Informe:

Um preso duas medidas

Neste mês o governo cubano anunciou que libertará 50 prisioneiros políticos. O governo dos EUA vem a público elogiar a medida. E dizer que é um acontecimento positivo. Agora vem a nossa campanha: EUA libertem os seus presos políticos. Ao norte da ilha encontra-se o território estadunidense. Este...

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POLÍCIA VIOLA DIREITOS HUMANOS EM ACAMPAMENTOS DO MST NO PARÁ

Posted by Editorial do Outubro | Posted in Criminalização do Movimento, Imperialismo, reforma agrária | Posted on 03-12-2009

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Divulgamos nota da Pastoral da Terra do Pará sobre violência policial nos acompamentos do MST durante o mês de novembro. Pátria livre, venceremos!

MST_a luta e pra valer

POLICIAIS OU JAGUNÇOS?
Polícia do Pará pisa nos direitos humanos.

Segundo os relatos de trabalhadores rurais cerca de 200 policiais civis e militares, vários deles embriagados, realizaram operações nessas ultimas semanas nos acampamentos da Fazenda Rio Vermelho, Castanhais e Espírito Santo, todas na região de Xinguara.
Espancaram, torturaram até mulher grávida, humilharam, ameaçaram de prisão e de morte, apontaram armas para os trabalhadores, apreenderam pertences das famílias e destruíram suas roças.
Apenas para os 2 primeiros acampamentos existia ordem judicial de busca e apreensão de armas e munições e ainda assim a policia agiu com violência e arbitrariedade, extrapolando totalmente os limites da legalidade e ferindo a dignidade e os direitos humanos dos trabalhadores e trabalhadoras acampadas.
No dia 12.11.09, no Acampamento Alto Bonito, na Fazenda Castanhais, chegaram cerca de 50 policiais, dentre os quais, membros da Delegacia de Conflitos Agrários (DECA), Policiais Militares e integrantes da Tropa de Choque. Os acampados relatam que homens e mulheres foram constantemente humilhados e até ameaçados de morte pela policia durante a operação. Sofreram muita violência psicológica, a fim de que identificassem pelo nome todos os lavradores, bem como os coordenadores.
Destaca-se em particular a arbitrariedade e violência da policia com relação à lavradora Neidiane Rodrigues Resplandes, que mesmo estando grávida de poucos meses, foi obrigada a caminhar cerca de meio quilômetro, debaixo de ofensas e xingamentos. Após uma sequencia de tortura psicológica para que dissesse os nomes dos coordenadores e onde estavam as armas, a mulher passou mal e teve sangramento ali mesmo na frente dos policiais, que ao perceberem o estado da lavradora, colocaram-na no carro e a deixaram no Acampamento.
Segundo os acampados, nenhuma arma de fogo foi apreendida, mas a policia levou muitas ferramentas de trabalho, tais como: facões, facas de cozinha, machados, bomba costal, uma antena de celular, alguns quilos de arroz, feijão, documentos pessoais, 06 motocicletas e até os galões de pegar água no córrego. Nenhuma família sabe para onde foram levados os seus pertences.
Dois dias depois, em 14.11.09, foi a vez do Acampamento João Canuto, na Fazenda Rio Vermelho, aonde chegaram cerca de 200 policiais, incluindo aproximadamente 15 militares da cavalaria. Esses cavaleiros adentraram as roças dos lavradores e destruíram parcialmente as plantações de milho, mandioca e feijão. Durante a revista, os policiais levaram também vários objetos pessoais das famílias, inclusive 02 bandeiras do MST e 04 facões.
Contudo a maior demonstração de vandalismo e brutalidade da policia ocorreu no Acampamento Vladimir Maiakovisk, na Fazenda Espírito Santo. Na noite de 22.11.09, por volta das 19:00, chegaram cerca de 30 policiais militares do GOE (Grupo de Operações Especiais) e passaram a agredir os acampados. Eles desceram do ônibus trajando shorts e camisas tipo regata, todos armados com pistolas, rifles e espingardas calibre 12, gritavam xingamentos e palavras de baixo calão.
Um dos policiais fez a lavradora Rita de Cássia deitar no chão e apontou uma espingarda calibre 12 para a sua cabeça. Outro militar ameaçou de morte o acampado Weston Gomes e lhe deu um soco, na altura da costela. Outro policial apontou a arma para a agricultora Elione, abriu e chutou a sua bolsa.
Conforme as declarações dos acampados, a maioria dos policiais demonstrava visíveis sinais de embriaguez alcoólica e em nenhum momento apresentaram qualquer ordem judicial para adentrar e revistar o acampamento.
Lembramos que no IV Seminário Nacional da Proteção de Defensores de Direitos Humanos, estava presente a Comissária da ONU para assuntos de Direitos Humanos, Navy Pillay, que advertiu sobre excessos cometidos por policiais: ?Agentes policiais tem que saber que não podem abusar de seu exercício profissional?.
Parece que essa advertência não significa nada para esses policiais e seus superiores, pois o que se observa é a repetição das praticas violentas e de banditismo que caracterizaram a ?Operação Paz no Campo? ocorrida no Sul do Pará em novembro de 2007 e que ficou conhecida pelos movimentos sociais como o ?Terror no Campo?. Até quando isso vai continuar?

Xinguara-PA, 25 de novembro de 2009.

Frei Henri Burin des Roziers

COMISSÃO PASTORAL DA TERRA DO SUL E SUDESTE DO PARÁ.

SERRA IMPÕE REITOR FASCISTA PARA A USP

Posted by Editorial do Outubro | Posted in Criminalização do Movimento, Educação, política institucional | Posted on 13-11-2009

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18 anos depois o governo do Estado de São Paulo escolhe reitor para a USP que não foi indicado pela “comunidade”. Serra resolveu acabar de vez com a atmosfera de falsa democracia que pairava sobre a estrutura de poder da USP, e o fez com requintes de crueldade: escolheu o diretor da Faculdade de Direito, o extrema-direita João Grandino RoTas.

Bom, ficou de uma vez por todas evidente que não existe, e segundo Serra, não é para existir democracia na mais importante universidade pública do país. Se Suely Vilela era avessa ao diálogo, o que ficou demonstrado na ocupação militar do campus, o RoTas é adepto da bate antes e pergunta depois. Em 2007, ele mandou a polícia expulsar militantes do MST de dentro do Largo São Francisco, os trabalhadores rurais  participavam de ato conjunto com os estudantes pela democratização da universidade, e o RoTas mandou descer o sarrafo no povo.

RoTas também é juiz econômico e arbitra casos e processos de formação de monopólios no CADE, Conselho Administrativo de Direito Econômico. Quando a Nestlé estava comprando a Garoto, alguns comparsas seus  foram contra, e ele partiu para a ignorância com eles. Quase saiu porrada.

Esse é o estilão do cara que vai mandar na USP nos próximos 4 anos: fascista, policialesco e super-amigo do grande capital.

Que o movimento estudantil esteja preparado, pois ai vem anos de chumbo.

Segue notícia do R7 com a cara do sujeito.

Serra escolhe o segundo colocado em eleição para reitor da USP

João Grandino Rodas, diretor da Faculdade de Direito, foi indicado para o cargo; escolha quebra tradição de 28 anos na universidade

Francisco Emolo e Cecilia Bastos/Jornal da USPFoto por Francisco Emolo e Cecilia Bastos/Jornal da USP

João Grandino Rodas, escolhido pelo governador, é diretor da Faculdade de Direito

O governador do Estado de São Paulo, José Serra, escolheu o diretor da Faculdade de Direito, João Grandino Rodas, como novo reitor da USP (Universidade de São Paulo).

Rodas foi o segundo colocado na votação desta quarta-feira (11), para escolher o novo reitor. A informação foi confirmada pelo professor Glaucius Oliva, primeiro colocado na eleição, que admitiu a derrota por meio de mensagem no Twitter:

- Pois é, parece que o governador Serra escolheu o Grandino para reitor. Espero que seja o melhor para a USP.

Rodas e Oliva são dois dos nomes de uma lista de três candidatos à reitoria enviada ao governador do Estado para aprovação final, após o segundo turno de votação.

O terceiro candidato é o pró-reitor de pós-graduação Armando Corbani Ferraz.

Ferraz e Oliva são nomes mais próximos à atual reitora, Suely Vilela, que já teve desentendimentos com Serra.

Nos bastidores da eleição da USP, os dois candidatos contaram com apoio extraoficial da reitora.

Quebra de tradição

O governador do Estado tem autonomia para indicar o novo reitor. Entretanto, tradicionalmente, a escolha acaba sendo do primeiro colocado da lista tríplice, votada no segundo turno das eleições da USP.

A última vez em que a tradição foi quebrada ocorreu há 28 anos, em 1981, quando o então governador Paulo Maluf escolheu Antônio Hélio Guerra Vieira como reitor da universidade.

Vieira era o quarto colocado de uma lista de seis nomes, como previsto no processo eleitoral da época.

Perfil do novo reitor

Professor titular e diretor da Faculdade de Direito da USP, João Grandino Rodas recebeu 104 votos na eleição – 57 a menos que o primeiro colocado.

Rodas é diplomado em quatro áreas: música, educação, direito e letras. Ele tem, ainda, três mestrados: em direito, diplomacia e ciências político-econômicas.

O diretor da Faculdade de Direito defende o uso do ensino a distância para cursos de graduação, desde que seja por meio de regras básicas de excelência.

Especialista em direito internacional, Rodas já foi juiz, desembargador e chefe da consultoria jurídica do Ministério das Relações Exteriores.

De 2000 a 2004, o novo reitor da USp presidiu o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), um tribunal de âmbito nacional que julga casos de monopólio e outros tipos de concentração empresarial.

Entre suas críticas à atual gestão da USP está a de que ninguém está satisfeito com o atual processo eleitoral da universidade.

DEBATE CAPITALISMO, ESTADO E REPRESSÃO

Posted by Editorial do Outubro | Posted in Contra ou Cultura!!!, Criminalização do Movimento | Posted on 04-11-2009

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Divulgamos debate sobre Capitalismo, Estado e Repressão que se realizará amanhã, 5 de novembro, no Galpão Folias na Santa Cecília. O evento será transmitido pela internet em passapalavra.info. Representantes da academia e dos movimentos sociais debaterão as violências do Estado. Vale pena ir ou linkar.

capitalismo estado repressão

HELICÓPTERO CAI E POLÍCIA PROMETE O “TROCO”

Posted by Editorial do Outubro | Posted in Imperialismo, política institucional | Posted on 19-10-2009

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helicóptero favela rio de janeiro

No sábado à tarde uma notícia dominou a imprensa: o helicóptero abatido no Rio de Janeiro, que resultou em 2 policiais mortos. No fim da tarde, o secretário de segurança, José Mariano Beltrame, acompanhado do chefão da Polícia Militar e do chefão da Polícia Civil foram à público numa entrevista coletiva que só faltou ser encerrada com uma unânime saudação nazista.

Os policiais começaram dizendo que haviam morrido 2 do lado deles, mas que eles já haviam matado 10 do outro lado, e que haveria mais, mais mortes, mais represálias. O policial militar dividia os envolvidos na questão entre policiais, marginais e moradores: como ele define esses limites? Quem morre é marginal. Quem vive para provar o contrário é morador.

Particularmente constrangedor e revoltante foi todo um debate que se abriu sobre a blindagem do helicóptero da Polícia Civil, e não blindagem do helicóptero da Polícia Militar, o preço de um helicóptero blindado, e o processo de licitação e tal. O chefão da PM reclamava do governo ali do lado do secretário, o próprio secretário parecia reclamar da morosidade do próprio governo. Mas ninguém, nem um jornalista sequer, teve a ousadia de questionar a pertinência estratégica de se utilizar um helicóptero como plataforma de tiro sobre uma favela densamente povoada, cujas vielas e casas oferecem péssimas condições de visibilidade para o atirador e de proteção para aqueles que estão ao lado dos alvos. Lá de cima quem é marginal e quem é morador?

Mais rídiculo e revoltante ainda foi o mestre maior da política do genocídio, o governador Sérgio Cabral, falando que essa questão estaria resolvida antes dos jogos olímpicos de 2016. Pois nos preparemos para um massacre.

ARTIGO SOBRE LEVANTES POPULARES NA CIDADE DE SÃO PAULO

Posted by Editorial do Outubro | Posted in Criminalização do Movimento, Revitalização do Centro | Posted on 05-10-2009

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Divulgamos o texto do sociólogo Tiarajú D´Andrea, publicado no jornal Brasil de Fato, sobre os consecutivos levantes populares nas periferias da cidade de São Paulo no último período. O autor explora as relações entre violência policial e expeculação imobiliária que operam na base dos conflitos. Vale a pena ler.

conflito favela marginal

A torcida se levanta porque o jogo já começou

02/10/2009

Tiarajú D’Andrea

Um espectro ronda a cidade de São Paulo, é o espectro dos levantes populares.

Seja na chamada periferia consolidada ou nas favelas da zona sudoeste, uma série de acontecimentos vêm desvelando o sentimento de insatisfação dos moradores de bairros populares de várias regiões da cidade nos últimos tempos. A fratura social está exposta. A revolta, latente.

Um breve e incompleto levantamento dos conflitos entre a população e a polícia nos últimos tempos nos revela uma verdadeira cartografia de algo que sucede de maneira progressiva e em vários pontos desta maltratada urbe. Acontecimentos que uma visão ingênua pode interpretar como dispersos, são na verdade processos sociais mais amplos. Para tanto, basta observar as duas causas principais desses levantes: disputas pelo território urbano e violência policial. A versão oficial insiste no argumento de combate ao tráfico. Um olhar refinado sobre a nossa história perceberá que o objetivo principal da repressão é manter as classes populares amedrontadas e controladas.

Compa de cidade: se você ainda não percebeu, é melhor refinar seu olhar. Vejamos…

Quem passa pela Marginal Tietê perceberá que a maioria das favelas que beiravam a via já desapareceram. Historicamente, se consolidou nos terrenos de várzea à beira do rio e nas alças de acesso uma série de ocupações irregulares. No entanto, a Copa do Mundo de 2014 está chegando e a prefeitura municipal instituiu um programa cujo nome é um belo eufemismo: “São Paulo de Portas Abertas”. O objetivo desse programa é a remoção de todas as favelas ao lado das marginais, mas sem solução habitacional. Na favela do Sapo, na Água Branca, a população não aceitou o cheque-despejo. Parou a Marginal Tietê, como única forma de ser vista, e foi duramente reprimida pelas forças da ordem.

Ainda no caminho das grandes avenidas, morrendo na contramão e atrapalhando o trânsito, o Jardim das Rosas e o Jardim da Conquista, no Iguatemi, zona leste, estão sendo retalhados para a abertura da continuação da avenida Jacú-Pêssego. Na outra ponta da mesma avenida, o bairro União de Vila Nova em São Miguel Paulista foi dividido pela metade. Em vários pontos da Cidade Tiradentes também ocorreram remoções, e muitas acabaram em confronto. Na Brasilândia, zona norte, também. No centro da cidade, a favela do Moinho ainda existe e resiste, mesmo com um sem fim de ameaças e documentos duvidosos que pedem juridicamente seu desaparecimento.

Na zona sul, o loteamento Olga Benário foi destruído de forma tão violenta que até parte da imprensa ficou chocada. No Grajaú, Parque Cocaia e Cantinho do Céu padecem com intimidações e ameaças e estão nos planos de remoção dos órgãos oficiais. Neste caso, vale notar que as remoções se justificam pelo discurso ambientalista. Da mesma forma que no caso do Jardim Pantanal, na leste. O assunto indizível é que foi o próprio poder público quem muitas vezes incitou a ocupação desses terrenos, assentando neles populações removidas de áreas valorizadas da cidade. Contudo, com a expansão territorial da lógica mercadológica que a tudo incorpora, esses terrenos de periferia só realizarão todo seu potencial enquanto mercadoria se forem valorizados ao máximo. Assim, a dinâmica que substitui ocupações populares por parques à beira da represa dá seqüência à lógica de valorização da mercadoria-território e do entorno desse território. É por essas e outras questões que o poder público instrumentalizado por certos interesses tolera as inúmeras chácaras e mansões nas áreas de mananciais. Ou seja, a lei para o rico não vale. E isso porque a lei, num sistema capitalista, tem dificuldades de ser colocada em prática quando confrontada com a onipotência da lógica da realização dos valores de uma mercadoria

Infelizmente, o discurso ecológico, novo e socialmente consensuado, neste caso (como em outros) foi utilizado para levar adiante velhos interesses de classe.

Na zona sudoeste, a sombra dos edifícios da Berrini esconde o sol. A Ponte Estaiada tinge o Rio Pinheiros de amarelo e o chão das pistas de vermelho sangue. Num despejo violento e juridicamente ilegal, parte da favela Real Parque desapareceu. Belo e especulando, o terreno onde outrora viviam famílias hoje é mato puro. Como nessa região a iniciativa privada opera com mais força, a disputa por territórios também tem suas sutilezas. O setor imobiliário aparece com dinheiro vivo, farto. A coerção econômica sobre a população favelada transforma localização num bom negócio. Nesse caminho, parte da favela Jardim Panorama foi comprada. Parte da favela Coliseu também foi comprada e a favela Jurubatuba, já em Santo Amaro, não aceitou a proposta. No olho do furacão, e sem maior alarde, a favela do Jardim Edite já desapareceu.

Deslocando um pouco o foco de análise das disputas “pelo” território para os mecanismos de controle social “no” território, pode-se observar como o ano de 2009 está quente. No centro das revoltas, a violência policial. Para todos os casos a solução tem sido mais e mais repressão. Nesse caldo de insatisfação, grandes levantes populares ocorreram no Jaçanã; na favela Tiquatira, no bairro da Penha (novamente parando a Marginal); na Vila Jacuí, na zona leste; e há bem pouco tempo na favela de Heliópolis. Se nos casos relatados a polícia reprimiu uma insatisfação popular causada pelas condições de vida e pela própria atuação policial, é de se notar como uma outra modalidade de repressão vem cada vez mais fazendo parte do repertório policial: trata-se da famosa Operação Saturação.

Nos últimos anos, vários bairros e favelas foram invadidos pela polícia com a escusa do combate ao tráfico e à criminalidade. A lista de locais “saturados” já é extensa: favela da Rua Alba, no Jabaquara (bem pertinho da extensão da avenida Roberto Marinho…); Jardim Elisa Maria, na Brasilândia; Jardim Elba, no Sapopemba; Morro Grande, na zona noroeste; Morro do Samba, em Diadema; seis favelas do Parque Novo Mundo; favela Pantanal, na beira da represa, zona sul; Parada de Taipas; favelas Buraco Quente e Jardim Colombo, na zona sudoeste, dentre outras. Em todos os casos proliferaram as denúncias de abusos, aumentando o mal estar na população.

Síntese máxima de todos estes acontecimentos brevemente relatados é o que ocorre na favela Paraisópolis. No meio do bairro mais rico de São Paulo (e bem pertinho do estádio do Morumbi…), a favela Paraisópolis foi o palco de um levante popular em fevereiro último. Cada lado contou de um jeito as causas do acontecimento. A polícia recorreu à versão utilizada em qualquer contexto: a de que “traficantes” depois da morte de um dos seus, “incitou a população ao tumulto”. Já os moradores tinham outra versão, onde as causas poderiam ser várias somadas: gente inocente tinha morrido dias antes; a polícia estava barbarizando havia tempos na favela; a urbanização que ora ocorre no lugar traz tensão e insegurança; a favela tem dificuldades de se representar politicamente por causa da presença de agentes do entorno; grande parte da população do local se mantém submetendo-se a más condições de trabalho; ou mesmo a mais simples e básica de todas as causas (aquela que ninguém quer ver): viver numa favela ao lado de tantas mansões é uma humilhação cotidiana. A panela de pressão que é o Paraisópolis um dia explodiu. Assim como a explicação dada, a resposta oficial foi simplista: mais repressão, com a implantação de uma Operação Saturação sem precedentes. Pobre Paraisópolis, tão longe de Deus e tão perto do Morumbi.

O caso de Paraisópolis é exemplar pelos elementos que contêm: repressão policial; intervenções urbanísticas, relações de trabalho humilhantes e Operação Saturação. Em todos os outros levantes ocorridos, algum desses elementos esteve presente como causa.

Cabe destacar que elementos aqui citados articulam-se de maneira indissociável do problema central, que foi, é e continuará sendo um problema entre as classes sociais. Dessa maneira, levar adiante os interesses das classes dominantes tem como contrapartida o necessário controle e a necessária repressão sobre a população pobre. No entanto, esta repressão tem que ser velada, e o véu que se coloca é o eficaz discurso de que a repressão é sobre o tráfico de drogas, e não sobre os pobres em geral. Deste reducionismo inicial deriva outro reducionismo discursivo necessário: o de que os levantes populares são incitados pelo tráfico. Do reducionismo discursivo surge a justificativa necessária para controlar, vigiar, reprimir e punir grande parte da população. Métodos de controle existem vários, desde os mais sofisticados, como alguns programas sociais, até os mais explícitos, ou seja, a guerra aberta, a intervenção em territórios, a matança generalizada.

Processos de luta pela terra na cidade, derivada de interesses do setor imobiliário e de construtoras, de um lado, e da população moradora, de outro, também tendem a se intensificar. O boom imobiliário por qual passa a cidade de São Paulo incide sobre os preços dos terrenos, valorizando-os. Concomitante e articulado a este processo está a ação dos agentes interessados em fechar grandes negócios com o advento da Copa do Mundo de 2014. Ambos processos aumentam a pressão sobre a população pobre moradora de terrenos valorizados e valorizáveis. Todavia, é necessário destacar que os métodos de expulsão e remoção de populações pobres não se baseiam apenas em mecanismos econômicos (aumento do preço da terra) e jurídicos (propriedade alegada de determinada área). Intervenções policiais em áreas com litígio pela propriedade são recorrentes e necessárias para a resolução dessas disputas. Isso vem ocorrendo com freqüência, diminuindo a resistência da população. Logo, o argumento que aqui se quer colocar é o de que a repressão não é elemento secundário, utilizado só em último caso. A repressão é um elemento necessário e tão importante quanto os outros nas disputas pelos territórios urbanos.

Meio sem saber o que quer, da mesma forma que não é tão evidente contra quem se luta, a população se levanta. A nítida visão, no entanto, é a de que a fratura social fica cada vez mais desvelada, mais a nu. Sem mediações ou hipocrisias. Sem falsas esperanças.

Até a Copa de 2014, muita água vai rolar debaixo dessa Ponte.

Tiarajú D’Andrea é mestre em sociologia pela Universidade de São Paulo. É autor da dissertação de mestrado “Nas Tramas da Segregação: O Real Panorama da Pólis”.

SALVE GERAL GERA PROTESTO NO CINEMA

Posted by Editorial do Outubro | Posted in Contra ou Cultura!!!, Movimento Negro | Posted on 01-10-2009

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No dia de estréia de Salve Geral nos cinemas nacionais, as mães, familiares e amigos das vítimas do massacre de maio de 2006 vão para a frente do espaço Unib(r)anco para protestar contra a espetacularização de seus sofirmentos e para reivindicar justiça e apuração dos crimes atrozes cometidos pelas forças estatais.

Segue carta a ser distribuída durante o ato.

mãe de maio 2006

Ato Político-Cultural na estréia do filme “Salve Geral”

SALVE A VERDADE E A JUSTIÇA!!! O ESTADO NO BANCO DOS RÉUS!!!
CONTRA O GENOCÍDIO DA JUVENTUDE POBRE E NEGRA!!!

Sexta-feira, 02 de Outubro de 2009, às 18hs
em frente ao Espaço Unibanco de Cinema
(Rua Augusta, 1475 – próximo à esquina com a Av. Paulista)

— pedimos para que tragam velas, tambores, fotos e camisetas das vítimas históricas do
Estado Brasileiro (em particular das vítimas dos “Crimes de Maio” de 2006) —

“Nós não queremos saber de ficção, queremos saber da realidade!”
Débora, mãe de vítima dos ataques da polícia em maio/2006

02 de outubro de 2009. Aqui estamos mais um dia. E a história se repetindo como farsa trágica.
Nós seguimos sem ter nada o quê comemorar…
Nós, familiares, amigos e amigas das vítimas dos ataques da polícia durante uma das maiores
chacinas da história brasileira, os “Crimes de Maio” de 2006, não fomos ouvidos durante a
produção deste filme hollywoodiano que hoje é lançado sobre a nossa história: “Salve Geral”.
Não fomos consultados nem convidados pra mais essa festa que os homens armaram pra nos
convencer… Viemos contar nossa história real, que também daria um filme…
Há pouco mais de três anos, o chamado “estado democrático de direito”, por meio de seus
agentes policiais e pára-militares, promoveu um dos mais vergonhosos escândalos da história
brasileira. Durante o mês de maio de 2006, em uma suposta resposta ao que se chamou na
imprensa de “ataques do PCC”, foram assassinadas no mínimo 493 pessoas, entre mortos e
desaparecidos. Sendo que a imensa maioria delas – mais de 400 jovens negros, afro-indígenadescendentes
e pobres – executados sumariamente pela polícia militar do Estado de São Paulo.
Somos centenas de mães, familiares e amigos que tivemos nossos entes queridos assassinados
covardemente, e até hoje seguimos sem qualquer satisfação por parte do estado brasileiro: os
casos permanecem arquivados sem investigação correta para busca da Verdade dos fatos; sem
Julgamentos dos verdadeiros culpados (os agentes do estado brasileiro); sem qualquer
proteção, indenização ou reparação por parte do estado que nos tirou os nossos jovens. Um
estado que ainda insiste em nos sequestrar também o sentimento de Justiça!
O desprezo pela memória e pela história fez ainda que o dia de estréia deste filme “Salve Geral”,
feito com base na nossa dor e que deverá concorrer ao Oscar no ano que vem, coincidisse
também com outra data que é um marco emblemático da injustiça e da violência do Estado
Brasileiro contra seus próprios cidadãos pobres, indígena-descendentes e negros em particular.
Há exatos 17 anos, no dia 02 de outubro de 1992, os agentes policiais do Estado de São Paulo
protagonizaram uma outra matança em série, desta vez na Casa de Detenção de São Paulo,
covardemente contra pessoas sob a sua custódia: seres humanos sem qualquer possibilidade de
defesa. Um episódio sangrento que ficou conhecido como “Massacre do Carandiru” e que teve ao
menos 111 pessoas assassinadas por agentes policiais, segundo os números oficiais. Outro
crime em série do Estado Brasileiro que permanece sem investigações corretas, sem julgamento
ou condenação dos verdadeiros culpados – a começar pela alta cúpula do estado, Fleury e cia.
Sem qualquer reparação para as vítimas e seus familiares. Outro episódio que, no entanto, a
indústria cultural conseguiu fazer mais dinheiro em cima da dor das vítimas: produzindo filmes
espetaculares, séries televisivas, livros e outras mercadorias descartáveis. A Verdade e a Justiça
que é bom: mais uma vez não compareceram na estréia…

Relembramos hoje, portanto, que em apenas dois episódios sangrentos só aqui em São Paulo,
MAIS DE 600 VÍTIMAS POBRES E NEGRAS. Isso para não falar das violências e execuções
sumárias cotidianas que atingem sobretudo as periferias urbanas de todo país: uma pesquisa
divulgada pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos, UNICEF e Observatórios de Favelas,
no dia 21/07/2009, afirma que se as estatísticas permanecerem como estão, mais de 33.5 mil
jovens terão sido executados no Brasil no curto período de 2006 a 2012. Os estudos ainda
apontam que, os jovens negros apresentam risco quase três vezes maior de serem executados
em comparação com os brancos.
Tantos casos e números que são ainda mais impressionantes do que todos os absurdos
cometidos durante a ditadura civil-militar brasileira pelo mesmo estado brasileiro, só que agora
seus agentes matam em nome da “democracia” e da “segurança”. Casos com contornos de
crueldade que só mudam o endereço de região para região do país: a Chacina da
Candelária e de Vigário Geral no Rio de Janeiro (1993), o Massacre de Corumbiara em
Rondônia (1995), o Massacre de Eldorado dos Carajás (1996), a Chacina da Baixada Fluminense
(2005), a chacina do Complexo do Alemão (2007) a chacina de Canabrava, de Plataforma e a
matança generalizada em Salvador na Bahia (2006-2009), entre outros tantos casos no dia-dia
do povo pobre brasileiro. A imensa maioria deles sem investigação correta, muito menos
punição dos seus verdadeiros responsáveis.
Nomes e números que jamais conseguirão traduzir o sentimento de perda e de dor irreparável
das famílias todas: repetimos para nos fazer ouvir que só aqui em São Paulo, durante estes dois
episódios de matança estatal (o “Massacre do Carandiru” e mais recentemente os “Crimes de
Maio de 2006″), foram mais de 600 famílias destruídas e outras milhares dilaceradas pela dor da
perda de seus entes queridos.

ESTAMOS AQUI PARA EXIGIR O FIM DO GENOCÍDIO CONTRA A CLASSE POBRE, A POPULAÇÃO
INDÍGENA-DESCENDENTE E NEGRA DO BRASIL!!!
ESTAMOS AQUI PARA EXIGIR O FIM DO CHAMADO “AUTO DE RESISTÊNCIA” ou “RESISTÊNCIA
SEGUIDA DE MORTE”, FARSAS LEGAIS QUE TEM INSTITUÍDO E DADO NA PRÁTICA O AVAL
PARA UM VERDADEIRO ESTADO DE SÍTIO NO BRASIL!!!
ESTAMOS AQUI PARA EXIGIR O DESARQUIVAMENTO E A FEDERALIZAÇÃO DAS
INVESTIGAÇÕES SOBRE OS ATAQUES DA POLÍCIA EM MAIO DE 2006, DURANTE OS “CRIMES
DE MAIO”!!!
ESTAMOS AQUI PARA EXIGIR QUE O ESTADO BRASILEIRO E SEUS AGENTES VÃO PARA OS
BANCOS DOS RÉUS!!!
ESTAMOS AQUI PARA EXIGIR A VERDADE E A JUSTIÇA HISTÓRICA SOBRE TODAS AS MORTES
COMETIDAS PELO ESTADO, E A PUNIÇÃO DE TODOS OS RESPONSÁVEIS!!!
ESTAMOS AQUI PARA EXIGIR VOZ, PROTEÇÃO, ASSISTÊNCIA, INDENIZAÇÃO E REPARAÇÃO A
TODAS AS FAMÍLIAS DE MORTOS E DESAPARECIDOS, SOBRETUDO PARA AS MÃES E
COMPANHEIRAS DE VÍTIMAS!!!
EM NOME DA MEMÓRIA DE NOSS@S FAMILIARES E NOSS@S AMIG@S
MORT@S OU DESAPARECID@S PELO ESTADO BRASILEIRO
“MÃES DE MAIO” DA ASSOCIAÇÃO AMPARO DE FAMILIARES E VÍTIMAS DA VIOLÊNCIA

Mais informações: www.maesdemaio.blogspot.com

A PM de Serra contra o povo pobre e os trabalhadores

Posted by Editorial do Outubro | Posted in Criminalização do Movimento | Posted on 03-09-2009

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Divulgamos o belo manifesto da LER-QI sobre a revolta em Heliópolis e sobre as tarefas da esquerda revolucionária frente a situações como essa.

heliopolis pm

terça-feira 1º de setembro de 2009

REVOLTA EM HELIÓPOLIS
A PM de Serra contra o povo pobre e os trabalhadores

Justiça. É o que pedem os moradores de Heliópolis que se rebelaram com a morte de Ana Cristina, uma garota de 17 anos, atingida pela guarda civil de São Caetano, que supostamente estava em São Paulo perseguindo um carro roubado. Invasão policial, cerco, repressão, mais assassinatos. Essa é a resposta do governo Serra. O que vimos em pequena escala na greve da USP, vemos com toda sua crueldade na periferia da Grande São Paulo. A repressão policial em larga escala, para defender a propriedade, “a lei e a ordem”. Semana passada, no Capão Redondo, mais de 800 famílias foram violentamente despejadas do terreno que tinham encontrado para construir suas casas.
Esse não é um fato isolado em São Paulo. Em todas as grandes cidades do país, as cenas de repressão se repetem. Já vimos em pleno carnaval de 2008, em Salvador, a revolta das mães, denunciando que seus filhos “morriam como moscas”, ser reprimida pela PM comandada pelo petista Jacques Wagner. No Rio de Janeiro o governador Cabral, apoiador de Lula, aprofunda a repressão nos morros. Lá, como em Heliópolis, a repressão é indiscriminada. No Rio Grande do Sul, a PM comandada pela governadora tucana ameaçada de impechment, também na semana passada,
assassinou um sem-terra e nada foi feito. Em Minas Gerais, no Recife, em todos os estados a policia militar atua da mesma forma e a serviço dos mesmos interesses.
Os criminosos de colarinho branco, no congresso nacional, nos governos, nos partidos, nas empresas, seguem impunes. Grandes pactos entre os “três poderes”, executivo, legislativo e judiciário, são feitos e leis são aprovadas para que os burgueses que vão presos não sejam “humilhados” tendo que usar algemas. Para os trabalhadores, os pretos, os pobres, que cometem algum delito, as prisões imundas e a fúria da violência policial. Os militares saíram do comando do governo, mas a tortura e os esquadrões da morte continuaram atuantes nas delegacias e quartéis. O exército, sob o comando de Lula, faz escola reprimindo o povo do Haiti, treinando para quando for chamado a atuar em algum lugar como Heliópolis para massacrar uma revolta popular.
O recrudescimento da repressão por parte de Serra e de Cabral, a repressão na USP, os assassinatos no campo, são uma mostra de como a burguesia pretende descarregar sobre os trabalhadores e o povo pobre a crise econômica, que apesar dos discursos otimistas do governo Lula, está só começando. Demissões, reduções salariais e aumento da miséria de um lado, aumento da repressão do outro.
O grito de revolta dos moradores de Heliópolis deve encontrar eco nas organizações operárias e populares,  articularmente naquelas que se reivindicam socialistas e revolucionárias. É preciso exigir de todas as centrais sindicais, CUT, Força Sindical, CTB, e inclusive do PT que tem força na associação dos moradores de Heliópolis, que coloquem forças numa campanha unitária em defesa dos moradores, contra a repressão policial. O PSTU e a esquerda do PSOL deveriam ser os primeiros, junto com a Conlutas, a cercar de solidariedade os moradores de Heliópolis, levando delegações para o local e levantando uma grande campanha de solidariedade a sua luta por justiça. Uma
frente socialista e classista deveria começar a ser construída demonstrando em acontecimentos assim sua utilidade para a luta dos trabalhadores, lutando por uma real apuração e punição dos responsáveis, se colocando à cabeça da luta contra o cerco policial à Heliópolis e organizando comitês por verdade e justiça, junto com moradores e organizações por direitos humanos, para a apuração e punição das mortes de Ana Cristina e milhares de jovens nas mãos da policia.

DISCUTINDO A ESTRUTURA DE PODER NA USP

Posted by Editorial do Outubro | Posted in Contra ou Cultura!!!, política institucional | Posted on 24-08-2009

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Divulgamos aula aberta sobre a estrutura de poder na USP. O evento é uma iniciativa de estudantes, funcionários e professores para tirar conseqüências da greve do semestre passado, da ocupação militar do campus e da intransigência da reitoria ao negar-se à negociação. Quem quiser entender o que se passa na USP deve comparecer.

estudantes contra pm

Chamado aos estudantes, funcionários e professores

da Universidade de São Paulo

Venha debater a situação da USP!!!!

OS ESTATUTOS E A ESTRUTURA DE PODER DA USP

AULA ABERTA

E

REUNIÃO ABERTA DOS PÓS-GRADUANDOS

26 de agosto de 2009, às 18.30hs

Prédio de Filosofia e Ciências Sociais (Espaço Verde dos Estudantes)

FALA INICIAL: Prof.Dr. João Zanetic (IF/ADUSP)

Os recentes acontecimentos ocorridos na USP trazem à tona uma ampla crise da universidade. Para que possamos refletir conjuntamente sobre essa crise, a Associação dos Pós Graduandos da USP-Capital (APG-USP) e os Pós-Graduandos em Antropologia Social fazem um convite aos alunos, funcionários e professores da USP para participarem da AULA ABERTA e REUNIÃO ABERTA DOS PÓS GRADUANDOS que ocorrerão no dia 26 de agosto às 18.30 hs, no ESPAÇO VERDE do prédio de Filosofia e Ciências Sociais. Partindo da fala inicial do Prof.Dr. João Zanetic (Instituto de Física da USP e ADUSP), buscaremos debater o tema “Os Estatutos e a Estrutura de poder da USP” e discutir as eleições para reitor no sentido de pensar propostas de democratização da estrutura de poder da USP.

APOIO: DEPARTAMENTO DE ANTROPOLOGIA SOCIAL USP

CEUPES – USP: Centro Universitário de Pesquisas e Estudos Sociais da USP

CAF-USP: Centro Acadêmico de Filosofia da USP
APG/USP-capital

Associação dos Pós-graduandos da USP-Capital
Site: www.usp.br/apg
Fórum: www.usp.br/apgforum
E-group: www.grupos.com.br/group/pgusp

CARREFOUR E PM RACISTAS

Posted by Editorial do Outubro | Posted in Movimento Negro | Posted on 19-08-2009

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Divulgamos aqui o caso de racismo e violência que atingiu um funcionário da USP no estacionamento do Carrefour em Osasco. O homem por ser negro foi tomado por bandido, espancado e torturado pelos seguranças do mega-mercado. A polícia chegou e completou o quadro com mais atrocidades racistas e negação de socorro. E depois falam que não existe racismo no Brasil, que somos todos iguais… piada de mal gosto.

racismo

Homem negro espancado, suspeito de roubar o próprio carro
Por: Redação – Fonte: Afropress – 13/8/2009

http://www.afropres s.com/noticiasLe r.asp?ID= 1965

S. Paulo – Tomado por suspeito de um crime impossível – o roubo do seu próprio carro, um EcoSport da Ford – o funcionário da USP, Januário Alves de Santana, 39 anos, foi submetido a uma sessão de espancamentos com direito a socos, cabeçadas e coronhadas, por cerca de cinco seguranças do Hipermercado Carrefour, numa salinha próxima à entrada da loja da Avenida dos Autonomistas, em Osasco. Enquanto apanhava, a mulher, um filho de cinco anos, a irmã e o cunhado faziam compras.

A direção do Supermercado, questionada pelo Sindicato dos Trabalhadores da USP, afirma que tudo não passou de uma briga entre clientes.

O caso aconteceu na última sexta-feira (07/08) e está registrado no 5º DP de Osasco. O Boletim de Ocorrência – 4590 – assinado pelo delegado de plantão Arlindo Rodrigues Cardoso, porém, não revela tudo o que aconteceu entre as 22h22 de sexta e as 02h34 de sábado, quando Santana – um baiano há 10 anos em S. Paulo e que trabalha como Segurança na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, há oito anos – chegou a Delegacia, depois de ser atendido no Hospital Universitário da USP com o rosto bastante machucado, os dentes quebrados.

Ainda com fortes dores de cabeça e no ouvido e sangrando pelo nariz, ele procurou a Afropress, junto com a mulher – a também funcionária do Museu de Arte Contemporânea da USP, Maria dos Remédios do Nascimento Santana, 41 anos – para falar sobre as cenas de terror e medo que viveu. “Eu pensava que eles iam me matar. Eu só dizia: Meu Deus”.

Santana disse pode reconhecer os agressores e também pelo menos um dos policiais militares que atendeu a ocorrência – um PM de sobrenome Pina. “Você tem cara de que tem pelo menos três passagens. Pode falar. Não nega. Confessa, que não tem problema”, teria comentado Pina, assim que chegou para atender a ocorrência, quando Santana relatou que estava sendo vítima de um mal entendido.

Depois de colocar em dúvida a sua versão de que era o dono do próprio carro, a Polícia o deixou no estacionamento com a família sem prestar socorro, recomendando que, se quisesse, procurasse a Delegacia para prestar queixa.

PESQUISA, INDÚSTRIA E GUERRA

Posted by Editorial do Outubro | Posted in Criminalização do Movimento, Imperialismo | Posted on 12-08-2009

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Divulgamos aqui o texto de Douglas Anfra publicado em http://universidadeparaquem.wordpress.com sobre as articulações entre pesquisa científica, mercado internacional e indústria bélica. Trata-se de uma análise acurada sobre algumas das atuais condições de funcionamento do capitalismo: o imperativo de inovação tecnológica, um novo mercado internacional neocolonialista e a guerra sistemática como instrumento de produção e destruição de riquezas. Boa leitura!

soldado armas nao letais

Pesquisa, mercado e indústria bélica

“A indústria não perde o seu caráter de indústria por se destinarem os seus produtos a destruir e não a criar os objetos”
Engels

Por Douglas Rogério Anfra*

A universidade pode ajudar a começar diálogos ou a encerrá-los. Pode também escamoteá-los, como bem pode fazer a crítica da violência, ou fazer esta crítica de modo abstrato e, assim, ajudar a violência concreta a se manifestar como repressão e até mesmo guerra.

Há uma relação entre pesquisa e indústria bélica em muitos países, no Brasil este projeto parecia abortado em prol de uma relação estrita entre mercado e pesquisa, o que descartaria a indústria bélica como desinteressante pois só produziria mercadorias monopsônicas, isto é, de um único comprador, o Estado. Além disso, os interessados em produzir tais mercadorias, muito caras e arriscadas de serem desenvolvidas e, principalmente, vendidas, devem competir contra grupos diversos com influência e sob supervisão do Estado. Isto contradiria os interesses de desmonte do Estado vindas do bloco neoliberal, que sairia do apoio ao regime para compor os movimentos contra o regime, condenando como estritamente militar e estatal o regime político com o qual compactuavam até então. Um sinal deste período talvez seja o aterramento do silo de testes de artefatos bélicos nucleares na Serra do cachimbo por Fernando Collor, na fronteira do então Mato Grosso com o Pará.

Junto com o impulso pelo desmonte do estado vinha a carapaça de democracia [1] dos liberais. Mas, caso perguntem-se porquê os militares deitariam fora  seus sonhos de potência, se com a transição para a democracia perderam tão pouco institucionalmente, e talvez tão somente o cargo de gestores do estado (inclusive sem assumir que seus antigos parceiros, os empresários e, principalmente, os EUA, haviam lhes passado a perna com o aumento do valor do dólar, prejudicando-os pelos os empréstimos que faziam resultando na maior divida externa da história, mas que descaradamente imputavam ao governo Kubitschek). Era óbvio com este resultado que as iniciativas estratégicas iriam para o ralo, ou melhor, seriam dadas a preço de banana para os EUA, incluindo o projeto de armas atômicas, com cientistas sendo transferidos para lá.

No entanto, mais sinais estranhos da persistência deste impulso permaneceriam, como o convênio do Ministério da Defesa com o CNPq. Um professor da USP teria saído da comissão, no início do governo Lula, a título de protesto. Não deu em nada publicamente (o que não ia acontecer de qualquer modo, pois há sigilo nesta área que envolve defesa nacional). Para deixar de imaginar que a indústria bélica desaparece, o que se deve saber é que, como mostra um pesquisador da geografia, existe o que chamam em defesa de indústria bélica de reserva que serviria como uma indústria bélica de última instância, isto é, um parque industrial civil pode se tornar bélico (ou indústria civil militarizada) e vice-versa (caso da Embraer), por isso o parque industrial do ABC foi fundado, em seu arranjo, por milicos como em muitos outros parques industriais do mundo, inclusive o alemão.

Mesmo que o pressuposto de um princípio de organização centralizada (ou planificada) esteja muitas vezes disfarçado, ele pode ser identificado pela logística da disposição das vias de transporte e abastecimento de energia. Weber também mostrava como o princípio de organizações sociais controladas desdobra-se com facilidade da instituição militar, inclusive no caso da burocracia. Uma organização específica que necessita de um meio sobre o qual se articula, permitindo o controle do que se estabelece sobre este meio por um outro que determina sua organização. No caso brasileiro isto se reflete na própria estrutura da pesquisa, como mostra o CNPq (citamos como exemplo que pode ser estendido a outras instituições), fundado por militares que imbricaram propositadamente pesquisa e defesa como mostra o professor Shozo Montoyama:

“O grande artífice do processo foi o almirante Álvaro Alberto. O Instituto de Física Teórica, que teve um papel importante no desenvolvimento da física no Brasil, foi fundado com a ajuda e apoio de generais do exército como o Marechal Lott. Assim, no período do regime militar no Brasil, negro para nós do ponto de vista político e democrático, foi quando ocorreu um maior investimento em C&T. O governo que mais investiu em Ciência e Tecnologia foi o de Geisel. Os militares ficaram realmente muito interessados em ciência e perceberam também a relação existente entre desenvolvimento e ciência. Eles ainda encaravam a segurança nacional e militar como estando muito relacionada com a questão do desenvolvimento. Ou seja, um país desenvolvido economicamente também teria uma segurança nacional maior do que um país subdesenvolvido. Também com essa lógica eles investiram bastante em C&T pensando em desenvolver a própria economia do país e não no desenvolvimento militar propriamente dito.” [2]

Para comparar com outros lugares, vejamos os EUA, por exemplo, como mostrou o pesquisador Barton C. Hacker [3] (mas também Victor Perlo em Militarismo e Indústria) através de alguns casos exemplares como o da tecnologia nuclear e aeroespacial (e derivados como as roupas e materiais desenvolvidos para estes fins), onde há um intercâmbio entre pesquisa universitária e militar. Normalmente a tecnologia começava na área militar e se transferia para a civil num prazo, em geral, de 10 anos (período em que se dissemina quase que inevitavelmente na área militar, tornando-a inócua do ponto de vista estratégico) até que se tornasse um produto no mercado reconhecido pelos consumidores que findam por comprá-lo.

Claude Serfati [3] mostra que hoje, com as tecnologias de análise de informação da área de defesa, começaria a haver um desenvolvimento simultâneo que envolveria a tecnologia militar em conjunto com corporações civis, como as corporações da área de telecomunicação (ou outras que seriam mistas como a Blackwater, empresa de mercenários modernos que se articula em torno de um lobby no Congresso dos EUA, como mostra o livro de Jeremy Scahill). Seu uso foi mostrado por Paul Virilio em Estratégias da Decepção onde ele denunciava a lógica por trás dos “erros” e “acidentes” dos bombardeios “cirúrgicos”, como na intervenção da ONU na guerra dos Bálcãs.

O que estava em questão não era a precisão, pois os EUA muito provavelmente bombardeavam civis como em qualquer outra intervenção em guerras civis [4], posto que a tática de combate a guerrilhas ou formações militares com inserção local, isto é, amparada em posicionamento defensivo e nativo envolve o bombardeio sistemático em carpete (com bombas menores espalhadas em áreas concentradas de modo preciso) como a Legião Condor da Luftwaffe inaugurou na Guerra Civil Espanhola (um caso famoso é Guernica) e os EUA utilizaram sucessivamente no Japão, incendiando em média 40 a 60% das cidades, ou como Dresden na Alemanha, Vietnã, etc. O que envolve estes bombardeios é uma configuração múltipla que passa, principalmente, pela aterrorização da população civil, evitando que se reorganizem e fazendo com que se rompam os vínculos sociais e comunitários.

Na verdade, segundo Virilio e outros, o que ocorreu nos Balcãs foi um episódio que se explicaria como um confronto dos EUA contra os próprios aliados da ONU. Tal evento ocorreria para demarcar que, a partir de então, qualquer conflito em solo europeu passaria a depender do aval dos EUA, o que seria garantido pela demarcação da órbita da Terra pelas novas tecnologias de informação que, desenvolvidas igualmente para aplicação militar e civil, mostravam que quem fosse a vanguarda nestas novas fronteiras estaria garantido militarmente contra os demais concorrentes, em especial os franceses.

Este raciocínio estratégico que se mostrou limitado por conta do sistema antiaéreo russo que persiste com capacidade de resposta, de uma tecnologia bélica chinesa que se desenvolvia, ou ainda, como mostra Frederick Kagan [5], dos recursos e custos humanos, sociais e políticos para a guerra que implicavam no progressivo envolvimento em esforços de guerra difíceis de justificar de outro modo que a tentativa falida da era Bush da criação de um império. Perguntamos então como seria possível  a partir daí o desenvolvimento de uma tecnologia simultaneamente civil e militar que utilize institutos de pesquisa universitários e, mesmo nos EUA, composto muitas vezes por pessoas progressistas e contrárias a umimpulso diretamente militar?

A resposta existe graças à fragmentação da pesquisa em órgãos recortados em processos de análise e objetivos limitados, mesmo nas pesquisas básicas, o que garantiria que não se pudessem visualizar os objetivos mais gerais de uma dada área de pesquisa. Também facilitaria a pressa em prazos e ditames burocráticos criados pela própria instituição, que priorizam um resultado abstrato contra um conteúdo desenvolvido. Por exemplo, pensemos no caso de alguém que analisa as propriedades de um determinado composto que reaja produzindo um polímero útil de tal modo que pudesse se transformar no isolamento no interior de uma cápsula que separe reagentes, num recipiente plástico ou numa superfície lisa. Esta pessoa, cobrada em prazos e resultados abstratos que determinariam o início e o fim da pesquisa, pouco quer saber e se eximiria de responsabilizar-se ao final da pesquisa se isto será uma boneca ou uma bomba.

Este mesmo problema será transferido posteriormente ao processo de produção, como bem mostra Harum Farocki no filme o Fogo que nunca acaba, como quando os técnicos que trabalham em desenvolver processos que resultam em bombas incendiárias de Napalm [6] no Vietnã na filial alemã da Dow Chemicals, ignoram as conseqüências do que fazem vendo suas ações como civis e pacíficas, como quando assistem na televisão horrorizados os bombardeios de Napalm sobre as vítimas [7]. De modo parecido, a reitora da USP, Suely Vilela quando viu a invasão da USP pela tropa de choque não a observou através da janela, mas pela televisão, como alguém que inverte uma luneta para ter a impressão de afastar as conseqüências daquilo que está próximo.

Igualmente para a consciência do pesquisador não é sua responsabilidade o que seja feito com sua pesquisa, pois se atém com paciência e cerimônia a fazer parte de uma pesquisa num projeto temático que só o seu orientador sabe para quê serve. Isto também não importa para o coordenador do projeto temático, que só fez isso para ganhar moral com o “amigo/cliente” pesquisador que coordena o projeto em Brasília  com muito poder nos departamentos da vida.

Este poder de vida e morte, manifestação do mérito contra a democracia, dita a ascensão social de pesquisadores-bolsistas num mundo em crise, não tanto pelo valor das bolsas (apesar de importar muito para os pesquisadores de origem pobre), mas, principalmente, pelo valor simbólico que estabelece o vínculo entre o pesquisador e a instituição, quase como o clero medieval numa ordem estamental. Porquê ele faz isto? Talvez por poder político, por prestígio, para passar por cima dos amigos, ou, outro motivo qualquer, afinal, todo mundo neste setor parece apropriar-se da má-fé, do medo da liberdade que diz Sartre.

A consciência, que muitos pressupõem erroneamente como algo dado no pesquisador, não está sempre presente, em seu lugar encontramos a renúncia da reflexão, do voltar-se para si mesmo, que mostra  a manutenção irrefletida de uma conduta reiterada que ajuda a não pensar sobre as coisas.

Algumas vezes é possível até chamar a polícia para não pensar e falar sobre algo, como no caso citado da  USP, mas poderíamos citar outros exemplos, afinal, pessoas, inclusive, lucram com o “desentendimento”  e a falta de diálogo em instituições públicas, como a empresa Condor (notem, o mesmo nome da legião nazista da Luftwaffe) que persiste na produção de armamento não letal como uma das únicas produtoras do artefato que nos atingiu numa operação que era não apenas de alto custo político, mas igualmente financeiro ao Estado. Tais artefatos são mercadorias que só o Estado pode comprar, e quem mais adoraria que fossem cada vez mais usadas?

E mais, no processo de expulsão de ocupações urbanas e reintegrações de posse que atingem toda a área interior ao Rodoanel, que levam a pensar que as pessoas das periferias estejam sendo jogadas para além dele, quanto gás lacrimogêneo, arma não letal, mas que é arma de uso exclusivo do estado teria sido produzida para gerar dor e anular a fala de sujeitos políticos e sociais. Quem pesquisou isto e quem lucra com isto?

Ora, um aumento expressivo de ações deste tipo envolveria contratos exclusivos com tais empresas, propriedades de ex-militares especialistas em causar dor, que devem, a esta altura, ser os melhores amigos de nosso governador e de quem mais ajudar a impedir que se reflita sobre isto. Será que a sociedade  paulista dos investidores da bolsa garantidos pelo estado, representados pela Folha de São Paulo, será que eles querem mais este filão, como parecem urrar em seu editorial agora despido de qualquer verniz democratizante [8]?  No editorial pedem que o Brasil se preocupe com a defesa. No contexto geopolítico, quando se diz preocupar-se com a defesa, diz-se contra quem se espera um confronto, no caso, poderia ser contra a própria população (caso do regime militar), contra ameaças regionais às aristocracias políticas (como enxergam o chavismo venezuelano) ou contra quem ameace os interesses dos acionistas da Petrobrás na Bolívia.

No entanto, o principal interesse estaria não no fim, mas no meio, no uso de artefatos e talvez no filão de mercado que representa a empresa Embraer privatizada ao beneficiar seus acionistas no  caso de um acordo com a França, o que parece ser mais provável, junto ao interesse de que o Brasil não fabrique arsenal bélico pesado, exceto o da Embraer e o armamento leve que já se produz na empresa Taurus. Isto desde que o estímulo ao conflito entre arrozeiros e índios na fronteira com a Venezuela não teve frutos, dado que não seriam os índios Ianomâmi presentes em ambas as fronteiras a verdadeira ameaça alardeada por militares enfurecidos. Ou realmente teriam representado uma ameaça o ataque de flechas envenenadas contras os soldados do exército que, salvo engano, livremente circulam pelo seu território?

O duplipensar [9] da Folha, o modo de escrever e desdizer o que se fala, envolve que não se pense nas únicas ameaças de conflito, dada a geopolítica regional, que seria o crescimento das bases americanas na Colômbia e, porque não, de uma única preocupação remota com a Guiana, lugar em que os cidadãos brasileiros na atual conjuntura política entram e saem sem problemas, apesar de possuir bases militares francesas em atividade. No artigo, preocupar-se com a Colômbia e a presença dos EUA é chamado de aventura militar, apesar de não ser citada como aventura justamente o que ocorre no Haiti onde os militares brasileiros parecem ter feito a opção tática de ficar com o “mico na mão”, ou degenerar-se como os EUA no Iraque [10] coisa contra o qual advertia Herbert Marcuse: “Nós nos submetemos à produção pacífica dos meios de destruição, à perfeição do desperdício, a ser educados para uma defesa que deforma os defensores e aquilo que êstes defendem”

Estes casos de conflitos internos e externos envolvem a junção de posições políticas e econômicas, pois são muitos os espólios das vendas de armas, seja o do acadêmico que pensa e fala para justificar o que foi e será feito com elas, o do técnico que as desenvolve, do chefe de indústria que as produz, do mercador da morte que as vende, da força militar e ameaçadora que as compra ou o carniceiro regular ou irregular que as utiliza. O que quisemos mostrar apenas a falsidade de se imaginar que a escolha política seja apenas o de que armas se emprega para combater.

*Douglas Rogério Anfra é estudante de mestrado no departamento de Filosofia da USP