,
Mandou fazer uma burca
Para a brasileira usar.

X
Fica pra Geisy a lição
Desse poeta matuto:
Proteja seu bom guardado
Da cólera dos impolutos,
Guarde bem o tacacá
E só resolva mostrar
A quem gosta do produto.

SOBRE MACHISMO, EDUCAÇÃO E RESISTÊNCIA

Posted by Editorial do Outubro | Posted in Contra ou Cultura!!!, Criminalização do Movimento, política institucional | Posted on 10-11-2009

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Reproduzimos a baixo o ótimo artigo de Luciana Candido, publicado no site dos companheiro do PSTU (www.pstu.org.br), sobre a expulsão da mulher atacada pelos alunos da UNI(TALE)BAN, sobre o recuo da universidade, e sobre a manifestação de ontem.

Sob pressão, Uniban recua e desiste de expulsar Geyse


Luciana Candido
da redação
Outros textos deste(a) autor(a)

Kit Gaion
Manifestação repudiou machismo na Uniban


• Por causa de um vestido, a aluna Geyse Arruda foi julgada pela primeira vez pelos alunos da Universidade Bandeirante (Uniban) e por pouco não foi apedrejada. Neste domingo, ela foi declarada culpada novamente. Desta vez, pela própria universidade, que tomou uma atitude digna da inquisição. Um informe publicitário publicado nos principais jornais de São Paulo informava que Geyse seria expulsa, e culpava-a, “por faltar com a moralidade”.

No fim da tarde desta segunda, 9 de novembro, centenas de pessoas se reuniram em frente ao campus. Eram representantes de entidades sindicais e estudantis, partidos, ONGs, trabalhadores e estudantes que foram até lá para prestar solidariedade e, principalmente, protestar contra as atitudes grotescas dos alunos e da própria universidade.

Durante o ato, os manifestantes receberam a notícia de que a Uniban havia recuado de sua decisão de expulsar a vítima. O anúncio, no entanto, não foi suficiente para acabar com a manifestação. O fato já estava consumado e a Uniban já tinha legitimado o machismo e a selvageria protagonizados por seus alunos. Nada apaga isso.

Dentro do campus, alguns alunos defendiam a instituição. Separados dos manifestantes por uma grade, vaiavam as falas no carro de som e gritavam “Fora! Fora!”.

A imprensa compareceu em peso. A apresentadora Sabrina Sato, do programa Pânico, usava um microvestido rosa, em alusão ao de Geyse. Os alunos machistas da Uniban, não a atacaram da mesma forma que à Geyse, mas a cercaram e gritaram “Fica! Fica!”. Natural, para quem considera a mulher um pedaço de carne a ser consumido.

O recuo
A nota em que a Uniban revê a expulsão de Geyse é direta: “O reitor da Universidade Bandeirante – Uniban Brasil, de acordo com o artigo 17, inciso IX e XI, de seu Regimento Interno, revoga a decisão do Conselho Universitário (CONSU) proferida no último dia 6 sobre o episódio do dia 22 de outubro, em seu campus em São Bernardo do Campo. Com isso, o reitor dará melhor encaminhamento à decisão”. Ao contrário da nota de expulsão.

“A educação se faz com atitude e não com complacência” é o título da nota inusitada, que diz que Geyse teve uma atitude provocativa. A Uniban, que está sendo chamada de “Unitaleban” amplamente na internet e entre os movimentos sociais, justificou: “[a atitude provocativa] buscou chamar atenção para si por conta de gestos e modos de se expressar, o que resultou numa ação coletiva de defesa do ambiente escolar”.

Perplexidade
Poucos fatos geram tanta unidade como gerou o caso Geyse. Não fosse por uma minoria de alunos que se sentiram maculados pela repercussão, a posição de rechaço a esta violência teria sido unânime.

Perplexidade talvez seja a melhor palavra para classificar o fato de setores tão diferentes terem se manifestado a favor de Geyse. Houve, é claro, um oportunismo da imprensa, que a levou a programas sensacionalistas bizarros que preenchem (ou esvaziam) as tardes semanais. Mas até a grande imprensa foi obrigada a reconhecer o absurdo retorno à Idade Média promovido pela Uniban.

As organizações feministas, evidentemente, foram as primeiras a se manifestar. A Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas) e a Assembleia Nacional de Estudantes Livre (Anel) divulgaram uma nota conjunta em que afirmam que “ao invés de questionar a vestimenta da estudante, os estudantes deveriam questionar a mercantilização do corpo da mulher, e ao invés de culpabilizar as mulheres pelas roupas que usam, devem-se questionar os valores impostos na nossa sociedade que levam a manifestações animalizadas”.

Articulistas se manifestaram rapidamente, expressando repulsa, antes mesmo da expulsão. Em artigo intitulado “A culpada é a vítima”, publicado no Observatório da Imprensa, a jornalista Ligia Martins de Almeida relembrou o assassinato de Ângela Diniz por Doca Street, quando ela foi responsabilizada pela própria morte. “Quando parecia que as mulheres vítimas de violência não seriam mais tratadas como culpadas – como ocorreu quando Doca Street matou a socialite Ângela Diniz – acontece o caso de Geisy Arruda, a estudante da Uniban, em São Paulo”, diz Ligia.

O renomado psicanalista Contardo Calligaris também criticou duramente a atitude dos alunos. Em seu blog, pede desculpas às feministas. “Ainda recentemente, pensei (e disse, numa entrevista) que, ao meu ver, o feminismo tinha chegado ao fim de sua tarefa histórica. Em particular, eu acreditava que, depois de 40 anos de luta feminista, ao menos um objetivo tivesse sido atingido: o reconhecimento pelos homens de que as mulheres (também) desejam. Pois é, os fatos provam que eu estava errado”.

A situação, de tão inverossímil, também provocou protestos bem humorados, como o novo apelido da instituição – Unitaleban – e as fotos de burkas que circulam pela internet como o novo uniforme da Uniban. Também não faltam críticas ao responsável de marketing da universidade, visto que a decisão, além de reacionária, foi um tiro no próprio pé.

Até o Ministério da Educação e Cultura (MEC) cobrou explicações da universidade. O Ministério Público Federal instaurou um inquérito para apurar as circunstâncias da expulsão.

Que ambiente estavam defendendo?
Que houve uma reação coletiva, como afirma a nota da Uniban, não há dúvidas. Mas não foi, num primeiro momento, de defesa do ambiente escolar. Foi uma reação violenta a um comportamento: a escolha da jovem por uma determinada roupa. Desta reação, encabeçada pelos homens, participaram também, tristemente, mulheres. Essas últimas deram o sinal verde para que, amanhã ou depois, estes mesmos homens as ofendam e agridam por qualquer motivo.

Num segundo momento, após a repercussão, houve sim uma defesa coletiva da instituição por parte dos alunos. Eles argumentam que a imagem da universidade está sendo manchada por Geyse. Porém só quem pode ter manchado a imagem da universidade são os próprios alunos animalizados, que chegaram a escalar as paredes para ver a moça pela janela da sala. Isso está registrado em vídeos amplamente divulgados.

Estes alunos envergonham a juventude brasileira que, esperamos que, em sua maioria, não concorde com tal barbaridade. Não representam a opinião do conjunto da juventude felizmente. No entanto, há de se pensar até quando isso vai durar. O retrocesso que houve no terreno moral nos últimos dez ou quinze anos é algo a ser estudando. Entre os argumentos pró-Uniban, prevaleceu o individualismo, a vontade egoísta de pegar seu diploma e ir ao mercado de trabalho mesmo que passando por cima de qualquer senso de humanidade.

Quanto à Uniban, esta foi a prova mais concreta da decadência da educação. Longe de uma instituição de ensino de qualidade, que privilegie a formação. Ao contrário do que afirmou na nota paga de domingo, a instituição não tem nenhum “compromisso com a responsabilidade social e a promoção dos valores que regem uma instituição de ensino superior”, a menos que os valores aqui referidos sejam o preconceito, a discriminação, a violência e a violação de direitos humanos.

O único compromisso da Uniban é com o lucro. Universidade só leva no nome, quando não passa de um supermercado de ensino, de uma fábrica de diplomas. É impensável que uma instituição de ensino verdadeiramente preocupada com a educação pudesse concordar e respaldar tais atitudes de seus alunos – no caso da Uniban, clientes.

A propósito, o advogado da Uniban, Décio Lencioni Machado, que responsabilizou Geisy pela sua expulsão, preside a Comissão de Legislação e Normas do Conselho Estadual de Educação de São Paulo. Ele também é conselheiro da Câmara de Educação Superior. Isso mostra a verdadeira relação do Estado com a educação.

Este é o resultado de anos de neoliberalismo, de privatização do ensino, de Fies e ProUnis que disseminam o ensino privado, longe de facilitar o acesso à universidade. E de um modelo de educação voltada para inculcar nas cabeças de seus clientes o que há de pior, ideologicamente, na sociedade. Tudo em nome de um sistema que transforma tudo e todos em simples mercadorias.

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