Informe:

SOBRE O CENTRO DE SÃO PAULO

Chegou a hora das eleições. Todos os poderosos apostam suas fichas (e muito dinheiro) nas campanhas eleitorais. Dentre os principais doadores aos políticos estão as construtoras e as associações imobiliárias. Nas últimas eleições, dos sete maiores doadores, seis eram do ramo imobiliário....

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O analfabeto político

Posted by Moisa | Posted in Plínio Presidente | Posted on 19-08-2010

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Participar de uma campanha eleitoral é sempre um choque. Para nós, comunistas ideológicos, isso nunca é confortável apesar de importante. Preferimos nossas lutas, greves, bandeiras e ações direta. Nós, que apoiamos a candidatura Baltazar estamos nas ruas há algumas semanas. Participamos de um partido (PSOL) que possui uma ideologia e que as pessoas se filiam e militam por acreditarem que assim podem mudar o mundo, deixá-lo menos desigual e mais humano. Assim, nossa militância não é paga e nem se resume às eleições. Quando vamos para rua fazer campanha buscamos não apenas votos, mas também influênciar na consciência das pessoas buscando um mundo mais solidário.

Essa semana estava com a banquinha do PSOL na frente da UBS Santa Cecília quando entrego o panfleto para um senhora, quando essa pega o panfleto começa a xingar os políticos, tento intervir para explicar o que é o PSOL e a candidatura que defendo, impossível. Então viro e sigo com a minha panfletagem. Então essa senhora vira e me pergunta: quanto você está ganhando com isso? Digo: nada, apenas a certeza que estou fazendo minha parte para melhorar a nossa sociedade. Então, essa sai sem acreditar e me xingando ainda mais.

Posso entender que a política institucional realmente é podre. Mas tenho certeza que a culpa não é minha nem do PSOL. Além do que, também tenho certeza que todos essas pessoas que se dizem tão avessas à política no dia 3 de outubro vão votar no candidato mais bonitinho, mais famoso, com mais cabos eleitorais pagos, ou seja, os mesmos. Por tudo isso, resolvi que daqui até o fim da campanha vou dar uma resposta padrão nessas situações: “Desculpe, não sabia que você não sabe ler.” Explico com Bertold Brecht abaixo. Mas antes tenho a obrigação de me desculpar com o chileno que na mesma UBS veio me perguntar se não poderia ocorrer o mesmo com o PSOL que ocorreu com o PT, com o professor de teatro Lineu que discutimos ditadura, cultura, sociologia e com todos aqueles que nos procuraram para discutir, concordando ou não. Para esses,  faço o convite de entrarem em contato conosco psolsantacecilia@hotmail.com

SOBRE A CORRUPÇÃO, A POLÍTICA E O POVO

Posted by rafah | Posted in Contra ou Cultura!!!, O povo sai as ruas, política institucional | Posted on 21-07-2010

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Mensalão, mensalão do DEMO, caixa 2, super-faturamento, dinheiro na cueca, na meia, etc. Corrupção: todo dia se ouve falar nessa odiável palavra. Em época de eleições é importante nos fazermos essas perguntas: por quê tanta corrupção nesse país? Por quê os políticos estão mais preocupados em enriquecer ilegalmente do que ajudar o povo que os elegeu? Por quê o político fala uma coisa na campanha e faz outra no governo? Por quê tanta mentira, sujeira, enganação? De quem é a culpa disso tudo?

É preciso admitir: a culpa é nossa, de todos nós, e por dois motivos. Primeiro porque escolhemos mal, porque nos deixamos levar por campanhas publicitárias, musiquinhas pegajosas, desenhinhos, bonequinhos; porque nos preocupamos mais com a vida pessoal e a aparência do candidato do que com sua trajetória política, do que com os ideais de seu partido, etc. Porque o povo brasileiro escolhe o seu candidato na véspera da eleição, porque ele olha para o jornal para ver quem está ganhando e vota nesse qualquer um para não “perder” o voto. Também porque admitimos que o corrupto fique lá no poder, que ele, quando desmascarado, peça afastamento do cargo, candidate-se nas próximas eleições, e lá estará o povo novamente a elegê-lo. Pois é, a culpa é nossa, do povo brasileiro.

Mas existe um segundo motivo para admitirmos essa culpa. Um motivo mais profundo que não diz respeito só às escolhas impensadas que fazemos no momento de votar. Afinal, qual é o nosso real poder de mudar tudo isso com um voto a cada dois anos? O problema não é só o candidato que escolhemos, é o sistema que aceitamos. O problema não se reduz a um ou outro deputado, senador, governador ou presidente; mas é a Câmara do Deputados, o Senado, o governo, o poder executivo, a estrutura de poder. O problema da corrupção está na estrutura do governo, a corrupção faz parte da mecânica do governo, ela é a regra do jogo, e não a exceção. A exceção é quando ficamos sabendo de casos de corrupção, e o pouco que ficamos sabendo não é metade de tudo o que acontece. Se a corrupção é a regra, quem quiser jogar nesse sistema teria que aceitá-la. Teria?

E se propormos novas regras para o jogo da política? E se não aceitarmos mais sermos consultados apenas por dois minutos a cada dois anos? É preciso ver a democracia no Brasil não como algo bem acabado que, com melhores escolhas de candidatos, caminharia suficientemente bem. É preciso ver a democracia do Brasil como algo em construção e que está longe de realizar-se plenamente. Não é porque votamos que vivemos num país democrático. Não é democrático um país em que um candidato  investe milhões numa campanha eleitoral para ter chances de se eleger. De onde vem tanto dinheiro para queimar numa campanha de 3 meses? A máquina, o sistema da corrupção já começa a funcionar antes do governo, nas próprias eleições, na campanha eleitoral. Não é democrático um país em que existam pessoas vivendo em barracos num morro ao lado de prédios de luxo. Não é democrático um país em que o político, o juiz, ou o policial corruptos sejam temporariamente afastados do cargo, enquanto a mãe de família que rouba um shampoo no supermercado seja presa por anos à fio.

No nosso entendimento, só o povo organizado e atuante 100% do tempo pode mudar realmente essa situação. É preciso fazer uma grande e profunda transformação na estrutura de poder da sociedade para acabar com a corrupção. Não há outro caminho para o povo brasileiro. O caminho é difícil, longo e perigoso, mas é preciso ter a coragem de percorrê-lo. É preciso dar os primeiros paços. E para nós alguns dos primeiros paços seriam estes:

1 – defender a proibição de financiamento privado de campanhas eleitorais;

2 – defender a ampliação do  uso de plebiscitos e consultas populares para a tomada de decisões políticas;

3 – reivindicar a multiplicação dos espaços de discussão, participação e decisão popular no desenvolvimento de políticas públicas;

4 – defender e elaborar uma reforma profunda dos poderes executivo, legislativo e judiciário.

Só a luta libertará o povo da corrupção!

SERRA USA MÁQUINA DO GOVERNO DO ESTADO PARA FAZER SUA CAMPANHA ELEITORAL

Posted by rafah | Posted in Contra ou Cultura!!!, política institucional | Posted on 12-07-2010

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Saiu hoje no jornaleco da família Frias o que quem escuta rádio e assiste a televisãojá sabia faz tempo: que o Serra multiplicou os gastos em campanha publicitária do governo estadual para encorpar a sua camapanha presidencial, violando frontalmente a legislação eleitoral vigente. É o de praxe: o Lula está fazendo o mesmo para a alavancar a Dilma, tanto que o presidente já foi duplamente multado por campanha eleitoral irregular. A chapa Marina-Natura S.A. que não tem à mão nenhuma máquina governamental vultosa vem apenas utilizando o espaço que a mídia corporativa vem lhe proporcionando, espaço que não é grátis, e no nosso entendimento tem dois objetivos: 1 – implantar na sociedade brasileira a impressão de que se vive numa sociedade democrática (o que é mentira!); e 2 – a chapa Marina-Natura S.A. é uma linha alternativa da campanha tucana pró-Serra, o objetivo tático é colocar uma outra mulher candidata que tenha condições de tirar votos da Dilma, levando Serra bem para o segundo turno,  e isso a troco de uns cargos e indicações ministeriais.

12/07/2010

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08h46

Governo de SP mais do que dobra gasto de publicidade

Publicidade

DE SÃO PAULO

De janeiro a junho de 2010, o governo de São Paulo mais do que dobrou a média mensal dos gastos com publicidade em comparação aos três anos anteriores, informa reportagem de Catia Seabra, publicada nesta segunda-feira pela Folha (íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL).

Segundo a reportagem, vitrine principal do PSDB nas eleições de outubro, o governo do Estado gastou em seis meses R$ 141,8 milhões com publicidade e comunicação institucional.

No período, a média mensal foi de R$ 23,6 milhões, ante R$ 9,2 milhões mensais apurados como média dos primeiros semestres de 2007, 2008 e 2009 –crescimento de 156,5%. Os dados são do próprio governo.

A lei diz que, em ano de eleição, os gastos com publicidade não podem superar a média dos três anos anteriores. Mas, apesar disso, o salto dessas despesas não pode ser considerado ilegal. Isso porque a mesma lei impede que os governos façam gastos com propaganda nos três meses que antecedem o pleito. Assim, no fim do ano, a média mensal obrigatoriamente cairá.

OUTRO LADO

Em nota, a Secretaria de Comunicação de São Paulo afirmou que o governo “respeita a Lei Eleitoral e, para o seu cumprimento, reduziu em 31% o orçamento de comunicação e publicidade no ano de 2010 em relação ao investido em 2009″.

Ainda segundo a Secom, o acórdão 2506 do TSE não deixa dúvidas de que, para a aplicação da lei, vale a média realizada nos três anos anteriores ao da eleição.

O governo alega ainda que a baixa execução de 2007 –quando a atual estrutura de comunicação ainda não estava montada– afetou a média dos últimos três anos.

O Bella, Ciao!

Posted by Editorial do Outubro | Posted in Contra ou Cultura!!!, crise econômica | Posted on 01-12-2009

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Quando parece que a crise mundial havia ficado para trás, e haviamos perdido o tempo histórico das lutas vem sempre boas novas. Desta vez as notícias vem da Itália, luta, ocupação e gravando.

o bella, ciao! bella, ciao! bella, ciao, ciao, ciao!

 

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 Na periferia industrial de Roma, na Tiburtina, a fábrica Eutelia, uma das mais importantes da área de informática da Itália, foi fechada pelos seus donos, demitindo 1200 trabalhadores. Faz mais de um més, a fábrica foi ocupada pelos operários, e posta para produzir. A 10 de novembro, os trabalhadores repeliram um ataque de bandas para-policiais (“vigilantes”). A 25 de novembro, um ato-festival foi realizado na fábrica, com oradores e grupos musicais, para receber solidariedade e divulgar a luta. Lá fui eu, levar meu apoio e saber o que rolava.
 
O ato era bastante pequeno, pouco numeroso. Os oradores sindicais (FIOM-CGIL) apelavam para a sensibilidade das autoridades, fustigavam os donos pela sua “má gestão da empresa”, crticavam a mídia. Até que um orador, bem mais velho, tomou a palavra e, falando com energia, responsabilizou o capitalismo, e chamou à unidade dos ocupantes da Eutelia com os outros trabalhadores da Itália que lutam pelos mesmos motivos, em especial os sardos e venetos da Alcoa (que dois depois enfrentaram a polícia, em manifestação nas ruas de Roma) (ver em baixo).
 
Quem era ele? Ninguém menos que Mario Monicelli, o diretor e roteirista de “L’ Armata Brancaleone”, “I Compagni”, “I Soliti Ignoti”, “Brancaleone nelle Crociate”, “Romanzo Popolare”, “Amici Miei”, “Parenti Serpenti”, e tantos outros filmes, que já não são só parte dos clássicos do cinema italiano, mas da própria cultura universal (viraram até expressòes usadas na linguagem corrente). O ùnico “regista” italiano que conseguiu reunir, num só filme, Albertone Sordi e Totò, os dois maiores comediantes do cinema italiano em todos os tempos.

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Lá estava ele, com seus 95 anos (sim, noventa e cinco), falando com a energia de um garoto, chamando à unidade dos trabalhadores, sublinhando e encorajando o papel das mulheres na luta de classes, ele que o filmou como ninguém no fantástico “I Compagni”, de 1961 (Mario Monicelli, Marcello Mastroianni, Renato Salvatori, Annie Girardot: muito tempo passará até outro filme reunir quatro génios como esses…), quando os movimentos feministas, na Europa e no mundo, apenas engatinhavam.
 
Fui falar com ele, ele sentado no meio dos operários, o vencedor dos Festivais de Veneza e Berlim, bebendo seu cafezinho. A conversa não foi fácil, ele está começando a ter problemas auditivos (embora se negue a usar aparelho de ouvido), mas foi o suficiente para me dizer que continua “mais comunista do que nunca”. E falava com qualquer um que quisesse falar com ele, eu inclusive.
 
Pensei: não sou da geração da Internet e do celular, do hi-phone e do skype, do sei lá mais o que (não consigo nem acompanhar), das viagens fáceis para qualquer lugar, e não me considero sortudo por isso (bem ao contrário); mas sou da geração à qual Monicelli (e os poucos que estavam à sua altura) ensinou, depois de passar pelo fascismo e pela guerra, coisas que, hoje, nos fazem sorrir quando vemos (ou lemos, ou assistimos) “deconstruçòes” dos “ocidentalismos” (e dos “orientalismos” ad hoc), defesas dos “multiculturalismos”, ou “re-inclusòes” dos “excluídos da história” – num festival de populismos intelectuais paternalistas de terceira categoria, que passa por “novidade”. Sem falar em algumas “criacionices” cinematográficas, hollywoodianas ou não, que, perto dos filmes de Monicelli parecem obras de estudantes desorientados de cinema do primeiro ano da ECA-USP…
 
Monicelli nos fez viver o sublime e o ridículo dos desempregados/ladròes amadores do capitalismo hodierno (em “I Soliti Ignoti”), nos mostrou como os “excluídos” se “incluiam” sozinhos (em “I Compagni”) e se fusionavam, no partido operário, com a intelectualidade revolucionária… e também ingénua (Mastroianni!), justamente porque revolucionária. E os dois “Brancaleone” são muito mais que “comédias italianas”: décadas antes que isso virasse “moda”, Monicelli explodiu, a tiros de gargalhada, todos os euro/cristiano-centrismos – Monicelli/Gassman, encontros como esse só acontecem dois ou très por século (outro génio do século XX, este lamentavelmente morto – prematuramente -, Bernard-Marie Koltès, acabou com todo o racismo anti-árabe que grassa na Europa, com uma só frase: “Se na França não houvesse árabes, ela seria igual à Suíça”).

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Monicelli, o ùnico intelectual italiano na ocupação da fábrica, com seus 95 anos, um dos maiores diretores de cinema do século XX, e também do século XXI (quem duvidar, que assista “Lettere della Palestina”, de 2002, ou “Le Rose del Deserto”, de 2007), um jovem quase centenário, porque artista e comunista.
 
Vão ai algumas fotos, da ocupação da Eutélia, da luta contra a polícia dos operários da Alcoa, e uma de Monicelli comigo no ato-festival, lamentavelmente pouco clara, porque tirada com um celular chinès (mas não comunista).
 
Ciao, grande Mario, nos vemos na próxima ocupação de fábrica, para falarmos de internacionalismo e comunismo. Monicelli ficou até o final do ato, depois o acompanhamos até o ponto onde tomou, sozinho, o táxi que o levou à casa; eu fui andando até meu ponto de ónibus que, afinal, sou um adolescente.

Declaração do Partido Socialista da América Central sobre a situação em Honduras

Posted by Editorial do Outubro | Posted in Imperialismo | Posted on 23-09-2009

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Divulgamos aqui o manifesto do Partido Socialista Centroamericano (PSOCA) sobre a nova conjuntura política em Honduras, após o retorno do presidente legítimo Manuel Zelaya.
O PSOCA convoca a resistência popular, uma greve geral e a instalação de um governo provisório sob o comando dos trabalhadores.
Boa leitura!

DECLARACION DEL PARTIDO SOCIALISTA CENTROAMERICANO (PSOCA)

ANTE EL REGRESO DE MANUEL ZELAYA:

¡¡ES HORA DE LA HUELGA GENERAL Y DEL LEVANTAMIENTO POPULAR CONTRA LOS GOLPISTAS!!

El presidente Manuel Zelaya se dirige a sus partidarios, en la embajada de Brasil en Tegucigalpa

Influenciado por las gigantescas movilizaciones de la resistencia el pasado 15 de septiembre, el Presidente Manuel Zelaya tomó la decisión audaz de romper el impasse al reaparecer en la embajada de Brasil en Tegucigalpa, desafiando a los golpistas.

Hacia una crisis revolucionaria

El retorno de Zelaya ha provocado un claro reavivamiento de las movilizaciones populares. Acosado, aislado nacional e internacionalmente, el gobierno de Roberto Micheletti ha respondido con el toque de queda y el estado de sitio, amenazando con una masacre de gran envergadura, con el objetivo de evitar el estallido de una insurrección popular.

Hasta el día de hoy, los golpistas se han aferrado obstinadamente al poder y no se atreven a discutir la reinstalación del presidente Manuel Zelaya en el gobierno, porque temen que ello sea el inicio de un desbordamiento popular que adquiriría irremediablemente una dinámica revolucionaria. Con el retorno del presidente Zelaya, se está produciendo un reagrupamiento del movimiento de masas contra los golpistas. La crisis política en Honduras tiende a transformarse en una crisis revolucionaria, en un enfrentamiento decisivo y abierto entre los dos bandos en pugna.

El peligro de las negociaciones políticas

A pesar que la Organización de Estados Americanos (OEA), el gobierno de los Estados Unidos y la llamada “comunidad internacional” ha promovido el tramposo Acuerdo de San José, estas negociaciones políticas han fracasado. Estamos llegando al punto de las grandes definiciones..

A pesar que las declaraciones del presidente Manuel Zelaya han sido conciliadoras, en el sentido de que ha regresado a Honduras para fomentar el dialogo y la reconciliación, los golpistas no dejan de empuñar los fusiles y de amenazar con tomar medidas de fuerza, que pueden incluir el asalto a la embajada de Brasil, la captura del presidente Manuel Zelaya y una sangrienta represión contra el movimiento de las masas en resistencia.

Precisamente ahora, cuando existe más firmeza y decisión revolucionaria de las masas en la perspectiva del derrocamiento revolucionario del gobierno golpista, la secretaria de Estado de los Estados Unidos, Hilary Clinton, declaró en New York que “ahora que el presidente Zelaya volvió, sería oportuno devolverle su puesto” y “seguir adelante con las elecciones previstas para noviembre, tener una transición pacífica de presidentes y devolver a Honduras el orden democrático y constitucional” (La Prensa 21/09/09)

El gobierno de los Estados Unidos está cambiando suavemente de posición porque observa con temor la dinámica revolucionaria de los acontecimientos, por ello comienza a hablar de elecciones pero bajo la reinstalación del presidente Zelaya.

¡Huelga general ya!

Ha llegado la hora de convocar a una Huelga General desde la base de los sindicatos y de los organismos del movimiento popular. Si no derrocamos a Micheletti de forma inmediata, los golpistas intentaran tomar la contraofensiva, aprensado a Zelaya y reprimiendo al movimiento de masas.

El Partido Socialista Centroamericano (PSOCA) llama a la Coordinadora Nacional de Resistencia Popular (CNRP), las centrales obreras y demás Federaciones sindicales a convocar un paro general en los sectores productivos (fábricas, oficinas recaudadoras de impuestos, puertos y centros de exportación de mercancías).

Llamamos a la toma de empresas bajo el control de los trabajadores.

Llamamos a los empleados públicos a tomarse los ministerios, entes y oficinas gubernamentales, hasta que caiga Micheletti.

Exhortamos a los trabajadores y jóvenes a luchar por la nacionalización de las empresas de todos los grupos económicos y de familias que promovieron el golpe de Estado.

También llamamos a los trabajadores y jóvenes a conformar comités de lucha popular en todas las fábricas, empresas y barrios, con el objetivo de impulsar la huelga general, hasta el levantamiento popular contra el gobierno de Micheletti.

Ante el peligro de una sangrienta represión, el Partido Socialista Centroamericano (PSOCA) llama a conformar milicias y piquetes de autodefensa en las fábricas, centros de trabajo, barrios, universidades y colegios de secundaria.

De igual manera, llamamos a los soldados a no obedecer las órdenes de sus superiores, a conformar comités de soldados para luchar contra el golpe de Estado, negándose a disparar o reprimir al pueblo, destituyendo a la alta oficialidad. También llamamos a los policías, a desobedecer las órdenes de sus superiores, a no reprimir al pueblo, a organizarse en sindicatos para luchar junto al pueblo por la defensa de sus derechos.

En ese mismo sentido, exhortamos a los trabajadores y a los sectores populares para que luchemos por la defensa de la libertad de movilización y de prensa. Como una medida de desmovilización, el gobierno ilegitimo de Micheletti ha decretado un estado de sitio que reprime la libertad de movilización, la libre organización y otros derechos contenidos en la Constitución.

Los militares han creado retenes en las carreteras para frenar las amplias movilizaciones que se desplazan desde los distintos puntos a nivel nacional. De igual forma, como lo hicieron el mismo día del golpe de Estado, han sacado del aire a los medios de comunicación que simpatizan con las luchas de la resistencia. En algunos casos, se le ha suspendido la energía eléctrica, se les ha destruido con sustancias químicas sus repetidores, se les ha sacado de los distintos sistemas de cable, y se han hecho allanamientos ilegales a sus instalaciones obligándolos a transmitir desde la clandestinidad.

El Partido Socialista Centroamericano (PSOCA) llama a los sectores en lucha que no acepten los acuerdos entre la burguesía, los sectores golpistas y los violadores de los derechos humanos. Cualquier negociación que realice el presidente Manuel Zelaya debe ser pública, y no debe poner en peligro la lucha por acabar con el gobierno espurio y obtener la restauración de las libertades democráticas.

Debemos exigir que se aplique todo el peso de la ley a los autores intelectuales y materiales del golpe de Estado. Digamos no a la amnistía. Los crimines no pueden quedar impunes, la muerte de nuestro mártires deben ser inflexiblemente sancionadas.

La CNRP y las centrales obreras deben constituirse en gobierno provisional

Frente a las pretensiones del gobierno de los Estados Unidos de conformar un gobierno de reconciliación y de dialogo nacional, sintetizado en el acuerdo propuesto por el mediador Oscar Arias, integrado por funcionarios golpistas y el presidente Manuel Zelaya, debemos hacer valer nuestra propia propuesta de la clase trabajadora.

El corazón, alma y nervio de la resistencia contra los golpistas está constituido por la CNRP, las centrales obreras, las organizaciones del movimiento popular y la izquierda.

El Partido Socialista Centroamericano (PSOCA) llama a la CNRP, colegios magisteriales centrales obreras y resto de las organizaciones populares a postularse como una alternativa de poder, convocando a la huelga general, única camino para derrotar a los golpistas, es decir, convirtiéndose en un gobierno provisional revolucionario ante la inminente caída de Micheletti.

Solo un gobierno nacido de las masas populares puede convocar a una Asamblea Nacional Constituyente y reorganizar Honduras en beneficio de los más pobres

¡¡ABAJO EL GOBIERNO DE MICHELETTI!!

¡¡QUE LA CNRP, LAS CENTRALES SINDICALES, COLEGIOS MAGISTERIALES Y EL MOVIMIENTO POPULAR TOMEN EL PODER Y CONVOQUEN A UNA ASAMBLEA NACIONAL CONSTITUYENTE!!

Centroamérica, 21 de Septiembre del 2009

Secretariado Ejecutivo Centroamericano (SECA)

Partido Socialista Centroamericano (PSOCA)

Fonte: www.elsoca.org

HONDURAS.- ¡¡Ante el regreso de Manuel Zelaya, es hora de la Huelga General y del Levantamiento Popular contra los golpistas!! PDF Imprimir E-mail
Lunes, 21 de Septiembre de 2009 22:11

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PLÍNIO PRESIDENTE

Posted by Editorial do Outubro | Posted in política institucional | Posted on 28-08-2009

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www.outubrovermelho apoia a indicação de Plínio de Arruda Sampaio como o candidato do PSOL a disputar as eleições presidenciais em 2010. Ainda que a grande maioria do partido queira que Heloísa Helena seja a candidata, ela própria não o quer, uma vez que seria obrigada a amargar mais 2 anos, no mínimo, fora de qualquer posto representativo. Nós respeitamos tal posição e apoiamos a candidatura da presidente de nosso partido ao senado, pelo estado de Alagoas.

Porém, estamos convictos de que numa chapa da Frente de Esquerda (PSOL, PCB, PSTU) o PSOL tem condições de indicar um nome forte e que seja capaz de fazer o bom embate que esperamos de um candidato nosso a um cargo majoritário.  O candidato a presidente do PSOL não deve fazer campanha pensando em ganhar a eleição, deve fazê-la pensando em conscientizar o povo brasileiro, levantando o debate sobre a persistência da abismal desigualdade social no nosso país, e esclarecendo publicamente o jogo e os interesses de classe que ditam o ritmo do poder executivo.

Plínio de Arruda Sampaio já provou que pode cumprir esse papel. Quando candidato a governador do estado de São Paulo, em 2006, fez uma ótima campanha eleitoral, colocando no bolso o Serra (social darwinista) e o Mercandante (lullista) durante os debates na televisão. Plínio é o presidente da Associação Brasileira de Reforma Agrária (ABRA), diretor do jornal Correio da Cidadania. Foi militante da juventude comunista católica, relator da reforma agragária, nas reformas de base do governo Jango, fundador do PT e deputado constituinte em 1987. Saiu do PT, quando o PT se mostrou traidor de seus princípios e hoje, mesmo com a história da esquerda brasileira nas costas, tem a coragem de afirmar: precisamos de um programa socialista de ruptura radical com a ordem e o estado burguês no Brasil. Por isso e um tanto mais, Plínio de Arruda Sampaio já é o nosso candidato a presidência.

Divulgamos a seguir material de divulgação da pré-candidatura e entrevista concedida por ele em 2006, publicada em http://www.verbeat.org/blogs/bombordo/arquivos/2006/05/entrevista_exclusiva_plinio_de.html

plinio presidente

intro

Antes de começar a entrevista: “Passei o final de semana fazendo umas contas… Oito milhões de famílias estão nos programas sociais do governo, recebendo um real por dia. Vinte mil famílias recebem cerca de dois mil e quinhentos reais por dia por terem emprestado ao Governo; são os que mandam no Brasil. A relação entre esses oito milhões – e o que eles recebem -, e as vinte mil famílias – e o que elas recebem -, é a relação de miséria no Brasil”. Balanço a cabeça afirmativamente, vendo um socialista falar.

Plinio, depois de tantas jornadas, tem início um nova?
É. Eu já disputei o Governo do Estado em 1990 e agora estou aqui novamente… E Limeira é a primeira cidade que visito.

De todas as jornadas – luta, exílio, formação do PT, cargos eletivos… – qual foi a mais difícil?
A coisa mais frustrante da minha vida foi esse desvio de rota do PT, porque é um desastre nacional, não só um desastre para o partido. É um desastre para o País. As pessoas precisam ter respostas. Mesmo os adversários do PT esperavam que o partido, chegando ao Governo, fizesse o que falou e prometeu a vida inteira. Agora ele [o PT] chega ao poder e mantém exatamente a mesma política do seu antecessor. O povo levou um choque. Isso foi o mais frustrante. Ganhar e perder faz parte do jogo. O ruim é você falar para o povo que vai fazer e não faz.

O senhor criticou agora mais pontualmente a política econômica do Governo Lula mas economincamente o governo parece estar bem. O desgaste parece ser político. A sua maior crítica é para a postura econômica do Governo?
Os médicos dizem que a pior pneumonia é aquela que não dá febre; pois não dando febre o sujeito pensa que está só com uma gripezinha, quando, na verdade, a doença está se alastrando. Quando o doente perceber, já é tarde demais. A mesma coisa acontece com o Governo. A inflação está segura, o crescimento é de 3,5% ao ano, o dólar não varia muito… Então dá uma impressão que está indo bem. Mas está indo muito mal. Com 3,5% de crescimento não dá pra incorporar ao mercado de trabalho nem a moçada que atinge idade para trabalhar. Sem falar no lastro dos que não têm emprego e nos trabalhadores informais… Nós não estamos empregando a população! Com isso você tem um monte de gente em situação de pobreza – e é quando prolifera a doença, a dengue, o crime, as drogas… É impossível uma sociedade desenvolvida com tamanho número de pessoas fora da órbita econômica. Por isso, mais forte que essa crise ética – que é execrável -, é o desvio da política econômica.

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O senhor foi um dos fundadores do PT, um dos grandes pensadores do partido. Qual ação o senhor esperava do Lula, principalmente na área economica, assim que ele assumiu a presidência?
A reforma agrária. Eu tinha certeza que o Lula ia fazer a reforma agrária. Nós falamos isso a vida inteira! Eu pensei que ele fosse contemporizar de um lado e de outro, mas que a reforma agrária ia sair. Tanto que eu ajudei a fazer o projeto. Ele me chamou para um plano de reforma, eu contratei a equipe, e nós fizemos junto com todos os movimentos sociais do campo. E o plano foi engavetado. Uma decepção terrível! Nós propusemos uma meta de um milhão de famílias assentadas em 4 anos. Ele reduziu a meta pela metade e não fez nada. Não conseguiu cumprir nem a metade.

O senhor, assim como vários integrantes do PT, deixou o partido e montou o P-Sol – que, em pouco tempo, adquiriu visibilidade e influência na política do País. O que o povo pode esperar do P-Sol?
O P-Sol veio para ocupar um espaço que o PT deixou; para levantar a bandeira que o PT jogou no chão. É bandeira da independência do nosso País. Nós temos que enfrentar o imperialismo americano de qualquer jeito. É o imperialismo mais poderoso do mundo, mas temos que combatê-lo… Veja o Vietã e o Iraque… Quando um povo tem a determinação de se tornar independente, ele consegue. Às vezes paga um preço alto, mas acaba independente. Não se tem independência sem se pagar algum preço. O PT dizia isso o tempo todo e afinou. O P-Sol vem para conseguir independência, para acabar com essa bobagem do “superavit primário”, que é uma expressão para enganar o povo, dizendo que ele vai ficar cada vez com menos beneficios. “Superávit primário” é só corte no orçamento!

O senhor, do alto dos 75 anos, está animado para disputar essa eleição?
Animadíssimo. Acho que temos um partido sério, uma proposta digna, decente… É uma proposta conhecida; nós não estamos inventando a roda. Estamos levantando uma bandeira que está aí há 25 anos e que foi largada. Sem contar que eu estou trabalhando agora com a moçada… E isso é ótimo: rejuvenesce!

Marx21: Seminário Marxism 2009 – Tariq Ali, Zizek, Harvey, Harman, Meszaros e Callinicos

Posted by edutiao | Posted in Imperialismo | Posted on 24-08-2009

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Muito boas palestras de grandes intelectuais marxistas, no seminário de julho passado, em Londres. Do blog Marx21.

Marxism 2009. Esse foi o nome da conferência realizada em Londres, entre os dias de 2 a 6 de julho de 2009. Vários teóricos e ativistas políticos expuseram suas idéas sobre os mais variados temas, incluindo revolução, crise econômica, política imperialista dos EUA, estratégias políticas etc. Confira algumas palestras abaixo:

Tariq Ali

Zizek

David Harvey

Chris Harman

Alex Callinicos

István Mészáros

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Estado e revolução: o retorno

Posted by Editorial do Outubro | Posted in Contra ou Cultura!!!, Imperialismo, crise econômica, política institucional | Posted on 23-07-2009

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O eco-socialista Rui Kureda problematiza as relações entre o Estado e Revolução no século XXI. Fazendo uma análise crítica de algumas teses defendidas no segundo congresso estadual do PSOL, Rui coloca sua visão sobre uma estratégia revolucionária realmente eficaz no contexto neoliberal reconfigurado em que vivemos.

gatochino

Estado e revolução: o retorno

Rui Kureda

A crise do capitalismo trouxe novamente o debate sobre a estratégia. Um debate crucial que articula temas como o programa, o papel do Estado, a política de alianças, os instrumentos e os métodos para concretizar os objetivos almejados. Tais questões pressupõem, por sua vez, uma análise da realidade que determinará os objetivos e tarefas a serem realizados. Essa discussão mal começou. Mas podemos encontrar algumas visões em textos e livros, como o livro A nova toupeira: os caminhos da esquerda latino-americana, de Emir Sader, e nas teses que serão debatidas no II Congresso Nacional do PSOL.

Não pretendemos – e nem poderíamos – discutir tais questões aqui. Mas queremos chamar a atenção para o retorno de posições que propõem o fortalecimento do papel do Estado, conferindo-lhe um papel decisivo como “indutor de um novo modelo de desenvolvimento, que aponte para a construção do socialismo”, segundo uma das teses congressuais do PSOL. Ou ainda, como defende outra tese, a defesa de “construção de um Estado democrático e forte” como um dos eixos programáticos com o “objetivo ampliar as capacidades e forças em sua relação com o mercado e subjugando-o”.

Tais posições não são novas. Mas a diferença é que nos dias atuais há a experiência dos governos de esquerda da América Latina, que têm se constituído em paradigmas e referências para significativas parcelas de militantes dos movimentos sociais e organizações de esquerda.

Inconsistências

Qualquer suposição de que se possa controlar o Estado, e colocá-lo a serviço de políticas que favoreçam a população pobre e criem condições para avançar rumo ao socialismo, deve responder algumas questões fundamentais. Uma delas é como chegar, e por quais vias, ao controle do atual Estado? Talvez a resposta óbvia, tendo em conta os processos na Venezuela e demais países, seja a via eleitoral.

Mas não se pode esquecer que os governos de esquerda da América Latina foram produtos de circunstâncias concretas. Durante o primeiro governo de Chávez não havia uma “revolução bolivariana” em curso. O marco do seu surgimento foi o amplo movimento de massas que salvou Chávez dos golpistas que o haviam seqüestrado em 2002. Da mesma forma, na Bolívia, a eleição de Morales em 2005 expressou a radicalização da grande revolta popular que em 2004 obrigou Sánchez de Lozada a fugir do país.

Dois aspectos merecem ser considerados. Primeiro, que os resultados dos processos latino-americanos não podem ser analisados em uma relação causal, ou seja, não podem ser considerados como conseqüências inevitáveis, uma vez que refletiram situações e correlações de força específicas àquelas sociedades. Segundo, qualquer generalização daquelas (e outras) experiências – produtos de circunstâncias concretas – em táticas ou caminhos a serem perseguidos é temerária, uma vez que se leva a implantar políticas que não correspondem à realidade concreta do Brasil. Foi o caso das guerrilhas urbanas e rurais que tentaram repetir no Brasil e na América Latina uma estratégia que ocorreu em Cuba em uma situação completamente específica e atípica. É preciso observar o que é universal e particular em cada processo.

A idéia de que a partir do controle do Estado se possa implementar um “novo modelo de desenvolvimento” exige que se explicite o que é  esse “novo modelo”. E, independente disso, cabe lembrar que ganhar o governo não significa ter o controle do Estado. No caso do Brasil, o Estado – e a própria estrutura social – é muito maior e extremamente mais complexo que em qualquer outro país da América Latina. As dificuldades seriam muito maiores, e qualquer política socializante envolveria a oposição não somente da direita e do grande capital nacional e estrangeiro, mas também da burocracia estatal, da mídia, dos parlamentos estaduais e locais, de setores significativos da classe média e do extenso aparelho repressivo que engloba as Forças Armadas e as Polícias Militares e Civis estaduais.

Por fim, é necessária uma boa dose de realismo ao analisarmos a situação da Venezuela e outros países latino-americanos. Não podemos nos ater aos governos, mas sim enxergar o todo, em especial a situação da classe trabalhadora e dos movimentos sociais. Surpreendentemente, Sader é realista quando afirma que aqueles governos são governos antineoliberais, mas que ainda não podem ser considerados anticapitalistas. Ele está correto.

Com relação ao governo Chávez e aos demais governos, não é possível qualquer apoio acrítico e incondicional. Apoiamos as suas medidas progressistas, que confrontem o capital e o imperialismo, e que favoreçam a população. Mas não podemos apoiar medidas que tendem a apertar o controle sobre os movimentos e a promover um papel cada vez mais centralizador do Estado.

Portanto, para nós, o fundamental é o fortalecimento da auto-organização e da consciência revolucionária da classe trabalhadora e dos explorados. É isso que possibilita a auto-emancipação dos trabalhadores, e não o fortalecimento do Estado.

A natureza do Estado

Por trás de tudo isso está o debate sobre a natureza do Estado. Fala-se em tomar o Estado, controlar o Estado. Mas o Estado não é uma “coisa” que possa ser tomada para que se modifique sua natureza conforme a vontade. A estrutura do aparelho de Estado burguês expressa as relações sociais preponderantes no capitalismo, baseadas na exploração de uma classe majoritária na sociedade – a classe trabalhadora – por uma classe minoritária – a burguesia. O Estado existe precisamente para manter e assegurar essas relações de exploração através dos seus vários mecanismos: parlamento, forças armadas e polícia.

É verdade que o Estado sofre mudanças. Assume formas e regimes políticos diferentes, mas até o limite da “ossatura institucional” que é o conjunto de instituições e mecanismos de poder que não são porosos à participação e controle social. Em outras palavras, o Estado não pode ser modificado a ponto de garantir o controle social, com direito à eleição e revogação dos mandatos dos parlamentares, funcionários estatais, forças armadas e polícia. Emir Sader afirma que o Estado é um “espaço em disputa”. Ele está errado. Apenas poderíamos admitir tal afirmação em termos parciais e limitados. Há espaços a serem disputados, mas não o núcleo duro do aparelho estatal. Mas ele e outros teóricos, como Carlos Nelson Coutinho, parecem convencidos de que é possível disputar e transformar o conjunto do aparelho de Estado. Parece que muitas das lições trágicas proporcionadas por experiências históricas como o governo da Unidade Popular presidido por Allende no Chile não foram aprendidas. Ou outras conclusões foram extraídas desses processos.

Para nós, as análises de teóricos como Marx, Engels, Rosa Luxemburgo, Lenin, Trotsky e Gramsci – cuja obra, Cadernos do Cárcere, foi “seqüestrada” por Togliatti e equivocadamente apropriada para sustentar o eurocomunismo – permanecem referências decisivas para a compreensão da natureza e do papel do Estado burguês. E seus ensinamentos devem compor a base de qualquer estratégia revolucionária conseqüente que pressupõe a ruptura com o capitalismo e a construção do socialismo como uma obra da maioria e não de uma minoria substitucionista que age “em nome” da classe trabalhadora ou da sociedade.

Conclusão

Finalmente, um aspecto fundamental decorre das experiências do chamado “socialismo real”. Naqueles países não havia mercado nem capital privado. A economia era controlada a partir de cima por uma burocracia que, tendo o Estado sob seu controle, determinava todo o processo produtivo. Esses regimes não caíram por conta de qualquer conspiração da CIA, mas sim por conta da dinâmica de suas economias que engendravam o mesmo tipo de contradições existentes no capitalismo de mercado. E seus governantes foram derrubados pelas mesmas massas cujos interesses supostamente representavam.

A forma estatal da propriedade não é, em si, superior à forma privada. Depende de que tipo de Estado se fala, de quem controla esse Estado e como se dá esse controle. Uma transição socialista apenas pode ser conduzida pela classe trabalhadora “alçada à condição de classe dominante”, o que significa não um Estado capitalista “forte”, mas um semi-Estado, baseado em órgãos democráticos – os conselhos de trabalhadores e trabalhadoras da cidade e do campo – que exercem o poder diretamente a partir da base da  sociedade.

Defender essa perspectiva revolucionária não nos permite alimentar quaisquer veleidades sobre controlar o Estado burguês para avançar rumo ao socialismo. Mesmo que tais políticas sejam chamadas de “táticas”, não o são. Afinal, o stalinismo e os Partidos Comunistas também defenderam “táticas” – como a visão etapista de revolução e a “tática” da frente popular – que conduziram a derrotas trágicas que custaram não apenas a vida de milhões, mas a dramáticos retrocessos na luta pela emancipação humana.

fonte:

http://travessiainsurgente.blogspot.com/2009/07/estado-e-revolucao-o-retorno.html

Adeus Camarada Boal!

Posted by Editorial do Outubro | Posted in Imperialismo | Posted on 04-05-2009

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Morreu na madrugada deste sábado (2), aos 78 anos, o diretor de teatro, dramaturgo e ensaísta Augusto Boal. Expoente do Teatro de Arena de São Paulo (1956 a 1970) e fundador do Teatro do Oprimido (inspirado nas propostas do educador Paulo Freire), Boal sofria de leucemia e estava internado na CTI (Centro de Terapia Intensiva) do Hospital Samaritano, no Rio de Janeiro.

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Boal (1931-2009): indicação ao Nobel da Paz
No final de março, ele ainda teve forças para marcar presença um uma conferência da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), em Paris, onde recebeu o título de Embaixador Mundial do Teatro. A notícia de sua morte foi enviada aos amigos pelo diretor teatral Aderbal Freire-Filho, que lamentou a grande perda para o teatro brasileiro.
“A gente sempre diz que os mortos são insubstituíveis, mas Boal, de fato, o é. Ele é um dos deuses do arquipélago do teatro, um dos mitos da nossa religião. É uma perda irreparável”, lamentou Aderbal. O último encontro dele com Boal foi na sala de espera do consultório de Flavio Cure Palheiro, médico que monitorou o desenvolvimento da doença de Boal.
Augusto Pinto Boal nasceu em 16 de março de 1931. Suas técnicas e práticas difundiram-se pelo mundo, notadamente nas três últimas décadas do século 20. As lições de Boal foram largamente empregadas não só por aqueles que entendem o teatro como instrumento de emancipação política — mas também nas áreas de educação, saúde mental e no sistema prisional. Suas teorias sobre o teatro são estudadas nas principais escolas de teatro do mundo.
“Boal nos representa no Brasil e fora dele. Há livros traduzidos em francês, holandês, mais de 20 línguas”, comenta Aderbal Freire-Filho. “O Teatro do Oprimido é estudado em muitos países. Se ele falecesse na França, a repercussão ia ser enorme.” Em 2008, foi indicado ao prêmio Nobel da Paz devido ao reconhecimento a seu trabalho com o Teatro do Oprimido.
Uma das canções de Chico Buarque é uma carta em forma de música que ele fez em homenagem a Boal, que vivia no exílio, quando o Brasil ainda vivia sob a ditadura militar. A canção Meu Caro Amigo, dirigida a ele, na época exilado em Lisboa, foi lançada originalmente no disco Meus Caros Amigos (1976).
Boal dizia que sua experiência artística “é o teatro no sentido mais arcaico do termo. Todos os seres humanos são atores — porque atuam — e espectadores — porque observam. Somos todos ‘espect-atores’ “. Criada no final da década de 60, sua técnica utiliza a estética teatral para discutir questões políticas e sociais.

Nosso 11 de setembro

Posted by Editorial do Outubro | Posted in Contra ou Cultura!!!, Criminalização do Movimento, Imperialismo | Posted on 09-09-2008

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Começamos a relembrar o nosso 11 de setembro. Quase esquecido pelos grandes meios de comunicação. Quase esquecido por aqueles que não conhecem a nossa história. Quase esquecido por aqueles que praticaram um banho de sangue no coração da “democracia”, ou um banho de sangue em nome da “democracia”?

Não nos mataram, seguimos persistente na caminhada. Não começou conosco, e nem terminará. Nossa caminhada é dura e não somos nós que morremos lentamente.

Quem morre.

Morre lentamente
quem destroi seu amor próprio
quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente
quem passa o dia queixando-se da má sorte
ou da chuva incessante.

Morre lentamente,
quem abandona um projeto antes de inicia-lo,
não pergunta sobre um assunto que desconhece,
ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.

Evitemos a morte em dose suave,
recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior
que o simples fato de respirar.
Somente a perseverância fará com que conquistemos
um estágio esplêndido de felicidade.

Pablo Neruda